Estreou-se nas férias. Desafiados pelo tio, fomos a uma marisqueira atrás de um rodízio de marisco a € 17/pessoa, bebidas excluídas. O D. Fininho, em Cantanhede, faz jus à fama que tem e aproxima-se perigosamente das parrilhadas de Vigo (nham! nham!...). Veio uma travessa gigante de marisco para a mesa, com gambas grandes fritas, gambas cozidas, gambas pequeninas com alho, ameijoas, mexilhões com natas, sapateira, ostras, navalheiras e perceves e ainda nos pediram desculpa porque o bloqueio dos camionistas não permitia pôr tudo a que tínhamos direito... Depois de esvaziada, esta travessa é levada para a cozinha para encher outra e outra vez, até rebentarmos de marisco. Acho que ficou provado nesse dia que a M. não é alérgica aos bichos, tendo em conta a quantidade que eu comi mesmo antes da mamada da noite... A nossa M. portou-se divinalmente. Não chorou, não dormiu e entreteve-se sozinha, porque isto de comer marisco, é com as mãos, por isso não deu muito para brincar com ela. Observou e mirou tudo e todos que lá estavam, nomeadamente duas meninas que brincavam, tendo ficado encantada com a mais nova, que teria o seu ano e meio. No final, recebemos os parabéns do dono do restaurante, que logo no início, ao explicar como funcionavam, aconselhou a que numa próxima ida não levássemos o bebé por causa da confusão e do barulho permanente.
domingo, 22 de junho de 2008
Restaurante
Soneca da manhã
A M. tem por hábito dormir (quando dorme) duas sestas durante o dia - ao final da manhã e depois do lanche. Na semana de férias, cumpriu a primeira e antecipou em maioria a segunda para depois do almoço, por causa do calor e do cansaço. Todos os dias, por volta das 10h, dava-lhe o sono e começava a chorar com a birra do sono no meio da praia. Se já em casa mal consigo domesticar o marido para não a adormecer ao colo, então fora de casa... Pegava nela, levava-a para a beira da água e conversava baixinho. Ela enroscava-se debaixo do queixo e ali ficava, a adormecer ao som da voz serena do pai e das ondas que rebentavam de mansinho só para ela. Não me meti - foi um ritual bonito de se assistir todos os dias àquela hora.
Sentou-se sem cair!
Foi no dia 14 de Junho. A praia e aquela areia fofinha deram jeito para treinar.
Desajeitada
A minha sogra tem um edredão que serve de tapete de actividades gigante da M. Estendemos-lo no chão da sala, pomos almofadas em toda a volta e um de nós deita-se no chão ao pé dela. Estava sentada quando eu lhe fiz uma palhaçada qualquer. Riu-se. Ao rir, caiu para trás com um ar muito espantado. O ar era impagável!...
Banho connosco
Experimentámos depois da praia, uma banhoca na banheira com um de nós, já de banho tomado, é claro, e de fato-de-banho vestido. Da primeira vez comigo, da vez seguinte com o pai, que tem de experimentar tudo (e ainda bem!). Pudemos encher mais a banheira, pois estava segura por nós, pelo que deu para lhe dar a noção do boiar e de alguns movimentos dentro de água. Foi divertido - não sei bem quem mais é que gostou da experiência, se ela, se nós. Eu sentei-a de costas para mim primeiro e levantei-a um pouco, o que imediatamente teve como consequência ela começar a dar às pernas como se fosse uma rã. É fantástico como o instinto nos é inato! Depois virei-a de frente para mim e com as mãos por baixo deixei-a a flutuar. Primeiro, estranhou e olhou em torno a tentar perceber o que se estava a passar, depois riu-se e deixou-se levar por mim. Com o pai, as brincadeiras foram outras: bater com as mãos na água para molhar tudo e todos, ficar de pé na banheira para cuscar tudo e observar tudo muito seriamente encostada ao seu mais que tudo. Para repetir!
Papa com água
Provou na semana de férias, pois não era prático levar o meu leite congelado para a Figueira. Para não ser diferente, adorou e quer mais como com tudo o que leva à boca de comida. Eu, pela minha parte, descobri que é mais fácil de fazer - fica mais depressa com a consistência de papa, enquanto que as feitas com leite parecem sempre mais aguadas. Agora que regressou a casa, voltou às não lácteas sem se queixar - fizemos as contas: se continuar a mamar sem percalços, temos leite para quase 3 meses de papa... Venha leite congelado!!!
Espelhos
A minha sogra tem uma catrefada de espelhos espalhados pela casa - um em cada uma das entradas, um em cada quarto e um em cada WC. A M. já gostava de se ver ao espelho, sorrindo para si mesma. Na casa de praia mudou um pouco o registo: agora, olha, ri-se e esperneia, fazendo uma festa enorme à coisa. Depois, olha para nós encantada e volta a olhar para o nosso reflexo. Também já nos direcciona o olhar através dos espelhos. Tenta lá chegar e quando deixamos, dá uma data de pancaditas com a mão deliciada. Resultado: no último dia, o pai andou de pano na mão a limpar os espelhos todos porque estavam cheinhos de dedadas e mãozadas da M.
I'm the Queen of the world!
Até parece que a M. viu o Titanic e o DiCaprio a gritar na popa (ou proa? Já não me lembro...) do barco... Agora que descobriu que é mais giro estar sempre de pé - com a nossa ajuda, é claro - um dia, na praia, agarrou-se ao guarda-sol, olhou para um lado e gritou "eihhhh!", olhou para o outro e fez o mesmo, esticando-se toda e ficando toda direita. Não sei se foi a grandeza da coisa, se a alegria, se pura e simplesmente feitio, mas foi engraçado de ver.
Praia
Morder
Mamou, mordeu, sorriu com um "ehhh!" e voltou a morder, por esta ordem. Disse-lhe que não antes da segunda mordidela, mas ela foi e... mordeu outra vez, com o consequente sorriso acompanhado do "ehhh!", a mostrar os dentes de desenho animado. Voltei a dizer que não com ar zangado. Repetiu-se a cena, só que da terceira não chegou a morder - só abriu a boca, fez que ia fechar os dentes e olhou para mim. Como continuei de cara fechada a dizer não, franziu o sobrolho, sem perceber o que se estava a passar. O meu erro? Dizer não e deixar repetir - a pobre criança ficou sem perceber lá muito bem o que se estava a passar...
Despique
Na semana de férias descobri que a M. adora desafios. Ela faz "Hummmmm!!!!", esticando-se toda e cerrando os punhos, com ar malandro e divertido. Uma vez imitei-a. Ela deliciada, repetiu, e eu voltei a imitá-la. Daí para a frente foi vê-la a ela a fazer vários sons diferentes sempre da mesma forma e a mim a imitá-la à minha maneira. O pai também já faz e chega a provocá-la começando ele o jogo, assim como o tio (como não podia deixar de ser). Vamos entrando no desafio até um de nós se cansar. Normalmente, somos nós, pelo que não sei até que ponto esta brincadeirinha não é má ideia. Mas ela, ou melhor, nós divertimo-nos tanto!...
Prrrrfhhhpt!!!
O tio e a namorada tentaram, mas felizmente a M. teve mais juízo. Não é que os desgraçados andaram toda a semana a tentar ensiná-la a cuspir a comida. Era só verem o prato a ser preparado e lá começavam eles de volta dela, qual abelhinhas de volta das flores - "M! Prrrrfhhhhpt". Repetiam e repetiam, comigo a refilar e a fazer avisos e ameaças, sem qualquer efeito. A M. olhava para eles e sorria - com os olhos, porque a boca estava demasiado ocupada a abrir e fechar para emborcar a refeição. Não conseguiram. A sorte é que a M. é uma comilona de primeira água e adora comer, não tendo tempo por vezes para sequer saborear a comida, quanto mais para ainda a desperdiçar... Senão era banho de sopa e fruta todos os dias. Bem sei que os produtos naturais fazem bem à pele, mas não exageremos!...
Tio
Até à semana das férias (veremos a partir de agora), vivia na casa de praia o tio recém-licenciado. O meu cunhado mais novo, que eu fiz questão que tivesse um papel preponderante na vida da M. e por isso o convidei para padrinho, é o tio maluco - alcunha aposta pela sobrinha mais velha que o ama de paixão - e desempenha bem o seu papel, fazendo jus ao nome. A M. não parece ser excepção na perdição por este. Já bem pequenina, era o único que a controlava - tinha ela um mês acabados de fazer e já ninguém a calava quando tinha fome com excepção desta ave rara que calmamente pegava nela ao colo e conversava com ela - não à maneira do bebélez e sem bidu-bidus. Ela refilava e ele respondia-lhe - "tens razão, a mãe nunca mais vem", ela voltava a emitir um som e ele voltava à carga "é, nunca mais vem". Há qualquer coisa nele que fascina os míudos. Com 6 meses e meio, a M. já dá mais pica. Ri-se das piadolas e graçolas que lhe fazemos, por vezes com gargalhadas sonoras e reage, provocando-nos quando nos cansamos. Assim, o tio desempenhou o seu papel às mil maravilhas. Pregou-lhe sustos infindos, só para a ver a rir à gargalhada depois. Nem sempre media o volume do grito e às vezes viamos a desgraçada a dar saltos e abrir muito os olhos na cadeirinha e só depois sorrir. Até a mim, que não tenho tantos problemas com estas "brincadeiras parvas", como diz o pai, me doia o coração por vezes... Descobriu as cócegas nos pés e brincava com a chucha - tirava-lha e fazia que lha ia pôr na boca, nunca o concretizando. A M. ficava de boca aberta à espera, com um ar de expectativa, e quase que fechava quando a via vir. Vá lá, a frustração nunca a levou a chorar. Junto com a namorada, punham-se do lado de fora da janela e apareciam a fazer "cucu!" vezes sem conta só para ela, e recebiam em troca sorrisos e gargalhadas de derreter. Brincavam com a vaquinha Lola, o dou-dou dela, já sua amiga quase inseparável, pondo-a em cima da cabeça a tapar-lhe os olhos e depois tirando-a de repente para a fazer rir. No final, pode-se dizer que a terapia do riso funcionou - a M. vê o tio e até esperneia de felicidade!
Aventuras das férias
Fomos uma semana para casa dos meus sogros ao pé da Figueira da Foz experimentar pela primeira vez a praia. Ficam aqui as aventuras desses dias.
Ri-se com o nariz
Descobriu que, se franzir o sobrolho e o nariz e respirar com força, consegue emitir um som engraçado. Por isso, agora, ri-se muitas vezes assim. Costuma usar este método quando quer muito uma coisa. Olha fixamente para o que for (o prato de comida ou o iogurte por exemplo) e começa-se com aquilo. É de chorar a rir...
Lavar os dentes
Já tem 2 em baixo, por isso a conselho do meu dentista, já os lava. Não com escova e pasta de dentes, mas com uma compressa e água. Não é fã. Ao princípio achava graça - aquelas massagens na gengiva com ela a tentar morder tinha a sua piada. Mas com o tempo perdeu-a toda. Primeiro porque lhe lavo antes a cara com uma compressa para retirar o excesso de creme hidratante de fruta ou de papa que tem nos bigodes e depois porque me parece que a compressa não lhe sabe ao que ela quer. O dentista até disse que se conseguisse (foi esperto - fez a ressalva) lhe devia lavar a língua, para tirar os resíduos todos, mas isso nem pensar. Acho que tenho de mudar de estratégia...
Pai doente X mãe só para mim
O pai ficou doente. Quando regressámos do fim-de-semana do baptizado, à conta da busca quase infrutífera do fato certo em Viseu, fiquei constipada. De mim passou para a filha. Desta passou para o pai. Eu reagi relativamente bem, a filha mais ou menos, o pai ficou de molho à séria... Por causa disso, fiquei uma semana com a filha só para mim. Depois de jantarmos as duas, pegava nela e ia para cima da cama de visitas que ainda está no quarto dela, e brincava até à hora do banho e da mamada, com o pai no quarto ao lado, de molho, a morrer. Foram inúmeras as brincadeiras que tive de inventar para a entreter e como não tenho coragem de a deixar presa na cadeirinha entregue a si mesma (ainda não temos parque), eram cerca de 2h30 de palhaçada todas as noites com sua excelência. Era o upa para se levantar com a minha ajuda, era o escorrega nas minhas pernas, era o cavalinho e o xó-xó, eram as cócegas, era a formiguinha a passear no seu corpo, era o força! para a encorajar a ficar de gatas e muitos da-da-das. Ficávamos as duas exaustas... A consequência de tanto tempo só nós duas, foi que depois não queria outra coisa... Também graças ao estado de desgraça do pai, fomos as duas para o quarto dela dormir - se adoeço agora, acaba-se o leite. Assim, estreou a cama dela na véspera de irmos embora de férias, mas com batota, porque eu fiquei na cama ao lado...
Não
Os bebés não têm a mesma percepção do que nós da realidade - não vale a pena dar palmadas ou castigar que eles não perceber. Temos de ir pelo não, com ar sério e depois distrair com outra coisa, caso seja preciso. Pois é... Eu tenho fama de má. E exerço esse papel cá em casa como um dado adquirido. Mas... Já tentei - por vezes consigo, outras também não. É que a M. já nos topou a todos. Nós dizemos que não, ela vai e... sorri com um "ah!" à mistura, que por coincidência ou não, parece ser à laia da malandrice. Repete-se o não com um ar sério a desmanchar-se, e ela vai e repete a dose! Por vezes, derreto-me - mea culpa, mea mui grande culpa, grito eu, batendo com mão direita no peito, mas que hei-de fazer com uma marota assim?!
Ecocardiograma
Quando nasceu, o pediatra detectou um "sopro", que após o ecocardiograma feito à tarde, confirmou que não era nada - por vezes os recém-nascidos nascem com a membrana (canal arterial) que separa as válvuvas ainda por fechar, tendo até aos 6 meses para o fazer com naturalidade. Por isso mesmo, aos 6 meses marcou-se novo exame só para ter a ceretza que estava tudo bem, apesar de a pediatra não auscultar nada nas conslutas mensais de rotina. Lá fui, uma manhã para a Cruz Vermelha fazer uma visita à "sô toura" para ver se estava de facto tudo bem. Estava. Ainda recebi os parabéns da médica por ter uma fortalhaça bem-disposta e tão sossegadinha - a M. passou o exame inteiro a olhar com um ar muito espantado para a mulher que não conhecia de lado nenhum e lhe estava a pôr aquelas coisas no peito.