quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Vómitos

  • O QUE É O VÓMITO? O vómito define-se como expulsão esforçada, voluntária ou involuntária, do conteúdo gástrico, pela boca. Habitualmente é precedido de náuseas e acompanhado de palidez, aumento da frequência cardíaca, “suores frios” e prostração. Independentemente da causa, vómitos persistentes podem desencadear a desidratação.

  • COMO AVALIAR A DESIDRATAÇÃO?
  • Para reconhecer se a criança está a ficar desidratada deverá ter em atenção a presença dos seguintes aspectos/sinais:
  • - Irritabilidade ou prostração;
  • - Sede mais acentuada que a normal para a criança;
  • - Olhos encovados;
  • - Mucosas (língua, lábios …) pouco húmidas ou secas;
  • - Presença de prega cutânea;
  • Pinçar o abdómen da criança e observar o retorno da pele, quanto mais lento maior a prega cutânea.
  • Se observar estes sinais e/ou se os vómitos persistirem contacte o médico.
  • O risco de desidratação é mais elevado quando a criança:
  • · Faz aleitamento artificial (uma vez que o aleitamento materno confere factores de resistência à infecção ao contrário do aleitamento artificial);
  • · Tem idade inferior a 12 meses;
  • · Está mal nutrida;
  • · Tem um número de vómitos igual ou superior a 3 por dia;
  • · Tem um número de dejecções igual ou superior a 6 por dia.

  • A prevenção da desidratação pode e deve ser iniciada pelos pais e pelos prestadores de cuidados às crianças, logo que se instalem os primeiros sinais de doença.

  • COMO TRATAR OS VÓMITOS?
  • Nas crianças, o uso de antieméticos não está indicado, salvo em situações muito excepcionais e com indicação médica, uma vez que não é eficaz e pode ter efeitos secundários graves. O tratamento dos vómitos passa pela prevenção e correcção da desidratação e realimentação. Assim, os pais deverão fazer uma pausa alimentar, após o vómito, durante um período de uma hora (reiniciando pausa sempre que tenha um novo vómito). Após a pausa alimentar, oferecer um pacote de açúcar ou uma bolacha Maria com doce. Passada mais meia hora, iniciar muito lentamente a rehidratação oral, dando uma colher de sopa de cinco em cinco minutos durante uma hora de uma das seguintes formas: aleitamento materno, solutos polielectrolíticos e glicosados (ex.: acessíveis nas farmácias sem prescrição médica: Miltina, Dioralyte ou Redrate) ou água chalada (chá preto fraco açucarado, que se faz fervendo 1 litro de água durante 10 minutos, ao qual se junta uma saqueta de chá preto durante alguns segundos, 4 colheres de sopa rasas de açúcar e 1 colher de café rasa de sal). Depois, iniciar gradualmente uma dieta ligeira e pobre em gorduras, em pequenas quantidades não forçando a criança a comer.
  • Se amamenta o seu filho, continue a fazê-lo como habitualmente.
  • Se os vómitos persistirem, sobretudo em crianças pequenas, apesar de cumpridas as indicações acima referidas contacte o médico.

  • QUANDO IR AO MÉDICO?
  • É importante saber que por si só os vómitos não são sinónimo de gravidade. Os pais devem recorrer ao médico se verificarem as seguintes situações:
  • · Criança com idade inferior a 3 meses;
  • · Mau estado geral;
  • · Agravamento dos sinais de desidratação;
  • · Vómitos recorrentes mesmo em pausa alimentar ;
  • · Intolerância da criança à hidratação oral e realimentação (por manter vómitos, ingestão insuficiente ou recusa alimentar);
  • · Vómitos com sangue;
  • · Diminuição da quantidade de micções e volume das mesmas .
  • De forma a transmitir uma informação mais detalhada os pais devem, ainda, ter em atenção os seguintes aspectos:
  • · Circunstâncias em que ocorre o vómito e relação com refeições (ex.: desencadeado por tosse; em jacto; induzido – “puxar o vómito”);
  • · Qualidade do vómito (ex.: alimentar; bilioso, com secreções, sangue vivo ou digerido);
  • · Se os vómitos ocorrem com dor de cabeça associada, de madrugada ou ao levantar da cama;
  • · Número e frequência dos vómitos;
  • · Sintomas associados: febre, diarreia, dor abdominal, cefaleias, convulsões, dores de ouvidos, dores de garganta, tosse, dispneia, disúria…;
  • · Medicação que está a fazer (antibióticos, analgésicos, anti-epiléticos);
  • · Possibilidade de intoxicação;
  • · Novos hábitos alimentares (diluição dos biberões; quantidade excessiva de nutrientes e eventual introdução do novos alimentos na dieta);
  • · Factores psicológicos (perdas ou mudanças recentes, relação com os pais, ansiedade nas refeições).

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