quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Lagoa

A tia Z., oriunda de Lagos, tirou uma semana de férias para percorrer a costa algarvia de uma ponta à outra na sua auto-caravana, acompanhada exclusivamente pelo marido. Assim, na sua passagem por Lagos, telefonaram-nos e passámos o dia juntos na praia, assim como a manhã seguinte. Conhecedora dos recantos da casa, a nossa amiga levou-nos à "maternidade do Atlântico", uma lagoa que fica numa das extremidades da meia-praia, cuja água vai e vem do mar e onde existe uma quantidade parva de berbigão, ostras e peixes para quem quiser apanhar. O caminho para lá não é nada evidente - é preciso primeiro que a maré não esteja cheia para se poder passar pela areia e depois atravessa-se um pontão que não é brincadeira. Felizmente, o nosso jipe ainda serviu para alguma coisa!... Estava uma ventania desgraçada, mas a água estava quentinha, confundindo-se o lugar com uma banheira gigante. Foi a grande banhoca da nossa M. Despi-a e levei-a para dentro de água, experimentando um pouco as várias possibilidades de movimentos de sereia da nossa pipoca. Adorou! Ela foi de costas, plena de confiança e sem hesitar, ela foi de barriga para baixo, mesmo com alguns pirolitos, tal era a ânsia de provar o sal, ela foi saltinhos para chapinhar, ela foi o gatinhar dentro de água. Valeu tudo. Fez as nossas delícias e as dos nossos amigos, que estavam maravilhados com aquela capacidade de apreciar a água sem medos. Mas o vento era mais que muito e já eram 6h da tarde, por isso, acabei por a tirar, só a convencendo de que isso era boa ideia com a visão de um iogurte. O B., juntamente com o tio C., dedicou-se à apanha do berbigão, que se veio a provar é viciante, e a provar o dito cru. Quanto à senhoras, encostaram-se junto a umas rochas a apreciar, tendo a tia Z. ensinado uma nova gracinha à M.: o pitinho ao ovo. Tanto lhe mostrou o dedo e cantarolou que à noite, na esplanada do café, teve o privilégio de ver comprovado o seu esforço. A M. passou os dias a mostrar o seu novo truque e muitas vezes adormeceu a fazê-lo já muuuito devagarinho...

Praia

No primeiro dia de manhã, por já ser tarde e não dispormos de muito tempo, fomos à chamada "praia do cagalhão" (facto que viemos a descobrir na altura), que fica mesmo em frente ao parque de campismo e por isso também ao centro da cidade. É assim conhecida porque serve a malta dos parques de campismo (tanto o nosso, como outro), as pessoas que não têm carro e ainda é palco à noite de muita outra coisa. Resultado: muito lixo, sobretudo muitas beatas e muitos bocados de plástico duro de copos partidos. Ora, a M. adora provar de tudo, por isso nessa manhã, por mais atenção que tivessemos, marcharam duas beatas e alguns bocados de plástico bicudos passaram-lhe pela mão. Decidimos com veemência não tornar lá. Assim, à tarde, pegámos no carro e fomos em direcção à meia-praia. Toda a baía de Lagos é composta por esta praia, tendo variadíssimos acessos ao longo da estrada. Experimentámos um bem longe da cidade, junto ao forte - a praia da torre, mesmo junto ao bairro dos indíos do Zeca Afonso. Depois de percorrermos um passadiço por cima das dunas, chegámos a uma extensão de areia sem fim, apenas ocupado por meia dúzia de chapéus, que pintalgavam pontualmente o areal, juntinho à água. Armámos a barraca (tenda, guarda-sol, toalhas, os brinquedos para fora do saco, a fralda de pano que faz falta por causa da areia nos olhos em segundos, eu sei lá!...) e usufruímos do tempo. A água estava fria (de manhã, nem nos molhámos), mas achei que não fazia sentido estar a olhar para aquele mar cristalino e parado e não o provar, por isso, peguei na M. e segui caminho. A partir dessa tarde, os nossos dias de praia foram assim. Uma manhã na praia que começava com uma banhoca pouco depois de chegarmos, com um iogurte ou um boião de fruta com bolacha a seguir e com muita brincadeira e muitos nãos repetitivos às tentativas de degustação dos achados na areia, terminando ou com uma soneca na tenda ainda na praia ou no carro a caminho da messe para o almoço. Por vezes, o sono teimava em não vir e nós aproveitávamos para passear pelas ruas de Lagos até à hora de comer. A seguir ao almoço, íamos à cafetaria da messe com uma vista fabulosa sobre a baía e fazíamos tempo até à hora decente de apanhar sol outra vez, passeando - pela marina, de carro à procura de outras praias, enfim, gozando de um Algarve ainda pouco estragado. A praia da tarde começava novamente com uma banhoca numa água um bocadinho mais quente, um lanche bem saboreado e mais brincadeira e mais nãos. Normalmente, adormecia no carro, no regresso, fazendo com que o pai ficasse no coche a guardar a Bela Adormecida, enquanto eu tomava banho e preparava as coisas.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

A Messe

A Messe dos Oficiais de Lagos tem um edifício de quartos no recinto do parque de campismo da tropa. Com uma organização tipicamente militar (que tanto me acompanhou durante a vida), para além das infra-estruturas normais de um parque de campismo, dispõe de uma sala de refeições, uma cafetaria, uma lavandaria e um churrasco com mesinhas de pic-pic. Ficámos num quarto duplo com vista para a baía da Meia-Praia, que era arrumado e limpo diariamente. Quanto à M., apesar de lá disporem de camas para bebés, levámos a sua cama de viagem (o B., não o conhecendo, não confiava nem um bocadinho no sítio para onde íamos e à cautela quis evitar bichos e falta de limpeza indesejáveis), que depois de aconchegada por um edredão gentilmente cedido por uma das senhoras da limpeza, ficou muito mais confortável (a primeira noite foi terrível, com o fru-fru da nossa piquena a virar e revirar na cama e uma rabugice de sonâmbula, por estranhar aquela cama esquisita...). Usámos quase sempre a sala de refeições (barata, mas nada de especial) e a cafetaria com vista desafogada para a baía, que tinha um excelente bolo de chocolate e D. Rodrigos todos os dias. Foi uma agradável surpresa, até para mim, que já conhecia o sítio de há muitos anos, e uma experiência a repetir para o ano.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Deixámos os avós numa sexta de manhã e rumámos em direcção a Lisboa, para no dia seguinte seguirmos para o Algarve. Fomos para Lagos (para mim, ainda um Algarve à séria), para a messe dos oficiais, com acesso a uma sala de refeições em conta, uma semana inteirinha. Acabavam-se assim, o fazer da cama, o cozinhar, o lavar da loiça e o varrer do chão todos os dias. O B., no sábado de manhã, pegou nas malas e, antes de descer de elevador, perguntou-me de sorriso rasgado: "Vamos começar as nossas férias a sério?". Eu ia regressar a um dos lugares do meu imaginário, onde passei alguns verões com uma família amiga e um amor platónico (no último ano, com 16, iniciando-me numa discoteca, o anormal disse-me que eu dançava como uma galinha! Escuso de dizer que, não fosse a minha paixão pela dança, teria desistido das pistas de discoteca na hora...). Ia na esperança de encontrar sol e calor, sem desventuras de chuva pelo meio, um mar calmo e água quentinha (em Quiaios, ainda apanhámos algum tempo instável, apesar de só ter impedido uma visita à praia um dia, por causa da chuva que caiu de manhã à noite). Foi uma viagem pelo meu Sul - recanto de Portugal de minha eleição, sobretudo o Alentejo, que sempre teve a capacidade de me invadir pela sua imensidão e quietude. Chegados lá, instalámos-nos e fomos dar um passeio pela marginal, antecipando os dias que espreitavam do outro lado do horizonte.

domingo, 21 de setembro de 2008

Avós

Deliraram com a semana de férias com a neta. Na praia, a avó adorava brincar com ela, o que para nós era óptimo, pois dava para descansar mais um bocadinho. Mas pouco, porque em minutos a M. fartava-se e disparava a gatinhar praia fora, à procura de novos tesouros para meter na boca... Mesmo assim, era mais fácil. O avô também entrava na brincadeira e adorava tirar-lhe a chucha para lhe fazer pirraça a seguir - era um tira e quase que põe na boca, que demorava a concretizar. A M. ficava de boca aberta à espera, a tentar fechá-la sempre que sentia a sua amiga a tocar-lhe a língua, para nunca conseguir tal façanha. O avô ria-se perdidamente e ela nem sequer se irritava - limitava-se a ficar à espera. A avó conseguiu ensinar-lhe dois truques: o passou bem e... deitar a língua de fora! Estendia-lhe a mão, a perguntar "Passou bem? Passou bem?", ao que ela respondia estendendo a mão também, para ouvir a seguir "Bem muito óbrigaaaaaado! Com uma banana debaixo do raaaaabo!". Adorava. Quanto à língua de fora... Foi no último dia. Estávamos nós a arrumar a tralha (mais que muita), enquanto a avó a entretinha, aproveitando para gozar a neta mais um bocadinho a 200%. Eu bem que a ouvia rir com vontade ao longe, no meio da azáfama das malas e saquinhos. Quando cheguei ao pé delas, estava a M. no seu colo, com um ar super-divertido, e a avó a dizer "Mostra a língua, M., mostra lá". E ela cumpria! Veio a viagem toda a deitar-nos a língua toda de fora. Sim, porque a minha filha não é nada de exageros: não lhe chega um bocadinho, é até onde conseguir. E eu que não gosto nada de ver os miúdos babados! :)

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Gracinhas

Para além de se safar cada vez melhor com o estar em pé, palra imenso. O "mamã" já é algo de familiar e que é associado a pessoas, não importa quem (o pai afina e ainda corrige: "Não é mamã! É papá!"). Quando quer comer, não se fica com qualquer dúvida: dá estalinhos secos com a boca, fechando e abrindo a boca como um peixe. Para além disso, aprendeu a fazer "Juízo!" ou "Tontinho!": leva o punho fechado à testa e bate várias vezes na cabeça, com um ar demasiado cómico de quem está a gozar, para parecer que é coincidência. Este foi o pai que ensinou. Eu tentei durante uns tempos o "Tontinho!" e nada, até que um dia o B. alvitrou "Juízo!" e pegou. Pelo menos, politicamente é mais correcto... Quanto aos beijinhos, aprimoraram - quase nunca se nega a esticar o pescoço e de boca toda aberta nos lambuzar a cara toda enquanto dá um gritinho de satisfação.

Pelada na relva

O avô ficou com o jardim um bocadinho mais careca depois da passagem do furacão M. Adorava arrancar relva e, pois está claro, levá-la à boca. Era engraçado como o fazia por todo o jardim para acabar sempre no mesmo sítio...

O seu chapéu branco

Dormir na praia - onde isso já vai...

... Enquanto os avós não se juntaram a nós, contámos com a ajuda do tio F. para a entreter - tarefa muito bem cumprida, aliás - mas só em casa, porque sua excelência não gosta de praia (dá Deus nozes a quem não tem dentes!...). Assim, posso afirmar que não descansámos muito. Sempre em cima de uma super pilhas Duracell, que gatinha à grande e à francesa e aperfeiçoou a técnica de se levantar agarrada a qualquer coisa, não interessa o quê, e sempre em estado de alerta ligado na luz vermelha, por causa das suas tropelias que já são mais que muitas, chega-se ao fim do dia exaustos. Pouco aproveitei para dormir nas suas horas de sesta, por este ou por aquele motivo, por isso, à noite caía para o lado. Uma característica sempre presente das férias sozinhos com a M.: nunca passámos pelas brasas na praia como antes. Uma coisa que sabe tão bem...

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Agora afocinha

Continua a comer areia, mas agora refinou... Já não leva punhados à boca, não senhor. Agora, vai directo com a boca ao chão para comer a delícia da areia. Quando vem ao de cima, a cara às vezes parece um croquete...

Os nossos dias...

Eram passados com muita calma, disfrutando de cada momento. Acordávamos de manhã com o nosso despertador natural - a M. a palrar, entre as 8h e as 9h30. A cama de grades tem de ficar no nosso quarto, por isso é fácil de ouvir (foi uma das poucas coisas que me fizeram falta durante as férias: as noites descansadas, sem ouvir o arrulhar da M. durante o seu sono). Eu levantava-me, dava-lhe de mamar, enquanto o B. se espreguiçava. Depois, tomávamos o pequeno-almoço e preparávamos a piquena para a praia - um autêntico desafio! Uma verdadeira luta armada de "pára quieta!" e "está sossegada!" para se conseguir pôr o creme protector... Chegávamos à praia relativamente tarde para quem saía por volta das 11h00, montávamos a tenda, abríamos o guarda-sol e estendíamos as toalhas para as ver repletas de areia em segundos - missão atarefada da M. sempre muito bem cumprida. O B. levava-a à água, para lhe molhar os pés (a água estava gélida) e eu andava na areia de gatas ao lado dela, sempre a dizer um não total e completamente ignorado, para a impedir de meter e remeter conchas, pedras, lixo e ademais achados na boca - a figura era bonita... Depois, ou a M. adormecia ao colo do pai à beira da água, ou (a maioria das vezes) íamos embora por causa do calor. Houve dias em que esticámos até às 12h00 por termos a nossa pipoca dentro da tenda qual Bela Adormecida. Chegados a casa, por vezes (quando o sono ou a fome o permitiam), enchíamos a piscina do Ruca (mínima) com água quente da torneira - mordomias! - e ela tomava a sua banhoca da manhã. Almoçada, dormia uma boa sesta - algumas delas na rede comigo a cantar o "Balão do João" (chegou a fazer sestas de 3 horas, coisa inédita num ser que não gosta muito de dormir de dia...), e à tarde seguíamos novamente para a praia, para repetir tudo outra vez. Quando já não conseguíamos mais estar na praia - eramos muitas vezes dos últimos a ir embora - regressávamos para dar banho à nossa pipoca, o jantar e tratarmos de nós. A ideia era sair à noite, mas como somos um pouco (a favor!...) desorganizados, a M. acabava por adormecer, de canseira de um dia cheio, durante o nosso jantar, que acontecia sempre tarde, e já não tínhamos coragem de arrancar para a Figueira para passear.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Quase, quase...

A M. já se segura de pé só com uma mão apoiada durante uns segundos - proeza conseguida no dia 28/08 em Quiaios. Para além disso, já consegue ficar em pé, com um ligeiro suporte da nossa parte sem grandes forças. O avô paterno passou a vida a dizer, com ar inchado - "vai andar antes do ano, vai, vai!"...

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Indo eu, indo eu...

... a caminho de Viseu! Já aqui contei como a M. gosta de dançar ao nosso colo, dando a mão para um bailarico ou valsa improvisados. Nas férias, descobri que esta canção em particular surte bastante efeito. Nem de propósito!... De cada vez que começamos a cantarolar a dita, ela começa a abanar-se toda, fazendo sobretudo as delícias do avô materno. É incrível, mas o meu pai até tentou a gracinha com ela. Fui dar com ele, sentado (pois, está claro, para passar mais despercebido!...), com a M. em posição de dança (ele, que era arrastado pela minha mãe aos domingos, às escondidas no quarto da minha avó, para aprender que não tem 4, mas sim 3 pés esquerdos...), a cantar a música (imagine-se!...) e a abanar o tronco, como que a tentar apanhar o ritmo da coisa. E a neta responde, o que ainda dá mais graça à cena!...

Nei! Nei! Nei!

É assim que ela resmunga agora, quando está zangada ou impaciente.

Bailarina ou dançarina?

A M. descobriu a dança há pouco tempo - abana o corpo para a frente e para trás, dá às pernas, encolhendo-as com ritmo, e justifica plenamente a expressão de "abanar o capacete", parecendo que diz que não violentamente com a cabeça. Para a convencermos a entrar para o carro, sem grande luta, pomos a tocar os CD's de música infantil que arranjei e lá se senta ela na cadeirinha sem grandes refilices, a dar às pernas e sorrindo com ar entendido para nós. É de chorar a rir vê-la presa na cadeirinha, quase sem se mexer, com os ombros a subir e a descer, a cabeça a abanar e as pernas a dar a dar. Ora, o tio Pipe toca guitarra, ou melhor, arranha umas coisas. Um dia à noite, experimentou tocar-lhe uns acordes. Não é que a miúda adorou?! Abanou-se toda, deu à cabeça e já participava à sua maneira com sons divertidos. No dia seguinte, para mostrar a gracinha aos avós, que entretanto tinham chegado, o tio decidiu tocar uma espécie de rocalhada, com "Ié! Ié! Iés!"de rock&roll à mistura. Adorou! Mais ainda do que no dia anterior. Desde então, não pode ouvir uma melodia - começa logo a "dançar" sem parar, sempre com um ar de quem sabe lindamente o que está a fazer. Sairá a mim, bailarina até aos 27 (desajeitada, é certo), ou ao pai, dançarino nato, que deixa as senhoras encantadas com o seu tango?

Uca! Uca! Uca! Uuuuuuuuuuu!

Passou uns dias com o tio 'Pipe. Resumem-se a uma palavra: coboiada. Ela é dançar, ela é saltar no ar, ela é voar, ela é rir à gargalhada. A brincadeira preferida é ser agarrada por detrás, ficando sentada na sua mão, enquanto ele anda a trote e grita "Uca! Uca! Uca! Uuuuuuu!". Ela ri-se imenso, abana a cabeça e o corpo e dá às pernas. Como diz o pai, gosta de andar de rabo abanado. Quando pára o comboio, começa a saltar e a desafiá-lo por mais. O tio acaba sempre com os bofes de fora, com dores nos braços, por causa daqueles 9 kg para cima e para baixo. À conta da brincadeira, ficou a fã n.º 1 deste tio babado, que se péla por uma das suas gargalhadas - quando o vê, estica logo o pescoço na sua direcção e começa-se a rir, como que a chamá-lo para ao pé de si. A continuar assim, temos uma amizade duradoura pela frente...

Férias na casa de praia dos avós paternos. A única praia que a M. conhecia ainda, com um mar revolto e pouco convidativo a banhos, de frio que é, mas com uma extensão de areia fabulosa, frequentada por algumas famílias carregadas de vários guarda-sóis e pára-ventos, que muito juntinhos, para proteger do vento, constituem ilhéus de gente por entre espaços vazios de confusão. Uma casa grande, tão grande que dá para andar a passear o carrinho lá dentro até adormecer, com um jardim de relva e flores, decorado com uma manta enorme que a avó arranjou, à sombra de duas palmeiras e uma rede de pano brasileira que oferecemos à avó quando ela comprou a casa. Muitos miminhos, muitas brincadeiras, muito poucas birras e alguns truques aprendidos...

Prima

Depois de um sábado em Coimbra para visitar a tia do B. que teve um AVC (a vida é por vezes mesmo muito injusta...), começámos por ir a Penedono para visitar quem não pode ir ter connosco - a bisavó da M. e a avózinha Z., de 98 anos, ama do B. em pequenino. A prima M., de 2 anos, passa a vida a perguntar pela M. à avó e à mãe. Associa-a à cama de grades que a avó tem no nosso quarto e à praia, por ser normalmente aí que nos encontramos em família. Tem uma loucura por ela desde que nasceu. Ao princípio, fazia-me muita confusão, porque a M. ainda nem se sentava, já a prima andava de roda dela feita louca para lhe fazer festinhas e dar beijinhos. Convenhamos que uma criança de ano e meio não tem muita noção do que faz, muito menos num bebé de um mês ou dois. Depois, independentemente da ranhoca a sair do nariz por causa das contipações, lá vinha ela para ao pé "da bebé". Agora, que até já sabe o seu nome e a M. já gatinha e se defende um bocadinho mais, já não me complica tanto com o sistema. Quando a prima nos viu chegar, foi a histeria total, mas desta vez, de parte a parte. A nossa M. também já a reconhece e fez-lhe uma festa digna da perdição que a prima tem por ela. Brincaram juntas naquela noite no chão da cozinha em casa da avó, que estava radiante por ter as suas três netas juntas a encher a casa (a B. de 7 anos também lá estava). A sua melhor cena foi a certa altura, as duas primas no chão, ao lado uma da outra, a gatinhar a par e passo com uma alegria que só vista. Pareciam mesmo dois gatinhos a correrem ao lado um do outro!