Portou-se mal. Peguei na mão dela e dei-lhe uma palmada na palma da mão. Repetiu a façanha, Voltei a dar. Voltou a repetir com ar de desafio. Voltei a dar, sem me demover. À terceira, virou-me costas sem emitir som, foi até à porta da casa-de-banho e chorou para o pai... Preciso de tecer mais comentários?...
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Bio!
Dicas
A M. já dá dicas. Quando não a percebemos, ela repete a palavra várias vezes. Se continuarmos sem preceber, arranja uma palavra alternativa para percebermos. Por exemplo, "ua" tanto dá para lua como rua. Se eu perceber rua e ela quer dizer lua, depois de alguma repetição, faz um ar paciente e diz "nôte", ou seja noite, para eu perceber que é algo relacionado com a noite, logo é a lua. Esperta, não?! :)
Estrada
A M. sai a mim sem tirar nem pôr em muita coisa. Uma delas é a sua irrequietude non-stop. Eu, com a idade dela, andava de trela. Cor-de-rosa, é certo, mas mesmo assim, trela. O meu pai ouviu muitas bocas e diz que a todas respondia igual: "ature-a você!". Isto porque um dia, depois de muitos dias parecidos, com dois anos, em pleno Chiado, em 1974, quando ainda não havia centros comercaiis e por isso a Baixa pombalina era o centro do mundo, na altura do Natal , soltei-me da mão dele e fugi rua abaixo. Diz ele que consegui fintá-lo por entre as pernas das pessoas e que só me conseguiu apanhar no Rossio, parada à beira da estrada, a olhar para cima, à espera que algum adulto me desse a mão para atravessar a estrada. Esta proeza - esperar por uma mão adulta - foi-me incutida desde sempre já por causa desta minha particularidade de fugir a correr. E resultou. Tendo em conta que a M. foge a correr assim que se apanha fora do carrinho, transfiro para a filha a mesma preocupação. Assim, a lavagem cerebral já começou. Sempre, mas sempre que estamos à beira de uma estrada, paro, baixo-me e pergunto-lhe o que é aquilo. Ela já sabe e responde: "a mão" prontamente. E eu repito "muito bem, é a estrada, por isso tens de dar a mão". O conceito já apreendeu. Aplicar na prática está mais difícil. É que a M. adora gozar connosco e uma das maneiras que arranjou foi precisamente esta. Correr para o meio da estrada. O que vale é que faz isso sempre à porta de nossa casa, numa estrada de estacionamento, onde raramente há carros. Nas outras nunca tentou. Mas cada brincadeirinha destas dá direito a castigo e a uma repreensão dura e séria com muitas ameaças de dói-dói pelo meio. Acaba por me dar a mão mansamente para atravessar a estrada. Irra, é cada corrida que damos!!! :S
O futuro deles
Aderi ao movimento cívico LimparPortugal. Mandei a todos e mais alguns um convite e sei quem não aderiu. Sem qualquer desmérito por ninguém (continuo a gostar de todos vocês na mesma!!!), tenho pena que nem todos tenham a mesma consciência cívica, ecológica e até humana. Tudo começou com um mail que circulava na net com um filme do YouTube a mostrar que a Estónia conseguiu limpar as suas matas em apenas 5 horas, graças a 50.000 voluntários. Achei extraordinário ver do que os Homens são capazes quando querem. Comentei com a colega de trabalho que seria a primeira a aderir se algo surgisse assim em Portugal. Surgiu. Aderi logo conforme prometido. E prometo que, a não ser que esteja com 40º de febre, estarei lá no dia marcado. Tudo começou porque uma pessoa, Nuno Mendes, decidiu lançar o mesmo desafio aos membros do seu LandMania Clube de Portugal e este aceitou o desafio. A data prevista é dia 20/03/2010 e é uma iniciativa séria e cheia de vontade. Bem sei que muitos acham que isto está mal, mas não assim tanto, ou que alguém vai tratar disso por nós, ou que não percebe o suficiente para se pronunciar. Também haverão muitos que não acreditam que esta iniciativa vai se concretizar, que de boas intenções está o inferno cheio ou até mesmo que é preciso primeiro limpar em casa e depois na rua e o tempo é escasso. Fica aqui um site e um filme que devem ser vistos. Quem sabe, com dados concretos e referências reais essa consciência não surja?... É o futuro da M. e dos nossos filhos que está penhorado por nós e pelas gerações anteriores. Há que remediar isso, nem que seja em pequenas grandes acções destas... Pensem nisto muito a sério e depois de sorrirem por verem mais uma vez a Cristina a delirar, vejam e oiçam com atenção o filme de 20 minutos que aqui deixo. http://www.storyofstuff.com/index.html
Rua
Quando estamos em Quiaios ou em Santa Cruz, a M. só quer uma coisa: rua. E para que não haja dúvidas, massacra-nos o juízo até conseguir a soltura para o jardim correspondente. Ambas as casas dos avós têm jardim e muita coisa para descobrir. Comer na rua é uma delícia para ela e um desespero para mim que passo a vida a chamá-la para mais uma colherada de sopa. É que há muito que fazer e por isso entre mastigadelas, corre, apanha pedras, mexe na terra, eu sei lá. As suas brincadeiras preferidas são mexer na terra, andar com a vassoura, brincar com as conchas que a avó tem num canteiro, melhor dizendo, tinha, e andar com uma bola, não importa qual, desde que se assemelhe a algo esférico. Em Quiaios teve uma desaventura com urtigas e por uns tempos - poucos - apontava para as plantas e dizia picos enquanto se afastava. Em ambas as casas, descobriu os caracóis, os caroços, as árvores de fruto, as formigas, as lagartas, a lama, ficar suja até dentro da fralda, provou terra e outras coisas que eu nem quero saber. Se estiver comigo (o pai não é tão liberal), é sujar até um não acabar, ficar com as unhas nojentas e precisar de um banho para almoçar, lanchar ou outra coisa que não seja brincar no jardim. Este fim-de-semana, em Santa Cruz, foi descalça para a horta do avô, apanhou alface, brincou com o balde na terra e eu enchi-lhe o regador vezes sem conta para regar as couves. Fizemos bolos com a lama e as formas dela da praia e quando já estava imprópria para consumo, enchemos a mini-piscina do Ruca que comprámos no ano passado com água quente da torneira e ela "nadou" antes de almoçar. Saiu a terra, qual o problema?! O resultado? A minha tia estava a falar com ela à mesa e ela já nem segurava a cabeça do sono que a invadia sem dó nem piedade... Só à noite a seguramõ dentro de portas e é porque já é de noite.
Cavalos
Adora animais. Os cavalos estão incluídos nesta sua paixão. Em Quiaios, fomos ao centro hípico, algo familiar e um pouco entregue ao Deus-dará. Entrámos na cavalariça sem ninguém por perto e por isso, fizemos festinhas em quase todos os cavalos que lá estavam. A M., ao colo do pai, foi vendo, até estender a mão para fazer o mesmo. Dava guinchinhos de contentamento e andava feliz da vida a fazer festinhas a um e a outro cavalo. Mas houve um especial. Um cavalo enorme preto que se encantou pela nossa M. e que a seguia com o olhar para onde quer que o B. se virasse. Ela, em contrapartida, só queria aquele - "cau pêto!". De tal maneira, que ainda hoje quando fala em cavalos, menciona logo o cavalo preto que viu naquele dia. Contei a história ao avô, que depressa arrematou: "ai sim? Então quando tiveres idade ensino-te a andar a cavalo.". Aqui a mãe, insurgiu-se. Passei a minha adolescência a pedir isso mesmo, para levar sempre com a mesma resposta: "ponho-te na equitação se quiseres". A burrinha, por questão de teimosia nunca foi e por isso à conta das casmurrices não sei andar a cavalo... Quando lhe atirei essa ao ar, remediou logo "Pronto. Ponho-te na equitação na GNR", olhando para ela. Menos mal... :)
'Roz!!!
Já aqui ficou bem claro que a M. adora comida. Arroz não é excepção, tendo-se passado o seguinte episódeo à conta do seu apetite voraz. Temos o hábito de pôr no parapeito da janela os restos de comida que sobraram da refeição. É uma maneira de juntar tudo para colocar no frigorífico de uma só vez. Até aqui tudo bem, nada de anormal. Problema? A M. já chega a este parapeito... Quando demos conta, estava sentada no chão, de tupperware cheio de arroz entre as pernas, a lambuzar-se. Isto depois do jantar!!! Escuso de dizer que a partir daí não ficou mais nada naquele parapeito. Ou melhor, houve alguns esquecimentos, que implicaram semi-corridas para apanhar as várias caixas antes de chegar ao chão... Ufa!...
Méda!
É verdade... Táo pequena e a minha filha já aprendeu a palavra... Não tenham pensamentos pecaminosos! São moedas!!! Ai essas cabeças!... Temos uma bilha em barro gigante em casa, que é suposto ir enchendo, com o intuito de um dia fazermos uma viagem. A primeira demorou 2 anos a encher e quando a partimos à martelada (foi uma festa!), tinha mais de 1000€... Esta foi comprada logo a seguir, mas encher que é bom estava mais escasso. Agora, com a M., tornou-se quase um movimento cívico... A M. aprendeu que as moedas se pôem na bilha e por isso, basicamente, crava todos os que passam lá por casa, pedinchando médas para a bia. E ninguém, ou quase niguém, tem coragem de lhe negar uma. Tem dias que me aparece na sala a arrastar a minha mala a pedir as ditas cujas!... É ao ponto de ver a M. a sacar dos porta-moedas e virar de cabeça para baixo, sacudindo fortemente, para confirmar que já não há mais... À filme, mesmo!... É claro que só tem autorização para fazer isto com a tia e o avô, porque os próprios deixam. Com a restante população só pede. O normal é lembrarem-lhe e ela passa ao ataque. Excepção feita ao desgraçado do meu padrinho, que já está velhote, e aquando da visita, tirou o porta-moedas para lhe dar uma nota. Ela, ao longe, viu luzir as amiguinhas do coração e gritou "médas!". Os meus padrinhos ficaram parados a olhar para mim, enquanto eu explicava. Então, o senhor decidiu ser amigo e deu-lhe uma moeda. Mas a criança não se contentou. Então se havia lá mais, porque lhe estava ele a dar só aquela. Não interessava se era a maior... Foi uma risota para todos e uma vergonha para mim, vê-la a rapinar moeda a moeda, até deixar a bolsinha vazia, virada ao contrário, com ar espantado por já não cair mais nenhuma... Eu a ralhar e a minha madrinha a dizer para deixar estar. Nem imaginam... Resumindo: a bilha já não é nossa, é da M. Ou seja, já não há viagem, mas a vantagem é que assim está a encher e bem depressa!!! :)
Amigos
Também já tem um elenco de nomes que associa aos amigos que a acompanham. Tem o grupo nuclear da ginástica que consiste na Mia(Margarida), na Pita (Filipa, mãe desta), na Anana (Joana), no Io (o prof. Rodrigo), no Quico e no 'Ui (Rui, pai da Joana). Depois, tem a Tita e o 'úbe, a Letícia e o Rúben, filhos da Lúcia, que já foram lá a casa passar o dia com ela. Finalmente, tem o 'cádo... Este é o pai da Margarida, que ela viu muito poucas vezes, mas que ela nunca esquece e inclui no grupo da ginástica, apesar de nunca o ter visto lá, apenas por ser pai da amiguinha que ela vai ver no ginásio...
Guta
A Guta é a Lúcia, a sua ama do coração, que costuma entrar no rol de familiares em 3.º lugar... Foi uma guerra aprender o seu nome. Enquanto que quase que nem foi preciso repetir os outros todos para ficarem na memória, este estava difícil. Repetia eu, repetia a ama e, nada, para tristeza desta, que via todos com nome, menos a pessoa que mais tempo está com ela. Um dia, cheguei a casa e a Lúcia sorridente, inchada mesmo, comunicou-me que era a Guta. Agora, já vai evoluindo para Guxia. Como penso que a amiga prefere ficar com um diminutivo carinhoso, tal como a tia S. que prefere "Pi", não corrijo e vou-me referindo sempre à Guta, em vez de Lúcia. Tem dias que a M. chega a casa e chama por ela, mesmo se esta já se foi embora. Depois de confirmar que aquela não está em casa, lá afirma que a Guta de nôte pa caja Tita e 'úbe comeri babis e pêias (tradução: vai para casa da Letícia - filha mais nova - e do Rúben - filho mais velho - comer bolachas e pêras...) :)
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Pequenos milagres
A M., como todos os seres vivos, é um pequeno milagre. A diferença entre a M. e estes, é que ela é o Nosso pequeno milagre. Eu e o pai participámos e participamos diariamente para que continue a sua jornada e a conquista de pequenos grandes passos. Mas nem tudo é da nossa autoria e estou convicta que, por vezes, é ela que participa para que nós consigamos pequenos milagres. A exemplo disso, foi a sua última vitória, e digo vitória, pois será ela quem mais ganhará com este milagre em concreto. O pai e o avô fizeram das tripas coração e tentaram. O avô começou e o pai arrematou e conseguiram. Foi uma prova do que sentem pela filha, pela mulher e pela neta e uma prova do que são capazes. Mas é certo que isso só foi possível graças ao pequeno milagre que é a M. É engraçado como um pequenino milagre conseguiu tão grande milagre... E ainda bem. Ganhámos todos com isso - menos solidão, menos tristeza, uma maior participação na sua vida e uma coisa chamada Família, algo que já fazia falta há muito tempo. A ela, já lhe agradeci directamente. Aos outros: em meu nome e no da minha filha, um muito obrigada aos dois por mais este esforço e esta prova de Amor.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Tem medo!
A M. deu em medricas... Aprendeu a palavra "medo" com o chuveiro. Estava a tomar banho comigo e eu liguei-lhe o chuveiro para ela o poder segurar, enquanto eu me esfregava. Não quis, rabujando um bocadinho, com uns "não! não!" pelo meio. Perguntei-lhe se tinha medo do chuveiro, ao que obtive uma resposta afirmativa. Aprendeu a palavra. Um dia, chegámos a casa estava o pai a aspirar o chão. Entrou, encostou-se à porta da rua e não se mexeu dali enquanto aquele barulho não acabou e o pai não desligou o "Dôí". Depois disso, passou a ter medo do aspirador. Ao ponto de uma noite ter de adormecer de luz acesa, de mão dada, a olhar para mim, muito quietinha, por causa do malfadado electrodoméstico! Passava pelo armário da cozinha, onde o dito está arrumado, e afastava-se a dizer "tem medo". "Medo do quê, M.?". "Dôí...". Depois disso, a tia S. foi com ela à Worten e andou de volta dos aspiradores, para lhes fazer "festinhas"... Tantas fez que já se habituou à ideia daquele electrodoméstico amigo. Um dia, dei com ela a a chegar-se devagarinho ao aspirador e a tocar-lhe devagarinho. Afastava-se, ficava a olhar e voltava à carga. Agora, o discurso mudou: "Não. Não tem medo.". "Não tens medo do quê, M.?" "Dôí!", com um ar de vitória. Boa, M! Mais uma conquista!!!
Cores
Já conhece uma catrefada delas. Graças ao lápis de cera de abelha que lhe comprei - são uns blocos rectangulares, não nocivos e que não se partem, com 8 cores - a M. aprendeu num instante. Comecei na ginástica a bater nos colchões coloridos, enquanto dizia as cores respectivas. Ela achava graça à brincadeira e ia batendo atrás de mim, à espera que eu gritasse "azul!". Depois, começámos a dizer as cores de tudo o que nos rodeava, primeiro as primárias, depois outras mais difíceis. Com os lápis, arrematámos. O pai arranjou um jogo engraçado que refinou a capacidade: como ela adora bolas, mesmo desenhadas, ele fazia uma bola de cada cor e depois pedia-lhe para pôr o respectivo lápis em cima da cor correspondente (esperto, não?). Conhece o preto, o branco, o azul, o roxo, o amarelo, o verde, o vermelho, o castanho, o laranja, o rosa e o cinzento. Aprendeu por esta ordem, o que fez com que na consulta dos 18 meses, quando a pediatra perguntou se ela já sabia alguma cor, a M. identificou um brinquedo roxo. O espanto da médica foi o de ela não conhecer, na altura, a cor das meninas - o rosa... Tive de explicar que os lápis dela não tinham essa cor, mas sim o roxo, daí conhecer uma cor tão pouco evidente para um bebé e não reconhecer uma bem mais evidente para a maioria da população...
Adormecer
A M. ainda adormece acompanhada. Primeiro, já no quarto, às escuras, tenho de lhe dar "miminhos", afagando-a ao colo, enquanto canto algumas canções infantis reduzidas quase aos refrões. Ela enfia a cara no meu pescoço, esconde o dô-dô entre o meu peito e ela e ali fica a respirar profundamente. Depois, digo-lhe que está na hora de ir para a cama e, após uma pequena negociação, lá vai resignada, com a certeza que eu fico ali. Tenho de ficar no puf até ela adormecer, e por vezes, até tenho de lhe dar a mão ou segurar-lhe nos pés. Isto, após uma ordem concisa que apenas diz no escuro: "mão!". Nunca consigo sair à socapa, até porque ela vai-me dirigindo a palavra e só depois de um bom bocado, quando eu me zango e quando ela já está mesmo quase, quase a adormecer, é que ela se cala de vez. Saio do quarto sem leh mexer pois pode acordar por dá cá aquela palha e depois é um inferno. Quando me vou deitar, entre 1 e 2 horas depois, vou sempre espreitar a filha. Só temos esta janela temporal para lhe mexer e mesmo assim sem grandes sacudidelas. Mudar-lhe a fralda a meio da noite implica acordar, por isso, evitamos. Ponho-a com a cabeça na cabeceira da cama - costuma adormecer ao contrário para me poder ver no puf - e tapo-a. Agora no verão, nem chego a tapá-la, pois ela transpira desalmadamente e ao fim de 5 minutos, se lá for espreitá-la, o lençol já voou... Depois, o ritual é sempre o mesmo: afago-lhe a cabeça e digo-lhe para dormir bem, com os anjinhos e com a avó, para depois dizer uma reza antiga - "Anjo da guarda, minha companhia, guarda a minha alma de noite e de dia". É estranho eu fazer isto, mas sem saber explicar melhor, acho que devo... Mal não faz, por isso... Acabo com um beijo na testa ou onde consigo chegar. É a parte que mais gosto, pois normalmente tenho direito a um suspiro profundo como resposta. Um suspiro que me enche por completo e me rouba inevitavelmente um sorriso. Tem uma boa noite, M.
