Tem uma loucura só vista pelo avô A. De tal maneira, que houve um dia que calei o choro do ir para a cama, dizendo-lhe que tinha de dormir, pois depois do ó-ó grande o avô ia lá a casa para ir à rua com ela. Parou logo de chorar, perguntou "Ô?". Eu confirmei e ela conformada deitou-se sem mais arrelias. Adora ir passear com ele para a rua e passa tardes na rua atrás dos pombos, e do cão, e dos outros "bebés", pelo menos de acordo com o relato que ela me faz a posteriori. Este por sua vez, já não sabe passar um dia sem ir lá a casa para brincar com ela. Vai disfarçando, dizendo que não pode ir todos os dias da semana senão ela fica mal habituada, mas depois aparece, muito porque é ele que já está habituado... Descobriu na nossa dispensa um pacote de milho para pipocas que levou sumiço numa tarde com as pombas, para no dia seguinte trazer outro comprado. Pelo que percebi, agora tem sempre milho no carro. Como diz a minha sogra, as pombas de Telheiras são tão finas que não comem um milho qualquer, mas sim um de pipocas... A regra de ouro dos passeios com o avô é simples: desde que não leve nada à boca a M. pode fazer o que quiser, pelo que quando chego a casa, ela está disfarçada de filha de cigano. As unhas negras, as mãos sem explicação, a roupa tão suja que chega a ser preciso tira-nódoas para terra e relva e até a cara está coberta de terra. Ou seja, ficar badalhoca é a regra imposta pela brincadeira entre neta e avô. O meu pai está tão encantado por aquela Sereia, que no dia a seguir a ralhar com a minha tia por esta lhe ter comprado duas bolas só porque a M. se colou à montra, chegou a casa com uma terceira bola. A lógica do "habitua-a mal, habitua e vais ver" pelos vistos só se aplica aos outros. Ele é excepção. E quando me meti com ele, perguntando para que era mais uma bola, ele encolheu os ombros e respondeu: "Ela não saía da montra! É uma loucura por bolas!", soprando desconfortável. Hum-hum...
Há 8 anos
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