sábado, 1 de novembro de 2025

Conta tudo

A M. está um verdadeiro papagaio. Depois de ir para a cama, o silêncio invade a casa e dá descanso às nossas mentes depois de tanta tagarelice sem parar. Chega a ser um alívio! Já conta tudo o que se passou durante o dia e a Guta já não tem sorte nenhuma se tiver segredos. Sei o que almoçou ao pormenor, se foi ao jardim, ao café, com que brincou e se viu televisão. Nada lhe escapa no seu relato do dia. Às vezes, parece um relatório. Há uns dias, comunicou-me que a Guta fez um dói-dói no dedo da mão e chorou. Confirmei o facto. Doutra vez, fiquei a saber que comeu um pastel de nata que a Guta lhe levou de "xupêza". Também fiquei a saber que a Guta passou a ferro porque senão a "mãe janga"... É preciso ter muuuuito cuidado com o que se diz à frente da madame agora...

Puzzle e Legos

Adora, adora, adora. Fico feliz. A madrinha deu-lhe no verão um puzzle do Ruca com o abecedário, em nada próprio para a sua idade. As peças juntam-se 2 a 2 com, de um lado a imagem e do outro a letra e duas palavras, uma certa e outra errada. Por exemplo, o desenho e as opções "Bola" e "Tola". Depois, tem uma caneta especial que tem dois toques conforme a palavra escolhida. Basicamente, tem de saber escrever. Aproveitei que ela adora o encaixar de peças e brincamos a procurar as metades. A caneta é só para fazer barulho. Não há dia que eu não oiça "mãe, xenta! Xenta no chão!" para brincarmos com o bendito puzzle. Com os Legos é igual. Faz torres maiores e mais pequenas e pede-nos casas para depois encaixar mais peças por cima. O primeiro foi-lhe oferecido e era de menor qualidade. Um dia, acabei por lhe comprar um na Imaginarium, como recompensa por se ter portado tão bem na cadeirinha enquanto lhe comprávamos roupa para o frio que aí vem. Foi ela que escolheu, assim que viu a caixa, no meio de tantos brinquedos. Uma caixa maior há-de vir, prometo!

Tia Joana

Há coisas assim na vida. Ter uma irmã por perto com quem não nos damos e ter uma irmã longe que queremos muito ter ao nosso lado diariamente. Eu sou a segunda, mas não faz mal, pois nem a distância consegue retirar seja o que for a esta ligação eterna. Ontem, tivemos direito à visita da tia J. A M. já a viu, até aprendeu a andar em casa dela, na longínqua Braga, mas tendo em conta a idade, como é evidente, não se lembrava dela. Fomos buscá-la ao Metro, aproveitando para passear um bocadinho no jardim lá perto. Quando ela vinha a subir a rampa, disse à M. "olha quem vem lá! Vai dar um xi à tia Joana, anda!". Olhou para mim de lado e, depois de empurrãozinho meu de ajuda, correu na sua direcção. O à vontade com que a recebeu em nada me espantou. A forma como nos ligamos é intensa e transmiti, é certo, toda a confiança à minha filha para o fazer sem medos. Apanhámos flores e voltámos para casa. Na banheira, ouvimos uma vozinha gritar: "tia!". Nem reagi, mas a visada assumou logo à porta da casa-de-banho e acabou por ficar a brincar com ela até à chegada do pai. Vestiu-a, depois do creme, penteou-a e ajudou a comer, quase que intimada para isso. Brincámos um bocadinho e chegou a hora do beijinho de despedida. "Não!" foi a resposta pronta da nossa M. Após a nossa saída, ficou a conversar com o pai, dizendo ele que o discurso era "amanhã, a tia J., a mãe out'a véch". É tão bom saber destas coisas...

Oh-Oh! Opxxxxx!

Quando algo de errado acontecia - deixar cair qualquer coisa, tropeçar... - dizia "oh-oh!", com ar malandro. Não sei onde foi buscar esta, mas imagino que ouviu a sua Guta dizê-lo. Agora, esta expressão mudou para uma onomatopeia muito mais engraçada. Põe a boca redonda, a mão na boca e... "Opxxxxxx!". Quanto maior o disparate, maior é a extensão do som final.

Dahhhhh!...

Estávamos na rua e a M. lembrou-se que queria "chajinho". Só havia água. Expliquei-lhe várias vezes isso mesmo, obtendo sempre o mesmo resultado: insistência e teimosia quanto ao "chajinho". A certa altura, optei pela técnica da lógica. "Onde queres tu que eu vá arranjar chá? Estamos na rua. Diz lá onde é que há aqui chá?!". Nem pestanejou. Um miléssimo segundo depois, respondeu prontamente, enquanto apontava para o prédio em sempre: "na caja das pexoas há!". Pois está claro!!!

Bolo

O B. é muito guloso. À conta disso, por vezes, gosta de fazer um bolo para devorar em pouco tempo. A filha adora todo esse processo, desdo o fazer ao comer. Quando ele lhe diz que vai fazer um bolo, ela segue-o entusiasmada até à cozinha, dizendo "a mena ajuda!". Anda a sirigaitar de volta dele, por vezes dando-lhe alguma coisa, mas sobretudo empecilhando. Quando ele deita a massa na forma, ela comunica-me que o bolo "está cú!", querendo com isto dizer que já aprendeu que ainda não é hora de comer. Isto, depois de muita guerra entre os dois, insistindo um que queria comer e explicando o outro que ainda não pode ser porque está cru e tem de ir para o forno. Quando finalmente o dito sai do forno, é vê-la a saltar e a correr da sala para a cozinha e vice-versa - "mãe! o bolo 'tá feito!" -, querendo prová-lo na hora. O pai tem de explicar variadíssimas vezes que não pode ser, que está muito quente e depois, a sequência é sempre a mesma: choro, birra, explicações em vão, mais choro, zanga dele, acalma-se ela e espera. Menos do que um tempozinho, para voltar logo à carga: "o bouo 'tá feito! a mena quêi comêi!". Um dia, queimou-se nos dedos, porque, gasganeira, enfiou-os bolo dentro para roubar à má fila um pedaço de bolo! Depois, enquanto vir a caixa do bolo em cima da banca da cozinha, "a mena quêi bouo!", que chega a durar apenas 2 dias lá em casa... Não há quem aguente com 2 gulosos assim!!!

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Registos de fim-de-semana

Pinhões

A M. descobriu que adora esse fruto seco. Em casa do meu pai, em Santa Cruz, há um pinheiro manso por cima do seu relvado. Ele gosta de andar à cata dos ditos e ensinou a M. a fazê-lo. É vê-los a olhar atentos para o chão à procura de "manhões", de balde da praia na mão. Uma dessas vezes, o avô decidiu dar-lhos a provar. Sentou-se na mesa da cozinha, com ela ao colo, e com o martelo, foi partindo um a um, para ela comer. Parecia uma trituradora. Mas giro, foi vê-los entretidos naquela brincadeira, com o avô a falar normalmente com ela, explicando as coisas e ela muito atenta, a esperar pelo próximo "manhão", para meter à boca. Agora, sempre que lá vai, vai até à porta da garagem e pede o martelo, como quem diz, "quero comer pinhões!".

'óspiros

A Pi orgulha-se de ter ensinado 2 nomes de fruta à M., pelo que entendi que deveria ficar registado. "Kiwi" e "'óspiro". Obrigada, tia! ;)

Mordomias

Cheguei à conclusão que devia aproveitar enquanto tenho a mordomia de ter uma empregada a tempo inteiro em casa que faz tudo. Passei a dar ordem para dar banho à filha e a deixar o jantar totalmente feito e começámos a ir passear para o jardim quando chegamos a casa do trabalho. Se não conseguimos chegar a tempo para isso, jantamos cedo e vamos depois a um jardim perto do metro em Telheiras. Ainda são 2 horas de jardim agora no verão. A M. adora ir ao "dim" e pede-nos sempre para ir dar "pão aos patos". Isto porque vamos ao jardim do Campo Grande, quando temos menos tempo, por ser mais pequeno, ou à Quinta das Conchas, um jardim gigante no Lumiar, que eu recomendo. Ambos têm lago com patos. Levamos pão seco ou, se não houver, as bolachas Maria dela servem para o efeito (são peixes finos, o que pensam?!). Parte do pão ou das bolachas não chega a cair na água - são para a "M'ena", que as leva à boca num ápice. Ela própria parte e reparte. Se formos ao jardim maior, ainda tem direito ao escorrega amarelo e ao vermelho e a brincar com o balde e a pá na gravilha que lá há. É uma festa. A última vez, conseguiu pôr o pai a pescar primeiro a pá e depois a bola de dentro da água e eu quase apanhei um banho de um balde que foi enchido à revelia e despejado no ar, quase por cima da cabeça dela... São fins de tardes fantásticos, com muitos sorrisos e pequenada à mistura.

Grande/Pequeno

Já distingue lindamente a diferença entre um e outro. Nos livros, constata logo a diferença entre o desenho grande, em primeiro plano, e um igualzinho pequeno, por estar em perspectiva. Ainda tentei explicar que a diferença de tamanho tinha a haver com a distância, mas desisti depressa, quando a vi a olhar para mim com ar de estranheza, como se eu estivesse a falar chinês. Esquecemos-nos facilmente que a nossa filha tem a idade que tem...

Sestas

Não dorme, ou melhor, quase não dorme. Tal e qual como eu, a M. não gosta de perder tempo a dormir. Dá a sensação que ela acha que não está a aproveitar aquele tempo com algo de útil. A ama vê-se e deseja-se para a convencer a dormir e regra geral, só consegue uma sesta a fugir, entre meia a uma hora de manhã. Depois, é non-stop até à noite, sendo a hora de deitar, as 22h00. Nas férias e ao fim-de-semana, com a ajuda do embalar do carro, conseguimos adormecê-la com uma voltinha para ir "passear", depois do almoço, que por causa da agitação e do cansaço a esta associado, por vezes se estica até 2 horas de sesta. De resto, nada feito. Em casa, durante o dia, já desistimos de tentar tal façanha, pelo que não sei como vai ser no Inverno... Adormecer por si é excepção, mas tivemos uma, um fim-de-semana de praia com direito a almoço fora. Quando demos por ela, estava a dormir em cima da mesa do restaurante, rendendo-se à exaustão. Até deu dó... :)

Queijo fresco

Adora! Passa a vida a abrir a porta do frigorífico e a pedir o "quejo".

Nadou sozinha

A natação teve uma evolução: em Junho, já conseguiu nadar sozinha com o respectivo esparguete! Ainda por cima, calhou nesse mesmo dia levar a máquina fotográfica, pelo que ficou o registo para a posteridade.

Gasta-me o nome...

Está numa fase de incluir em quase todas as frases a palavra "mãe", geralmente num tom interpelativo, tipo "mãeiii". E repete. E repete. "A M'ena quê aga, mãe! Mãeiii! Mãeiii!", "É nôte, mãe! A 'ua, mãe! A 'stê, mãe!" (estrela). É de tal maneira, que chega a enganar-se e dirigindo-se ao pai ou à tia, diz "mãe". Assim não, filha! Gastas-me o nome!!!

O 'Tá

Adora o sofá. Se puder, faz tudo no sofá fofinho - mudar a fralda, comer, ler livros. Basicamente, não tem muita sorte e por isso mesmo passa a vida a tentar: "aqui! No 'tá!". E se nós nos sentarmos ao lado, melhor...

Puxa!

Corresponde a "anda". Agarra-nos na mão e, enquanto tenta puxar, grita "puxa, mãe, puxa!". Agora já acrescenta "umigo!"...

Bu'iacha

Mais um sinal do fim do bebé: já não são babis, mas cada vez mais "bu'iachas".

Anita

Sobreviveram alguns livros da minha infância. Um deles é a Anita a Cavalo que faz as delícias da M. Já quase que consigo ler o livro sem olhar para ele... :S Ela já sabe que a Anita vai para casa do tio Filipe aprender equitação, que a sua Pi do coração é "paxida" com a Anita, que o cavalo "cacanho" se chama "isca" (faísca) e o "xinjento" "'ucão" (vulcão), que eles comem "paia" e que há lá um rato, que o "Pantuta" (Pantufa) conhece um "cau pequeno" que é um pónei (perfeito na dicção) e outras coisas mais. Depois, para quem conhece os livros de então, no lado de dentro da capa há uns desenhos de vários animais. Da primeira vez, ela adorou o jogo que inventei: eu perguntava onde estava um dos animais e ela tinha de descobri-lo e apontar. Agora, temos sempre de passar por esse ritual no final da leitura. E eu que adorava Anitas!...

Doix avôx!!!

A M. distingue lindamente os dois avôs. Sabe quem é o avô A'bêto e o avô Jão e diferencia-os bem. É giro é ela passar a vida a comunicar-nos que tem "doix avôx!". Ainda por cima, quando o meu pai vai para a terra e deixa de aparecer diariamente lá em casa à tarde, a Lúcia ensinou-lhe que o avô foi lá para cima. Então vê-se a M. a explicar, com o dedo espetado para o tecto, que "o avô A'bêto foi pa xima!"