quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Outras palavras

  • maínho - cavalo marinho
  • pó - porta
  • ta - flauta
  • pá - palmeira
  • body (com pronúnica perfeita!)
  • pin - pintainho
  • pinpin - pinguin
  • nhonha - anona

Horários de sono

A pediatra perguntou-me qual era o horário. Respondi-lhe que não tinha. A única coisa consistente é no adormecer tarde - nunca antes das 23h30. Já o acordar era conforme, sabe-se lá do quê... Tanto acorda às 9h00, como às 12h00, como a meio da noite, ficando acordada mais de duas horas, obrigando-nos a levantar de madrugada. A Dra. Margarida aprovou o biberão da noite apenas porque era essencial para a adormecer, senão era de eliminar, e concluiu aquilo que nós já sabíamos: que há crianças sem padrão de rotina no que toca a dormir. É aguentar e fazer os possíveis por implementar um horário, mas sabendo à partida como isso seria difícil. Usou uma boa expressão, que me parece bastante adequada: cá em casa vive-se uma pequena ditadura, que gira em torno da rainha que põe e dispõe. O que fazer? Aguentar... Depois da médica dizer isto, não há muito a fazer. Uma explicação possível é o facto de a M. estar numa idade em que o cérebro absorve tanta informação que é normal que tenha mais dificuldade em desligar e descansar. Outra, é o facto de estar em casa e não ser obrigada a acordar sempre à mesma hora e a gastar energias no infantário. Seja qual for o motivo, agora, ficamos contentes quando o biberão resulta e não é preciso ir para o chão do quarto, esperar que ela adormeça, por vezes até uma hora e meia, ficando com o rabo quadrado...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

15 meses

Fomos à consulta dos 15 meses no dia a seguir a celebrar a data. A pediatra, de quem sou cada vez mais fã, ficou espantada com a criança. Assim que entrámos no consultório, a M. foi para o chão e foi ter com ela. Esta tem um saquinho com brinquedos para entreter a miudagem, tendo entre outras coisa, uns cubos ocos que têm ao centro um animal. São umas coisa pequenas, que nada têm de evidente para uma criança tão pequena. A M., encostada às suas pernas, às tantas diz do nada "cão!". Como não vi nada, questionei-a, enquanto procurava o cão. A médica, ao mesmo tempo, fez um gesto de boquiaberta e respectivo fechar da boca e disse: "Estou parva! Oh mãe! O cão está aqui!". Dentro do dito cubo, estava um cão malhado mínimo, que a M. identificou quase de imediato. Depois de uns minutos com ela, chamou-lhe atrevida e confirmou aquilo que já sabíamos - a M. está hiper-estimulada e já diz imensas coisas. Deu os parabéns à ama e aos pais pelo trabalho feito. Não queria crer quando lhe contei o que a M. responde quando se lhe pergunta pelo pai, dizendo de seguida "pão" e "papa", repetindo aquilo que a Lúcia lhe ensinou: que o pai foi comprar pão e papa. Ao que parece, aos 15 meses não é evidente associar dois conceitos a uma ideia e muito menos expressá-los. Quando lhe falei na ginástica e na natação, riu-se e perguntou a brincar se também não estava no inglês, ao que eu lhe respondi que ainda ponderámos, mas já não nos era possível suportar mais uma actividade. Não fez mais comentários... :) Quanto a números... Tem 10 dentes: 4 em baixo e 6 em cima. Tem 77 cm de altura, ou seja, está entre o percentil 50 e 75. Continua cabeçuda, estando no percentil 90. E... Tem 11,760 kg, ou seja, percentil 90... O comentário foi "Está fofa...". A pediatra não se mostrou excessivamente preocupada, mas frisou que o seu dever é não deixar que a M. seja "fofa". Assim, manteve a "dieta" que eu lhe impus: uma refeição mais completa ao almoço e só sopa e fruta ao jantar. Sendo a sopa sem carne ou peixe,visto que ao almoço já come a quantidade diária necessária. Escuso de dizer que o tradutor interno do B. foi ouvir "fofinha", desdramatizando por completo a parte da M. estar gordinha... :) No final, enquanto a observava, a palavra de ordem da pediatra foi: "Não se preocupem com a vossa filha! Ela está gloriosa!", explicando que desde a última consulta, três meses antes, ela evoluiu imenso e dando-nos a entender que em matéria cognitiva e de desenvolvimento está muito acima da média. Não podia em mim de inchada. E o pai, então rebentava pelas costuras... Que bom que é saber que o esforço está a compensar!

Já endireita a chucha

Finalmente, já dá pela diferença. Agora, sempre que enfia a chucha na boca, endireita-a se esta ficar de cabeça para baixo. Já não tem razão de ser, o espanto de muita gente, quando a via a chuchar a sua pêpê ao contrário.

Aninha-se

A M. está mais mimalha. A criança que não quer muitos apertos ou colo, já o pede, de braços esticados e dizendo "có!". Depois, tem momentos. De manhã, chega a aninhar-se, muito aconchegada, de queixo apoiado no nosso ombro, com um ar de satisfação só visto, sem se mexer, só a disfrutar daquele momento só nosso. Eu chamo-lhe o miminho da manhã e sabe-me que nem ginjas! Mas, com isto não quero dizer que já gosta de colo à séria. Apenas já aprendeu a oferecer-se, e a nós também, bocadinhos destes, que por serem curtos e poucos, têm muito mais valor.

Manhãs difíceis

A M. entrou numa fase mais complicada. Está muito apegada a nós, sobretudo a mim. As segundas-feiras são terríveis, com choro à mistura e muitos chamamentos da minha pessoa. A Lúcia chega a mentir, quando lhe telefono, dizendo que não, que foi só quando nós saímos de casa de manhã, que depois passou, para, no final da tarde, quando chego a casa, me confessar que a M. passou o dia a perguntar por mim e a chorar. Acorda cedo, apanhando-nos ainda em casa, apesar de não ter dormido tudo e não me larga. Até parece que tem um radar que detecta movimento e a avisa que está na hora de sairmos, por forma a nos impedir. Nem me vestir em condições consigo, com ela a esticar-me os braços e a pedir colo, enquanto choraminga meia desesperada. Mal ouve a chave na porta e percebe que é a Lúcia a entrar, desata num pranto que até dá dó. Depois de sairmos, ainda demora uma hora ou mais a conseguir adormecer outra vez, para dormir o que ainda falta. Um dia, chegámos a sair meios a correr para não prolongar o sofrimento. Custa-me horrores deixá-la e tenho vontade de ceder e ficar. Bem sei que é uma fase, que se habitua, mas não deixo de ficar impressionada com aquele ser pequenino a chorar pelos meus colo e miminhos.

Costas acima

Apesar de já ter quase 15 meses, ainda não me livrei dos cocós que saiem pela fralda, que borram a roupa toda, chegando à terceira camada, e mesmo até ao pescoço... Desta vez, foi literalmente até meio das costas e mais uma vez saltou de seguida para o lavatório para se lavar. Oh filha! Então isso nunca mais acaba?!

Vaidosa

Mais uma prova de que à mãe não sai nesta característica, que parece cada vez mais vincada. A M. não tem muito cabelo, mas os caracóis já começam a dar o ar da sua graça, dando-me vontade de comprar coisas giras. Há uns tempos, na vã esperança de que até lá tivesse motivos para a usar, comprei-lhe uma fita cor-de-rosa com umas flores brancas, para a festa de anos. Já dá para tentar imaginar como será, e com um bocadinho de boa vontade, a fita já pode ter uso (acabo sempre por desistir de a pôr, por achar que se calhar ainda não se justifica, mas em casa vou fazendo experiências...). Assim, pu-la no cabelo e para a convencer a mantê-la no sítio, exclamei "Ai, tão linda! Que linda que ela está!". A minha filha endireitou-se, levantou a mão e de palma da mão virada para cima, fez um gesto como que a ajeitar uma farta cabeleira nas pontas (imaginem uma senhora a confirmar que as pontas estão todas enroladas para dentro), com um ar muito feliz. Disse-lhe para se ir mostrar ao pai, o que ela prontamente cumpriu, dirigindo-se à sala. Este exclamou o mesmo, deixando-a ainda mais feliz. Era vê-la a andar de um lado para o outro a revirar as mãos como quem dança sevilhanas, sem nunca tocar no cabelo, e olhando para nós com um ar inchadíssimo. Pirosa!!!

Maínha

Chamei a M. para falar com a madrinha ao telefone, ao mesmo tempo que o encostava ao ouvido. Quando ouviu a sua voz, olhou para mim e com um ar sorridente disse-me: "maínha!". Mais uma pessoa que já tem nome e que babou por já constar da lista.

Tontas!

Muitas vezes, é assim que a chamo. A ama adoptou o mesmo termo, doirando a pílula de vez em quando para "tontita". Não é que a míuda apanhou a coisa e agora também diz "tonta!" ou "totita!"? Se lhe perguntarmos quem é tonta, ela imediatamente ri-se à malandra e responde na mesma moeda umas quantas vezes. Para além disso, algumas vezes, do nada, sai-lhe a palavra, sempre com a mesma cara de quem pregou alguma e ri-se, ri-se. Não sei o que é mais engraçado: se o ar de gozo que põe, como de quem sabe perfeitamente o que aquilo quer dizer e acha piada que seja verdade; se a entoação que lhe dá, como se fosse uma madeirense, mesmo uma viloa profunda, com o seu "toanta!"... Até parece que conhece as suas raízes naquela ilha...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

O clic na natação

Até há pouco tempo, a M. considerava a natação uma pausa kit-kat. Adorava, mas para ficar de molho e boiar à custa do esforço do pai, enquanto os outros colegas se esforçavam por mergulhar e chapinhar. A professora não parecia muito preocupada e eu francamente achava que um dia isso iria mudar, apesar de me aborrecer ela parecer andar ali por andar. A paciência tem as suas virtudes e é bem verdade. Um dia, em finais de Janeiro, numa aula, a M. começou a fazer chap-chap quando solicitada. Ficámos espantados com o ar dela de quem já fazia aquilo há imenso tempo. Desde então, participa, mergulha, chapinha imenso e diverte-se muito mais nas aulas. E a professora agora já investe mais na nossa M. e vai-lhe dando desafios cada vez mais difíceis. Ora até que enfim, que fez o clic!!!

Thá!

Habituou-se a chamar ao líquido que se bebe do biberão, com excepção do leite, "thá!", ou seja chá. Isto porque ao princípio, bebia mais chá do que água, para se habituar a esta, algo difícil de início. Assim, hoje em dia, um biberão com água é "thá!". Até aqui nada de novo, desde há muito. Giro, giro foi um dia a M. entrar na zona da piscina, e com um ar deliciado, apontar para a água e gritar de felicidade: "Thá!!!". Escuso de dizer que me desmanchei a rir, certo?

Cabeça molhada

Banho é com ela, e até vai para a porta da casa-de-banho quando chega a hora, dizendo com um ar feliz "Bã! Bã!". Ponho alguma água na banheira e lavo-a toda, passando pela brincadeira com a bonecada. No final, ligo o chuveiro e vou brincando com o jorrar da água e as suas várias partes do corpo, para se habituar a banhos mais calmos e banhos mais rápidos. Porém, quando começo a dar o banho tenho que esclarecê-la logo se é dia de lavar a cabeça ou não. Isto para prepará-la, pois a M. detesta lavar o cabelo. Se avisar que é dia, é mais fácil depois. Assim, que começo a molhar a cabeça, põe-se em pé num ápice, tenta espetar a cabeça para fora da banheira, enquanto choraminga em tom de refilanço. O champô já não faz confusão, voltando ao mesmo quando lhe volto a molhar a cabeça para o tirar. Cheguei à conclusão de que o problema está na água nos olhos. Mas só no banho em casa, pois na piscina, este problema não se coloca. Ou melhor, não gosta do chapinhar por causa da água na cara, mas não refila. O mais engraçado, é quando ela refila com a água. Quando entende que já chega, ou seja 30 segundos depois, começa a dizer "Já tá! Já tá!". Com o tempo, tem vindo a melhorar, mas continua a não gostar.

A nossa cama

Só serve para uma coisa: coboiada. Dormir que é bom, é uma função que a M. desconhece. Se nos lembrarmos de a levar para lá de manhã, para gozarmos um pouco da ronha matinal de fim-de-semana, a única coisa que conseguimos com isso, é levantarmos-nos mais depressa ainda. Isto porque a M., assim que se apanha em cima dela, põe-se em pé e anda de um lado para o outro, espreita para trás da cabeceira, atira-se de rabo ou mesmo de cabeça, dando valentes mergulhos. Nós ficamos com o coração mais acelerado, por causa das possíveis quedas e batidas de cabeça e não descansamos nada. Tentar deitá-la e encostá-la a nós, independentemente da hora, seja a meio da noite ou de manhã, tem sempre o mesmo resultado: uma enguia enérgica que ficou presa na rede e se quer soltar. É que nem para ela é boa e tenta aproveitar o bem-bom!!!

Foi a primeira e única vez que lho ouvi. Ao telefone com a avó, saiu uma só vez da sua boca e depois fugiu. A avó ficou triste por não ter ouvido, mas eu reconfortei-a, assegurando-lhe de que irão sair muitas e muitas mais "avós" da boca dela daqui para a frente. No entanto, até hoje não repetiu... Se calhar, é mau feitio... ;)

Sangue

Foi a primeira vez que o vimos a sair da M. Foi na brincadeira do xó-xó, uns dias depois, pois ela tinha um brinquedo na mão que ia roendo enquanto cavalgava, até que este se espetou na gengiva com um pouco mais de força. Ela chorou, o pai stressou e ficou sem saber o que fazer, enquanto eu lhe dizia para procurar o biberão da água para tentar estancar com o frio. Lá se apercebeu do que eu pretendia e reagiu, tendo eu de acalmar dois em vez de um. Não foi nada de especial, mas aquele sangue vermelho a sair da boca fez-me impressão. Mas como disse ao B., não será a última vez e se calhar esta nem foi das piores...

Xó-xó do pai

Xó-xó ou às carrachitas são as expressões que lá para cima se usam para as cavalitas lisboetas. Esta proeza é só do B., pois eu não tenho costas, nem força para tal, sobretudo quando estamos na rua e dá jeito pará-la por uns momentos. Ora, uma noite, ele decidiu experimentar fazer de cavalo à séria. Pôs-se de gatas e pediu-me para a segurar em cima dele. Foi andando pelo corredor, enquanto imitava o relinchar e o balancé daquele animal. A M. delirou. Riu-se imenso e segurava-se como podia naquelas costas enormes da sua perspectiva. Não é que quando ele parou, de cansaço, ela, qual amazona experiente, deu aos pés como que a picar o cavalo?! E resultou, porque o pai, apesar de ofegante, achou-lhe tanta piada que arrancou outra vez. A brincadeira só parou quando as forças lhe faltaram e era vê-la de volta dele, a pedir mais e a tentar empoleirar-se outra vez.

Beijinhos

Começou por dá-los a pedido de boca aberta, tipo peixe. Molhava um bocadinho, mas nada de extraordinário. Depois, aprendeu a fechar a boca e fazer um biquinho muito discreto. Agora, escancara a boca de par em par e espeta a língua de fora! Mais um bocadinho e parece um cão a querer lamber a malta de felicidade... Há quem estranhe, como a amiga Gui, que ficou a olhar para ela com um ar de "mas afinal o que é que tu queres com essa língua?...".

Mãe! Mãe! Mamã!

Agora, é assim... Só o meu nome é que surge no meio do escuro da noite e atravessa o corredor até ao nosso quarto. Sempre que acorda é aqui a je que é chamada à recepção... Isto porque durante demasiado tempo, quando ela acorda a meio da noite e choraminga, o B. não ouve e como tenho pena, levanto-me sempre eu. O pai agradece, ficando no seu canto e dando alguns coices suaves, para eu me levantar. Assim que entro no quarto, põe-se em pé, pede-me colo e vai dizendo baixinho, com ar ensonado, "mãe! mãe! Pai?". Quer-me a mim para perguntar pelo pai!!! Não há direito... Um dia, impus-me e obriguei o B. a ir no meu lugar. Foi recambiado. Devolvido à procedência. Berrou e chorou até aparecer a mãe. Uma mãe cheia de sono, aborrecida e mal-disposta, que nem foi muito querida, mas mesmo assim era a mãe... Enfim, com o tempo habitua-se outra vez à figura paterna a meio da noite. Nem que para isso, tenha de chorar um pouco mais.

Horário de sono

Adormece à meia-noite, uma da manhã. Isto implica que não se consiga fazer rigorosamente nada à noite em casa. A nossa menina precisa de muuuuita companhia e apesar de saber brincar sozinha, quando nos apanha em casa (especialmente a mim), só quer é atenção. Há que compreender: a rapariga passa o dia em casa com a ama, por isso quando o universo aumenta para mais dois, aproveita todos os bocadinhos com as restantes pessoas que compõem o seu mundo. Isto é tudo muito bonito, não fosse o facto de já não ter tempo para mim. A seguir ao jantar, tenho de ir logo para o chão da sala ou do quarto e brincar como já não me lembro de brincar há muito. O cansaço às vezes já espreita, mas é só do meu lado. Ela está fresca que nem uma alface ou faz por estar, pois a sua política é: "Render ao sono? Nunca!". E consegue... É claro que também ajuda dormir até às 13h00, não é verdade... Sim, porque a madame dorme seguidinho, de fralda cheia até mais não, na boa até à hora de almoço... Ao fim-de-semana sabe bem, mas não sei se as noites sem tempo compensam...