domingo, 22 de junho de 2008

Morder

Mamou, mordeu, sorriu com um "ehhh!" e voltou a morder, por esta ordem. Disse-lhe que não antes da segunda mordidela, mas ela foi e... mordeu outra vez, com o consequente sorriso acompanhado do "ehhh!", a mostrar os dentes de desenho animado. Voltei a dizer que não com ar zangado. Repetiu-se a cena, só que da terceira não chegou a morder - só abriu a boca, fez que ia fechar os dentes e olhou para mim. Como continuei de cara fechada a dizer não, franziu o sobrolho, sem perceber o que se estava a passar. O meu erro? Dizer não e deixar repetir - a pobre criança ficou sem perceber lá muito bem o que se estava a passar...

Despique

Na semana de férias descobri que a M. adora desafios. Ela faz "Hummmmm!!!!", esticando-se toda e cerrando os punhos, com ar malandro e divertido. Uma vez imitei-a. Ela deliciada, repetiu, e eu voltei a imitá-la. Daí para a frente foi vê-la a ela a fazer vários sons diferentes sempre da mesma forma e a mim a imitá-la à minha maneira. O pai também já faz e chega a provocá-la começando ele o jogo, assim como o tio (como não podia deixar de ser). Vamos entrando no desafio até um de nós se cansar. Normalmente, somos nós, pelo que não sei até que ponto esta brincadeirinha não é má ideia. Mas ela, ou melhor, nós divertimo-nos tanto!...

Prrrrfhhhpt!!!

O tio e a namorada tentaram, mas felizmente a M. teve mais juízo. Não é que os desgraçados andaram toda a semana a tentar ensiná-la a cuspir a comida. Era só verem o prato a ser preparado e lá começavam eles de volta dela, qual abelhinhas de volta das flores - "M! Prrrrfhhhhpt". Repetiam e repetiam, comigo a refilar e a fazer avisos e ameaças, sem qualquer efeito. A M. olhava para eles e sorria - com os olhos, porque a boca estava demasiado ocupada a abrir e fechar para emborcar a refeição. Não conseguiram. A sorte é que a M. é uma comilona de primeira água e adora comer, não tendo tempo por vezes para sequer saborear a comida, quanto mais para ainda a desperdiçar... Senão era banho de sopa e fruta todos os dias. Bem sei que os produtos naturais fazem bem à pele, mas não exageremos!...

Tio

Até à semana das férias (veremos a partir de agora), vivia na casa de praia o tio recém-licenciado. O meu cunhado mais novo, que eu fiz questão que tivesse um papel preponderante na vida da M. e por isso o convidei para padrinho, é o tio maluco - alcunha aposta pela sobrinha mais velha que o ama de paixão - e desempenha bem o seu papel, fazendo jus ao nome. A M. não parece ser excepção na perdição por este. Já bem pequenina, era o único que a controlava - tinha ela um mês acabados de fazer e já ninguém a calava quando tinha fome com excepção desta ave rara que calmamente pegava nela ao colo e conversava com ela - não à maneira do bebélez e sem bidu-bidus. Ela refilava e ele respondia-lhe - "tens razão, a mãe nunca mais vem", ela voltava a emitir um som e ele voltava à carga "é, nunca mais vem". Há qualquer coisa nele que fascina os míudos. Com 6 meses e meio, a M. já dá mais pica. Ri-se das piadolas e graçolas que lhe fazemos, por vezes com gargalhadas sonoras e reage, provocando-nos quando nos cansamos. Assim, o tio desempenhou o seu papel às mil maravilhas. Pregou-lhe sustos infindos, só para a ver a rir à gargalhada depois. Nem sempre media o volume do grito e às vezes viamos a desgraçada a dar saltos e abrir muito os olhos na cadeirinha e só depois sorrir. Até a mim, que não tenho tantos problemas com estas "brincadeiras parvas", como diz o pai, me doia o coração por vezes... Descobriu as cócegas nos pés e brincava com a chucha - tirava-lha e fazia que lha ia pôr na boca, nunca o concretizando. A M. ficava de boca aberta à espera, com um ar de expectativa, e quase que fechava quando a via vir. Vá lá, a frustração nunca a levou a chorar. Junto com a namorada, punham-se do lado de fora da janela e apareciam a fazer "cucu!" vezes sem conta só para ela, e recebiam em troca sorrisos e gargalhadas de derreter. Brincavam com a vaquinha Lola, o dou-dou dela, já sua amiga quase inseparável, pondo-a em cima da cabeça a tapar-lhe os olhos e depois tirando-a de repente para a fazer rir. No final, pode-se dizer que a terapia do riso funcionou - a M. vê o tio e até esperneia de felicidade!

Aventuras das férias

Fomos uma semana para casa dos meus sogros ao pé da Figueira da Foz experimentar pela primeira vez a praia. Ficam aqui as aventuras desses dias.

Ri-se com o nariz

Descobriu que, se franzir o sobrolho e o nariz e respirar com força, consegue emitir um som engraçado. Por isso, agora, ri-se muitas vezes assim. Costuma usar este método quando quer muito uma coisa. Olha fixamente para o que for (o prato de comida ou o iogurte por exemplo) e começa-se com aquilo. É de chorar a rir...

Suspiro

Por vezes, se lhe fizerem uma festa na cara quando está a dormir, esboça um pequeno sorriso. Se for eu, a resposta é mais gratificante ainda - dá um valente suspiro. Saio do quarto com um sorriso estampado na cara...

Lavar os dentes

Já tem 2 em baixo, por isso a conselho do meu dentista, já os lava. Não com escova e pasta de dentes, mas com uma compressa e água. Não é fã. Ao princípio achava graça - aquelas massagens na gengiva com ela a tentar morder tinha a sua piada. Mas com o tempo perdeu-a toda. Primeiro porque lhe lavo antes a cara com uma compressa para retirar o excesso de creme hidratante de fruta ou de papa que tem nos bigodes e depois porque me parece que a compressa não lhe sabe ao que ela quer. O dentista até disse que se conseguisse (foi esperto - fez a ressalva) lhe devia lavar a língua, para tirar os resíduos todos, mas isso nem pensar. Acho que tenho de mudar de estratégia...

Pai doente X mãe só para mim

O pai ficou doente. Quando regressámos do fim-de-semana do baptizado, à conta da busca quase infrutífera do fato certo em Viseu, fiquei constipada. De mim passou para a filha. Desta passou para o pai. Eu reagi relativamente bem, a filha mais ou menos, o pai ficou de molho à séria... Por causa disso, fiquei uma semana com a filha só para mim. Depois de jantarmos as duas, pegava nela e ia para cima da cama de visitas que ainda está no quarto dela, e brincava até à hora do banho e da mamada, com o pai no quarto ao lado, de molho, a morrer. Foram inúmeras as brincadeiras que tive de inventar para a entreter e como não tenho coragem de a deixar presa na cadeirinha entregue a si mesma (ainda não temos parque), eram cerca de 2h30 de palhaçada todas as noites com sua excelência. Era o upa para se levantar com a minha ajuda, era o escorrega nas minhas pernas, era o cavalinho e o xó-xó, eram as cócegas, era a formiguinha a passear no seu corpo, era o força! para a encorajar a ficar de gatas e muitos da-da-das. Ficávamos as duas exaustas... A consequência de tanto tempo só nós duas, foi que depois não queria outra coisa... Também graças ao estado de desgraça do pai, fomos as duas para o quarto dela dormir - se adoeço agora, acaba-se o leite. Assim, estreou a cama dela na véspera de irmos embora de férias, mas com batota, porque eu fiquei na cama ao lado...

Não

Os bebés não têm a mesma percepção do que nós da realidade - não vale a pena dar palmadas ou castigar que eles não perceber. Temos de ir pelo não, com ar sério e depois distrair com outra coisa, caso seja preciso. Pois é... Eu tenho fama de má. E exerço esse papel cá em casa como um dado adquirido. Mas... Já tentei - por vezes consigo, outras também não. É que a M. já nos topou a todos. Nós dizemos que não, ela vai e... sorri com um "ah!" à mistura, que por coincidência ou não, parece ser à laia da malandrice. Repete-se o não com um ar sério a desmanchar-se, e ela vai e repete a dose! Por vezes, derreto-me - mea culpa, mea mui grande culpa, grito eu, batendo com mão direita no peito, mas que hei-de fazer com uma marota assim?!

Ecocardiograma

Quando nasceu, o pediatra detectou um "sopro", que após o ecocardiograma feito à tarde, confirmou que não era nada - por vezes os recém-nascidos nascem com a membrana (canal arterial) que separa as válvuvas ainda por fechar, tendo até aos 6 meses para o fazer com naturalidade. Por isso mesmo, aos 6 meses marcou-se novo exame só para ter a ceretza que estava tudo bem, apesar de a pediatra não auscultar nada nas conslutas mensais de rotina. Lá fui, uma manhã para a Cruz Vermelha fazer uma visita à "sô toura" para ver se estava de facto tudo bem. Estava. Ainda recebi os parabéns da médica por ter uma fortalhaça bem-disposta e tão sossegadinha - a M. passou o exame inteiro a olhar com um ar muito espantado para a mulher que não conhecia de lado nenhum e lhe estava a pôr aquelas coisas no peito.

Beber água

É suposto beber em média 50 ml entre refeições. Pois... A M. sai à mãe - beber água está quieto ou brincas. O pai B. comprou-lhe água para bebés... Mais uma das mariquices que se inventaram para pais babados que gastam dinheiro para os seus meninos terem o melhor... Por mim, era água del cano fervida, mas ainda não me consegui impor (confesso que também ainda não tentei muito - deixá-lo com a sua água xpto). Dá-se-lhe o biberão pequeno com um pouco de água e ela sorri, larga a chucha com prontidão e abre a boca. Quando percebe que é água que sai do dito... Começa-se a rir, a mordiscar a tetina e a afastar com a mão quando está farta da brincadeira, com a água a escorrer pela boca até ao pescoço. O B. descobriu então os sumos da Milupa, supostamente sem aditivos ou açucar. É vê-la a mamar! Se lhe tiramos o biberão da boca, berra por mais, como se não houvesse amanhã e ainda é complicado conseguir acalmá-la. Felizmente, neste assunto a ama está comigo - água é melhor. Assim, durante o dia, vai insistindo e diz que a M. até bebe - não o suposto, mas bebe. Quando eu chego a casa, mostro-lhe as minhas tentativas frustradas e ela ri-se. Diz que é por eu cheirar a leite que não lhe consigo dar água. Eu já vi com os meus olhos - da ama ela aceita bem e bebe, a sacana!!! Quando acaba de beber, leva com um "ai que fresquinho!"como incentivo e a coisa dá-se. Mas o pai também não consegue, e não cheira a leite. Só se é porque já percebeu que o consegue levar melhor e tenta a sorte com o sumo!...

Comprou a ama

Já está! Diz-se que os bebés descobrem-nos os pontos fracos num instante. A M. confirma a teoria. Em pouquíssimo tempo apercebeu-se de que a ama não a pode ver chorar, e usa isso em seu proveito com uma pintarola que só vista... Quando chego a casa encontro-as sempre no sofá - uma a embalar e a outra a dormir embalada. Eu bem digo que não pode ser, mas a única coisa que recebo em troca como resposta é um sorriso envergonhado e doce de uma ama babada, que não é capaz de me dizer que não consegue, nem de que vai tentar. À minha insistência do não pode ser, o sorriso mantém-se até que muda de conversa - ou para as gracinhas da M. do dia, ou para o tchau de quem se vai embora para a sua protegida. Uma manhã confessou-me que os seus 3 filhos fizeram-lhe o mesmo - não pode ver os cachopos a chorar - "ainda por cima a M. tem um choro aflitivo!". É um facto. Quando chora, seja por que for, parece que a estão a esventrar viva. É uma exagerada. Com o pai B. a ajudar à festa e a dizer que acha muito bem, que a menina não tem nada que chorar, a ama sente-se protegida e por isso continua... Estou tramada!!!

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Fase mãe

Até aos 6 meses era mãe ou pai, não importava qual o colo, era-lhe indiferente. A partir daí, é mais mãe. Se estiver no colo da ama, estende-me os braços para vir para mim, já o pai nem sempre tem direito ao mesmo mimo. Na semana passada, pela primeira vez, chorou no colo do pai porque queria o meu. Escuso de explicar a cara de desolado do B., a dizer "Oh filha! É o pai!", certo?...

Domínio do corpo

Aos 6 meses, já segurava perfeitamente a cabeça levantada, estando de barriga para baixo e virava-se de costas em segundos. Era vê-la a contorcer-se e a virar e revirar até chegar ao brinquedo que queria. Nessa mesma posição, desloca-se para trás, fazendo força com os braços. Depois, com as brincadeiras com a ama, descobriu que é engraçado ficar de pé. Não quer outra coisa. Se estiver sentada, faz força com os pés como que a pedir que lhe segurem nos braços para se pôr de pé. Depois, toda contente, de sorriso vincado e ar altivo, olha em volta e tenta avançar com a nossa ajuda. É claro que ainda não dominava a técnica do andar e que nada mais fazia do que querer avançar meia arrastada por nós, mas não deixava de ser engraçado. Agora com 7 meses já quer pôr um pé à frente do outro, apesar de ainda não saber bem como. Está uma espertalhaça!

Manha da sopa

A M. come sempre sopa e fruta ao almoço e ao jantar. Descobriu que lhe davam a comida por esta ordem num ápice. Gosta de tudo e até hoje ainda não recusou nada. Mas gosta mais de fruta do que de sopa, como é normal, por ser doce. Assim, começa a choramingar a meio da sopa e a fazer de conta que a recusa. Mas só a fazer de conta, porque se lhe der mais uma colher, e mais outra ela abre a boca - nunca se nega! Primeiro pensei que fosse de não gostar, mas não fazia sentido por depois continuar a comer e porque o fazia com todas as sopas que já tinha provado antes. Depois pensei que fosse porque estava cheia, mas também não podia ser porque começava a fazer a fita a meio e ela come bem mais. Depois percebi. Queria saltar para a parte da fruta mais cedo... A malandra percebeu que a fruta estava à espera e queria era do bem bom! Mas não lhe dei trela. Come sempre a sopa toda e depois a fruta, que lá em casa não há pão para malucos...

Boné

Não costumo falar da roupa, mas este tem de ficar para a história. Aos 5 meses, o pai comprou-lhe na Benetton um boné rosa choque, a dizer "Sweet", com uma pala mole, própria para bebé, pelo qual ficou apaixonado. Ficava-lhe a matar! Os tamanhos nesta loja são pequenos - a M. , por si já grandona, também é cabeçuda (percentil 95 de perímetro cefálico... O pai detesta que eu diga isto ;) ), por isso comprou-se o último tamanho - para 9 meses. A ama passava a vida a pô-lo, apesar de haver mais chapéus, por gostar tanto de a ver com ele. Aos 6 meses e meio já não lhe servia... O pai desolado, não desistiu. Foi à loja para comprar o tamanho a seguir. Não havia. A senhora disse mesmo que não existia. Não conformado, foi a outra loja perguntar o mesmo. Nesta, lá lhe disseram que havia, mas que era para 1 ano, ou seja, já não era de bebé. Tudo bem, disse o pai contente, desde que seja igual... Lá veio o boné do armazém. A pala já é maior e dura, o rosa é mais escuro e atrás tem uma coisa para apertar. Mas não faz mal, o pai queria tanto, que se adaptou às diferenças. Depois, eu vi defeitos na pala - estava às manchas... O pai que tem o olhar apurado para estas coisas (muito mais do que eu) não viu, e ainda me perguntou se fazia mal... Lá raciocinou um pouco e perguntou se dava para ver onde havia noutras lojas. Havia um no Oeirasparque. Não é que mandou reservar?! E foi buscá-lo. Vaidosices de pai babado...

Óculos de sol

Fica um must! A M. com o sol nos olhos, fecha-os e faz cara de incomodada, virando-a para o lado. Perguntei à pediatra, que me respondeu que mais importante do que o protector solar, são os óculos de sol - o sol está perigosíssimo e de facto os bebés ficam muito incomodados. A conselho dos amigos de barriga, comprámos via net (www.babybanz.com), uns cor-de-rosa, com protecção UV e tira para segurar à cabeça, todos fashion. O pai estava numa ansiedade só para os experimentar. Quando chegaram, tentou-se. Para os pôr refila e choraminga, mas assim que fica com eles bem postos na cara e se apercebe que até são utéis, cala-se e fica muito quieta. Depois é vê-la, toda vaidosa, no carrinho, muito direita, toda tesa, e de ar muito sério a olhar para todos, qual rainha a passear por entre os seus súbditos.

Unhas...

Mania! Achou que era engraçado, enquanto mamava, cravar-me as unhas na mama... De uma falta de quietude, abanava-se toda, levantava a cabeça, olhava para os lados e para trás, a dar às pernas, sempre de mama na boca. Como isso não é muito compatível com mamar, implicava nem sempre conseguir saciar a fome e a curiosidade ao mesmo tempo. Assim, resolveu o problema: cravava as unhas e segurava a dita... Não imaginam a gracinha que isso tinha... As unhas da madame são como as dos gatos pequeninos - afiadinhas. Isso somado ao facto de a mama andar para trás e para a frente, upa, upa! Optei por pôr a minha mão a tapar a mama e via-a a tentar agarrar a coisa mole a que ela estava habituada. Como não conseguia, acabava por acalmar. Tantas vezes lhe fiz isso que acabou por desistir... Bolas!