quarta-feira, 4 de junho de 2008

Vestidos de baptizado

A madrinha quis pagar o que lhe competia. Como não queria abusar da sua boa vontade, e não cometer o mesmo abuso da cunhada que me pediu uma pequena fortuna pela fatiota completa da minha sobrinha, comecei a procurar calmamente nas lojas mais conhecidas - Praça do Chile e Av. Almirante Reis. Vi uns engraçados e baratos, mas nada que nos enchesse o olho. Um dia, por acaso, à procura do tecido para o cortinado da M. dei com uma loja pequenina, perdida numa esquina de Campo de Ourique - Mariadelina. Gerida e atendida por uma família, mãe e filhas, de bom gosto (por vezes demasiado "bem"), aposta na roupa, sobretudo de cerimónia/baptizado, e na decoração de quarto de bebés. Para o carote, mas acima de tudo com coisas diferentes. Espreitei e gostei tanto que fiquei de lá voltar no fim-de-semana com o B. para que ele dissesse de sua justiça. Lá fomos, num sábado de manhã, e o B. gostou, mas quis ver mais, até por causa dos preços. Fomos para a baixa, directos para a Coquette, a loja (que recomendo vivamente) onde comprei o meu vestido de noiva, onde vimos um que o pai adorou. Ficámos num impasse. O meu era branco (ponto a favor, tendo em conta que era um baptizado), em cambraia, com rendas q.b. e uma touca de morrer. Lembrava os vestidos antigos ingleses. O do B. era mais comprido, em seda selvagem, por isso creme, e com muito poucos pormenores, mais ao jeito dos vestidos de baptizado actuais de bom gosto. Ambos gostávamos dos dois, mas cada um com a sua preferência. Combinei com a madrinha e num outro sábado (chovia a cântaros), fomos primeiro a Campo de Ourique e depois pusemos-nos a caminho da baixa pombalina, para tirar teimas. Experimentámos os dois na M., que toda sorrisos, parecia uma bonequinha, com a touca a arrematar o quadro, fazendo as delícias de toda a gente. A madrinha ao ver o primeiro achou que não ia gostar do segundo. Afinal, gostou imenso do segundo também. Como não desempatou, disse-nos para chegarmos a uma conclusão entre os dois, senão ela atirava a moeda ao ar. Depois de algum tempo a tentarmos convencermo-nos mutuamente, o B. acabou por ceder e deixou-me comprar o meu. Não se arrependeu. Ficou linda! Foi um sucesso, com touca e tudo, e arrebatou corações no dia do baptizado.

4 anos de casados

Depois de juntos há 4, decidimos casar para podermos pensar na etapa seguinte - os filhos. Depois, vieram os projectos, os medos, as mariquices e o egoismo ao de cima, e afinal aqueles, ou aquela, melhor dizendo, só apareceu agora. O balanço de um casamento, para mim que sou jurista agnóstica, e que por isso encara estas coisas de uma forma muito simples - o casamento nada mais é do que um contrato - é acima de tudo positivo. Muitos dizem que depois de casados a relação começa a correr mal, que os primeiros 3, 7 ou 12 anos são os melhores, que o sentimento de compromisso é diferente e fica-se mais agarrado, entre outras teorias brilhantes. Para nós, não tem sido assim. Casar é igual a estar amancebado (em homenagem ao meu caríssimo pai ;), ninguém se sente agarrado a nada - estamos porque queremos e gostamos - e quanto muito, o primeiro ano (de união de facto, não de casamento) foi o pior porque tivemos de nos adaptar às idiossincrassias, caprichos e manias do outro. Entre o bom e o mau, a saúde e a doença, a bondade e o mau feitio, fomos-nos fortalecendo como casal e como pessoas. Agora, 4 anos depois, com a filha já cá fora, descobrimos outras coisas, coisas novas no outro - o carinho, a facilidade de lidar, a ternura e a capacidade de brincar - novidades sempre boas de descobrir. Espero que estes 4 se repitam e se multipliquem por muitos mais, para que a M. tenha um bom exemplo do que é uma Relação a sério, que pode ou não implicar um casamento.

Pêlos

Descobriu que o pai tem pêlos nas pernas. É giro de ver a M. a tentar agarrá-los, fixando-se num ponto da sua perna, e depois desajeitadamente tentar agarrá-los às três pancadas. Quando finalmente alcança o seu objectivo, de contente, puxa com força e olha para o pai com ar feliz. O pai corresponde com um ai valente ou com uma careta que só vista. Mas tirar-lhe a mão e impedi-la de repetir, que é bom, está quieto!...

Amama!

Quando está zangada e quer chorar, faz queixinhas... Assim, tal e qual. Parece que se está a queixar de mim ou a mim, dependendo da perspectiva.

Dadadadadadada!!!!

É a nova conversa da minha filha. Está imenso tempo com isto e deixa o pai quebrado de sentimento quando revê o filme que guardou para a posteridade mais esta gracinha.

Ainda é possível fazer amizades sinceras

"Apareci por um acaso, pelo destino, mas continuo porque quero e tu também, por isso, não deixarei mais de estar. Com ou sem passeios frequentes; com mais ou menos e-mails ou telefonemas, é para ligares quando quiseres, puderes ou precisares; é para "abusares" sempre, porque não abusas. O mesmo ao teu marido e à tua filha, que estarão sempre e igualmente debaixo da minha asa - que tanto é enorme, como precisa de ser cuidada… Mas quanto a isso, somos todos assim, certo?"... Obrigada, amiga!...

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Esfrega a orelha

Quando começa a ficar cansada, ainda com muita trapalhice e pouca pontaria, começa a levar a mão à orelha esquerda para a esfregar. Palpita-me que vai ser o seu truque especial para adormecer dentro de uns tempos.

Mais uma descoberta

Já leva o pé à boca. Quando a deitamos para lhe mudar a fralda, e fica com os pés a descoberto, pega logo no direito e toca de o levar à boca. Depois chucha como se fosse o dedo da mão. Ontem, conseguiu o prodígio de chuchar o dedo do pé com o polegar esticado em posição de chuchar! Assim, se falhasse um, já lá estava o outro em substituição. Coitada, ainda se baralha um bocado... Escuso de dizer que se torna cada vez menos evidente mudar-lhe a fralda...

terça-feira, 20 de maio de 2008

Olhos

Para mim, junto com aquele sorriso irresistível, são os olhos o que a M. tem de mais bonito. Amendoados, com uma pequena curva para cima na parte interior, castanhos, de olhar profundo e que não se desvia. Meigos e dependentes quando está com a mimalhice. Extremamente expressivos, que até com a rolha daquela chucha na boca, se consegue perceber que está a sorrir, quanto mais quando se ri. O pai achou um disparate esta minha afirmação - não há nada de mais bonito na filha dele: é tudo igualmente bonito... Menina do papá...

Dar aos pés

No muda-fraldas em cima da cómoda dela está a ficar dificil. Já se vira toda para chegar com a mão à cesta com os cremes, as compressas e outros quejandos. É preciso enganá-la com um brinquedo qualquer para ficar virada para cima, senão fechar a fralda é tarefa quase impossível. O mesmo se passa com as calças. Enfia-se uma perna. Quando já está, tenta-se a outra. A primeira desenfia-se numa fracção de segundos. Volta-se ao mesmo depois de enfiar a segunda, regressando à primeira. Pois. Já saiu esta última outra vez. É o jogo do põe e tira, tira e põe.

Dá cá uma beijoca

Frase do meu pai para a neta quando se despediu dela ontem!!! Depois dobrou-se todo e acertou-lhe em cheio na testa com um beijinho quase fugitivo. Da vez anterior fez o mesmo. Nem parece o sr. coronel! O que uma neta consegue sem saber, que a filha conscientemente em tantos anos não conseguiu (também não tentei muito, verdade seja dita)...

Chucha

Dantes, era possível enganá-la com a dita quando já só estava a mamar por miminho. Quando eu via que já não tinha fome, dava-lhe a chucha à laia do engano e ela calava-se. Agora... Mesmo quando adormece na mama, e eu, cuidadosamente, tiro-lha para o pai, num jogo de dedos, lhe enfiar a chucha em substituição, já dá conta. Começa a pôr a língua de fora e, sem apelo nem agravo, chora por mais mama. Ninguém lhe consegue dar a chucha. É preciso pegar nela ao colo, geralmente, alguém que não eu para não ficar ainda mais irritada, e acalmá-la. Está a ficar esperta a menina...

Anhanha!anhanhanha!

É assim que a M. chora agora. Até parece que já quer falar...

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Pais não ouvem...

Deve ser genético... Só pode. A M. ainda está no berço ao lado da nossa cama. Ela dorme a noite toda, mas por vezes chora a dormir ou mexe-se mais e faz barulhos. De todas as vezes eu acordo porque dou pela coisa e normalmente ponho-lhe a chucha. Todos os dias de manhã queixava-me por não conseguir dormir por causa da filha que dorme toda a noite, especialmente porque o B. de todas as vezes não acorda e continua a ressonar, se preciso for. O B., a páginas tantas, propõe-me trocar de lugar na cama, para eu poder dormir descansada, convicto de que eu estou a exagerar e que é mentira que a M. precise de tanta atenção durante a noite. Pois... As primeiras noites correram bem. Ela fazia barulhos, ele acordava e punha-lhe a chucha. Mas... Eu também acordava na mesma, não dava era parte de fraca e deixava-me sossegada no meu canto. Depois, o B. começou a não dar conta do recado, e eu ia-lhe dando pantufadas debaixo do lençol para ele prestar atenção. Resumindo, continuava a acordar e o B. as mesmas vezes que antes de trocarmos de lugar - quando a M. chora a sério. Acabei por trocar de lugar outra vez. Mais vale! Já tentei pôr a M. na cama dela, no quarto dela, mas o pai não me deixou - "coitadinha!...". Esta semana preparei-o todos os dias para a ideia que ela hoje à noite vai passar para lá. Mas... Ela esteve com febre e passou mal a noite... Não sei, não...

Ficou com febre

No dia seguinte às vacinas a M. acordou com febre. Nada de anormal, já sabiamos que seria possível, apesar de nunca ter tido qualquer tipo de reacção por causa das vacinas antes. A ama pôs-lhe o Ben-u-ron enquanto vinhamos embora. Passou bem durante o dia e quando cheguei a casa estava bem-disposta, apesar de quente. Estava com 38.8º, mas sempre com um sorriso na cara. Mais um Ben-u-ron e ela aguentou-se à bronca - um pouco rabugenta, mais chorona do que o costume, mas nada de extraordinário. O pior foi a noite. A febre voltou a subir e ela estava muito irrequieta. Mamou às 23h30 e adormeceu na mama, mas quando a tirei acordou e já não quis dormir. O B. ainda tentou enfiá-la na nossa cama, sob o argumento que estava doente, mas comigo não pegou. Ao fim de um bom bocado a insistir, lá a pôs no berço e depois, meio amuado, deitou-se e adormeceu. Fiquei eu, com uma pedrada de sono de todo o tamanho à conta de uma noitada no dia anterior por causa do trabalho de fim de curso do cunhado que precisava de ser corrigido (e se precisava!!!), a tentar acalmá-la. Acabei por adormecer com a mão dentro do berço, tendo a perfeita noção de que fui para o reino de Orfeu a cantar "O Manel tinha uma bola". Quando voltei a abrir o olho, ela já dormia. Mas não num sono profundo. Durante a noite, acordei "n" vezes com o choro dela, apesar de ela estar a dormir. Parecia um jogo: doía, chorava, eu saltava a cabeça da almofada, saída de um sono profundo, punha-lhe a chucha estremunhada e adormecíamos as duas outra vez. O B. sempre a dormir... Hoje de manhã foi um castigo para acordar e ainda por cima, quando me queixei, ainda ouvi o marido a dizer "eu disse que ela devia ter ficado na nossa cama, ela está doente". Santa paciência...

Foi à pica

Foi levar as vacinas dos 6 meses na 4ª-feira. Como de costume fomos à tipiquita (entenda-se, a amiga enfermeira), fora de horas, aos Francisquinhos, para que seja possível ser o pai B. a segurar na pernoca gordinha da filha enquanto esta leva a pica e a mãe foge a 7 pés dali. Desta vez, o castigo foi no muda-fraldas, na WC, enquanto eu esperava do lado de fora, de olhos semi-cerrados. Esperei pelo choro. Não ouvi nada. Tornei a não ouvir nada. Até que a enfermeira me chama à recepção porque a filha já estava despachada. A cachopa não chorou!!! Levou duas picas, uma em cada perna, e não chorou!!! Parece que fez careta feia, mas com a brincadeira do pai e da amiga distraiu-se e superou a prova com nota 10!!! Bem diz a tia enfermeira: é mais maricas a mãe do que a filha!...

UUUpaaaaa!!!

É assim que a entusiasmo a levantar-se e a ficar sentada. Com ela deitada, dou-lhe as mãos e grito "Upaa!" e, sem fazer quase força nenhuma, vê-se a M. a levantar a cabeça, encolher os ombros, fazer careta de quem está a fazer força e levantar-se. Já sentada, delira com aquela perspectiva e olha em redor para cuscar tudo. Costuma acabar de barriga para baixo porque viu qualquer coisa que lhe despertou o interesse e debruça-se tanto que fica noutra posição involuntariamente.

Esta é a dor do pai B...

Este foi o mail que o pai B. recebeu... Penso que diz muito dele...

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Estranhou

O avô veio visitá-la hoje. Não é que a madame chorou?! Nitidamente, estranhou aquela pessoa que não vê muitas vezes. A ama bem a tentava distrair, eu fazia a minhas gracinhas, mas sem grande insistência, mas ela só sabia olhar para mim e chorar, ou pelo menos mostrar o beicinho. Mas o avô aguentou-se à bronca! Levou-a à janela, fez-lhe graçolas e caretas, conversou com ela, até que a M. acalmou. Depois, como a vi a querer voltar ao mesmo, peguei nela um bocadinho, depois pu-la no tapete, e a patir daí já brincou com o avô. Dizem que entre os 6 e os 9 meses costumam reagir assim. Nem imagino como será com os outros avós que estão lá longe...