terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

A conversa dela...

Isto é o que a M. me conta diariamente. Quem não tiver pachorra, não oiça...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Manhas

A primeira a sério já está: não pode estar sozinha. Não tem de ser no colo, pode estar na espreguiçadeira, mas não me permite ignorá-la. Tenho de estar presente e a conversar, a cantar, a dançar, o raio que o parta, não interessa, o que importa é dar-lhe importância. Se a deixar sozinha, o resultado é sempre o mesmo: chora. Primeiro, só um aviso, com uns Ãhs mais altos, depois entra num crescendo, que até parece que anda nas aulas de canto. Hoje deixei-a chorar. Fui tratar do jantar e deixei-a chorar. Foram 10 min de crescendo. Ao fim desse tempo, vim ver o que se passava porque o choro já tinha entrado num tom aflitivo. Assim, que me viu, parou de chorar e riu!!! A sacana riu-se! Nem deu tempo de secar lágrimas se as ouvesse. Por isso, o truque, quando não a quero ouvir, é ler em voz alta. O meu livro, um livro para ela da Branca de Neve e até as legendas da televisão. A madame, desde que olhe de vez em quando para ela, fica satisfeita. Mas penso que a culpa também é minha. Sempre tive o cuidado de não a habituar ao colo, a nossa cama, adormecer no nosso peito, enfim às manhas que eles normalmente ganham. Quando bébézona e dormia muito, sempre que a apanhava acordada, aproveitava para brincar e conversar com ela. Agora que dorme menos, quer o mesmo, mas muito mais tempo. Mas o mea culpa não é só meu. Também é do feitio dela!

Concertos para bébés

A M. foi no domingo ao seu primeiro espectáculo - um concerto para bébés, para meninos a partir dos 3 meses no Centro Cultural Olga Cadaval. Por trabalhar lá, tenho o privilégio de conseguir sempre bilhetes (comprados, é claro!) para este espectáculo, cuja temporada inteira esgota na primeira semana em que é aberta a bilheteira. O Olga Cadaval já apresenta este espectáculo tão procurado há uns anos - penso que desde 2004. O objectivo é iniciar as crianças na música, interagindo com os instrumentos. Cada espectáculo, seu tema, com um instrumento central, os músicos cantam e vão buscar os miúdos para mexer no instrumento. Sentamo-nos no palco, em quadrado no chão, numas almofadas coloridas, com os meninos ao colo. Os bébés à frente, os que já andam atrás. A certa altura até dão soltura aos meninos para andarem pelo palco. A canalha adora. A M. ficou no meu colo, com o pai a ver do outro lado, e teve o acórdeão e o saxofone alto ao pé, que vieram ter com ela e com quem estava no nosso canto. Não pestanejou. Em todo o tempo do espectáculo esteve muito séria a olhar para tudo, sem chorar, nem se distrair. A menina que estava ao lado, que teria talvez 6-7 meses, ainda se meteu com ela, deitando-lhe a mão, mas a M. nem lhe ligou. Ignorou e continuou siderada a olhar para tudo o que se passava à frente dela. Foi uma experiência positiva. Voltamos em Março, Abril e Maio. Estes já estão esgotados, mas estejam atentos porque em Junho e Julho há mais. Recomendo vivamente.

Concertos para Bebés
16 de Março - Almas e Aleluias 20 de Abril - Zeca de Cravo
18 de Maio - Maias e Rosmaninhos São cravos, violinos, saxofones e berimbaus. Também cavaquinhos, guitarras portuguesas e rosmaninho. Muitas chupetas, sorrisos e olhos de espanto. Viagens por Mozart, Corelli e Monteverdi, que embalam netos ao colo dos avós. Um violoncelo e um acordeão espreitam uma bailarina atrevida. Os cantos não têm palavras, mas estas contam muito pouco das emoções partilhadas entre intérpretes e bebés.Há quem chegue em busca do efeito Mozart ou de uma história musical, encontra um silêncio cheio de sons. Há quem entre em palco com vontade de dançar e bater palmas, e se surpreenda com a vontade de contemplar. Dos poéticos jardins e palácios de Sintra se viaja ao palco do Centro Cultural Olga Cadaval, os olhos abraçam ouvidos e aninham-se perante aquelas fadas que cantam músicas diferentes. Num ápice, intenso, acabou-se o concerto.

Caroladas

É cada uma que até parecem 3! Quando está ao ombro para arrotar, como ainda não segura a cabeça, por vezes esta anda à solta por segundos, e é nestes breves momentos que ela me agride sem mais nem ontem. Às vezes acerta no queixo, às vezes na boca e uma vez no nariz. Até vi estrelas!!!

Queijo!

A minha filha é uma fábrica de queijo!!! Toma banho todos os dias e uso água da Uriage fora do banho se está muito borrada, no entanto, as suas várias pregas criam sebo em barda. Nunca pensei que fosse possível... É nos dedos dos pés, por detrás dos joelhos, nas axilas, nas virilhas, por detrás das orelhas, por debaixo do queixo e sobretudo, no umbigo. Sai um produto nhanhoso, tipo sebo, com cheiro a queijo. E queijo dos bons, daqueles que cheiram mal! Diz que é normal. É ter cuidado e ir passando uma compressa molhada para limpar. É sobretudo normal quando se é rechonchuda como a M. ; )

Roupa

O pai sempre foi vaidoso com ele e comigo. Agora com a filha, nem comento! Ele é calças de bombazina, ele é vestidos cor-de-rosa, ele é babygrows pipis com lacinhos... Mas apesar desta descrição, o rapaz até tem bom gosto. Era escusada tanta roupa para uma criança de 3 meses, mas enfim, cada um com as suas idiossincrasias... A nossa preferência em termos de qualidade e adequação à idade, pelo menos para bébés, é a Chicco. São sinceramente bons e tem coisas lindas e giras. Sobretudo se queremos fugir ao padrão rosa querido da menina e ir para algo mais traquina e colorido, apesar de feminino. A Jacadi também tem coisas lindas de morrer, mas aí não há alternativa - é menina meninice e é caro para burro, mesmo nos saldos. É claro que o pai também se perdeu por lá. E a roupa é fantástica!!! (eu não disse isto...). Aprendi contudo uma grande lição: - esperar pelos saldos (a Chicco começa com 40% logo à partida), - nunca comprar muita roupa porque deixa de servir num piscar de olhos, - comprar sobretudo babygrows porque é o mais prático e mais confortável, - muita, mas muita roupa interior porque as borradas até às costas e a fugir pela perna são mais que muitas - e o tamanho é sempre o a seguir, ou seja, se tem 1 mês comprar para 3 ou para 56 cm (não imaginam a roupa para 6 meses que tinha guardada que afinal já lhe serve e está mesmo a fugir...)

6 e 600!!!

Era o peso da M. com 3 meses e 3 dias... Não é à toa que a minha tendinite tenha vindo a piorar de dia para dia... Já quase não dou uso à mão esquerda!...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Presente

Quem me conhece sabe que adoro de paixão banda desenhada. Há uma que acho de leitura obrigatória para quem tenha de lidar com adolescentes - Zits. De autoria americana, narra as aventuras e desventuras de um jovem com 15 anos, que nasceu no seio de uma família dita normal, sem disfunções, com uns pais amigos e extremosos e uns amigos porreiraços. Aconselho vivamente a sua leitura para perceber um pouco as reacções que tanto nos enervam na idade do armário, e para além disso, o sentido de humor é genial. Ontem li uma tira na qual me identifiquei. No primeiro quadrado vê-se o pai debruçado sobre um berço com ar embevecido a prometer ao filho que estará sempre presente na sua vida. No segundo quadrado, o mesmo pai, já com um ar convicto, diz a mesma coisa ao filho com 7 anos. No terceiro e último quadrado, o dito, de braços cruzados e cara de poucos amigos, diz ao filho já com 15 em frente ao PC, "estou aqui quer queiras, quer não". Desde que a M. nasceu, já lhe prometi várias vezes a mesma coisa. Quero e vou estar sempre com e por ela, mesmo que ela não queira. Como uma vez me disse uma mãe, é conseguir que ao entrarem na idade do armário, deixem a porta aberta, para podermos espreitar lá para dentro de vez em quando...

3 meses

Ontem, às 22h00, lembrei-me. Àquela hora estava a fazer a respiração tão bem ensinada e a preparar-me para o facto de ir ser mãe em breve. Não imaginava na altura como ia ser, só palpites. Uns certos, outros nem por isso. Ontem, às 00h30, com o pai e a filha a dormirem ao meu lado, espreitei para dentro do berço, e pela primeira vez caiu-me a lágrima da emoção. Em silêncio, afaguei-lhe o rosto. Em resposta, obtive um profundo suspiro, que sei, ser de serenidade.

Obrigada tia Joana!

A lembrança de que as amigas estão vigilantes e se mantêm firmes, apesar das distâncias... Um beijo de retorno com o mesmo carinho que foi impresso no presente.

Hormonas

Cabeça de alho chocho que estou, no final da caixa da pílula de amamentação, aqui a je esqueceu-se de no dia seguinte começar outra. E esqueceu-se por mais 7 dias. Conclusão: no belo do sábado seguinte andei mal-disposta o dia todo. Era uma má-disposição esquisita, não era de estômago, tipo comida que me tivesse feito mal, não era muscular, mas era tudo ao mesmo tempo. O B. passou o dia a dizer para eu beber água com gás, por mais que eu lhe explicasse que não era esse tipo de má-disposição... À noite, percebi. Era o período!!! Uma dor estúpida nas entranhas, como nunca tive na vida! Como se não bastasse, fiquei de caganeira. O desaranjo hormonal deu em desanranjo intestinal também... A certa altura já nem me tinha de pé e a M. a chorar com o mal-fadado arroto preguiçoso que não queria sair. Às tantas o B. lá percebeu que era a sério, levantou-se apesar do cansaço, e pegou nela até ela adormecer. Eu aterrei na cama, depois de confirmar com a amiga enfermeira que era normal isto acontecer quando se tem a cabeça cheia de ar, e lá adormeci também enroscada, para doer menos. Durou 3 dias o desgraçado do benfica. Depois... Depois quando passou, tive outra surpresa... Não é que me subiu o leite outra vez?! Acordei de manhã com as mamas tipo pirex virado ao contrário, a rebentarem de cheias que estavam! O que me valeu: a M. já ter quase 3 meses e por isso saber mamar e ser mamona (abençoada filha) e já ter a lição aprendida da primeira vez. A M. esvaziou quase uma (depois dormiu um sono de 5 horas, tal foi o fastio) e eu com a bomba tirei grande parte da outra. Para saberem a vaca leiteira tirou 250 ml só da mama direita que é a que produz menos. Depois voltei aos pachos quentes - as luvas cheias de água aquecidas no micro-ondas - e às massagens feitas por mim, porque o marido estava a trabalhar. Posso dizer que doeu à brava desfazer os nódulos que ficaram. A minha cabeça está cada vez pior, e como se costuma dizer, quando a cabeça não tem juízo o corpo é que as paga...

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Afinal constipou-se...

Disse que a M. tinha resistido à aventura do fim-de-semana e respectiva viagem de regresso cedo de mais. Na segunda-feira estava óptima e sem sintomas. Na terça foram espirros e tosse. Agora está com o nariz entupidíssimo, a espirrar e com tosse até a dormir. Mas não tem febre, do mal o menos. A ver vamos se o soro, o saca-mamas e os vapores resolvem...

Fui egoista...

Fui à ginástica pós-parto como de costume. A M. mamou lá, dando-me uma janela de tempo confortável para chegar a casa. Por isso, e para esperar um bocadinho pelo marido que queria boleia do trabalho, fui visitar o avô. Como fui sem pré-aviso, foi uma loucura. O meu pai já pega nela assim que a vê e agarra-a contra o peito com entusiasmo e felicidade. Nisto chegou a minha tia. Pela 3ª vez consecutiva, a M. que estava toda contente a rir para o avô como é normal, começou a choramingar no colo dela. Resumindo, antecipou a hora da mamada. Como a casa está fria e cheira a tabaco, já eram 8h da noite, ela demora a arrotar e eu não gosto de lá estar, para ser sincera, peguei nela e vim-me embora para casa. Nunca mais. Pode estar uma névoa de fumo, mas não repito a proeza. Vim o caminho todo, que durou cerca de 15 minutos, com ela aos berros. Um choro de cortar o coração, porque com fome a rapariga faz-se ouvir (sem exagero - quem já a ouviu não quer acreditar que é só fome). Resumindo, fiz a viagem numa pilha de nervos, ela não se calou e quando chegou a casa e finalmente mamou, só o fez por metade do tempo e caiu redonda a dormir no meu peito de cansada que estava... Senti-me do tamanho de uma formiguinha, de má que tinha sido. Prometo que não repito, filha.

Quer conversa

A M. descobriu que é divertido palrar por dá cá aquela palha. Ontem, não dormiu nada o dia todinho. Só queria companhia. Mas atenção! Não basta estar ao lado dela como presença passiva. Nããããão. Tem de se conversar. E ela ri-se e palra. Nem imaginam o que eu já inventava para não me calar. Houve uma altura que me cansei - mãe também se cansa - e calei-me por uns minutos a olhar para a televisão. De repente ouvi uma espécie de guinchinho a ameaçar o choro. Perguntei logo o que se passava e em segundos o beicinho transformou-se em sorriso de felicidade. Para perceberem, para limpar a casa (tarefa ingrata, com tanto melhor para fazer...) tive de ir levando a espreguiçadeira atrás de mim e ir explicando o que estava a fazer à madame - ora limpava o pó à linda prateleira, ora passava a esfregona no chão do quarto para não ficar pó... Tudo numa voz mais aguda, como intuitivamente se fala com bébés. Depois, o banho foi num instante. Acho que nunca poupei tanta água como agora - eu gastava rios de água no duche (é verdade. Mea culpa, mea mui grande culpa. Mas também é o único momento em que esqueço da ecologia) - de porta aberta da banheira a falar enquanto me esfrego à pressa, porque sua excelência, lá do seu trono, refila se acordada sem companhia. À conta disso, chegou à noite exausta e caiu a dormir depois da mamada. Mal arrotou e tudo!

Floquinho

Tem fama de pachola bem disposta, simpática e sorridente. À conta disso, e do seu ar tão querido (modéstia à parte, também me fica bem), uma amiga de barriga do curso de preparação para o parto apelidou-a de floquinho. Também está bem ;)

Gargalhada!

Foi sem querer. Pus a M. a dobrar o riso. Quando lhe mudo a fralda já faz parte do ritual os beijinhos na barriga. Desta vez foi no pescoço. Não é que a miúda tem cócegas no pescoço?! Saiu uma gargalhada bem clara. É claro que o pai, estando ao lado, aproveitou logo para repetir a façanha e ela correspondeu. Graças a isso, consegui filmar a sua primeira gargalhada. Foi um correr até à sala para apanhar a máquina e voltar para o quarto... Escuso de dizer que não sei quem se riu mais - se ela, se nós...

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Palrar

A minha filha já palra. Começou no dia 1 de Fevereiro com o tio mais novo, que fiz questão de convidar para padrinho por achar que era a pessoa ideal para seu compincha. Estava a choramingar, ou melhor a refilar com o desgraçado do arroto preguiçoso, e ele pegou nela para eu poder tomar banho e vestir. Foi de repente. Olhou para ele com um ar muito sério, depois sorriu como de costume e começou numa conversa que nunca mais acabava. Tem um palrar cantado e faz uns sons de chorar a rir, e ele não se descoseu e foi-lhe respondendo para a fazer falar mais. Resumindo, com os encantos, não me adiantou de nada ele segurá-la. Não fui tomar banho, nem me vestir, para assistir ao espectáculo. E que espectáculo!

Viagem infernal...

Nunca mais! É que nunca mais. Não volto a fazer uma viagem de mais de 2 horas com a M. para lado nenhum enquanto for assim pequenina! No regresso do fim-de-semana voltámos por Coimbra para visitar mais 2 tias (a família dele é composta no total por 15 tios...). Decidimos assim porque era inevitável parar para a M. mamar e achámos que entre uma bomba de gasolina e a casa de alguém, mais valia a segunda. Enganámos-nos. A viagem, que começou às 17h00, correu bem até lá, com ela sempre a dormir. O desgraçado do cunhado até vinha aflito para ir à casa-de-banho e não se atreveu a parar o carro, não fosse ela acordar porque já passava da hora da mamada. Mamou na tia n.º 1 e foi arrotar para a tia n.º 2 (são vizinhas). O problema foi o arroto... As casas estavam gélidas, mas a n.º 2 era pior. Por causa disso, e porque a M. estava a ficar gelada, o B. ficou cheio de pressa e quis ir embora. Com claros indícios da parte da M. que os arrotos ainda não estavam todos cá fora (chega a estar 2 horas a arrotar e bolsar, tal é a sofreguidão) e com os meus sucessivos avisos de que era asneira. Resultado: desatou num berreiro na bomba de gasolina de Pombal, onde tinhamos parado para comer qualquer coisa (não comia desde o almoço e já eram 8h da noite). Tirei-a da alcofa, pus a arrotar, sairam mais uns quantos e, com as pressas do pai, metemo-nos à estrada outra vez. Nem 10 min... Berrou outra vez. Fui a fazer ginástica até Leiria, de joelhos em cima do banco para a tentar acalmar com beijinhos, conversa, cantoria e a chucha, enfim o que me lembrei. Em Leiria, arrotou mais um bocado e parecendo mais calma, arrancámos outra vez. Pois. Já adivinharam. Chorou outra vez. Mais ginástica da minha parte, mais nervos do pai, uns quantos semi-gritos entre os 2 à conta do stress (ninguém se lembrou do trato), até Santarém. Em Santarém arrotou, bolsou e... Chorou com fome! Já estava na hora dela, que entretanto já tinha chegado à conta de tanta paragem. Toca de pôr a mamar e voltar ao ciclo vicioso do arroto. Para animar as hostes, enquanto ela mamava, desafiei o marido e o cunhado a jogar aos nomes de animais por ordem do abecedário, jogo que acabou à chegada a Lisboa, na letra U. Depois de arrotar umas quantas vezes, tentei deitá-la na alcofa, mas não dei ordem de partida, para ver a reacção. Se se contorcesse era sinal de que ainda não estava. O B. para testar as capacidades soporíferas do carro deu umas voltas à bomba (deve ter sido interessante de ver). Contrariando-me, como ela não chorava, apesar de não estar sossegada, arrancou novamente. A lógica foi: também não custa nada parar em Aveiras, também já só faltava visitar esta... Pois. O problema eram as minhas costas que já não iam a achar graça nenhuma à brincadeira. Mas vá lá. Dessa vez quem se enganou fui eu. A M. adormeceu 2 km depois e veio até Lisboa assim. Mas como uma desgraça nunca vem só, ainda consegui rebentar a garrafa de litro de água que ia aos meus pés, ensopando as minha botas e o carro queixou-se com falta de gasóleo logo a seguir a termos passado Aveiras, último sítio possível para abastecer até casa (o B. com o stress da filha nem se lembrou de tal pormenor até ele dar sinal de si). Felizmente, ainda deu. Em Santarém, tinha apontado a chegada a casa lá para a 1h da manhã. Enganei-me em meia-hora para menos. Pareceu uma viagem feita há muitos, muitos anos atrás, quando ainda não havia auto-estrada e tinhamos de ir pela nacional até à terra, demorando com isso umas módicas 7 horas de caminho. Nunca, nunca mais. Aprendi a lição: os bébés tão pequenos não fazem viagens tão grandes...

Parabéns avó!

A minha sogra fez anos na 5ª feira e os filhos decidiram fazer-lhe uma surpresa. Assim, combinou-se um jantar em Viseu, ao que ela foi ao engano, para lá chegar e ver a família inteira à sua espera - os filhos, as noras e as netas. Foi engraçado de ver a sua reacção, mas mais cómico foi o meu sogro, que de parvo não tem nada, a entrar no restaurante a dizer "eu é que tinha razão!". O homem adivinhou! E ainda bem, porque à cautela, fizeram a nossa cama de lavado e deixaram o aquecimento ligado, não fosse o diabo tecê-las... Senão estaria um frio pouco simpático quando chegássemos com a piolha. O jantar correu lindamente e o fim-de-semana também. Aproveitámos e convidámos o padre para o baptizado, que para mal dos meus pecados o B. faz questão que seja o mesmo que nos casou. O raio do homem escolheu a leitura da mulher submissa para o casório! A ver vamos o que vai fazer desta vez... Mas como nos casou e aos meus pais, ele achou que devia seguir para a 3ª geração... As visitas foram mais que muitas, até porque ainda faltavam algumas tias-avós para conhecer a M. e por isso desta teve de ser. Estava com medo que a garota se constipasse, mas parece ser das resistentes - aguentou o frio de rachar nas várias saídas (também ia dentro de um saco térmico e levava 2 mantas de lã em cima...), as casas frias dos velhotes que não ligam ao aquecimento porque já estão habituados aquele clima e até ao fumo da lareira da aldeia. Conheceu a Bisa (avó do B.) que chorou de emoção ao vê-la e a avózinha (ama do B.), que com 98 anos ainda segura nela ao colo na boa! A coitada teve de vestir o vestido de lã que aquela tinha feito, juntamente com as botas e o gorro com 2 ponpons, um de cada lado, para lhe dar esse prazer. Não comento a figura, mas posso dizer que ficou o registo fotográfico para o futuro - é uma arma e pêras para uma adolescente rebelde um dia mais tarde... No sábado, porém, a M. estava exausta. Com tanta saída e visitas, à noite ainda teve de levar com um jantar de família, que incluiu 2 primas, uma com 6 e outro com ano e meio, histéricas com a sua presença. a minha filha é um anjo de pacatez. Apenas se ri quando nos metemos com ela e fica no seu canto sem chatear ninguém, mesmo quando 2 crianças a incomodam permanentemente. Ainda por cima, estamos a falar de uma família muito activa e faladora - a confusão foi mais que muita, com tudo aos gritos e a televisão a fazer de música de fundo. Aguentou-se bem. O pior foi depois ao final da noite para dormir. O cansaço era tal que fez a verdadeira birra de sono. Eu, desesperada com dores (de período e desaranjo intestinal, tudo ao mesmo tempo) e o B. cansado até mais não, quem a conseguiu acalmar foi a avó. Depois de hora e meia nos nossos colos, embalos e canções, sempre a chorar, assim que passou para o colo da avó, calou-se e adormeceu. Nem deu para ficar frustrado. Agradecemos mortos de cansaço e dormimos até de manhã. A M. deixou dormir das 00h00 às 9h00, tendo mamado pela última vez às 21h30! Cansaço é uma expressão pouco realista...

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Passeio

Hoje fomos fazer a visita às duas tia-avós do meu lado. Primeiro fomos à querida: sorriu por dá cá aquela palha, foi ao colo e lá ficou a ouvir espantada a pronúncia madeirense. Aproveitou e fez uma cagada monumental. Estava toda pirosa com um vestido de ganga e um casaco traçado vermelho (cache-coeur), eis senão quando, a madame decidiu aliviar a tripa de ontem, hoje e amanhã. Tive de lhe dar um semi-banho e mudar a roupa toda - TODA! Foi até às orelhas, quer dizer, sem exagero, foi até ao umbigo e até meio das costas... Depois, já atrasadas (é elementar meu caro Watson...), fomos à outra tia. Não usei adjectivo de propósito. A boa da M. entrou em casa e viu o avô. Riu-se como de costume. Chegou a tia-avó... Fez beicinho três vezes e chorou!!! Já é a segunda tentativa e deu no mesmo. Da outra vez também chorou. A teoria (da tia, é claro) é que tenho de a levar mais vezes a casas de outras pessoas, porque não está habituada e estranha. Não tive coragem de dizer que é só ali e só com ela. Faz-me lembrar o Mico. O gato ao princípio também não podia estar ao pé dela. Era o Garfield em versão cinzenta e sem lasanha. Era tipo cão com o meu pai e servia-me de almofada. Mas com ela, ficava no corredor e se ela tivesse a infeliz ideia de passar à frente dele, ele eriçava-se, bufava e fugia. E ela não se metia com ele. Atravessava-se à sua frente. Costuma-se dizer que os animais e as crianças detectam à distância a bondade e a maldade. Sem comentários...