sábado, 1 de novembro de 2025
Oh-Oh! Opxxxxx!
Dahhhhh!...
Bolo
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Pinhões
A M. descobriu que adora esse fruto seco. Em casa do meu pai, em Santa Cruz, há um pinheiro manso por cima do seu relvado. Ele gosta de andar à cata dos ditos e ensinou a M. a fazê-lo. É vê-los a olhar atentos para o chão à procura de "manhões", de balde da praia na mão. Uma dessas vezes, o avô decidiu dar-lhos a provar. Sentou-se na mesa da cozinha, com ela ao colo, e com o martelo, foi partindo um a um, para ela comer. Parecia uma trituradora. Mas giro, foi vê-los entretidos naquela brincadeira, com o avô a falar normalmente com ela, explicando as coisas e ela muito atenta, a esperar pelo próximo "manhão", para meter à boca. Agora, sempre que lá vai, vai até à porta da garagem e pede o martelo, como quem diz, "quero comer pinhões!".
Mordomias
Cheguei à conclusão que devia aproveitar enquanto tenho a mordomia de ter uma empregada a tempo inteiro em casa que faz tudo. Passei a dar ordem para dar banho à filha e a deixar o jantar totalmente feito e começámos a ir passear para o jardim quando chegamos a casa do trabalho. Se não conseguimos chegar a tempo para isso, jantamos cedo e vamos depois a um jardim perto do metro em Telheiras.
Ainda são 2 horas de jardim agora no verão. A M. adora ir ao "dim" e pede-nos sempre para ir dar "pão aos patos". Isto porque vamos ao jardim do Campo Grande, quando temos menos tempo, por ser mais pequeno, ou à Quinta das Conchas, um jardim gigante no Lumiar, que eu recomendo. Ambos têm lago com patos. Levamos pão seco ou, se não houver,
as bolachas Maria dela servem para o efeito (são peixes finos, o que pensam?!). Parte do pão ou das bolachas não
chega a cair na água - são para a "M'ena", que as leva à boca num ápice. Ela própria parte e reparte. Se formos ao jardim maior, ainda tem direito ao escorrega amarelo e ao vermelho e a brincar com o balde e a pá na gravilha que lá há. É uma festa. A última vez, conseguiu pôr o pai a pescar primeiro a pá e depois a bola de dentro da água e eu
quase apanhei um banho de um balde que foi enchido à revelia e despejado no ar, quase por cima da cabeça dela... São fins de tardes fantásticos, com muitos sorrisos e pequenada à mistura.
Grande/Pequeno
Já distingue lindamente a diferença entre um e outro. Nos livros, constata logo a diferença entre o desenho grande, em primeiro plano, e um igualzinho pequeno, por estar em perspectiva. Ainda tentei explicar que a diferença de tamanho tinha a haver com a distância, mas desisti depressa, quando a vi a olhar para mim com ar de estranheza, como se eu estivesse a falar chinês. Esquecemos-nos facilmente que a nossa filha tem a idade que tem...
Sestas
Gasta-me o nome...
Está numa fase de incluir em quase todas as frases a palavra "mãe", geralmente num tom interpelativo, tipo "mãeiii". E repete. E repete. "A M'ena quê aga, mãe! Mãeiii! Mãeiii!", "É nôte, mãe! A 'ua, mãe! A 'stê, mãe!" (estrela). É de tal maneira, que chega a enganar-se e dirigindo-se ao pai ou à tia, diz "mãe". Assim não, filha! Gastas-me o nome!!!
Anita
Sobreviveram alguns livros da minha infância. Um deles é a Anita a Cavalo que faz as delícias da M. Já quase que consigo ler o livro sem olhar para ele... :S Ela já sabe que a Anita vai para casa do tio Filipe aprender equitação, que a sua Pi do coração é "paxida" com a Anita, que o cavalo "cacanho" se chama "isca" (faísca) e o "xinjento" "'ucão" (vulcão), que eles comem "paia" e que há lá um rato, que o "Pantuta" (Pantufa) conhece um "cau pequeno" que é um pónei (perfeito na dicção) e outras coisas mais. Depois, para quem conhece os livros de então, no lado de dentro da capa há uns desenhos de vários animais. Da primeira vez, ela adorou o jogo que inventei: eu perguntava onde estava um dos animais e ela tinha de descobri-lo e apontar. Agora, temos sempre de passar por esse ritual no final da leitura. E eu que adorava Anitas!...
Doix avôx!!!
A M. distingue lindamente os dois avôs. Sabe quem é o avô A'bêto e o avô Jão e diferencia-os bem. É giro é ela passar a vida a comunicar-nos que tem "doix avôx!". Ainda por cima, quando o meu pai vai para a terra e deixa de aparecer diariamente lá em casa à tarde, a Lúcia ensinou-lhe que o avô foi lá para cima. Então vê-se a M. a explicar, com o dedo espetado para o tecto, que "o avô A'bêto foi pa xima!"
Frases completas
Aos 21 meses, a M. começou a construir frases interinhas! Após uma fase em que falhavam os verbos ou alguma palavra menos conhecida, em que titubeava. Ela quase parecia gaga, por querer dizer alguma coisa e como não conseguia, repetia várias vezes a mesma palavra ou sílaba (o B. passa-se comigo quando eu digo isto a brincar). Agora, começou a perceber-se. Uma das primeiras frases foi engraçada. Eu e o B. estávamos na cozinha e ele beijou-me. Nisto, passa a M. por nós e, atestando um facto, afirmou com toda a constatação possível: "O pai 'eijinho à mãe". A partir daí, foi um instantinho para utilizar até os artigos definidos. Agora, já há muitos "a M'ena quê tomati", "O pai f' às concas (foi às compras)" e afins. É engraçado como já entendemos quase tudo o que ela pretende. E depois... Fazemos brilharete na natação. É que ela é a mais nova e é a que fala melhor, para não dizer que há um que nem diz ainda quase nenhuma palavra inteligível e tem mais 1 mês!... É ver as mães a gabarem-nos a filha, com olhos de inveja... ;)
Mãe! Pinta!
O vocabulário foi evoluindo também nesta matéria. Enquanto aponta para a gaveta onde os blocos de cera e os lápis de cor estão guardados, começava por pedir as "bolas", o desenho mais solicitado, para me explicar que queria desenhar, ou melhor, que queria que eu desenhasse para ela. Passou para os "pátis", tentativa gorada de dizer "lápis", passando a exigir os lápis de cor em vez dos blocos de cera, que eu com tanto carinho lhe comprei. Dão-lhe mais gozo usar... Depois, percebeu que os desenhos que lhe fazemos podem ser pintados. Assim, começou a pedir o "pinta" para fazer o mesmo pedido. Finalmente, descobriu a palavra certa. Por isso, hoje em dia, leva-nos pela mão até à gaveta, abre-a, põe-se na pontinha dos pés, toda esticadinha, enquanto vai apalpando às cegas o conteúdo daquela, enquanto pede incessantemente - "desenios, mãe!". Tudo isto para dizer que os lápis não são uma forma de controlar a nossa irrequieta pipoca, pois os desenhos são maioritariamente para serem feitos por nós, para ela depois riscalhar, "pintando" com muita arte aquilo que nós fizemos. Ou seja, temos de estar sentados ao lado dela e a seu mando desenhar uma bola, uma pêra, um pato, uma flor, eu sei lá... Isto se depois não receber uma ordem a dizer "pinta, mãe!". É claro que nós a incentivamos ao "do it yourself", mas sempre connosco ao lado. Há que ver as vantagens: adquiri uma apetência que não tinha... A colega de sala já me topou e goza com os treinos quando estou ao telefone a desenhar distraidamente florzinhas. :)
Não cai!
A M. é muito cuidadosa em determinadas situações, por vezes até demais. Devido a uma escorregadela, descobriu que o chão de mosaico molhado é muito escorregadio. Ficou cheia de medo de cair, não importa onde. Se estiver em pé de alguma coisa e eu lhe disser para ter cuidado, ela repete logo "Cai" com um ar muito entendido, enquanto acena com a cabeça para cima e para baixo, agarrando-se a nós com firmeza. Se o chão da casa-de-banho estiver molhado, começa logo a olhar para o chão, a andar meia marreca e meia aflita, confirma-me que o "schão tá moiado! Cuidado! Cai!", pondo-se a andar dali para fora. Já se estiver sentada, olha para mim com uma cara de sabida, explicando-me que "não cai!"...







