Como quem vai à ginástica sou eu, a natação compete ao pai. Só nos dias em que ele não pode serei eu a fazer a vez. Assim, o normal é eu ficar a ver de plateia para depois a vestir enquanto o B. toma banho e se arranja. Por vezes parece-nos que a professora não liga grande coisa à M., muito porque ela é a mais nova, no meio de muitos, e ainda não sabe fazer o que os outros fazem e também porque ela não é grande adepta de exercício físico e por isso a maior parte dos exercícios são para ser aldrabados ou nem sequer tentados. A sua predilecção é entrar para dentro de água (prioridade máxima) e ficar ali a demolhar, lambendo avidamente as mãos por estarem molhadas, o que se torna um ciclo vicioso. Ainda não fez o clic do nadar e parece que a professora está mais ou menos à espera dele pacientemente. Por vezes, é um pouco frustrante para nós ver os outros mais evoluídos, a fazer chap chap ou a mergulhar (entenda-se saltar para dentro de água para os braços do pai) com vontade e a nossa M. também não. Para além disso, o horário não facilita nada - 18h15 implicam o B. sair muito cedo do trabalho e eu vir a correr de Sintra para chegar a horas de ajudar à saída da aula. Ao fazermos a inscrição, ficámos em lista de espera para a aula seguinte - 19h00. Mas como as turmas estão cheias, esperámos. Até que um dia... Na aula dela estavam também dois gémeos, que chegavam sempre atrasadíssimos. Uma certa vez, ouvi os pais a combinarem com a professora a passagem para a aula seguinte. Achei que devia tentar a sorte também. Falei e ela confirmou que havia uma vaga e deixou. Ficámos de confirmar até ao dia seguinte e quando ligámos para o ginásio, estes disseram que isso não era assim. Resumindo: a professora não pode fazer as coisas à revelia da secretaria e estes quando se aperceberam da vaga ligaram a única pessoa que estava à nossa frente, que aceitou. Ficámos nós em espera na mesma... Fomos falar com o responsável que, depois de perceber a história toda, abriu a excepção de aumentar a turma de 8 para 9 crianças. Não gostámos da ideia. Se com 8 já é o que é, com 9 seria pior... Mas parece que a política do Megacraque é mesmo assim: se as crianças não comparecem todas frequentemente, então, para maximizar os lucros abrem vagas. Demonstrámos bastante o nosso descontentamento e ficámos à experiência para duas aulas em Janeiro às 19h00, para depois dizermos de nossa justiça. A ver vamos...
sábado, 17 de janeiro de 2009
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Tété!
Água do banho
Na banheira, agora, adora abrir a boca, levá-la escancarada à água e beber. Podia-lhe dar para pior...
Gatinhar de sereia
Nunca aqui o referi, mas merece menção. Quando a M. gatinha, as pernas andam aos Ss como se fosse um peixe. Em vez de impulsionar o movimento com os pés, usa mais a força nos joelhos, deixando os pés meios no ar. Assim, estes vão andando ao sabor do gatinhar, de um lado para o outro, tal e qual como um rabo de peixe. É a nossa pequenina sereia...
Subterfúgios
Como não quer andar, tem de arranjar estratagemas para deslocar coisas. Assim, ou as põe à sua frente no chão e vai gatinhando enquanto dá sapatadas com as mãos, atirando-as para a frente, ou usa uma posição estranhíssima que não é nem gatinhar, nem andar. Põe uma perna dobrada como se estivesse de cócoras e a outra estica para o lado. Depois, com uma mão a segurar no objecto, vai andando com a ajuda dos empurrões da outra mão no chão. Ou melhor, vai saltitando desajeitadamente...
Preguiçosa ou medrosa?
Apesar de já ter andado, a M. só dá passos sozinha quando está distraída. Já se põe em pé e até bate palmas e tenta abanar-se para dançar sem apoio, mas andar, que é bom, está escasso. Ainda precisa do nosso dedo indicador para sentir segurança. Já se chegou a agarrar à minha manga, que não lhe dava estabilidade nenhuma, pelo contrário, até a desiquilibrava. Dá pequenos passos entre dois móveis ou do B. para mim e vice-versa, mas de resto, apesar de o saber, ainda não se astreve, como se diz lá para cima... Enfim, é dar tempo ao tempo, até porque eu, como mãe egoísta, nem tenho muita pressa que ela o faça perfeitamente - é mais um passo para fora da minha saia... ;)
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
A meio da noite
Quando a M. acorda a meio da noite, porque aponta para fora do quarto e não descansa enquanto não o consegue, costumamos levá-la para o sofá. Aí, depois do biberão do chá, acaba por se encostar ao nosso peito e relaxar até adormecer. A semana passada, trocou-nos as voltas. Acordou e eu fui lá. Como de costume, apontou para a porta. Levei-a para a sala e tentei sentar-me no sofá. Mas, desta vez, não me deixou. Chorava e resistia, contorcendo-se ao meu colo. Chá, nem vê-lo, até chapadas dava no biberão... Levei-a para a janela da cozinha para ver se os carros de antigamente a acalmavam. Resultou. Ali ficou, ao meu colo, a ver os poucos carros a passarem no Eixo N/S. De cada vez que passava um, eu sussurrava-lhe quase ao ouvido "olha mais um! Este vai para o trabalho" ou "uma mota que vem da festa". Eu sei lá. Sempre que não passava nenhum, primeiro fazia o gesto do "não há" e depois franzia a testa e começava a querer zangar-se, mas felizmente aparecia outro e mais outro. Como 11 kg já pesam e a minha coluna já não é grande amiga de brincadeiras, acabei por ter de me sentar. Voltei para o sofá. Foi um berreiro tal que acordou o B. Este levantou-se e revezou-me. Ao fim de uma hora e tal, conseguiu a proeza de a adormecer e tentou aproveitar a hora que faltava até acordar. Foi uma verdadeira luta para não adormecer... Porque será?
Mais técnicas
Tem mais duas formas de me desmanchar, para além de desviar o assunto para alguma gracinha. Uma é apontar para alguma coisa com muito interesse. Por exemplo, faz isso desde que descobriu a torneira do bidé. Abre-a e enfia a mão até ao cotovelo, ficando encharcada. Como já sei o que pretende, quando a vejo entrar na casa-de-banho, vou atrás e espero. Quando já está em pé, em frente ao bidé, a olhar para a torneira com cara de quem viu o Pai Natal, digo-lhe que não. Ela vai tentando uma e outra vez, primeiro pedindo-me autorização apontando, depois levando lá a mão ou aproximando-se sorrateiramente de lado, e eu sempre firme, vou-lhe recusando a vontade. Até que fico zangada e ponho uma voz mais ríspida. Ela vai e aponta para a banheira com um "ãh!" de interessada impressionante, com um ar muito entusiasmado, como que a dizer que aquele disparate todo não é nada, o que importa é que quer tomar banho! A outra forma de me dar a volta resulta com muito mais eficácia... Quando a coisa já está preta, olha para mim, arreganha a boca, ficando os dentes de baixo à mostra e dá uma gargalhada com a cara toda franzida. Quando me faz isto, não consigo. Regra geral, tenho de esconder a cara para não estragar, mas a espertalhona já me apanha fácil, fácil. Como diz a tia S., sabe-a toda e eu estou tramada...
Pé!
A M. é expert em dar a volta ao contexto quando lhe interessa. Quando lhe estou a mudar a fralda, tem momentos de verdadeira violência. Dá aos pés e quando acerta magoa. Normalmente, faz isso quando já tem a fralda suja aberta. Se calhar, é por sentir a liberdade... Ela vai testando várias vezes a nossa paciência e os seus limites, o que é de louvar, pois só prova que está a evoluir no bom sentido, mas conseguindo que eu fique por vezes efectivamente chateada. Agora, sou eu que imponho mais respeito, tendo o B. mais dificuldade. Ponho uma cara séria, digo o nome dela, seguido de umas quantas negas, num tom de repreensão e espeto o dedo. A parte do dedo parece ajudar a manter o respeito. Quando ela vê que a coisa já não está mesmo nada de feição para ela, olha para mim com ar de sacana, levanta a perna e sai um triunfante "pé!". Como quem "olha a gracinha que eu sei fazer!". Tenho de me segurar e respirar fundo para não me desmanchar...
Ginetes
Está a ficar com um feitio!... Quando quer alguma coisa e não tem, seja porque ela própria não consegue ou porque não deixamos, cerra os poucos dentes que tem, encosta o queixo ao peito, abana a cabeça e dá aos braços enquanto parece que rosna. É de uma impaciência a toda a prova, não querendo esperar por nada quando está determinada a obter algo. Tenho de me impor com firmeza, senão temos o caldo entornado. Costumo perguntar-lhe com ar sério "o que é isso?", friso uns quantos nãos se necessário e ela lá percebe. Se começa a chorar porque não lhe dou logo o que ela quer, digo-lhe para se acalmar e dizer-me com calma o que quer. Costuma resultar. Lá pára de chorar e aponta com um sorriso malandro para o objecto do seu desejo. Mas nem sempre. Já tive de a deixar a chorar no meio do chão, porque atirou a cabeça para trás numa birra a querer ficar má. Como não lhe ligo, acaba por perceber a mensagem. Já o B... a coragem para se impor é diferente e tanto lhe dá para tentar o mesmo que eu, como para ceder quase à primeira. A sua princesa já sabe e por isso agora vai tentando primeiro a sorte com ele, a ver se pega. E às vezes sai-lhe a lotaria. Depois tenho de lhe recordar a ele o que devia ter feito e ele lá tenta a custo contrariar aqueles olhos pestanudos e expressivos que o derretem tanto. A ver vamos se não vou ser a má da fita...
Pescoço
Tal e qual como eu: é o seu ponto fraco. Derrete-se toda e desmancha-se às gargalhadas quando o pai lhe dá beijocas gordas ou faz-lhe cócegas no pescoço. É o nosso calcanhar de Aquiles. Mas o pai tem um condão maior do que o meu. Comigo, ri-se e torce-se toda, mas com o pai dá gargalhadas contínuas de a levarem ao cansaço. E quando o pai pára, estica o pescoço e põe-se a jeito, a pedir mais, oferecendo-lhe a dádiva de a ver rir outra vez. Rimos-nos todos sempre muito com aquelas gargalhadas contagiantes e cristalinas.
Andou!!!
De domingo para segunda-feira, dia 8 de Dezembro, ainda com 12 meses, a M. andou. Estávamos a conversar na sala da tia J. com o B. a tentar gerir as cambalhotas da M. e do F. ao mesmo tempo. A nossa pipoca estava excitadíssima e lá por já ser uma da manhã não a impedia, nem ao seu amigo de ter a energia para algo mais. Às tantas, viu uma fotografia do F. com meses em cima de uma mesa de apoio. Começou a querer chegar ao "bebé!". O B. começou a distanciá-la da moldura e largava-a para ela chegar lá. Não é que andou?! Depois de muitos pininhos, como diz o tio F., ao longo das semanas anteriores, e algumas mostras de que estava quase, quase, naquele fim-de-semana, lá se dignou andar. Estávamos todos tão entusiasmados que só visto. A tia J. fez um ar de vitória por ter andado na casa dela e o tio J. estava morto de sono, mas feliz. Eu e o pai estávamos nas nuvens. É impressionante como algo tão básico e elementar para o ser humano pode ser uma vitória e uma conquista tão grande. Se foi assim com o andar, nem imagino quando for com o ler, o entrar para a faculdade, o casar, o ser mãe... Acho que vamos ficar cheios com tanta emoção. E ainda bem!...
Mana mais velha
Caiu do sofá
Apanhei o maior susto até hoje com ela. Estava a brincar no sofá comigo. Pôs-se em pé, encostada às costas do sofá no mesmo instante em que o B. me fez uma pergunta. Na fracção de segundos em que olhei para o lado, a M. literalmente mer-gu-lhou... Quando olhei, estava ela em pleno voo, a ir direitinha ao chão de cabeça. A cena foi vista em câmara lenta tal foi o susto. Eu que não tenho memória visual quase nenhuma, tenho presente a imagem em slow motion a reproduzir-se na minha cabeça, sempre que me lembro de tão ínfame episódio... Já não fui a tempo de nada e ela caiu. Ouviu-se o bonc da cabeça a bater no chão e um choro imediatamente a seguir. Um choro intenso de dor. Agarrei nela ao colo e tentei acalmá-la, enquanto o B. tentava pôr as mãos na sua cintura para pegar ele nela ao colo. Mas o meu abraço e olhar determinado fizeram-no entender que nem valia a pena. Estava tipo leoa a lamber a ferida da cria e ai de quem lhe tocasse... Assim, enquanto a M. chorava no meu regaço, o B. com uma presença de espírito impressionante, foi buscar gelo dentro de um pano da loiça (quase que partia a gaveta do congelador...). Quando voltou, lá ma conseguiu tirar, sentou-a no seu colo e pôs-lhe o gelo na testa, enquanto eu ia vendo livros com ela para a distrair. Ela deixou e parou de chorar. Quando tudo tinha passado, já com a mossa vermelha a desaparecer da testa graças ao gelo, foi ao colo do pai para a cozinha, enquanto eu chorei feita Maria Madalena... É que para além do susto, o sentimento de culpa invadiu-me de uma forma parva. Bem sei que é o primeiro de muitos, haverão outros se calhar bem piores, mas este eu vi, este foi comigo. Ainda por cima careca de saber como os sofás são perigosos e como a pequenada não deve andar lá em cima. Enfim, passou... Aprendi a lição e o B. disse uma grande verdade: ainda bem que foi comigo, porque se tivesse sido com ele, acho que o tinha comido vivo...
Trouxe a meia
Foi no outro dia. Estava eu no sofá distraída, eis senão quando chega-me a piolha à minha beira de meia na mão. Estende-me a mão e diz-me "mêa!". Pois é. Já tem ideias a cachopa. Tive de lhe calçar a dita, senão não me largava o resto da noite...
domingo, 14 de dezembro de 2008
Quase, quase...
Bailarina
Até a ama já previu o seu futuro. Não pode ouvir uma música que começa logo, logo a dançar. Não importa o género, nem quem canta. E o engraçado é que tem ritmos diferentes, tendo várias formas de expressão a sua dança. Se for uma melodia suave, roda o tronco de um lado para o outro. Se for uma rockalhada, dobra as pernas e levanta um braço. Se for uma pimbalhada, levanta os dois braços e abana-se. Diz quem já viu que até dá ao rabiosque quando toca o telemóvel da ama com o seu kuduro... Há uns dias, experimentei pôr no VH1. Nem de propósito! Estava a dar o Top dos anos 80 e os Dire Straits estavam a tocar "Money for nothing". A miúda adorou! Encostou-se à mesinha da sala, levantou um braço e abanou-se toda, cabeça inclusive! Continuou com os Duran Duran e só acalmou com a Whitney Houston. Parece que tem bom gosto!...
Mamã e caca: palavras universais
Qualquer pessoa, desde que não seja um bebé, é "mamã". Quando não sabe o nome, é isso que chama. Até o pai, que vive frustrado por ela não dizer papá, apesar de o saber. Já para todas as coisas que ela não sabe ou não consegue dizer o palavra usada é "caca"... Esta linda palavra aprendeu-a num instante com o pai. Estava a meter uma porcaria qualquer do chão na boca e o B. rapidamente lha tirou e disse "não comas isso que é caca". Logo de seguida, saiu da boca dela, um perfeito e sonoro "caca!". E parece que sabe que é asneira, pois a entoação é sempre essa. Diz sempre a segunda sílaba com mais ênfase, como se estivesse a dizer um palavrão. É de chorar a rir. Agora, tudo é caca, basta não saber o nome. Bem que se diz que o mau aprendem eles logo, sem sequer serem ensinados!...
Abana a cabeça
Já diz que não com a cabeça quando não quer comer mais. Temos sempre de confirmar, perguntando-lhe umas quantas vezes. Está quase sempre a falar a sério, mas ainda tem umas quantas vezes que são só a fingir e, por isso, lá abre a boca para mais uma colher. Com o tempo, deixa de se confundir e torna-se mais fácil.