domingo, 8 de março de 2009

Carnaval

No fim-de-semana fomos para Quiaios ter com o tio e os avós, que fizeram questão de dizer eu sei lá quantas vezes que só tinham ido por causa da M.. Foram quatro dias fantásticos, com imenso sol e calor, que fizeram as delícias da nossa pipoca. Como agora ela madruga, arranjei o ritual de irmos até à praia dar uma volta logo de manhã. Percorriamos o passadiço de um lado ao outro, apreciando o mar revolto e levando com o vento nos cabelos, que não incomodava nada, só pelo simples facto de estarmos ali. No segundo dia, após várias solicitações da M. para ir para o chão, tirei-a do carrinho e fui para a areia com ela. Confirmou-se a manutenção do apetite por areia, que continua a ir aos punhados para a boca. Andava sempre em frente, dando imensos tombos pelo meio, pois a praia estava bastante desnivelada devido ao mau tempo do Inverno, sempre na direcção do mar. Se a tívessemos deixado, penso que ia direitinha para uma valente banhoca. Ir embora era sempre um castigo, mas depois consolava-se no carro com uma soneca demorada de cerca de hora e meia antes do almoço, ficando eu de guarda, a fazer as palavras cruzadas à sombra da árvore dos kiwis até a menina acordar. À tarde, passou o tempo todo na rua, no jardim da avó, que é enorme, não querendo ir para dentro de casa só porque sim. Como não lhe arranjámos fatiota de Carnaval, muito porque ela não percebe e eu não ligo muito (o B. ainda tentou desencantar algo que lhe agradasse, mas achou que as giras não valiam o dinheiro pedido), não tinhamos nada para lhe vestir. Também não serviria de nada, pois optámos por fugir à Figueira e à confusão típica daqueles dias, pelo que também ninguém, ou quase ninguém, a iria ver. O B. foi trabalhar na segunda-feira, ficando nós com a avó e o tio, e nesse dia, a M. decidiu mascarar-se. À tarde, foi direitinha para uma parte do jardim em que a relva já está escassa, estando a terra à vista. Sentou-se no chão e foi escavando e atirando a terra ao ar. Deixei, divertida por a ver tão contente e suja. No final da tarde, parecia um limpa-chaminés ou um sem-abrigo, de suja que estava. As unhas estavam negras, a cara borrada e até dentro da fralda havia torrões (lembrem-se de que no Inverno, ela usa body interior por baixo da camisola...). Foi um fartote para todos nós e um dia muito bem passado, sem sequer termos ido passear. O banho tirou o surro e à noite já estava pronta para receber o pai, que morreu de saudades naquele dia infindável de trabalho. Os mimos da avó foram mais que muitos, que até biscoitos lhe fez e que ela namorava sempre que conseguia. Provou e lambuzou-se com os kiwis da casa, que ficaram conhecidos como "ki", com a tia S., que também ganhou um nome diferente do do tio - "pi". Para não variar, amou a companhia, brincadeiras e tropelias do tio mais que tudo, com quem até uma manhã na praia partilhou. Aprendeu ainda a distinguir a avó do avô, usando "ó" para a primeira e "ô" para o segundo, deixando este inchadíssimo por já ter nome. No final deste fim-de-semana prolongado, a avó foi embora cheia de saudades e com a certeza de que a neta continua imparável. Como ela disse, ainda um dia a M. vai-se rir, quando lhe contarmos como ela se arrastava com o boneco na mão para não dormir e as maratonas que ela fazia todos os dias, sempre para trás e para a frente sem parar... Assim, venham mais Carnavais!

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