Já estou a vê-lo, tal e qual :) (passo a publicidade!!!)
Ontem e hoje a ama da M. ficou doente. Fiquei eu em casa a tomar conta dela. Ontem, o passeio da manhã foi perto de casa, por entre prédios e ruas vazias. Hoje achei que merecíamos melhor e por isso levei-a à Quinta das Conchas, um jardim público simpático e muito verde. Fomos logo cedo, artilhadas para lá passar a manhã até à hora do almoço. Foi engraçado ver o encontro de gerações - maioritariamente, só se viam avós com os netos. Uma data deles, com as brincadeiras e conversas típicas de avós. Uma senhora que mal se mexia, estava a ajudar a neta de um ano a aprender a andar "Ummm, doiiissss, três!" - é fantástico a energia e força que se arranjam quando se trata dos nossos. Passeei por entres as árvores, fazendo metade da Quinta, até que a M. adormeceu. Encostei-me a um banco e folheei uma revista que levava comigo até ela acordar. Parece que ela adivinhou que devia aproveitar aquele bocadinho e antecipou o fim da soneca. Calcei-lhe os sapatos, tirei-a do carrinho e fiquei ali na brincadeira com ela. Sempre que passava alguém, ela metia-se olhando fixamente e sorrindo. A maioria ria-se e seguia, alguns acenavam e outros pararam para se meter com ela. Umas quantas senhoras riram-se, falaram, deram conselhos e acima de tudo recordaram. No fim, iam embora contentes e de cara iluminada a comentar "Mas que simpática", dando uma última olhadela para trás. Assim, ontem, conseguimos fazer uma quantidade de velhotes felizes. Fiquei com a nítida sensação de que a maioria dos que pararam eram solitários sedentos de uma conversa qualquer, quanto mais de uma bebé sorridente que lhes fez a festa por algo tão simples como um olá. Quando viemos embora, vinha babada e cheia. Babada por todos terem adorado tanto a minha filha. Cheia de uma sensação positiva de ter feito a boa acção do dia.
É hoje o seu dia. 22 de Julho é o dia em que se celebra a memória de Maria Madalena. Disse-mo uma velhota encantada com os seus sorrisos.
Foi ontem, cá em casa, enquanto eu distraída via as notícias na televisão. Quando dei por ela, estava de pé agarrada a mim. Tinha conseguido amarinhar por mim acima até dar um gritinho de vitória por estar de pé. E já não o faz atrapalhadamente!
Este fim-de-semana fomos até à Figueira para fazer praia com a M. A experiência anterior tinha sido positiva, com areia pela boca adentro à mistura. Desta vez, repetiu-se. Assim que se apanha em cima da toalha, a M. começa a gatinhar velozmente até à ponta para chegar à areia. Aí, fica deitada de barriga para baixo e vai levando punhados, sim, punhados, de areia à boca. Eu sento-a e ela fica satisfeita a comer e a lambuzar-se com a areia. Ora mete uma mão-cheia dela, ora chucha no dedo, como se a areia fosse açucar. Na manhã de sábado, foi controlado porque o sono era muito e a tentação da água era maior. À tarde, acabámos por vir embora da praia por já não saber o que fazer para a impedir de comer mais. É que o que é demais, é moléstia! Chegados a casa, e por estar um tempo óptimo, estendemos um edredão velho no jardim e pusemo-la à sombra da palmeira. Pior a emenda do que o soneto! Não satisfeita com o lanche de areia, achou que precisava de rematar com um repasto de terra! Gatinhou até à ponta e começou a comer torrões de terra... Foi uma guerra pegada entre mim e ela - ela arrancava relva, apanhava caruma, raízes cheias de terra - tudo para a boca. Acabou à hora do banho com uma M. toda suja, com as unhas pretas e os pés negros, mas feliz.
De manhã, quando iam a sair, a minha sogra deitou cá para fora mais uma das suas sabedorias de avó: se lhe derem uma códea de pão ela fica entretida por um bocado. Por isso, o B. vai e dá-lhe um bocado de pão. Fiquei em casa sozinha com a M. que claro está, no meio de muita chafurdice, foi comendo o pão. Quando acabou, chorou. Só para não variar. Vi-me e desejei-me para a calar... À tarde, na praia, a minha sogra, como verdadeira avó que é, desempenhou bem o seu papel e levava bolachas, leitinho de pacote e iogurtes para toda a gente. A M. viu passar uma bolacha Maria em frente do nariz. Começou a ficar frenética, como sempre que vê comida. O pai deu-lhe uma. Ficou a roê-la pacientemente, com aqueles dois dentinhos dela, até a bolacha desaparecer. Desatou num berreiro logo a seguir. Eu neguei a segunda bolacha e a avó a contra-gosto respeitou, dizendo que não percebia nada destas modernices de agora. Como a M. não se calava, o B. ignorou-me e deu-lhe outra bolacha, enquanto a minha sogra dizia com um ar satisfeito "as avós têm sempre razão!". A terceira e quarta bolachas foram inevitáveis. Depois impus-me e acabaram-se. Para a calar, foi simples - o pai pegou nela e pô-la na piscina de água gelada que o tio tinha enchido para ela e para a prima. Espero que rapidamente percebam que os snacks entre refeições são dos piores hábitos alimentares que podem incutir numa criança. Senão lá vou eu ter de ser a má outra vez...
Foram matar saudades da neta a Quiaios. Já não a viam há um mês, por isso, eram mais que muitas. Ao chegar no sábado à noite, mal se lembraram que também lá estávamos. Foi preciso o B. recordar a mãe com um olá de chateado - filho também se sente! :) Depois andou no colo de um e no colo do outro. Eu passei a pasta e aproveitei para poupar as minhas costas. No domingo, os meus cunhados apareceram com as filhas, assim como 3 irmãs da minha sogra e respectivas familias. Por isso, os meus sogros pouco gozaram a neta. À tarde, fomos à praia. A avó encarregou-se dela e por incrível que pareça, a M. até se esqueceu de comer areia! Fartou-se de brincar com a prima mais nova, que só tem um ano e meio a mais e uma paixão assolapada por ela. E desta vez a M. retribuiu. Quando se vêm é uma loucura! Uma ri-se, a outra corresponde e depois fazem um "mi-mi" uma à outra. Parece-me que vão ser melhores amigas. À noite, a avó para se despedir, pegou nela ao colo (não sem antes tomar um banho a correr porque estava "toda suja e molhada") e ficou distraidamente na conversa comigo. Quando demos por ela, já tinha adormecido de cansaço da azáfama daquele dia de praia e família. A avó passou-a ao pai para a deitar, chamou o marido para dar um beijo à neta, que ele fez a rir de nervoso, e depois despediu-se com um beijinho triste, já cheio de saudades até um próximo fim-de-semana.
A M. é boa boca. Não se nega a nada que tenha a ver com comida. Mas nada mesmo. Há uns dias, tentámos ameixa. Era ácida e amarga, por isso o B. experimentou misturar uma banana para adocicar. Eu provei e fiz uma careta. Achei que era desta que ela se ia recusar a comer. Acham? Nem por isso. Comeu tudo! Ou melhor, ficou a meio, mas aquilo era enjoativo e imenso, por isso vai dar ao mesmo. Para saber se já está cheia é preciso saber ler os sinais. Vamos-lhe dando colher a colher, até que começa a mastigar a comida (que está desfeita). Pergunto-lhe se já não quer mais, ela sorri para mim, e se eu lhe mostrar outra colher, ela prontamente abre a boca. Ou seja, mesmo cheia, continua a comer. O sinal definitivo é quando ao engolir faz cara de agoniada. Faz careta e abre a boca para a colherada seguinte. Então, eu já sei que está na hora de parar... Glutona!
Este fim-de-semana ensinei-lhe um novo truque. Como agora passa a vida a passar a mão em frente à boca enquanto faz barulho, lembrei-me e tentei. Comecei a bater com dois dedos em frente da boca dela, enquanto lhe dizia, "Faz tu! Ahhhhhhh! Faz tu!". Não é que ela percebeu! Começou a fazer "ahhh" e quando viu que aquilo fazia um som diferente achou graça e continuou. Agora basta começar a bater com os dedos na boca e dizer-lhe "Faz M, faz!" E ela faz-nos a vontade. Depois continua sozinha, embora desajeitadamente. Agora temos uma índia cá em casa!
Sempre que a tentamos sentar - no ovo, na cadeirinha de passeio ou na de comer. Pegamos nela ao colo, aproximamos-nos da dita e ela, sem tuge nem muge, estica-se toda. É uma trabalheira para a sentar. Por vezes, engano-a com beijinhos no pescoço enquanto a desço e levanto, mas é uma brincadeira que está a ficar esgotada - ela já antecipa. O normal é uma quantas descidas infrutíferas com ela tipo tábua, até que lá lhe conseguimos dobrar as pernas e sentá-la à força. Escuso de dizer que chora a seguir, certo?
O avô e a tia estiveram fora um mês, por isso quando regressaram, a primeira coisa que fizeram foi visitar a M. Liguei de manhã para o meu pai, e durante o telefonema apercebi-me pelos barulhos de fundo que estava ao pé dela. Vieram de manhã, foram almoçar e à tarde, a tia regressou até às 19h. O meu pai deixou-a cá, enquanto tratava do passaporte (vai um mês para Macau em Outubro - sem comentários!) e depois veio despedir-se da M. e buscar a minha tia. De manhã, foram passear com ela à rua. Pensei eu que com o carrinho. Não... Levaram-na ao colo, e foi à vez. Agora pegas tu, agora pego eu... Depois, foi a minha tia que lhe deu a sopa do almoço e o biberão da água - para variar mal e por isso, encharcou-a ao ponto de ser preciso mudar-lhe de roupa. À tarde, quando eu cheguei foi preciso a minha filha ter um ginete para ela perceber que queria dar-me as boas-vindas... Resumindo, não dormiu sesta nenhuma, com toda aquela excitação e estava eléctrica com tanto apaparicanço exagerado. À noite, esteve a chorar 2 horas, com birra de sono, de sobre-estimulada que estava. Tentei de tudo: acalmá-la ao colo, pô-la na cadeirinha, no tapete com os brinquedos, na cama dela com a Lola. Nada resultou. Desisti e pu-la em cima da nossa cama, deitei-me ao lado e deixei-a cansar-se. Rolou, rebolou, sentou-se, deitou-se, vezes infindas, sempre a chorar. Fui-lhe massajando as costas como podia e fazendo festas na cabeça, para a ajudar a acalmar-se. Acabou por adormecer de gatas, a afocinhar no meu peito, e chorando baixinho, de olhos fechados, enquanto recebia as minhas festas na cabeça devagarinho. Foi o cabo dos trabalhos para me levantar e pegar nela para a deitar sem a acordar. Com isto, descobri que as mães também aprendem a ser malabaristas!..
Pela primeira vez, saltaram-lhe duas bem gordas cá para fora. Foi na 5ª feira passada, quando a tentei pôr no ovo, no carro. Como de costume, começou a chorar porque não queria. Então o colo é tão bom! Ao obrigá-la a sentar-se, no meio do choro, apareceram - uma em cada olho, bem molhadas... Fiquei com mais um bocadinho de remorsos... Limpei-as com o dedo e fiz um miminho extra para recompensar a frustração. Desde então, quando quer chorar, mesmo que por birra, por vezes lá lhe saltam para fora aquelas mesmas duas lágrimas. Ficam-se pelo olho, molhando apenas as pestanas. Ainda não se atreveram a cair.
Depois de comer limpo-lhe sempre a boca e os dentes com uma compressa molhada. De todas as vezes, pergunto-lhe pela boca ao que ela estica a cara e fecha a respectiva, para eu passar a compressa. Depois pergunto-lhe onde estão os dentinhos. E ela com um ar muito sabido, abre a boca e deixa passar aquela coisa branca e molhada para trás e para a frente. Parece que gosta - menos mal.
Quando sou eu, recebo um sorriso enorme e fica num desassosego enorme para vir para o meu colo no segundo a seguir, exigência que se não for cumprida à risca pode comportar algum choro. Agora quando o pai chega... Normalmente, está no chão ou em cima da cama a brincar comigo. Mal o vê, ri-se e faz de burrinha velha. Depois numa agitação só, costuma virar-lhe as costas, esconder a cara em mim, mesmo que para isso tenha de se pôr de gatas para "fugir", e rir-se imenso enquanto espera que o pai se meta com ela. Ele satisfaz e encosta a cara nas suas costas, enquanto lhe diz um "Olé!!!" sonoro. O resultado? Costuma ser uma gargalhada e o desafio para a palhaçada. Nem imagino daqui a uns anos...
Li num livro que nesta idade se deve estimular imitando os animais. Por isso, alinhei na brincadeira e comecei: "como faz o cão? Ão! Ão! Ão! Como faz o gato? Miau! Miau! Miau!" e por aí afora. Uma vez, lembrei-me de variar um bocadinho, e por isso, ao imitar o cão a ladrar, fiz que a queria afocinhar no pescoço. Como ela gostou, ao fazer de gato, imitei o meu gato Mico que se roçava total e completamente em nós. Assim, que comecei a roçar-me na barriga, vi o deleite na sua cara. Franzia o nariz, sorria, dava guinchinhos, enfim, adorou. A partir daí, como é óbvio, passei a fazer sempre assim. Uns dias depois, o pai viu o como ela gostava. É vê-los aos dois. Um a encolher-se todo, a rir ou mesmo a gargalhar, e o outro feliz a roçar-se pelas suas costas, pela barriga, pelo pescoço, eu sei lá. Hoje em dia, basta o B. fazer "Miiiiaaaauuuuuuu!" com cara de malandro e a M. já está encolhida e pronta para a brincadeira.
A M. agora mama e senta-se intermitentemente. Até enerva! Mama, senta-se, puxa-se para o centro, mama mais um bocadinho e senta-se. Está o tempo todo nisto. À conta da brincadeira, ontem, conseguiu uma proeza: estava-me a preparar para a mudar de lado, eis senão quando, a madame já sentada, decidiu não esperar e afinfou-lhe. Resumindo ficou sentada no sofá a mamar e só assim sossegou. E esta, hein?!
O boneco preferido da M. ainda é a vaquinha Lola - o seu dodo de eleição para dormir. Mas não fosse ela filha de uma fã de BD, especialmente francófona, também escolheu para seu melhor amigo o Marsupilami. Um peluche que me foi oferecido em tempos de faculdade, que sempre ficou, junto com o Daffy Duck, no quarto de visitas, que é agora o seu. Passa horas a roer aquela cauda infinda e adora que eu imite o bicharoco, pondo-o aos saltos à sua frente, enquanto digo "Houba! Houba! Houba!".Não é suposto, mas é inevitavelmente assim que ela dorme... Quando acorda, a sua posição preferida é pôr-se de gatas. Assim como assim, já está meio trabalho feito!
Passa as noites nisto - destapa-se com os pés e depois vai rodando. Mexe-se e gira, remexe-se e gira mais um bocadinho. De tal forma que as vezes que acorda durante a noite é por ter ficado de cabeça para baixo ou entalada na cama. Entalada no sentido literal: fica perpendicular à cama, com a cabeça enfiada no protector e os pés para cima... Depois, refila, pois está claro!