domingo, 8 de março de 2009

Pê!

Apesar da M. já mastigar tudo, sem necessidade de se passar a comida, o B. continua a gostar de lhe fazer o miminho da papinha. Assim, quando é ele a preparar a fruta, costuma triturá-la na máquina das sopas, que tanto jeito deu e que agora serve para isto mesmo. A M., assim que ouve o "rrrrrrr" da máquina, a meio da refeição, aponta logo para a porta e exclama "Pê!", palavra universal que serve para designar fruta e que ela adora. Como ela aprendeu a identificar o barulho, a espertalhona!...

Bóua

A bola passou de "bo" para "bóua". Não é à toa que um dos seus brinquedos favoritos já tem o nome quase perfeito. :)

Apontar

Agora, passa a vida nisto. Aponta para tudo e espera que lhe digamos o nome. Parece mesmo que está a aprender, pois a maior parte das vezes, aponta consecutivamente para as mesmas coisas, fazendo-me sentir um disco riscado, de tal forma repito as palavras - parede, tecto, porta, pai, mão, parede, tecto, porta, pai, mão... Ufa!

Ai! Ai! Ai! Ta-tau!

Quando a M. se porta mal, com o objectivo de fazê-la parar com o disparate, o B. disse-lhe algumas vezes "Ai! Ai! Ai! Tau-tau!". Nem foram muitas vezes, pois ele nem é de repreender muito e muito menos assim. Não é que a miúda aprendeu e agora repete, tipo papagaio a expressão?! Chega ao cúmulo de bater em si própria, enquanto o diz, independentemente de nós lho dizermos ou não... E nem sempre é meiga!!! Resumindo: agora o tau-tau, que nunca chegou a ter o efeito de repreensão, é mais uma brincadeira para a M.. Assim, não vale!

Carnaval

No fim-de-semana fomos para Quiaios ter com o tio e os avós, que fizeram questão de dizer eu sei lá quantas vezes que só tinham ido por causa da M.. Foram quatro dias fantásticos, com imenso sol e calor, que fizeram as delícias da nossa pipoca. Como agora ela madruga, arranjei o ritual de irmos até à praia dar uma volta logo de manhã. Percorriamos o passadiço de um lado ao outro, apreciando o mar revolto e levando com o vento nos cabelos, que não incomodava nada, só pelo simples facto de estarmos ali. No segundo dia, após várias solicitações da M. para ir para o chão, tirei-a do carrinho e fui para a areia com ela. Confirmou-se a manutenção do apetite por areia, que continua a ir aos punhados para a boca. Andava sempre em frente, dando imensos tombos pelo meio, pois a praia estava bastante desnivelada devido ao mau tempo do Inverno, sempre na direcção do mar. Se a tívessemos deixado, penso que ia direitinha para uma valente banhoca. Ir embora era sempre um castigo, mas depois consolava-se no carro com uma soneca demorada de cerca de hora e meia antes do almoço, ficando eu de guarda, a fazer as palavras cruzadas à sombra da árvore dos kiwis até a menina acordar. À tarde, passou o tempo todo na rua, no jardim da avó, que é enorme, não querendo ir para dentro de casa só porque sim. Como não lhe arranjámos fatiota de Carnaval, muito porque ela não percebe e eu não ligo muito (o B. ainda tentou desencantar algo que lhe agradasse, mas achou que as giras não valiam o dinheiro pedido), não tinhamos nada para lhe vestir. Também não serviria de nada, pois optámos por fugir à Figueira e à confusão típica daqueles dias, pelo que também ninguém, ou quase ninguém, a iria ver. O B. foi trabalhar na segunda-feira, ficando nós com a avó e o tio, e nesse dia, a M. decidiu mascarar-se. À tarde, foi direitinha para uma parte do jardim em que a relva já está escassa, estando a terra à vista. Sentou-se no chão e foi escavando e atirando a terra ao ar. Deixei, divertida por a ver tão contente e suja. No final da tarde, parecia um limpa-chaminés ou um sem-abrigo, de suja que estava. As unhas estavam negras, a cara borrada e até dentro da fralda havia torrões (lembrem-se de que no Inverno, ela usa body interior por baixo da camisola...). Foi um fartote para todos nós e um dia muito bem passado, sem sequer termos ido passear. O banho tirou o surro e à noite já estava pronta para receber o pai, que morreu de saudades naquele dia infindável de trabalho. Os mimos da avó foram mais que muitos, que até biscoitos lhe fez e que ela namorava sempre que conseguia. Provou e lambuzou-se com os kiwis da casa, que ficaram conhecidos como "ki", com a tia S., que também ganhou um nome diferente do do tio - "pi". Para não variar, amou a companhia, brincadeiras e tropelias do tio mais que tudo, com quem até uma manhã na praia partilhou. Aprendeu ainda a distinguir a avó do avô, usando "ó" para a primeira e "ô" para o segundo, deixando este inchadíssimo por já ter nome. No final deste fim-de-semana prolongado, a avó foi embora cheia de saudades e com a certeza de que a neta continua imparável. Como ela disse, ainda um dia a M. vai-se rir, quando lhe contarmos como ela se arrastava com o boneco na mão para não dormir e as maratonas que ela fazia todos os dias, sempre para trás e para a frente sem parar... Assim, venham mais Carnavais!

Cumpre todas as ordens

Na ginástica recebi os parabéns da professora por a M. já cumprir as ordens todas. Atira para a frente e tenta atirar para cima, anda, corre, tenta saltar, dá pontapés e até tenta andar com um saco de feijões em cima da cabeça (a segurá-lo como é óbvio!). Só lhe falta uma coisa, que nem por nada lhe apetece sequer tentar: a preensão. Não se pendura na barra e nem quer saber. Há-de lá chegar.

Não corto, não corto, não corto!!!

O cabelo da M. continua a crescer devagarinho e uniformemente, excepto... o caracol! Já sei lá quanta gente me disse para cortá-lo, pois fica espetado sozinho, não fazendo sentido. Não quero nem saber! Não corto, não corto, não corto!!! Deixá-lo espetado. O restante cabelo há-de um dia ficar do tamanho daquele e depois já não se nota. É o meu caracol de estimação!...

Mai!

Por lhe perguntarmos quando está a comer se não quer mais, descobriu mais uma palavra, que por sinal lhe dá imenso jeito. Agora quando quer mais é só pedir. Usa é a palavra também para pedir outras coisas, mesmo que ainda não tenha recebido nada antes e não seja apenas uma repetição, como por exemplo para pedir música assim que entra no carro. Por vezes, torna-se difícil perceber o que ela quer afinal, por não haver um primeiro pedido de algo. Com o tempo, lá chegaremos.

Toma! Toma! Toma!

A minha tia estava a brincar com a M. em cima do sofá e ensinou-lhe mais uma das suas. A M. estava de bruços, virada de rabo para ela, e a minha tia decidiu dar-lhe palmadas a brincar na fralda, enquanto dizia "Toma! Toma! Toma". A M. aprendeu. Depois desse dia, era vê-la pela casa a bater na Lola ou num boneco e a dizer exactamente o mesmo, na perfeição. O problema foi que ela não distingue as coisas e por isso fazia o mesmo connosco. Foi uma trabalheira para ela perceber que na mãe e no pai não se bate...

Bebé

A M. já se reconhece e vê-se como uma pessoa autónoma da nossa. Quando se vê ao espelho ou numa fotografia, que já sabe que é dela, é o que diz: "bebé!". E se o pai lhe perguntar quem é a coisa mais linda cá de casa, ela, com ar maroto, responde a sorrir, meia a olhar para baixo, "bebé!".

Já está!

A M. usa muito esta expressão para se despachar. Se já não lhe apetece comer mais, se não quer ficar mais tempo deitada a mudar a fralda (mesmo que ainda não esteja), se não quer molhar a cabeça. Enfim, as ocasiões são várias. A última: deitei-a e como ela não queria dormir, apesar da hora, depois de algumas cambalhotas, levantar e sentar, deitou-se e de olho bem aberto disse "já está!". Tipo: "ok, ganhaste. Já dormi. Agora já posso sair?"...

sábado, 7 de março de 2009

Novo hábito

Como não achava que fosse um bom hábito deixá-la adormecer tão tarde, mesmo recuperando de manhã as horas perdidas à noite, optei por tentar incutir-lhe um novo horário de sono. Comecei por aproveitar duas noites seguidas, em que o cansaço da ginástica e da natação foi tal que adormeceu na cadeira de comer por volta das 22h30, sem biberão. Como não acordou durante a noite com fome, aproveitei a onda e comecei a deitá-la mais cedo. Não correu mal. Andámos a tentar a sorte por volta das 22h30/23h00, para devagarinho ir reduzindo a hora para mais cedo. Desde que eu vá com ela e fique no quarto até ela adormecer está tudo bem. Mesmo que refile um pouco ao princípio, depois de perceber que eu fico ali, acaba por encostar à box e ao fim de, no máximo, meia-hora adormece. Por vezes, precisa de um pouco de mimo primeiro, enrolando-se em mim antes de ir para a cama. Eu dou-lho e espero que ela me peça, por iniciativa própria, para ir para a cama. O senão: tenho de ser eu, senão chora e chama por mim - o B. não tem autorização para a ir deitar... Resultado: quando não adormeço com ela no quarto, ganhamos todos. Ela horas de sono e nós tempo à noite para nós. As noites já são outra vez seguidas e as manhãs começam cedinho, por volta das 7h30. As sestas dependem: por vezes são logo de manhã depois do leite bebido e a fralda mudada, por vezes depois de almoço. É conforme, não havendo regras com a M. Mas não se pode ter tudo!...

Puf

Farta de ficar com o rabo quadrado por me ter de sentar no chão à espera que a M. adormeça e achando que seria algo de que ela ia gostar, encomendei um puf à tia C., de um rosa forte, para combinar com os cortinados. Quando o vi, assustei-me: tem um metro de diâmetro e pareceu-me gigante. Trouxe-o para casa e mostrei-o à M. O meu pai estava cá e começou logo a brincar com ela em cima dele, a fazer escorregas e cambalhotas. Resultado: a M. adorou a coisa. Do que mais gosta é de se atirar contra ele de braços abertos, pois sabe que não se aleija. Para além disso, gosta que eu a ponha lá em cima e vá ajeitando as bolinhas ao seu corpo. Ela vai subindo e descendo com os movimentos, e fica encaixada como se estivesse num pequeno trono. O seu pequeno trono. Depois dou-lhe os brinquedos que ela pede - normalmente os tachinhos - e lá fica ela a brincar connosco dali de cima. Para além disso, agora já tenho onde me sentar para a adormecer. É fofinho, quentinho, molda-se a nós e é suficientemente grande para me enroscar nele. Só tem um mal: muitas vezes adormeço também...

Beijinho à esquimó

Uma das últimas coisas que a ama lhe ensinou, que a M. reconhece como "dá-me um narizinho". Aproxima a cara e abana a cabeça para esfregar o nariz no nosso. É algo que a diverte bastante.

Reconhece

... a nossa roupa, que está para lavar: tira os boxers do B. e diz "pai!", apanha uma meia minha e diz "mãe!". É giro como não se costuma enganar. Agora é o carro. Iamos a sair e eu dizia-lhe que íamos para o carro para passear, ao que ela apontou para o nosso, no meio dos outros, e disse "popó!". Coincidência? Talvez. Mas eu gosto de acreditar que tenho uma filha esperta... ;)

Bicho carpinteiro

Tem-no de certeza e bastante!!! A M. não pára um segundo, nem sequer quando está sentada. Se eu a sentar ao meu colo no chão enquanto lhe tento ler um livro, ela pura e simplesmente não sossega. Ora põe as pernas para um lado, ora põe para o outro, ora se vira de barriga para baixo, ora se levanta para cair de chofre, ora se deita e escorrega pelas minhas pernas abaixo, ora... Cansados? Também eu fico! É impressionante como ela não sabe o que são mais do que 5 segundos quieta. Sem exagero! Um dia que tenha de aprender a brincar ao "Macaquinho do Chinês" vai perder na certa! Ficar como uma estátua é pedir-lhe muito! A quem sai? A mim, pois está claro. Eu até a ler era assim: começava sentada direita no sofá e acabava de pernas para o ar, encostadas às costas do sofá, e de cabeça no chão - literalmente! O que eu mais oiço contarem-me era que as minhas pernas não sossegavam um bocadinho, mesmo quando estava presa na cadeirinha. Onde será que já vi esse filme?!

Escondidos

O meu pai veio passar a tarde com ela cá a casa. Aliás, a M. tem tido o privilégio de muita brincadeira com o avô A. nestes últimos tempos. Parecem dois miúdos e por vezes nem sei qual o pior... Naquele dia, quando cheguei a casa do trabalho, vi os dois à janela a ver as vistas. Estacionei e subi para casa. Quando saí do elevador, estavam os dois escondidos atrás da esquina, com o meu pai a dizer-lhe baixinho para não fazer barulho, para aparecerem quando eu desse sinal de vida (atenção - só apareceram, sem gritinhos, nem cucus. Seria pedir demasiada abertura ao sr. coronel :) ). Depois, riram-se os dois e a minha filha em vez da costumeira festa de boas-vindas que me faz, ignorou-me e seguiu caminho para ao pé do avô para fazer cambalhotas!...

Faz de conta

A avó comprou-lhe no chinês um conjunto de objectos de cozinha - pratos, talheres, frigideira, copos, tachos. Isto porque em casa dela, a M. não fazia outra coisa que não fosse brincar com uns parecidos da prima. Foi o melhor presente que já lhe deram, depois da bola (que também foi a avó que lhe deu...). Não larga aquilo nem por nada. Quando quer brincar, vai buscar a lata do leite onde eu lhe arrumei esta tralha, e enquanto vai dizendo "iá papa!" vai fazendo de conta que come com a colher. Vem nos trazer o prato ou a panela e faz de conta que nos dá de comer. Depois traz o copo e obriga-nos a fazer que bebemos. Houve uma manhã que foi ter com o pai à cama só para lhe dar a "iá papa!"... A nossa princesa já tem brincadeiras de menina e acima de tudo, o que me surpreende é a sua capacidade de imitar e já brincar ao faz de conta. É de facto, giro acompanhar estes pormenores da sua evolução.

Estufa Fria

Lembrei-me da minha infância e como me levavam com alguma frequência à Estufa Fria e ao parque infantil respectivo, por morarmos muito perto dali. Há um lago com patos e gansos e o jardim tem galos, galinhas e pavões. Eu adorava lá ir dar pão aos patos e aos peixes (na altura também havia cisnes) e depois dependurar-me nas barras para aprender a fazer cambalhotas com o meu pai. Assim, fomos com a M. ao jardim da minha infância, para repetir com ela a experiência. Foi um sucesso. Levámos pão num saquinho e, tal como no meu tempo, sentei-a no muro de pedra e atirei o pão aos nossos enfartados amigos (já não se fazem patos como antigamente! Parecia que nos estavam a fazer um favor!...), fomos ver os outros bichos e deixámo-la andar à vontade. Como o lago fica junto à Alameda Eduardo VII, depois do iogurte do lanche, começámos a descê-la. Se dependesse da M., iamos a pé até ao Rossio! Andou, andou, andou, e não queria subir a Alameda - só descer. Fez as delícias de muita gente, especialmente de alguns velhotes solitários que esperavam ver algo que lhes despertasse o interesse de um banco de jardim (é mesmo triste...). Não chegámos a ir ao parque infantil, experimentar o escorrega, pois estava imensa gente, tudo maior do que ela e podia correr mal. Quando a pusemos no carro, vimos uma M. feliz e cansada. Aliás, estávamos todos três cansados! Foi de facto uma excelente tarde!

Lápis de cor

Como ainda tenho os lápis de cor da minha infância (É verdade! Fazia colecção para ter as cores todas e mais algumas, chegando a surripiar alguns na escola por ser uma cor que eu ainda não tinha...), achei que seria engraçado mostrar à M. aquelas coisas mágicas, que fazem riscos numa folha de papel. Sentei-a na cadeira de comer e puxei daquele novo brinquedo. Risquei e fiz desenhos e ela adorou. Tentou segurar num, mas não conseguiu por não ter força para riscar. Isto porque em vez de tentar segurá-la com a mão toda, tentou imitar-me, segurando-o já com os dedos. Demorou alguns dias a perceber onde aplicar a força, mas agora já domina a coisa e já gatafunha pelo papel afora. Por vezes, ela vai-nos dando lápis a lápis para nós riscarmos um bocado, dizendo a cor à vista. Mas o normal, é pedir-nos que façamos desenhos para ela adivinhar. Ainda por cima têm de ser bonecos que ela identifique... Como ninguém cá em casa nasceu artista, nem sempre é evidente, mas pelo menos a colher e a tigela, o gato, o peixe, a pêra, a sua Lola, o sol, o pato, o caracol e o pássaro ainda se consegue fazer... De todos os desenhos possíveis, o que ela gosta mais é o da mão. Ponho a mão dela ou a minha em cima do papel e contorno os dedos, por forma a que ela fique desenhada. Adora a meio do processo tirar a mão depressa, como se estivesse a pregar uma partida. Hoje em dia, passa a vida a pedir para ir para a cadeira de comer, apontando para a gaveta onde os lápis estão escondidos. Foi uma brincadeira com sucesso. Tenho mesmo de lhe comprar uns lápis próprios para bebés, para poder sair da cadeira e não correr riscos...