sexta-feira, 4 de julho de 2008

Marionetas

Dizem os livros que devemos estimular através de teatrinhos com os bonecos deles. O seu preferido é o ó-ó da Lola, a vaquinha da Noukies, que serve para adormecer. Quando chora ou, pura e simplesmente, quando estou na brincadeira, pego no boneco e começo a lenga-lenga: "Olá! Eu sou a Lola! A vaquinha cor-de-rosa e castanha de quem tu gostas muito! E tu? Como te chamas?". A M. adora a brincadeira. Começa-se logo a rir e a dar uns guinchinhos baixinho de agrado. Mas... O normal seria ela olhar para a vaca que está a falar com ela. Não!.... A minha filha, olha directamente para mim a rir, dando-me a entender que sabe perfeitamente que sou eu que estou a falar. Se esconder a cara atrás do boneco, ela espreita pelo lado para me ver. Depois, é ela que me provoca para continuar com aquilo. Tenho de fazer a voz da Lola (mais esganiçada) e abanar a dita à sua frente, mas ela quer é ver a minha figurinha!...

Social

Espero que se mantenha. A M. é extremamente social. Mal alguém se mete com ela, sorri com simpatia. Se vai no carrinho a passear, chega a dar gritinhos para chamar a atenção. O pai usa esta capacidade para ir às compras - não há ninguém que lhe resista e depois é só pedir o melhor para a menina (no talho e na peixaria resulta às mil maravilhas!)... Agora quando vê outra criança, fica possuída. Quase que salta do nosso colo, amarinhando com os pés para sair, ri-se imenso, dá gritinhos, e olha intensamente. Infelizmente, por vergonha ou por falta de vontade, até hoje, poucas foram as que retribuiram da mesma forma, por isso, a cena costuma acabar com um olhar meio frustrado, meio curioso do porquê de tal indiferença...

Concertos para bébés - Quinta da Piedade

Muito bom! Como de costume, fomos ao espectáculo mensal da M. Desta vez, enquadrado no Festival de Sintra, decorreu ao ar livre, de manhã, na Quinta da Piedade. Até aqui, a reacção da M. aos concertos era de observação pura. Não dormia, não chorava, não ficava impaciente. Olhava curiosa para tudo até acabar. Aos 7 meses, mudou a atitude. Combinámos e fomos com mais dois amigos de barriga. Um deles ficou ao colo da mãe ao seu lado. A M. fez de tudo para lhe chegar. Abanava-se toda, saltava de pé, segura pelo pai (foi a vez dele de ficar com ela ao colo) e dava guinchinhos de alegria. A mãe, divertida, só lhe dizia, "chamavas-lhe um figo!"... Quanto à música. Desta vez percebemos que adorou. A certa altura, a música parou, e durante aquele breve instante de silêncio, ouviu-se uma gargalhada, que pôs toda a gente a rir - era a M... Foram uns bons momentos, num cenário muito agradável, no meio do verde puro da serra de Sintra, para estar novamente com amigos que já não víamos há uns tempos e que acabaram na Casa do Preto, com queijadas e travesseiros. Para repetir!

Tatatata!

Mudou o registo. Já não é dadada!, mas sim, tatatatata!. O pai e a ama bem tentam o papapapapa, para depois evoluir para papá, mas ela não está para aí virada. É assim mesmo! Mostra-lhes quem manda!

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Personagens de BD

Deve ser por eu gostar tanto. Toda a gente a compara a uma. Eu comecei a comparar com o Tintin, por causa daquele tufo de caracóis à frente que mais parece uma crista mal-amanhada. Os mesmos caracóis já deram azo à comparação com o Cebolinha da turma da Mónica por uma colega de trabalho. Já a tia S. acha que fazem lembrar o Krusty, o palhaço dos Simpsons... Agora ainda há mais uma - a Maggie Simpson, personagem que vem à ideia de muitos, por causa do vício da chucha e o som que faz com ela - é tal e qual!!!

Baby Blues

Quem me conhece sabe que adoro BD e bons filmes de desenhos animados (estou a falar dos clássicos da Disney e outros que tais). Comecei em pequena com a francófona por motivos evidentes e em adulta aderi a alguma americana. Há uma que já conhecia, e que gostava, mas que só agora percebo a verdadeira graça - Baby Blues. Mostra as aventuras e desventuras de um jovem casal que decide ter um filho. A primeira tira de todas é simples: na maternidade, o pai no sofá, a mãe na cama com a bebé recém-nascida ao colo e uma bola de pensamento comum aos 3 a dizer "E agora?". A partir daí, acompanhamos a evolução desta jovem família, que em tantas coisas me faz lembrar a nossa (esquecendo que se trata de uma realidade americana - é normal o boião de comida e muito raro fazer a sopa). Quanto mais leio, mais nos revejo - é como se estivesse a ler uma caricatura nossa... Muito bom!

Pôs-se de joelhos

No dia 15/06, deu um salto, tipo rã, com as pernas de trás, e ficou de joelhos sem cair logo a seguir. Depois, olhou para mim, que a incentivava com um "Boa, M!", e sorriu. Foram breves instantes - tentou mexer-se e afocinhou, mas valeu o esforço, filha!

Primeiro dia depois das férias

Segunda-feira. Avisei a ama que o dia não iria correr muito bem - uma semana connosco, 24h/24h, sempre na rua, a não ser para comer e dormir, e mesmo isso, nem sempre, não ia dar bons frutos num dia dentro de um apartamento sozinha com a amiga Lúcia. A meio da manhã, liguei para saber como estava a correr (raramente o faço, por saber que o pai se encarrega de o fazer) e a ama confirmou. Chorou o dia inteiro, só queria rua e colo. Qunado chegou a hora, vim com fogo no rabo para casa. Quando cheguei, fui recebida com um sorriso ainda maior que o costume. Dei mais um passeio e em casa muita brincadeira e miminhos. Na terça, já estava recuperada.

A cama dela

Quando regressámos de férias, na noite de sábado para domingo, a M. voltou ao berço no nosso quarto, porque a ama não o desmontou como eu lhe tinha indicado (desconfio que foi para não contrariar o pai B., que não estava nada convencido). No dia seguinte, quando chegou a hora de dormir, o pai já estava caído no sofá e não dava conta de nada. Por isso, aproveitei a deixa, e fui deitá-la na cama dela, no quarto dela. Como ela ia a dormir da mama, também não deu por nada, e assim ficou a noite toda. A M. estreou a cama aos 7 meses. Quando chamei o B. para a cama, entre dois bocejos, perguntou-me se não ia deitar a menina, e não percebeu nada quando lhe respondi que ela já estava deitada. Mas como o sono era muito, caiu e adormeceu outra vez. Foi a primeira noite de muitas que dormi sossegada! Não acordei com os "rhó-nhó-nhós" dela a dormir, nem com os gemidos mais baixinhos. Basicamente, dormi mais. De manhã, o pai demonstrou o seu desagrado e por isso a ama não desmontou outra vez o berço. Nessa noite, ele ainda tentou o berço, mas não lhe dei alternativa. A M. desta vez ia acordada... Não correu tão bem. Chorou. O pai, enervadíssimo, zangava-se comigo por a deixar a chorar. Tanto os ouvi, aos dois, que acabei por tirá-la do colo do pai, que não resistiu, e adormeceu ao meu ombro, à janela. Fui para a cama pior que estragada e a pensar que no dia seguinte ia ser pior... Confirmou-se. As noites seguintes não melhoraram. Ela está bem mais desperta e já não adormece na mama por dá cá aquela palha como antes. Uma das noites, deitei-a na cama de visitas que ainda está no quarto dela, deitei-me ao lado sem me encostar e deixei-a chorar. O pai acabou por adormecer na sala com os nervos... Eu fui-lhe afagando a cabeça e falando suavemente até que ela acalmasse. Berrou 45 min sem para e acabou por adormecer, aos soluços, de cansaço. Cortou-me o coração, mas eu sabia que tinha de ser. Aliás, eu sabia que tinha de lhe ensinar que a cama dela é o sítio de adormecer, coisa que ainda não tinha conseguido. Por isso, as noites seguintes foram de luta, a ver quem ganhava - se ela a chorar, se eu a quebrar, com o pai já quebrado ao meu lado, cheio de nervoso miudinho. Lembrava-me da tia J. que ainda hoje adormece o filho ao colo e questionava-me se não estava a exagerar nas minhas regras. Vacilei por vezes, mas a mente acabava por vencer. Ficava ao lado da cama, com a mão na sua cabeça, a dar à corda ao mobile, e a falar baixinho. Depois a técnica passou para ir de vez em quando ao quarto para ela me ver e dar corda ao mobile. No final, foram umas 5 noites de choro. Agora, vai para a cama naturalmente, sem choros. Mas confesso, que ainda hoje me custa um bocadinho não lhe dar o colinho para dormir. Vingo-me dando primeiro uns minutos de miminhos ao pé da cama, com a cabeça dela encostada ao meu ombro, muito sossegadinha. Só depois a deito.

Parece um cão...

Os dois dentes inferiores bem saídos levaram a que a minha filha ficasse uma mordedora compulsiva - qualquer coisa que apanhe morde. Mas atenção! "Qualquer coisa" da minha pessoa. A M. deve achar que os meus ossos são bons de roer. Se pego nela ao colo, morde-me no ombro, naquela parte que fica saliente. Se lhe dou a mão, acha muita graça aos meus dedos. Se a sento ao meu lado, chama um figo à minha perna... Eu bem lhe digo que não, mas ela olha para mim, sorri e volta ao serviço. Deve ser praga dos meus primos - quando eu era pequena, e como tenho 10 anos de diferença do mais novo, sofria as maiores torturas de cócegas e outras do género. Para me vingar, sentava-me no chão, na esquina do corredor, e quando eles passavam, dava um salto e mordia-lhes a coxa...

Comer com os pés

A M. começou por comer as refeições sólidas ao nosso colo - tinha 4 meses e mal se segurava direitinha. Foi crescendo e descobrindo que tinha força nos pés, por isso mais valia usá-la. Assim, começou a encostar os pés à mesa e a fazer força para se arquear. Ao ponto de quase fazer a ponte para espreitar o pai que estava atrás. À conta disso, o colo omeçou a tornar-se impraticável. Passou por isso, para a cadeirinha de passeio, por ainda não haver outra alternativa. Esta tem uma protecção à frente, que rapidamente passou a servir de apoio dos pés em qualquer situação. Não há vez que ela não se sente na dita e não alce logo o pé, assim ficando, tempos infindos. A M. comia então tudo com um, ou mesmo com os dois pés nesse apoio, fazendo uma ginástica surpreendente. Comprou-se agora a cadeirinha de comer (mais um mono caro do futuro...). Esta tem um tabuleiro à frente e achei que já não dava para tais malabarices. Enganei-me redondamente. Com a perna mais dobrada, mas lá põe o pé... Só que agora tem outro requinte, é que levanta a mão direita e enquanto devora cada colherada que lhe damos, os dedinhos vão mexendo ligeiramente como uma daquelas senhoras a bebericar o chá, cheia de etiquetas. Mas que maneiras, filha!...

Ginetes

É. Também lhe dá para isso... Quando algo a enerva (algo que se desenrola em muito pouco tempo), estica-se toda, fecha as mãos e faz "Uhmmmm!!!" com ar zangado... Nem quero imaginar a adolescência...

Alavanca

A M. adora empinar-se e ficar de pé. Como ainda não percebeu como fazê-lo sozinha, no outro dia, descobriu que com apoio se consegue levantar e achou que o meu nariz servia de excelente alavanca!!!

Por antecipação

A M. adora que lhe dêem beijinhos, lhe façam cócegas, se faça a formiguinha da perna até ao pescoço e brincadeiras em que se interaja. A tudo responde com um sorriso ou uma gargalhada, e ao fim de algumas repetições do mesmo, acaba por reagir por antecipação. A S. e o tio descobriram a bincadeira de lhe pôr a vaca Lola em cima da cabeça e depois tirá-la de repente. A certa altura, a M. já fecha os olhos ainda a vaca vai a caminho, por isso a brincadeira passa por ameaças de lhe pôr a Lola na cabeça sem concretizar o acto - ela delira e farta-se de pestanejar! Um dia, comecei a dar beijinhos no pescoço depois de fazer uma pequena brincadeira primeiro. Ao fim de 4 ou 5 beijinhos, não é que a malandra começou a esticar o pescoço para eu lhe dar os beijinhos que por vezes se ficavam pela ameaça?!

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Linda...

http://www.imeem.com/people/bd11xZ2/music/Dk0aaUi2/srgio_godinho_espalhem_a_notcia/

Espalhem a Notícia - Sérgio Godinho

Espalhem a notícia

do mistério da delícia

desse ventre

espalhem a notícia do que é quente

e se parece

com o que é firme e com o que é vago

esse ventre que eu afago

que eu bebia de um só trago

se pudesse

Divulguem o encanto

o ventre de que canto

que hoje toco

a pele onde à tardinha desemboco

tão cansado

esse ventre vagabundo

que foi rente e foi fecundo

que eu bebia até ao fundo

saciado

Eu fui ao fim do mundo

eu vou ao fundo de mim

vou ao fundo do mar

vou ao fundo do mar

no corpo de uma mulher

vou ao fundo do mar

no corpo de uma mulher bonita

A terra tremeu ontem

não mais do que anteontem

pressenti-o

o ventre de que falo como um rio

transbordou

e o tremor que anunciava

era fogo e era lava

era a terra que abalava

no que sou

Depois de entre os escombros

ergueram-se dois ombros

num murmúrio

e o sol, como é costume, foi um augúrio

de bonança

sãos e salvos, felizmente

e como o riso vem ao ventre

assim veio de repente

uma criança

Eu fui ao fim do mundo

eu vou ao fundo de mim

vou ao fundo do mar

vou ao fundo do mar

no corpo de uma mulher

vou ao fundo do mar

no corpo de uma mulher

Falei-vos desse ventre

quem quiser que acrescente

da sua lavra

que a bom entendedor meia palavra

basta, é só

adivinhar o que há mais

os segredos dos locais

que no fundo são iguais

em todos nós

Eu fui ao fim do mundo

eu vou ao fundo do mim

vou ao fundo do mar

vou ao fundo do mar

no corpo de uma mulher

vou ao fundo do mar

no corpo de uma mulher

domingo, 22 de junho de 2008

Roer o fio

No último dia de praia, conseguiu pôr o pai de castigo e a mando dela. Sentada, tendo como apoio a coxa do pai, descobriu um fio vermelho com uma bolinha de ferro na ponta, óptima para roer - era o fio dos calções de banho do B. Roeu, e roeu, e tornou a roer, e fez daquilo um entretém duradouro. Queria roer a ponta, mas como se tratava de um fio, de cada vez que o segurava mais a meio, a bola caía, o que a enervava e por isso dava gritinhos e chorava de frustração. O B. para além de não se poder mexer, senão o fio desviava-se do objectivo da M., ainda tinha de a acalmar de vez em quando. Mas o que nos impressionou nem foi esta brincadeira. Foi o facto de a certa altura, tendo a bola caído novamente, perante a incapacidade imediata de segurar na bola outra vez, a M. com uma genica levada da breca e com um ar muito irritado, dar um grito de chateada e atirar o fio para o chão, como quem grita "que nervos!!!"... Estão a ver o feitiozinho, não estão?...

Restaurante

Estreou-se nas férias. Desafiados pelo tio, fomos a uma marisqueira atrás de um rodízio de marisco a € 17/pessoa, bebidas excluídas. O D. Fininho, em Cantanhede, faz jus à fama que tem e aproxima-se perigosamente das parrilhadas de Vigo (nham! nham!...). Veio uma travessa gigante de marisco para a mesa, com gambas grandes fritas, gambas cozidas, gambas pequeninas com alho, ameijoas, mexilhões com natas, sapateira, ostras, navalheiras e perceves e ainda nos pediram desculpa porque o bloqueio dos camionistas não permitia pôr tudo a que tínhamos direito... Depois de esvaziada, esta travessa é levada para a cozinha para encher outra e outra vez, até rebentarmos de marisco. Acho que ficou provado nesse dia que a M. não é alérgica aos bichos, tendo em conta a quantidade que eu comi mesmo antes da mamada da noite... A nossa M. portou-se divinalmente. Não chorou, não dormiu e entreteve-se sozinha, porque isto de comer marisco, é com as mãos, por isso não deu muito para brincar com ela. Observou e mirou tudo e todos que lá estavam, nomeadamente duas meninas que brincavam, tendo ficado encantada com a mais nova, que teria o seu ano e meio. No final, recebemos os parabéns do dono do restaurante, que logo no início, ao explicar como funcionavam, aconselhou a que numa próxima ida não levássemos o bebé por causa da confusão e do barulho permanente.

Soneca da manhã

A M. tem por hábito dormir (quando dorme) duas sestas durante o dia - ao final da manhã e depois do lanche. Na semana de férias, cumpriu a primeira e antecipou em maioria a segunda para depois do almoço, por causa do calor e do cansaço. Todos os dias, por volta das 10h, dava-lhe o sono e começava a chorar com a birra do sono no meio da praia. Se já em casa mal consigo domesticar o marido para não a adormecer ao colo, então fora de casa... Pegava nela, levava-a para a beira da água e conversava baixinho. Ela enroscava-se debaixo do queixo e ali ficava, a adormecer ao som da voz serena do pai e das ondas que rebentavam de mansinho só para ela. Não me meti - foi um ritual bonito de se assistir todos os dias àquela hora.

Sentou-se sem cair!

Foi no dia 14 de Junho. A praia e aquela areia fofinha deram jeito para treinar.

Desajeitada

A minha sogra tem um edredão que serve de tapete de actividades gigante da M. Estendemos-lo no chão da sala, pomos almofadas em toda a volta e um de nós deita-se no chão ao pé dela. Estava sentada quando eu lhe fiz uma palhaçada qualquer. Riu-se. Ao rir, caiu para trás com um ar muito espantado. O ar era impagável!...