quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Subterfúgios

Como não quer andar, tem de arranjar estratagemas para deslocar coisas. Assim, ou as põe à sua frente no chão e vai gatinhando enquanto dá sapatadas com as mãos, atirando-as para a frente, ou usa uma posição estranhíssima que não é nem gatinhar, nem andar. Põe uma perna dobrada como se estivesse de cócoras e a outra estica para o lado. Depois, com uma mão a segurar no objecto, vai andando com a ajuda dos empurrões da outra mão no chão. Ou melhor, vai saltitando desajeitadamente...

Preguiçosa ou medrosa?

Apesar de já ter andado, a M. só dá passos sozinha quando está distraída. Já se põe em pé e até bate palmas e tenta abanar-se para dançar sem apoio, mas andar, que é bom, está escasso. Ainda precisa do nosso dedo indicador para sentir segurança. Já se chegou a agarrar à minha manga, que não lhe dava estabilidade nenhuma, pelo contrário, até a desiquilibrava. Dá pequenos passos entre dois móveis ou do B. para mim e vice-versa, mas de resto, apesar de o saber, ainda não se astreve, como se diz lá para cima... Enfim, é dar tempo ao tempo, até porque eu, como mãe egoísta, nem tenho muita pressa que ela o faça perfeitamente - é mais um passo para fora da minha saia... ;)

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

A meio da noite

Quando a M. acorda a meio da noite, porque aponta para fora do quarto e não descansa enquanto não o consegue, costumamos levá-la para o sofá. Aí, depois do biberão do chá, acaba por se encostar ao nosso peito e relaxar até adormecer. A semana passada, trocou-nos as voltas. Acordou e eu fui lá. Como de costume, apontou para a porta. Levei-a para a sala e tentei sentar-me no sofá. Mas, desta vez, não me deixou. Chorava e resistia, contorcendo-se ao meu colo. Chá, nem vê-lo, até chapadas dava no biberão... Levei-a para a janela da cozinha para ver se os carros de antigamente a acalmavam. Resultou. Ali ficou, ao meu colo, a ver os poucos carros a passarem no Eixo N/S. De cada vez que passava um, eu sussurrava-lhe quase ao ouvido "olha mais um! Este vai para o trabalho" ou "uma mota que vem da festa". Eu sei lá. Sempre que não passava nenhum, primeiro fazia o gesto do "não há" e depois franzia a testa e começava a querer zangar-se, mas felizmente aparecia outro e mais outro. Como 11 kg já pesam e a minha coluna já não é grande amiga de brincadeiras, acabei por ter de me sentar. Voltei para o sofá. Foi um berreiro tal que acordou o B. Este levantou-se e revezou-me. Ao fim de uma hora e tal, conseguiu a proeza de a adormecer e tentou aproveitar a hora que faltava até acordar. Foi uma verdadeira luta para não adormecer... Porque será?

Mais técnicas

Tem mais duas formas de me desmanchar, para além de desviar o assunto para alguma gracinha. Uma é apontar para alguma coisa com muito interesse. Por exemplo, faz isso desde que descobriu a torneira do bidé. Abre-a e enfia a mão até ao cotovelo, ficando encharcada. Como já sei o que pretende, quando a vejo entrar na casa-de-banho, vou atrás e espero. Quando já está em pé, em frente ao bidé, a olhar para a torneira com cara de quem viu o Pai Natal, digo-lhe que não. Ela vai tentando uma e outra vez, primeiro pedindo-me autorização apontando, depois levando lá a mão ou aproximando-se sorrateiramente de lado, e eu sempre firme, vou-lhe recusando a vontade. Até que fico zangada e ponho uma voz mais ríspida. Ela vai e aponta para a banheira com um "ãh!" de interessada impressionante, com um ar muito entusiasmado, como que a dizer que aquele disparate todo não é nada, o que importa é que quer tomar banho! A outra forma de me dar a volta resulta com muito mais eficácia... Quando a coisa já está preta, olha para mim, arreganha a boca, ficando os dentes de baixo à mostra e dá uma gargalhada com a cara toda franzida. Quando me faz isto, não consigo. Regra geral, tenho de esconder a cara para não estragar, mas a espertalhona já me apanha fácil, fácil. Como diz a tia S., sabe-a toda e eu estou tramada...

Pé!

A M. é expert em dar a volta ao contexto quando lhe interessa. Quando lhe estou a mudar a fralda, tem momentos de verdadeira violência. Dá aos pés e quando acerta magoa. Normalmente, faz isso quando já tem a fralda suja aberta. Se calhar, é por sentir a liberdade... Ela vai testando várias vezes a nossa paciência e os seus limites, o que é de louvar, pois só prova que está a evoluir no bom sentido, mas conseguindo que eu fique por vezes efectivamente chateada. Agora, sou eu que imponho mais respeito, tendo o B. mais dificuldade. Ponho uma cara séria, digo o nome dela, seguido de umas quantas negas, num tom de repreensão e espeto o dedo. A parte do dedo parece ajudar a manter o respeito. Quando ela vê que a coisa já não está mesmo nada de feição para ela, olha para mim com ar de sacana, levanta a perna e sai um triunfante "pé!". Como quem "olha a gracinha que eu sei fazer!". Tenho de me segurar e respirar fundo para não me desmanchar...

Ginetes

Está a ficar com um feitio!... Quando quer alguma coisa e não tem, seja porque ela própria não consegue ou porque não deixamos, cerra os poucos dentes que tem, encosta o queixo ao peito, abana a cabeça e dá aos braços enquanto parece que rosna. É de uma impaciência a toda a prova, não querendo esperar por nada quando está determinada a obter algo. Tenho de me impor com firmeza, senão temos o caldo entornado. Costumo perguntar-lhe com ar sério "o que é isso?", friso uns quantos nãos se necessário e ela lá percebe. Se começa a chorar porque não lhe dou logo o que ela quer, digo-lhe para se acalmar e dizer-me com calma o que quer. Costuma resultar. Lá pára de chorar e aponta com um sorriso malandro para o objecto do seu desejo. Mas nem sempre. Já tive de a deixar a chorar no meio do chão, porque atirou a cabeça para trás numa birra a querer ficar má. Como não lhe ligo, acaba por perceber a mensagem. Já o B... a coragem para se impor é diferente e tanto lhe dá para tentar o mesmo que eu, como para ceder quase à primeira. A sua princesa já sabe e por isso agora vai tentando primeiro a sorte com ele, a ver se pega. E às vezes sai-lhe a lotaria. Depois tenho de lhe recordar a ele o que devia ter feito e ele lá tenta a custo contrariar aqueles olhos pestanudos e expressivos que o derretem tanto. A ver vamos se não vou ser a má da fita...

Pescoço

Tal e qual como eu: é o seu ponto fraco. Derrete-se toda e desmancha-se às gargalhadas quando o pai lhe dá beijocas gordas ou faz-lhe cócegas no pescoço. É o nosso calcanhar de Aquiles. Mas o pai tem um condão maior do que o meu. Comigo, ri-se e torce-se toda, mas com o pai dá gargalhadas contínuas de a levarem ao cansaço. E quando o pai pára, estica o pescoço e põe-se a jeito, a pedir mais, oferecendo-lhe a dádiva de a ver rir outra vez. Rimos-nos todos sempre muito com aquelas gargalhadas contagiantes e cristalinas.

Andou!!!

De domingo para segunda-feira, dia 8 de Dezembro, ainda com 12 meses, a M. andou. Estávamos a conversar na sala da tia J. com o B. a tentar gerir as cambalhotas da M. e do F. ao mesmo tempo. A nossa pipoca estava excitadíssima e lá por já ser uma da manhã não a impedia, nem ao seu amigo de ter a energia para algo mais. Às tantas, viu uma fotografia do F. com meses em cima de uma mesa de apoio. Começou a querer chegar ao "bebé!". O B. começou a distanciá-la da moldura e largava-a para ela chegar lá. Não é que andou?! Depois de muitos pininhos, como diz o tio F., ao longo das semanas anteriores, e algumas mostras de que estava quase, quase, naquele fim-de-semana, lá se dignou andar. Estávamos todos tão entusiasmados que só visto. A tia J. fez um ar de vitória por ter andado na casa dela e o tio J. estava morto de sono, mas feliz. Eu e o pai estávamos nas nuvens. É impressionante como algo tão básico e elementar para o ser humano pode ser uma vitória e uma conquista tão grande. Se foi assim com o andar, nem imagino quando for com o ler, o entrar para a faculdade, o casar, o ser mãe... Acho que vamos ficar cheios com tanta emoção. E ainda bem!...

Mana mais velha

Há cinco anos que andava a dizer que ia a Braga ter com a amiga do coração. Nestes tempos de Dezembro, altura em que me sinto mais frágil, estava a precisar de me sentir rodeada por amigos sinceros e presentes. Por isso, disse ao B. que queria ir. Marcou com ela à minha revelia, com o intuito de me fazer uma surpresa, para o fim-de-semana prolongado do 8. Acabei por descobrir antes do tempo, mas não fez mal. O que eu queria era ir. Na antevéspera, a minha tia pregou-nos a partida: deu-lhe um achaque à porta de nossa casa e foi de charola para o hospital. Depois de algumas horas com exames, a médica de serviço avisou o B. que tinha de ir à psiquiatra outra vez - temos outra depressão à porta ... Aviso: não podia ficar sozinha... Demos voltas à cabeça e acabámos por arranjar uma solução - levámo-la primeiro a Penedono, onde estava o meu pai, dormimos lá e depois seguimos para Braga. Foi um fim-de-semana lenitivo. Estivemos no seio de uma família harmoniosa e que transmite paz e eu estive com a minha melhor amiga, de quem já tinha muitas saudades. Os encontros de fugida, sempre graças à sua persistência em vir a Lisboa de vez em quando, não dão para nada. Só servem para ficar com mais saudades ainda. Não falámos de nada em especial, nem de problemas, nem de preocupações, apesar de também me apetecer. Optei por não o fazer, pois era um tempo tirado para esquecer e não recordar. Uma pausa kit-kat. Os seus filhos estão fantásticos e o mais novo, mais velho um ano do que a M., adorou a presença daquela pequenina amiga - "Sabes, M., sabes, és muito gira!", ao que ela respondia com um sorriso e um "ãh!" que parecia afirmativo, fazendo o B. levar as mãos à cabeça e as mães sonharem com uma aproximação maior das famílias no futuro (ainda não se paga por sonhar, certo? ;) . Foi muito, muito bom. Vim embora um pouco mais consolada, ainda com saudades, que só conseguiria matar vivendo por perto, mas mais apaziguadas. Recordei muitas madrugadas, sentadas no sofá de Campo de Ourique a ver o sol nascer, e a dizer com toda a sinceridade "Bolas! Podias ser homem tu!". Ao que me era respondido "Não. Perfeito, perfeito, era se tu fosses o homem...". Obrigada, J., a ti e aos teus.

Caiu do sofá

Apanhei o maior susto até hoje com ela. Estava a brincar no sofá comigo. Pôs-se em pé, encostada às costas do sofá no mesmo instante em que o B. me fez uma pergunta. Na fracção de segundos em que olhei para o lado, a M. literalmente mer-gu-lhou... Quando olhei, estava ela em pleno voo, a ir direitinha ao chão de cabeça. A cena foi vista em câmara lenta tal foi o susto. Eu que não tenho memória visual quase nenhuma, tenho presente a imagem em slow motion a reproduzir-se na minha cabeça, sempre que me lembro de tão ínfame episódio... Já não fui a tempo de nada e ela caiu. Ouviu-se o bonc da cabeça a bater no chão e um choro imediatamente a seguir. Um choro intenso de dor. Agarrei nela ao colo e tentei acalmá-la, enquanto o B. tentava pôr as mãos na sua cintura para pegar ele nela ao colo. Mas o meu abraço e olhar determinado fizeram-no entender que nem valia a pena. Estava tipo leoa a lamber a ferida da cria e ai de quem lhe tocasse... Assim, enquanto a M. chorava no meu regaço, o B. com uma presença de espírito impressionante, foi buscar gelo dentro de um pano da loiça (quase que partia a gaveta do congelador...). Quando voltou, lá ma conseguiu tirar, sentou-a no seu colo e pôs-lhe o gelo na testa, enquanto eu ia vendo livros com ela para a distrair. Ela deixou e parou de chorar. Quando tudo tinha passado, já com a mossa vermelha a desaparecer da testa graças ao gelo, foi ao colo do pai para a cozinha, enquanto eu chorei feita Maria Madalena... É que para além do susto, o sentimento de culpa invadiu-me de uma forma parva. Bem sei que é o primeiro de muitos, haverão outros se calhar bem piores, mas este eu vi, este foi comigo. Ainda por cima careca de saber como os sofás são perigosos e como a pequenada não deve andar lá em cima. Enfim, passou... Aprendi a lição e o B. disse uma grande verdade: ainda bem que foi comigo, porque se tivesse sido com ele, acho que o tinha comido vivo...

Trouxe a meia

Foi no outro dia. Estava eu no sofá distraída, eis senão quando chega-me a piolha à minha beira de meia na mão. Estende-me a mão e diz-me "mêa!". Pois é. Já tem ideias a cachopa. Tive de lhe calçar a dita, senão não me largava o resto da noite...

domingo, 14 de dezembro de 2008

Quase, quase...

Na ginástica, a professora confirmou as nossas suspeitas - está quase, quase a andar. Só lhe falta um bocadinho assim... Por isso, naquela aula, tentou de tudo para ver se a convencia. A certa altura, pegou num arco, com o qual a M. estava a brincar, pô-lo em sua volta e fê-la agarrá-lo à frente. Enquanto a segurava por debaixo do braço, foi incentivando-a a andar, comigo à frente a chamá-la. Lá andou, sentindo-se segura pela professora, agarrada ao dito arco. A certa altura, a professora largou-a e ela continuou entusiasmada sempre em frente, agarrada à sua bóia de salvação a rir-se imenso pela aventura que estava a viver. No final da aula, a professora vaticinou que a M. na semana seguinte já ia de metro sozinha para a aula...

Bailarina

Até a ama já previu o seu futuro. Não pode ouvir uma música que começa logo, logo a dançar. Não importa o género, nem quem canta. E o engraçado é que tem ritmos diferentes, tendo várias formas de expressão a sua dança. Se for uma melodia suave, roda o tronco de um lado para o outro. Se for uma rockalhada, dobra as pernas e levanta um braço. Se for uma pimbalhada, levanta os dois braços e abana-se. Diz quem já viu que até dá ao rabiosque quando toca o telemóvel da ama com o seu kuduro... Há uns dias, experimentei pôr no VH1. Nem de propósito! Estava a dar o Top dos anos 80 e os Dire Straits estavam a tocar "Money for nothing". A miúda adorou! Encostou-se à mesinha da sala, levantou um braço e abanou-se toda, cabeça inclusive! Continuou com os Duran Duran e só acalmou com a Whitney Houston. Parece que tem bom gosto!...

Mamã e caca: palavras universais

Qualquer pessoa, desde que não seja um bebé, é "mamã". Quando não sabe o nome, é isso que chama. Até o pai, que vive frustrado por ela não dizer papá, apesar de o saber. Já para todas as coisas que ela não sabe ou não consegue dizer o palavra usada é "caca"... Esta linda palavra aprendeu-a num instante com o pai. Estava a meter uma porcaria qualquer do chão na boca e o B. rapidamente lha tirou e disse "não comas isso que é caca". Logo de seguida, saiu da boca dela, um perfeito e sonoro "caca!". E parece que sabe que é asneira, pois a entoação é sempre essa. Diz sempre a segunda sílaba com mais ênfase, como se estivesse a dizer um palavrão. É de chorar a rir. Agora, tudo é caca, basta não saber o nome. Bem que se diz que o mau aprendem eles logo, sem sequer serem ensinados!...

Abana a cabeça

Já diz que não com a cabeça quando não quer comer mais. Temos sempre de confirmar, perguntando-lhe umas quantas vezes. Está quase sempre a falar a sério, mas ainda tem umas quantas vezes que são só a fingir e, por isso, lá abre a boca para mais uma colher. Com o tempo, deixa de se confundir e torna-se mais fácil.

Perfume

Parece que nisso vai sair ao pai... A ama todos os dias de manhã, depois de a vestir e arranjar levanta-a e exclama "está linda!" umas quantas vezes, ao que ela reage com um sorriso de satisfação. Agora, quando lhe pomos o perfume que nos saiu como presente da Imaginarium, põe-se a postos: estica a cabeça para a frente, inclina-a e fica à espera da borrifadela. Não é que liga mais a isso do que eu?!

Evolução

Todos os dias vemos coisas novas, novidades nas gracinhas e a compreensão a evoluir a olhos vistos. Está mesmo a ficar crescida a nossa pipoca! Alguns dos pontos altos da sua evolução diária: - já reconhece algumas partes do corpo. De cima para baixo, já sabe o que é o cabelo, as orelhas, os olhos, o nariz, a mão e os pés, - já reconhece as formas do seu tambor e encaixa-as no sítio certo, assim como as rodelas do pino colorido, - sabe o que é pôr o chapéu, mesmo que seja um dos copos da sua pirâmide preferida, - percebe o que é sentar, deitar e levantar (melhor compreendido com uma solicitação de upa!), - se lhe peço para trazer algo, ela sorri e com ar maroto vem até mim com o objecto na mão para mo entregar.

Paladares

Já come da nossa comida. Aliás, fez greve à carne cozida e sem sal, e fecha a boca com determinação à comida saudável que fazemos para bebés. Até hoje, ainda não houve nada de que ela não gostasse. Adora qualquer fruta, até o ananás, prefere o peixe à carne e polvo põe-na a salivar. Até a uma tangerina com casca já deu uma dentada, o que provocou uma careta, para voltar à carga imediatamente a seguir. Só a sopa é que tem de ser sempre primeiro e sem mais nada à vista, senão tenta fazer gazeta ao prato que os miúdos por excelência se baldam.

Pai fora

Com algum alívio e muita pena nossa, o patriarca da família, o tio J., morreu, depois de algumas semanas de sofrimento. À tarde, o B. pôs-se a caminho de Coimbra para o velório e para o funeral no dia seguinte e ficámos as duas em casa sozinhas. Foi a primeira vez que a M. não viu o pai chegar a casa antes de jantar e passou uma noite sem ele. A meio da noite, ia para a porta da rua, levantava-se e apoiada nela, olhava para mim e interrogava-me "papá?", de palma da mão virada para cima. Tive de lhe explicar umas quantas vezes que o pai não estava e só no dia seguinte o ia ver. Na hora de ir para a cama, o biberão não foi suficiente e tive de me sentar no chão ao lado da cama dela para a convencer de que estava tudo bem. À meia-noite, ao fim de uma hora, lá adormeceu, depois de muitas certificações em como eu continuava de plantão. Deitei-me cansada e triste. Duas horas depois, às duas da manhã, acordei com o choro, para mim já normal do ritual da noite. Tirei-a da cama, acalmei-a e voltei a deitá-la. Ficou-se, mas com um sono muito agitado. Estive ainda um bom bocado com a minha mão em cima da sua cabeça para ela dormir mais em paz. Tornei-me a deitar, mas algo me fez ligar a televisão do quarto e deixá-la ligada. A partir daí, vi todos os números no despertador - a M. acordou de hora a hora a chorar até às 7h00... Ela chorou, às 3h, às 4h, às 5h, às 6h e finalmente às 7h, hora a que lhe dei o biberão de leite. Ou foi a falta do pai, ou fui eu que lhe passei a tristeza, ou algo mais. Não sei... Só sei que foi uma noite para esquecer!!!

Noite adentro

Tivemos uma fase looonga de más noites. Depois de adormecer com o biberão, acorda cerca de duas horas depois a chorar. Depois, é a luta para não adormecer outra vez. Acendemos a luz da casa-de-banho e entramos no quarto dela. Ela aponta imediatamente para a porta, na direcção da luz e temos porque temos de levá-la para fora do quarto. O truque é levá-la para a sala, para ir na direcção da luz, sentarmos-nos no sofá e encostá-la ao nosso ombro. Nós recostamos para trás e ela aninha-se em cima de nosso corpo e acaba por acalmar com a batida do nosso coração e o calor do nosso corpo. O chá às vezes resulta e depois de beber a litrada adormece confortada. Por vezes, acorda mais uma vez e temos de voltar ao mesmo. São noites aos soluços, com muito sono e choro à mistura. Hoje em dia, o ritual antes de ir para a cama é sempre o mesmo: deixar o biberão da manhã meio pronto para só ser necessário aquecer a água, caso acorde de madrugada, deixar um biberão de chá na sala para o que der e vier, assim como a manta a postos para a enrolar e um sono mais alerta para um choro assustado.