quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Banheira

Fica louca quando vê a água da banheira a correr. Põe-se em pé a apontar e a pedir para ir lá para dentro o quanto antes. Depois de entrar, fica em pé a chapinhar na água e só depois é que se senta. Os seus brinquedos são sempre os mesmos: o pato da Imaginarium (do qual já aqui falei), o termómetro de água que nunca usámos quando era recém-nascida e que tem a forma de um peixe amarelo e o livro do flutuar (uma bóia amarela em forma de estrela com o peixe chamado Pompeu e que ela quase que já diz bem - "pompê"). Para a conseguir esfregar da cintura para baixo, a técnica é sempre a mesma: começo a atirar água para as costas e para a barriga e ela automaticamente levanta-se e agarra-se à borda da banheira. Dá-me o tempo suficiente de a lavar em condições. Depois, divertimos-nos um bocadinho por nada com a água e os brinquedos. É sempre um bom momento.

Treino para a natação

A banheira tem servido de treino para os dias de natação. O chap, chap, chap é com o bater das mãos e dos pés na água. Agora já se vê água a sair para fora e ela achar normal os salpicos na cara quando a violência do gesto o justifica. Também o deitar de costas é ensaiado. Aviso-a de que a vou deitar e ponho-lhe a mão nas costas. Ela acede deitar-se para trás segura por mim. Mas só um bocadinho!... Parece que estão a resultar, pois já identifica os gestos e não refila muito com o deitar de costas... Amanhã verei os frutos destes meus ensinamentos caseiros.

Natação

A semana passada, estreou-se nos mergulhos. Até agora, sendo a mais pequenina da turma, apenas tinha autorização para se sentar à beira da piscina para se deixar cair nos meus braços, sem mergulhar a cabeça. Desta vez, juntou-se aos colegas de água e ao cair foi mesmo abaixo. Ao sair da água, vinha a fazer os prfff típicos de quem tem água a mais na cara, mas não houve pirolitos, nem choradeira. A professora Ana fartou-se de a aplaudir e ao fim de duas vezes achou que era suficiente. Quanto às outras actividades, adora todas, desde o barquinho (anda aos esses na água virada de frente para mim) ao gatinhar por cima do colchão até ao outro lado, onde eu estou (costuma ser o exemplo para a M. grande da turma, que tem medo de tudo. A coitada da miúda passa a vida a ouvir: "olha a M. pequenina! Ela está a fazer e tu não!"...). A professora de vez em quando faz umas maldades com o regador, para eles perderem o medo da água na cara e a M. nem reage - as nossas investidas na nossa banheira com a água na cabeça surtiram efeito. O chap, chap, chap das mãos e dos pés ainda precisam de mais treino e nem sempre são cumpridos. Para além disso, não gosta de nadar de costas, lutando para se virar quando chega a essa parte. A sua colaboração nem sempre é a desejada - quando é preciso pôr o esparguete debaixo dos braços, passa a vida a tentar tirar aquilo, o que para mim implica um esforço enorme para não a deixar cair de cabeça na água... Adora a bola amarela. Passa a vida a tentar chegar aquela coisa que não pára quieta um bocadinho e que é demasiado grande para conseguir agarrar. Ah! E adora comer o material das aulas - os pesos de esferovite então é à dentada! O cômputo final é extremamente positivo.

Pêpê!

Foi o pai que ensinou. Chucha, alias chupeta, alias, pêpê. Já o diz na perfeição e basta ela cair por qualquer motivo e põe-se logo a olhar para o chão e a dizer com um ar interrogativo - "pêpê?...". E estamos a ficar viciadas na dita. Cheira-me que vai ser um caso sério perder a dependência...

A galinha do vizinho

Ementa para o jantar:

  • sopa de bróculos sem sal - após algumas colheres: "hum... ainda se come, mas deve haver melhor..."
  • massinha com perú cozido sem sal - após algumas colheres: "isto até parece bom, mas há qualquer coisa que está errada..."
  • papaia - a meio da sobremesa: "ok, ok! Isto é docinho... Eu até gosto, mas mesmo assim..."

Não insistimos. Achei que o lanche tinha sido mais pesado ou que pura e simplesmente não tinha fome. Como a M. come sempre bem, não nos preocupámos, deixando um biberão meio preparado para a ceia, mesmo que estivesse já a dormir. Assim, sentámos-nos à mesa a jantar. Cardápio: peixe com batatas assados no forno. A M. espreitou para o prato do pai e... Começou a gemer, a debruçar-se toda sobre a cadeira de comer e a fazer tanto barulho, que mal nos ouvíamos. O que vale é que a pediatra já autorizou o sal. Aliás, é esse o motivo da greve de fome da nossa filha - já tem termo de comparação por ir petiscando dos nossos pratos enquanto comemos. Depois de saber o que é bom, o paladar refinou. Resultado? O B. não jantou, tendo a M. papado tudinho do seu prato. Conclusão? Comida sem sal e só cozida? Comam-na vocês!!!

Demasiado arisca

Na segunda, a M. acordou antes de eu tomar banho. Fui buscá-la e levei-a para ao pé do pai, para que este tomasse conta dela enquanto a ama não chegava. O B., no quentinho da cama, não se querendo levantar logo, especialmente porque estava frio, tentou. Abraçou-a e com muitos miminhos, enfiou-a para debaixo dos lençóis, enquanto a segurava nos seus braços. Hum-hum... A M. debateu-se, torceu-se, contorceu-se e conseguiu. Sentou-se e desatou a passarinhar cama afora com os seus dadás bem sonantes. Foi uma boa tentativa, mas a nossa filha é demasiado arisca para essas façanhas, pai!...

É mesmo do contra!

No sábado tive de acordar às 7h30. A M. achou por bem só acordar às 9h30. No domingo, tinha a manhã por minha conta. A M. estava a pino às 7h20... Irra, filha! Podias ser mais amiga da mãe!!!

Pede a guitarra

O tio F. também estava em Quiaios. Como de costume, tivemos festa e guitarrada. A M. fartou-se de dançar e até experimentou dedilhar naquelas cordas duras. No final do fim-de-semana, já quase de partida, estava a M. ao colo da avó (que fez o gostinho ao dedo e adormeceu-a ao colo), quando viu a guitarra em cima do armário. Apontou, olhou para a avó e fez um "ãhhh" de quem pede. A avó perguntou-lhe se era a guitarra que queria, ao que ela voltou a apontar e desta vez... abanou-se como que a dançar. Como quem, toca lá aquilo que eu quero dançar!...

Neta de padeiro

É mesmo!!! Já por mais de uma vez frisei aqui a sua vontade de comer permanente. Desde que descobriu o pão e o termo que se usa para o denominar, não quer outra coisa. Se me vê entrar na cozinha vai direitinha à zona da caixa do pão, levanta-se e encostada ao armário começa a gritar "pãínnn! pãíinnnn!!!", enquanto aponta, toda esticadinha para o sítio da sua veneração. Aliás, tem dias em que tudo o que seja de comer é "pãíinnn"... É de tal maneira, que já cheguei ao cúmulo de ligar para a minha sogra um desses dias em que a M. andava para trás e para a frente na sala, atrás de mim, a gritar por mais "pãíinnn" só para ela ouvir a nova proeza da sua neta... O avô padeiro e a avó que não consegue resistir a uma côdea de pão (estão-se sempre a rir para ela...) deliram ao vê-la tão desesperada por pão, sentindo uma consanguinidade mais vincada pelo facto de a neta ser a fã n.º 1 daquele alimento, que eles tão bem conhecem por o terem fabricarem tantos anos.

Tirei as teimas

No fim-de-semana fomos até Quiaios ter com os avós. Naquela casa, a M. dorme no nosso quarto, numa cama de grades, ainda do tempo dos anteriores proprietários. No sábado, esteve na brincadeira com a avó e o tio até à meia-noite e depois fomos todos nos deitar. Foi uma festa! Quando se apercebeu de que para além dela, nós também íamos e ainda por cima no mesmo quarto que ela, ali mesmo ao lado, viu-se a alegria espelhada na sua cara. Esteve ainda um bom bocado a atirar a Lola para o chão, entretendo-se a ver o pai a apanhá-la vezes sem conta, para lha atirar para dentro da cama outra vez. A certa altura, não conseguindo ler mais nada, apaguei a luz e deixei-os neste atira-apanha, enquanto o pai jogava mais um pouco no telemóvel. Acabou por adormecer sem qualquer tipo de fita. Às 3h da matina, acordámos com o seu choro. Chorava de tal forma, que nos obrigou a levantar aos dois para preparar o biberão, que acabei por lhe dar eu. Adormeceu na mimalhice do meu colo outra vez, quase uma hora depois. Achei que por aquela noite já estava e aconcheguei-me no bem bom dos lençóis quentinhos numa noite bem fria. Meia-hora depois, acordei com os seus gemidos. Estava a querer chorar, ainda a dormir, fazendo sons meios aflitos. Ao fim de alguns minutos, chorou mesmo e acabou por acordar outra vez. O pai desta vez acalmou-a e ela caiu até de manhã. São mesmo pesadelos. Resta saber se à conta deles, não vai ganhar alguma manha...

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Gui

Amiga de barriga, nasceu no mesmo ano da M. no meu dia de anos e é mais conhecida por Pocahontas, alcunha que lhe foi posta quase à nascença por ter tantas semelhanças com aquela personagem da Disney. As suas características: morenaça, com uma cabeleira farta, que nos seus escassos 10 meses já foi cortado três vezes, de uma alegria contagiante e muito, muito querida. Um pormenor: a sua primeira gargalhada foi dada comigo... :) As mães ficaram amigas e ainda por cima temos a sorte de sermos quase vizinhas. Juntas são do mais engraçado que há. Já se reconhecem perfeitamente e fazem sempre uma festa uma à outra. Ontem, a M. teve o privilégio de receber beijinhos e miminhos da sua amiguinha, que é uma verdadeira mimocas, na aula de ginástica, à qual também aderiu. Como disse a mãe F. e muito bem, temos de fazer por cultivar esta amizade, para que perdure e para que um dia possam partilhar de memórias conjuntas de há muitos anos. São estas amizades que geralmente ficam para sempre e que resistem até às circunstâncias da vida. Para além disso, os seus pais são pessoas que merecem o nosso respeito e confiança, e é também uma amizade que gostaria e faço questão de cultivar. Ainda bem que ainda se conseguem fazer amigos assim!...

A sua amiga

A Lúcia. A ama da M. é a sua grande amiga. Deixa-lhe cortar as unhas, adormece ao seu colo, diz-lhe adeus quando vai embora, está sempre de volta das suas saias lá por casa. Agora com a constipação, deixa-lhe pôr soro no nariz com uma pintarola só vista. Nem precisa de subterfúgios. É só tapar uma narina com um dedo enquanto espreme o frasco para a outra e depois repetir do outro lado. Sem choros, sem refilices, sem guerras. A última: agora, quando a vê ir embora, chora!

Pequeno-almoço na cama

Como não queria que a M. acordasse tão cedo, tinha pedido à ama para não fazer barulho quando chegou. Mas mesmo assim a M. acordou, pelo que a ama tentou uma estratégia nova. Fez o biberão e foi-lho levar à cama, onde ela estava muito sossegada de olho aberto. A M. segurou nele como já é costume e por isso a ama veio-se embora, fechando a porta atrás de si. A M. mamou tudinho, pousou o biberão e com um embalo da sua amiga, que entretanto voltou a aparecer, adormeceu outra vez até às 10h00. Desconfio que se tivesse sido eu a entrar no quarto o resultado teria sido bem diferente...

7 horas de sono

Foi o que ela dormiu na noite anterior. Durante o dia, não fez qualquer tipo de sesta. Quando cheguei a casa, estava a ama a tentar adormecê-la, mas não conseguiu. Peguei nela e fui buscar o B. ao trabalho para tentar a técnica do adormecer com o ronron do motor. Ainda dei umas voltas extra na rotunda das Olaias, mas não resultou. Foi à ginástica e os olhos de sono deram lugar à excitação normal daquelas aulas. No regresso a casa... Adormeceu e ferrou até às 21h30, hora em que chorou para jantar. Depois disso, só adormeceu à meia-noite, para acordar à 1h00 e obrigar-me a ficar no quarto com ela até à 1h50. Às 2h20 acordei outra vez, com um choro que não chegou a exigir a minha presença. Adivinhem a que horas acordou hoje de manhã? Às 8h00... Ou seja, outras 7 horas de sono... Ou seja, em 48 horas, dormiu 16. Tendo em conta que os bebés da idade dela devem fazer um amédia de 12-14 horas por dia...

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Já segura na colher

Já há muito que enquanto lhe dou a comida, ela segura numa colher para se ir habituando à ideia. Faz dela batuque, leva à boca e atira ao chão. De há uns tempos para cá que lhe vou mostrando para que serve efectivamente aquele instrumento. Ponho-lhe comida na colher, dou-lha para a mão e sem largar esta, levo-lhe a colher à boca. Esta semana experimentei ajudá-la a comer. Dou-lhe primeiro parte da refeição - a sopa (que como é mais líquida não daria bons resultados) e o princípio do segundo prato. Quando acho que ela já está meia satisfeita, a colher passa para a mão dela e começamos o treino. Sempre com a mão dela na minha, apanhamos um bocadinho de comida e levamos à boca. Depois repetimos e repetimos até acabar o prato. Com a fruta faço o mesmo. E não é que ela gosta? Devo aliás dizer que, se eu não tiver cuidado, ela come mais depressa do que se for eu a dar. Passo a vida a dizer "devagarinho, M.". Não tarda, não me deixa segurar na mão e depois vai ser uma chuva de arroz e outros produtos afins!...

Cambalhotas

Aprendeu na semana passada no The Little Gym. Abre as pernas, põe as mãos no chão e espera que nós lhe demos a volta. Para a frente e depois para trás. Como quem foi às aulas de ginástica foi o pai, eu demorei a perceber a sua intenção. Via-a na posição, mas não associava. Só depois é que me lembrei de a ter visto assim na aula. Experimentei para a frente e ela divertida, depois de aterrar, levantou as pernas a desafiou-me com os olhos. O pai chegou e explicou que a seguir era para trás (não dei conta na aula que também tinham feito assim). Depois da primeira, não quis mais nada. Foi um forrobodó vê-la para a frente e para trás, deliciada com tanta ginástica! Ah! E é mais umas das maneiras que arranjou para não adormecer - para além das outras inúmeras formas de se mexer, põe-se na cama assim vezes sem conta, à espera não sei do quê... :)

Pesadelos e esticões

Disse-me ontem a tia S. (a nossa amiga psicóloga de serviço) que esta fase é normal. Parece que os bebés com um ano começam a ter os chamados pesadelos - reproduzem imagens que absorveram durante o dia e assustam-se pois o seu pequenino cérebro ainda não consegue interpretar o que é e o que se está a passar. Já estava a tentar imaginar o que andava a fazer para que a minha filha tivesse pesadelos, mas a tia S. descansou-me. Não estou a fazer nada - as imagens que ela reproduz podem ser a cara de alguém, um carro ou mesmo um animal que ela tenha visto e assimilado como informação visual. O problema não está no tipo de imagem, mas sim no facto de visualizar coisas a dormir e não saber nem como, nem porquê, o que assusta. Para além disso, é por esta altura ou um pouco mais tarde que eles começam a sentir aqueles esticões que damos quando estamos quase a adormecer, como se o corpo se estivesse a desligar. E quando não se sabe o que isso é, também assusta. Pode ser outro dos motivos. De facto, analisando bem o choro, parece mais de medo do que outra coisa. Chega a chorar já estando ao nosso colo há um bom bocado e de olhos fechados, como se estivesse ainda meia a dormir. Ou é isso, ou é manha...

Dormiu!

Esta noite não chorou. Estava de tal forma de rastos que não deve ter tido forças para isso. Ontem, depois de uma noite de sete horas intervaladas com dois choros, dormiu meia-hora durante todo o dia. Assim, depois de muita resistência pacífica (abanava a cabeça, ria-se para nós, basicamente fez trinta por uma linha para não se render ao João Pestana), adormeceu às 21h30. Durante a noite, acordou duas vezes, mas apenas choramingou, aterrando outra vez, sem ter de me levantar. Acordou às 9h00, sem sequer ter dado conta que nós saímos. Já deu para descansar mais um bocadinho, apesar de ter acordado aquelas duas vezes.

Um dia hei-de...

... ir com a minha filha à Estufa Fria, com pão de três dias no bolso, só para delirarmos com os patos e cisnes a lutar pelo sustento com os peixinhos vermelhos, tal como me levaram a mim em pequena. E talvez comprar doces na velhinha do meu imaginário que por lá parava se ela ainda lá estiver...

De olhos postos no ar

É como a M. passa a vida quando anda na rua. Topa pássaros bem lá no alto e aponta, aponta, aponta com os seus gritinhos divertidos a fazer de banda sonora. Pombas então são motivo de muita alegria. Até parece que já leu o Fernão Capelo Gaivota. Depois, quando levantam voo, põe aquela cara que tão bem faz, de mãozinha levantada, com a palma da mão para fora, e um "ahhhh!", no mesmo tom que eu uso para o meu "não haaaá!!!!". Até já nos põe a nós a correr atrás delas, com ela ao colo, para as ver fugir... É um excelente relembrar do meu imaginário. :)