De manhã, enquanto lhe mudava a fralda, como ela refilava por não querer estar ali, fui-lhe dizendo que o pai estava a fazer o leite e que mais valia ela sossegar para o conseguir beber mais depressa - sempre foi um bom estratagema para a acalmar. Desta vez, disse um não peremptório. Espantada, perguntei-lhe se não queria o leite. Respondeu-me prontamente com um não cristalino. Não queria acreditar - ela adora o biberão da manhã, ficando tão impaciente que chora enquanto este não chega às suas mãos. Perguntei-lhe então se preferia a papa como pequeno-almoço. O não retumbante repetiu-se. Passei então ao ataque e questionei: "Então e pão? Queres pão?". A cara iluminou-se e no meio de um sorriso de orelha a orelha, saiu um "tsiiii!". Lamento, filha, mas foi ao leite que tiveste direito e não foi por isso que refilaste!...
segunda-feira, 9 de março de 2009
Espelho
Já aqui contei que a M. é vaidosa, mostrando apreço sempre que lhe dizemos que está linda. Pois... Na semana passada, pus-lhe uma fita no cabelo e depois de a convencer a ficar com ela na cabeça, exclamei que estava linda. Ela fez a cara do costume e foi para o chão. Foi então que começou a apontar para a porta e a dizer "bebé!". Como o normal é perceber que vai ver a sua amiguinha quando vamos à rua, e era o caso, lá lhe expliquei, que não, que iamos à rua, mas que daquela vez não ia ver a Gui. Mas ela continuava com aquilo e eu sempre a explicar o mesmo. A certa altura, a M. foi para a porta da casa-de-banho enquanto repetia a sua ladainha. Percebi. Queria ver-se ao espelho, sendo que desta vez, a bebé era ela. Lá a levantei ao nível do espelho e ela pôde apreciar o quão bonita estava de fita na cabeça, algo que ainda levou uns tempos. Fartei-me de rir sozinha! No dia a seguir, pediu-me para lhe pôr a mochila dela às costas, uma coisa em pano com uma boneca de totós bem engraçada. Acedi ao pedido e lá lha pus. Voltou ao mesmo, desta feita, indo direitinha à casa-de-banho, a apontar para o espelho. Ali ficou um bom bocado, a apreciar o perfil para melhor ver a sua mochila, com um ar de vaidoseira só visto. Eu, está claro, fomentei a coisa, repetindo com ênfase que estava linda. Acho que o pai vai ter sorte e ter a menina mariquinhas que sempre quis. :)
Canca
Adora ir para cima da nossa cama para a palhaçada. Quando me vê puxar a colcha, vem a correr, a pedir "canca!". Quando lhe fazemos a vontade, põe-se em pé, atrevassando de um lado para o outro, a rir por ter um chão tão mole debaixo dos pé. Adora atirar-se de cabeça, dando mergulhos sem se magoar, assim como deixar-se cair de rabo para sentir as molas a saltarem. Nós entramos no jogo, fazendo-a cair e saltando para que o nosso peso a faça balançar, rindo-nos com ela no processo. A mim, faz-me alguma impressão, pois estou sempre a ver quando é que ela cai da cama abaixo ou bate com a cabeça nas partes de madeira, mas vou alinhando na brincadeira, sempre a saltar para a apanhar. Já chega a ser quase um ritual antes da hora de dormir, não se tornando rotina por ser algo que a excita imenso e dificulta o adormecer depois.
Nossa cama
Por causa da tosse, a M. não conseguia dormir em condições, acordando de madrugada a chorar irritada. Na sexta-feira, optei por tentar levá-la para ao pé de nós para ver se acalmava, quebrando a regra de não a habituar à nossa cama. Era muito cedo e tive pena, pois ela estava cheia de sono e não conseguia dormir. Adormeceu, virada ao contrário, como na cama dela, de pés para cima e cabeça para baixo. Acordou connosco, já tarde, no sábado de manhã e com um ar de felicidade por abrir os olhos no meio de nós. Na noite seguinte, foi o B. que fez o mesmo, dizendo-me que quando ela adormecesse ia deitá-la na cama dela. Foi uma noite pior. Eu acordei ene vezes com a tosse e a procura da pepê ou da Lola, enquanto o B. dormia de costas para nós a sono solto. Mais uma vez, a M. acordou ao contrário entre nós, mas quentinha por não estar sozinha na cama. Receei que na terceira noite fosse acordar para ir para a nossa cama, mas não. A nossa M. é boa menina e ganha poucos vícios. E confesso que me souberam bem aquelas manhãs com ela ao pé de mim...
Engordou!!!
Com as idas à praia, com aquele sol fabuloso e traiçoeiro, a M. ficou constipada, com uma tosse chata, o olho a chorar e o nariz cheio de ranhoca. A amiga XXL proibiu a piscina e lá nos ensinou o "muito, muito soro" na vista e nariz e o Maxilase três vezes ao dia, durante cinco-seis dias, até ser necessário incomodar a pediatra. Passou-se o fim-de-semana e chegados a segunda-feira, continuava com uma tosse seca. Optámos por ligar à pediatra, que nos mandou lá ir. A M. portou-se lindamente, não chorando e nem sendo preciso vir para o meu colo para ser auscultada. A médica estava encantada com aquela criança, que apesar do ar desconfiado a olhar para o estetoscópio, não se manifestou e deixou fazer tudo sem refilices. Só na parte da boca, para ver a garganta, é que foi preciso segurá-la e ouve vontade de choro, que passou assim que a sô dra parou com a tortura. Era vê-la no final a bater na engenhoca e a dizer "mau-mau!"... A Dra. Margarida, depois de confirmar que a M. já estava quase boa da constipação, ensinou-me o que fazer em situações destas - como auscultar e que ruídos procurar para identificar a pieira, o que dar (Oxolamina - um bom antitussígeno), como avaliar as ranhocas e como combatê-las com Unimer hipertónico (o do elefante e não o da girafa, por ser melhor). Finalmente, alguém que se interessa a sério e que demonstra profissionalismo a toda a prova!!! Depois, tendo em conta a última consulta, voltou a medi-la e a pesá-la. Em três semanas, a M. voltou a aumentar de peso, para 12,020 kg, subindo de percentil - já ultrapasou ligeiramente o 90!!! A pediatra apenas pigarreou e mostrou um ar um pouco mais preocupado, mas não voltou a impor limites, consciente de que eu estou em cima da coisa. Já cortei o biberão da noite, por não ser necessário, e agora que descobri que a ama gosta de lhe pôr papa no biberão da manhã (...), também o proibi, não querendo saber da sua cara de "mas ela assim tem fome!...". Se há coisa que a M. não tem, é fome, pois alimenta-se bem e não se queixa entre refeições. Há que haver regras, caramba!!! Ah! Faltava contar: a pediatra se já era fã da nossa piquena, agora ainda ficou mais, deliciando-se com as suas saídas e no final comentando "esta miúda é um prato!". Tinha de ser, certo?... ;)
Pampa
Já sabe que a televisão tem um canal que lhe interessa para além do Baby TV: o canal Panda. Adora o boneco gigante e pára tudo quando ele aparece. Quanto à bonecada, ainda prefere o outro canal, mas já identifica genericamente os desenhos animados com o nome daquele, independentemente do canal. Começo até a achar que já está a ficar um pouco viciada na caixa preta, pois de manhã, pouco depois de acordar, se vir a televisão, aponta e diz "Pampa!", insistindo bastante, a ver se tem sorte. A ama já tem ordem para não haver muita televisão durante o dia e nós evitamos, só a ligando nos seus canais preferidos antes do banho e depois do jantar para a acalmar um bocado, preparando a ida para a cama.
domingo, 8 de março de 2009
Frases
Já tenta e eu pasmo...
Como estávamos sozinhas em casa, enquanto eu tomava banho, pu-la na cadeira de comer que levei para a casa-de-banho, apetrechada de lápis e papel para ela se entreter. Durante o duche, ouvi:
- "Mãe! Pai? Papa, pão! Mãe? Bã!"
Tradução: Mãe! O pai? Foi comprar papa e pão! E a Mãe? Está a tomar banho!
Estante dos livros
Pê!
Apesar da M. já mastigar tudo, sem necessidade de se passar a comida, o B. continua a gostar de lhe fazer o miminho da papinha. Assim, quando é ele a preparar a fruta, costuma triturá-la na máquina das sopas, que tanto jeito deu e que agora serve para isto mesmo. A M., assim que ouve o "rrrrrrr" da máquina, a meio da refeição, aponta logo para a porta e exclama "Pê!", palavra universal que serve para designar fruta e que ela adora. Como ela aprendeu a identificar o barulho, a espertalhona!...
Apontar
Agora, passa a vida nisto. Aponta para tudo e espera que lhe digamos o nome. Parece mesmo que está a aprender, pois a maior parte das vezes, aponta consecutivamente para as mesmas coisas, fazendo-me sentir um disco riscado, de tal forma repito as palavras - parede, tecto, porta, pai, mão, parede, tecto, porta, pai, mão... Ufa!
Ai! Ai! Ai! Ta-tau!
Quando a M. se porta mal, com o objectivo de fazê-la parar com o disparate, o B. disse-lhe algumas vezes "Ai! Ai! Ai! Tau-tau!". Nem foram muitas vezes, pois ele nem é de repreender muito e muito menos assim. Não é que a miúda aprendeu e agora repete, tipo papagaio a expressão?! Chega ao cúmulo de bater em si própria, enquanto o diz, independentemente de nós lho dizermos ou não... E nem sempre é meiga!!! Resumindo: agora o tau-tau, que nunca chegou a ter o efeito de repreensão, é mais uma brincadeira para a M.. Assim, não vale!
Carnaval
Cumpre todas as ordens
Na ginástica recebi os parabéns da professora por a M. já cumprir as ordens todas. Atira para a frente e tenta atirar para cima, anda, corre, tenta saltar, dá pontapés e até tenta andar com um saco de feijões em cima da cabeça (a segurá-lo como é óbvio!). Só lhe falta uma coisa, que nem por nada lhe apetece sequer tentar: a preensão. Não se pendura na barra e nem quer saber. Há-de lá chegar.
Não corto, não corto, não corto!!!
O cabelo da M. continua a crescer devagarinho e uniformemente, excepto... o caracol! Já sei lá quanta gente me disse para cortá-lo, pois fica espetado sozinho, não fazendo sentido. Não quero nem saber! Não corto, não corto, não corto!!! Deixá-lo espetado. O restante cabelo há-de um dia ficar do tamanho daquele e depois já não se nota. É o meu caracol de estimação!...
Mai!
Por lhe perguntarmos quando está a comer se não quer mais, descobriu mais uma palavra, que por sinal lhe dá imenso jeito. Agora quando quer mais é só pedir. Usa é a palavra também para pedir outras coisas, mesmo que ainda não tenha recebido nada antes e não seja apenas uma repetição, como por exemplo para pedir música assim que entra no carro. Por vezes, torna-se difícil perceber o que ela quer afinal, por não haver um primeiro pedido de algo. Com o tempo, lá chegaremos.
Toma! Toma! Toma!
A minha tia estava a brincar com a M. em cima do sofá e ensinou-lhe mais uma das suas. A M. estava de bruços, virada de rabo para ela, e a minha tia decidiu dar-lhe palmadas a brincar na fralda, enquanto dizia "Toma! Toma! Toma". A M. aprendeu. Depois desse dia, era vê-la pela casa a bater na Lola ou num boneco e a dizer exactamente o mesmo, na perfeição. O problema foi que ela não distingue as coisas e por isso fazia o mesmo connosco. Foi uma trabalheira para ela perceber que na mãe e no pai não se bate...
Bebé
A M. já se reconhece e vê-se como uma pessoa autónoma da nossa. Quando se vê ao espelho ou numa fotografia, que já sabe que é dela, é o que diz: "bebé!". E se o pai lhe perguntar quem é a coisa mais linda cá de casa, ela, com ar maroto, responde a sorrir, meia a olhar para baixo, "bebé!".
Já está!
A M. usa muito esta expressão para se despachar. Se já não lhe apetece comer mais, se não quer ficar mais tempo deitada a mudar a fralda (mesmo que ainda não esteja), se não quer molhar a cabeça. Enfim, as ocasiões são várias. A última: deitei-a e como ela não queria dormir, apesar da hora, depois de algumas cambalhotas, levantar e sentar, deitou-se e de olho bem aberto disse "já está!". Tipo: "ok, ganhaste. Já dormi. Agora já posso sair?"...
sábado, 7 de março de 2009
Novo hábito
Como não achava que fosse um bom hábito deixá-la adormecer tão tarde, mesmo recuperando de manhã as horas perdidas à noite, optei por tentar incutir-lhe um novo horário de sono. Comecei por aproveitar duas noites seguidas, em que o cansaço da ginástica e da natação foi tal que adormeceu na cadeira de comer por volta das 22h30, sem biberão. Como não acordou durante a noite com fome, aproveitei a onda e comecei a deitá-la mais cedo. Não correu mal. Andámos a tentar a sorte por volta das 22h30/23h00, para devagarinho ir reduzindo a hora para mais cedo. Desde que eu vá com ela e fique no quarto até ela adormecer está tudo bem. Mesmo que refile um pouco ao princípio, depois de perceber que eu fico ali, acaba por encostar à box e ao fim de, no máximo, meia-hora adormece. Por vezes, precisa de um pouco de mimo primeiro, enrolando-se em mim antes de ir para a cama. Eu dou-lho e espero que ela me peça, por iniciativa própria, para ir para a cama. O senão: tenho de ser eu, senão chora e chama por mim - o B. não tem autorização para a ir deitar... Resultado: quando não adormeço com ela no quarto, ganhamos todos. Ela horas de sono e nós tempo à noite para nós. As noites já são outra vez seguidas e as manhãs começam cedinho, por volta das 7h30. As sestas dependem: por vezes são logo de manhã depois do leite bebido e a fralda mudada, por vezes depois de almoço. É conforme, não havendo regras com a M. Mas não se pode ter tudo!...