domingo, 22 de junho de 2008

Desajeitada

A minha sogra tem um edredão que serve de tapete de actividades gigante da M. Estendemos-lo no chão da sala, pomos almofadas em toda a volta e um de nós deita-se no chão ao pé dela. Estava sentada quando eu lhe fiz uma palhaçada qualquer. Riu-se. Ao rir, caiu para trás com um ar muito espantado. O ar era impagável!...

Banho connosco

Experimentámos depois da praia, uma banhoca na banheira com um de nós, já de banho tomado, é claro, e de fato-de-banho vestido. Da primeira vez comigo, da vez seguinte com o pai, que tem de experimentar tudo (e ainda bem!). Pudemos encher mais a banheira, pois estava segura por nós, pelo que deu para lhe dar a noção do boiar e de alguns movimentos dentro de água. Foi divertido - não sei bem quem mais é que gostou da experiência, se ela, se nós. Eu sentei-a de costas para mim primeiro e levantei-a um pouco, o que imediatamente teve como consequência ela começar a dar às pernas como se fosse uma rã. É fantástico como o instinto nos é inato! Depois virei-a de frente para mim e com as mãos por baixo deixei-a a flutuar. Primeiro, estranhou e olhou em torno a tentar perceber o que se estava a passar, depois riu-se e deixou-se levar por mim. Com o pai, as brincadeiras foram outras: bater com as mãos na água para molhar tudo e todos, ficar de pé na banheira para cuscar tudo e observar tudo muito seriamente encostada ao seu mais que tudo. Para repetir!

Papa com água

Provou na semana de férias, pois não era prático levar o meu leite congelado para a Figueira. Para não ser diferente, adorou e quer mais como com tudo o que leva à boca de comida. Eu, pela minha parte, descobri que é mais fácil de fazer - fica mais depressa com a consistência de papa, enquanto que as feitas com leite parecem sempre mais aguadas. Agora que regressou a casa, voltou às não lácteas sem se queixar - fizemos as contas: se continuar a mamar sem percalços, temos leite para quase 3 meses de papa... Venha leite congelado!!!

Espelhos

A minha sogra tem uma catrefada de espelhos espalhados pela casa - um em cada uma das entradas, um em cada quarto e um em cada WC. A M. já gostava de se ver ao espelho, sorrindo para si mesma. Na casa de praia mudou um pouco o registo: agora, olha, ri-se e esperneia, fazendo uma festa enorme à coisa. Depois, olha para nós encantada e volta a olhar para o nosso reflexo. Também já nos direcciona o olhar através dos espelhos. Tenta lá chegar e quando deixamos, dá uma data de pancaditas com a mão deliciada. Resultado: no último dia, o pai andou de pano na mão a limpar os espelhos todos porque estavam cheinhos de dedadas e mãozadas da M.

I'm the Queen of the world!

Até parece que a M. viu o Titanic e o DiCaprio a gritar na popa (ou proa? Já não me lembro...) do barco... Agora que descobriu que é mais giro estar sempre de pé - com a nossa ajuda, é claro - um dia, na praia, agarrou-se ao guarda-sol, olhou para um lado e gritou "eihhhh!", olhou para o outro e fez o mesmo, esticando-se toda e ficando toda direita. Não sei se foi a grandeza da coisa, se a alegria, se pura e simplesmente feitio, mas foi engraçado de ver.

Praia

O primeiro e segundo dia não estavam bons para a praia - muuuuuuuuito vento tornou a praia fria. Ainda por cima, como somos principiantes nestas coisas, não tinhamos tenda para proteger. Fomos, mas atrasados (para variar), pelo que a praia já só seria para 1 hora de gozo, pois às 11h já não são horas para meninos pequeninos (nem niguém, já agora) levar com aqueles raios solares. Nem 1 hora estivemos. Estava um gelo. A M. nem percebeu muito bem o que era aquilo. No terceiro dia, melhorou e nós já tínhamos a famigerada tenda comprada. Deitámos a M. no meio de 2 toalhas para não ir parar à areia e montámos a dita. Depois, peguei nela e dei-lhe a conhecer a areia como deve de ser: sentei-a na respectiva e deixei cair em cima das mãos e dos pés. Adorou! De tal maneira, que a certa altura, começou a agarrar punhados de areia e desajeitadamente a levá-la à boca. Foi um fartote de rir para mim ver a filha a ficar com a boca cheia de areia e o pai, já a ficar zangado, a ralhar comigo porque ainda tinha menos juízo do que ela... A seguir, para parar com a brincadeira, o pai pegou nela ao colo e levou-a até á beira da água. Estava bandeira vermelha e um mar gelado (só para não variar...). Mesmo assim, a medo, o B. decidiu molhar-lhe os pés para ver a reacção. Voltou a adorar! Sempre que vinha uma onda, esperneava e dava aos pés como que a dizer baixa-me, baixa-me! Não chegou a tomar banho dia nenhum porque a água é gélida e no último dia, que até estava melhor e até eu fui a banhos, tinha acabado de comer a papa, por isso tivemos receio de uma congestão. Mas ficou comprovado que nós (mais o pai) vamos passar algumas horas de frio a segurá-la na água mais tarde...

Morder

Mamou, mordeu, sorriu com um "ehhh!" e voltou a morder, por esta ordem. Disse-lhe que não antes da segunda mordidela, mas ela foi e... mordeu outra vez, com o consequente sorriso acompanhado do "ehhh!", a mostrar os dentes de desenho animado. Voltei a dizer que não com ar zangado. Repetiu-se a cena, só que da terceira não chegou a morder - só abriu a boca, fez que ia fechar os dentes e olhou para mim. Como continuei de cara fechada a dizer não, franziu o sobrolho, sem perceber o que se estava a passar. O meu erro? Dizer não e deixar repetir - a pobre criança ficou sem perceber lá muito bem o que se estava a passar...

Despique

Na semana de férias descobri que a M. adora desafios. Ela faz "Hummmmm!!!!", esticando-se toda e cerrando os punhos, com ar malandro e divertido. Uma vez imitei-a. Ela deliciada, repetiu, e eu voltei a imitá-la. Daí para a frente foi vê-la a ela a fazer vários sons diferentes sempre da mesma forma e a mim a imitá-la à minha maneira. O pai também já faz e chega a provocá-la começando ele o jogo, assim como o tio (como não podia deixar de ser). Vamos entrando no desafio até um de nós se cansar. Normalmente, somos nós, pelo que não sei até que ponto esta brincadeirinha não é má ideia. Mas ela, ou melhor, nós divertimo-nos tanto!...

Prrrrfhhhpt!!!

O tio e a namorada tentaram, mas felizmente a M. teve mais juízo. Não é que os desgraçados andaram toda a semana a tentar ensiná-la a cuspir a comida. Era só verem o prato a ser preparado e lá começavam eles de volta dela, qual abelhinhas de volta das flores - "M! Prrrrfhhhhpt". Repetiam e repetiam, comigo a refilar e a fazer avisos e ameaças, sem qualquer efeito. A M. olhava para eles e sorria - com os olhos, porque a boca estava demasiado ocupada a abrir e fechar para emborcar a refeição. Não conseguiram. A sorte é que a M. é uma comilona de primeira água e adora comer, não tendo tempo por vezes para sequer saborear a comida, quanto mais para ainda a desperdiçar... Senão era banho de sopa e fruta todos os dias. Bem sei que os produtos naturais fazem bem à pele, mas não exageremos!...

Tio

Até à semana das férias (veremos a partir de agora), vivia na casa de praia o tio recém-licenciado. O meu cunhado mais novo, que eu fiz questão que tivesse um papel preponderante na vida da M. e por isso o convidei para padrinho, é o tio maluco - alcunha aposta pela sobrinha mais velha que o ama de paixão - e desempenha bem o seu papel, fazendo jus ao nome. A M. não parece ser excepção na perdição por este. Já bem pequenina, era o único que a controlava - tinha ela um mês acabados de fazer e já ninguém a calava quando tinha fome com excepção desta ave rara que calmamente pegava nela ao colo e conversava com ela - não à maneira do bebélez e sem bidu-bidus. Ela refilava e ele respondia-lhe - "tens razão, a mãe nunca mais vem", ela voltava a emitir um som e ele voltava à carga "é, nunca mais vem". Há qualquer coisa nele que fascina os míudos. Com 6 meses e meio, a M. já dá mais pica. Ri-se das piadolas e graçolas que lhe fazemos, por vezes com gargalhadas sonoras e reage, provocando-nos quando nos cansamos. Assim, o tio desempenhou o seu papel às mil maravilhas. Pregou-lhe sustos infindos, só para a ver a rir à gargalhada depois. Nem sempre media o volume do grito e às vezes viamos a desgraçada a dar saltos e abrir muito os olhos na cadeirinha e só depois sorrir. Até a mim, que não tenho tantos problemas com estas "brincadeiras parvas", como diz o pai, me doia o coração por vezes... Descobriu as cócegas nos pés e brincava com a chucha - tirava-lha e fazia que lha ia pôr na boca, nunca o concretizando. A M. ficava de boca aberta à espera, com um ar de expectativa, e quase que fechava quando a via vir. Vá lá, a frustração nunca a levou a chorar. Junto com a namorada, punham-se do lado de fora da janela e apareciam a fazer "cucu!" vezes sem conta só para ela, e recebiam em troca sorrisos e gargalhadas de derreter. Brincavam com a vaquinha Lola, o dou-dou dela, já sua amiga quase inseparável, pondo-a em cima da cabeça a tapar-lhe os olhos e depois tirando-a de repente para a fazer rir. No final, pode-se dizer que a terapia do riso funcionou - a M. vê o tio e até esperneia de felicidade!

Aventuras das férias

Fomos uma semana para casa dos meus sogros ao pé da Figueira da Foz experimentar pela primeira vez a praia. Ficam aqui as aventuras desses dias.

Ri-se com o nariz

Descobriu que, se franzir o sobrolho e o nariz e respirar com força, consegue emitir um som engraçado. Por isso, agora, ri-se muitas vezes assim. Costuma usar este método quando quer muito uma coisa. Olha fixamente para o que for (o prato de comida ou o iogurte por exemplo) e começa-se com aquilo. É de chorar a rir...

Suspiro

Por vezes, se lhe fizerem uma festa na cara quando está a dormir, esboça um pequeno sorriso. Se for eu, a resposta é mais gratificante ainda - dá um valente suspiro. Saio do quarto com um sorriso estampado na cara...

Lavar os dentes

Já tem 2 em baixo, por isso a conselho do meu dentista, já os lava. Não com escova e pasta de dentes, mas com uma compressa e água. Não é fã. Ao princípio achava graça - aquelas massagens na gengiva com ela a tentar morder tinha a sua piada. Mas com o tempo perdeu-a toda. Primeiro porque lhe lavo antes a cara com uma compressa para retirar o excesso de creme hidratante de fruta ou de papa que tem nos bigodes e depois porque me parece que a compressa não lhe sabe ao que ela quer. O dentista até disse que se conseguisse (foi esperto - fez a ressalva) lhe devia lavar a língua, para tirar os resíduos todos, mas isso nem pensar. Acho que tenho de mudar de estratégia...

Pai doente X mãe só para mim

O pai ficou doente. Quando regressámos do fim-de-semana do baptizado, à conta da busca quase infrutífera do fato certo em Viseu, fiquei constipada. De mim passou para a filha. Desta passou para o pai. Eu reagi relativamente bem, a filha mais ou menos, o pai ficou de molho à séria... Por causa disso, fiquei uma semana com a filha só para mim. Depois de jantarmos as duas, pegava nela e ia para cima da cama de visitas que ainda está no quarto dela, e brincava até à hora do banho e da mamada, com o pai no quarto ao lado, de molho, a morrer. Foram inúmeras as brincadeiras que tive de inventar para a entreter e como não tenho coragem de a deixar presa na cadeirinha entregue a si mesma (ainda não temos parque), eram cerca de 2h30 de palhaçada todas as noites com sua excelência. Era o upa para se levantar com a minha ajuda, era o escorrega nas minhas pernas, era o cavalinho e o xó-xó, eram as cócegas, era a formiguinha a passear no seu corpo, era o força! para a encorajar a ficar de gatas e muitos da-da-das. Ficávamos as duas exaustas... A consequência de tanto tempo só nós duas, foi que depois não queria outra coisa... Também graças ao estado de desgraça do pai, fomos as duas para o quarto dela dormir - se adoeço agora, acaba-se o leite. Assim, estreou a cama dela na véspera de irmos embora de férias, mas com batota, porque eu fiquei na cama ao lado...

Não

Os bebés não têm a mesma percepção do que nós da realidade - não vale a pena dar palmadas ou castigar que eles não perceber. Temos de ir pelo não, com ar sério e depois distrair com outra coisa, caso seja preciso. Pois é... Eu tenho fama de má. E exerço esse papel cá em casa como um dado adquirido. Mas... Já tentei - por vezes consigo, outras também não. É que a M. já nos topou a todos. Nós dizemos que não, ela vai e... sorri com um "ah!" à mistura, que por coincidência ou não, parece ser à laia da malandrice. Repete-se o não com um ar sério a desmanchar-se, e ela vai e repete a dose! Por vezes, derreto-me - mea culpa, mea mui grande culpa, grito eu, batendo com mão direita no peito, mas que hei-de fazer com uma marota assim?!

Ecocardiograma

Quando nasceu, o pediatra detectou um "sopro", que após o ecocardiograma feito à tarde, confirmou que não era nada - por vezes os recém-nascidos nascem com a membrana (canal arterial) que separa as válvuvas ainda por fechar, tendo até aos 6 meses para o fazer com naturalidade. Por isso mesmo, aos 6 meses marcou-se novo exame só para ter a ceretza que estava tudo bem, apesar de a pediatra não auscultar nada nas conslutas mensais de rotina. Lá fui, uma manhã para a Cruz Vermelha fazer uma visita à "sô toura" para ver se estava de facto tudo bem. Estava. Ainda recebi os parabéns da médica por ter uma fortalhaça bem-disposta e tão sossegadinha - a M. passou o exame inteiro a olhar com um ar muito espantado para a mulher que não conhecia de lado nenhum e lhe estava a pôr aquelas coisas no peito.

Beber água

É suposto beber em média 50 ml entre refeições. Pois... A M. sai à mãe - beber água está quieto ou brincas. O pai B. comprou-lhe água para bebés... Mais uma das mariquices que se inventaram para pais babados que gastam dinheiro para os seus meninos terem o melhor... Por mim, era água del cano fervida, mas ainda não me consegui impor (confesso que também ainda não tentei muito - deixá-lo com a sua água xpto). Dá-se-lhe o biberão pequeno com um pouco de água e ela sorri, larga a chucha com prontidão e abre a boca. Quando percebe que é água que sai do dito... Começa-se a rir, a mordiscar a tetina e a afastar com a mão quando está farta da brincadeira, com a água a escorrer pela boca até ao pescoço. O B. descobriu então os sumos da Milupa, supostamente sem aditivos ou açucar. É vê-la a mamar! Se lhe tiramos o biberão da boca, berra por mais, como se não houvesse amanhã e ainda é complicado conseguir acalmá-la. Felizmente, neste assunto a ama está comigo - água é melhor. Assim, durante o dia, vai insistindo e diz que a M. até bebe - não o suposto, mas bebe. Quando eu chego a casa, mostro-lhe as minhas tentativas frustradas e ela ri-se. Diz que é por eu cheirar a leite que não lhe consigo dar água. Eu já vi com os meus olhos - da ama ela aceita bem e bebe, a sacana!!! Quando acaba de beber, leva com um "ai que fresquinho!"como incentivo e a coisa dá-se. Mas o pai também não consegue, e não cheira a leite. Só se é porque já percebeu que o consegue levar melhor e tenta a sorte com o sumo!...

Comprou a ama

Já está! Diz-se que os bebés descobrem-nos os pontos fracos num instante. A M. confirma a teoria. Em pouquíssimo tempo apercebeu-se de que a ama não a pode ver chorar, e usa isso em seu proveito com uma pintarola que só vista... Quando chego a casa encontro-as sempre no sofá - uma a embalar e a outra a dormir embalada. Eu bem digo que não pode ser, mas a única coisa que recebo em troca como resposta é um sorriso envergonhado e doce de uma ama babada, que não é capaz de me dizer que não consegue, nem de que vai tentar. À minha insistência do não pode ser, o sorriso mantém-se até que muda de conversa - ou para as gracinhas da M. do dia, ou para o tchau de quem se vai embora para a sua protegida. Uma manhã confessou-me que os seus 3 filhos fizeram-lhe o mesmo - não pode ver os cachopos a chorar - "ainda por cima a M. tem um choro aflitivo!". É um facto. Quando chora, seja por que for, parece que a estão a esventrar viva. É uma exagerada. Com o pai B. a ajudar à festa e a dizer que acha muito bem, que a menina não tem nada que chorar, a ama sente-se protegida e por isso continua... Estou tramada!!!