Mudou-se para Lisboa e está temporariamente lá em casa, partilhando o quarto com a M. Não podiam ter dado melhor presente à criança. É uma loucura com ele e a tia S. e a excitação é tal que por vezes a hora de dormir não é evidente. Era "Ti", passou a "Tio", com uma especial entoação no "o" da palavra, quase parecendo um "Tiu". Brincam todos os dias e tem direito a miminhos extra. É de tal maneira, que o pai já passou para terceiro plano... Quando sente a chave na porta, exclama "Tio!", ao que eu explico que não e questiono quem será então. Resposta: "Pi!", referindo-se à namorada dele, a tia Sofia. Só quando lhe dou outra nega e volto a perguntar quem será, é que ela acerta na mouche e lá diz "Pai!"... As primeiras noites foram pacíficas, sem a M. se aperceber que o tio partilhava o quarto com ela - ela deita-se depois e acordava primeiro. Ao fim de uns dias, ela começou a acordar antes dele sair, apercebendo-se de que ele estava ali. Resultado: a meio da noite, estando as camas perpendiculares entre si, a M. levanta-se, agarra-se à barra lateral e olhando para a cama dele, chama "Tio?". Ele, acorda estremunhado, mexe-se sem falar (senão "tinhamos conversa para a noite toda!!!") e ela literalmente volta a aterrar. Diz o tio que a ouve a cair na cama como um peso morto, para logo depois ouvir a respiração de quem dorme. A consequência disto, é termos um tio cansado de manhã, que não ouve o despertador, porque ainda não está habituado a estas andanças nocturnas de um bebé pequeno. Isso e um inchaço enorme por ter um papel tão importante na vida da sobrinha, para além de provocar o riso e o gozo de todos nós...
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Em cima de nós
A M. não pára quieta - já ficou aqui bem registado. Mas o não estar quieta quando ouve uma história ou quando tem de estar em pé, perto de nós, ou seja, situações em que, supostamente, deve estar sossegada (conceito que desconhece por completo), significa normalmente uma coisa: pisar os nossos pés. Tem uma necessidade parva de subir para cima de nós, indo pisando as uvas, como quem está a fazer vinho, macerando simpaticamente com os seus 12 kg e meio as bases do nosso corpo. Se estivermos meios estendidos com as pernas esticadas, vai pernas e tudo! Oh M., tu tem dó!!!
Desenhos
Gosta mesmo de comer! Até nos desenhos isso ficou provado. Quando me pede para fazer riscos (sim porque é o mais que consigo fazer...), há sempre duas coisas que têm de estar presentes na folha de rascunho: a colher e a tigela... E não satisfeita, têm de ser desenhadas uma e outra vez, sempre com um "Mai!" iminente, ainda eu não acabei os anteriores.
Imita o cavalo
E muito bem! Começa por fazer o barulho dos cascos a trote e termina com um "Ihhhh!" fininho. Depois, informa: "Cau", palavra para cavalo. Se estiver ao nosso colo, então, abana o corpo para imitarmos o trote enquanto ela reproduz o som de fundo. No que uma mãe se torna! Até já sirvo para montar! Salvo seja... :)
Ti
Descobriu o umbigo. Ou melhor, eu fi-la descobrir, pois tendo em conta a barriga, só puxando é que consegue vê-lo... Mostrei-lhe o meu para ela perceber que todos temos um. A M. foi mais minuciosa: reparou que, ao lado do umbigo, tenho um sinal e que ela também tem um, mínimo, que eu própria não tinha reparado. Assim, agora quando tem a barriga à mostra, obriga-me a mostrar o meu umbigo para depois ir apontando alternadamente para o "ti!" e o "nau!" - os meus e os dela. O B. também já entrou na dança se estiver por perto.
Pau!
Esta parece mal, mas tenho de contar... A M. apanhou o pai a sair da banheira e estranhando a coisa, apontou com um ar interrogativo. Quem me conhece, sabe que sou meia disléxica e por vezes saiem-me palavras da boca que eu própria nem sei explicar (tipo espetafacular ou caixão do lixo, quando o objectivo era camião do lixo). À conta disso, por vezes, senão muitas, saiem disparates. Desta vez, saiu. Com um ar natural, expliquei-lhe que era o pirilau do pai... Em segundos, saiu do lado do receptor: "pau!". Ah, pois é... Agora, na natação, como ainda toma banho no balneário dos homens com o pai e só depois eu visto-a no nosso, é vê-la a apontar e a dizer em alto e bom som: "pau!". O B. passou a sua primeira vergonha com a filha... Ups!... Mea culpa, mea mui grande culpa!!! :)
Lavar a cabeça
Já não lhe faz confusão molhar a cabeça. Adora que eu ligue o chuveiro, para ela escancarar a boca e sentir a água a bater na língua, engolindo grandes golfadas de água atabalhoadamente. Depois, aviso que vou molhar a cabeça, conto até 3 e ela põe-se a postos, em pé , tapando os olhos, enquanto dá gritinhos. Fase seguinte!...
domingo, 29 de março de 2009
É boa!
Aprendeu graças às minhas perguntas. Quando dou de comer à M., pergunto-lhe várias vezes se "é boa, a papa". Ela sorri, aquiescendo. Já é uma pergunta impensada, nem dando por ela, sendo mais conversa para a entreter do que outra coisa. Não é que no outro dia, a comer o jantar, a certa altura diz com um ar convicto "É boa!", olhando para o pai, como que aprovando o pitéu por ele preparado. Ficámos parvos e demos uma gargalhada conjunta, conseguindo com isso que ela repetisse a façanha. Agora, tudo "é boa!" - a papa verdadeira e a papa de brincar com os tachinhos, assim como tudo aquilo que lhe agrada. Vou-lhe tentando ensinar a diferença entre boa e bom, conseguindo, por exemplo, que ela já saiba que o pai é bom e não boa. Mais uma gracinha para todos se divertirem quando ela come - já não bastava a felicidade ao ver a comida a chegar, a satisfação com que come, os suspiros e os apontares felizes para a comida, agora também aprova, dando-lhe sempre uma classificação de "é boa", juntando-lhe uma imitação de mastigar barulhento de pontuação máxima (tipo um miam! miam! de BD). Saca sempre risos e gargalhadas a quem vê pela primeira vez. É mesmo comilona!
Morangos
Depois de tentarmos a carne de porco sem qualquer problema de alergias, passei aos morangos, ficando a faltar o marisco (só aos 18 meses) e os frutos secos (aos 2 anos). Foi a avó que os levou para Quiaios para a neta provar e digamos que ainda bem que esta não desenvolveu nenhuma alergia. Adorou. Comeu tudo e quis mais, não nos largando enquanto não o conseguiu. Come-os sozinha, com as mãos, ficando com as bochechas todas lambuzadas de vermelho e as unhas parecem saídas de uma tentativa frustrada de tirar verniz vermelho. Naquela noite, fez umas borbulhas em volta da boca, ficando eu sem saber se deveria atribuir aos morangos ou à VASP. Acabei por chegar à conclusão de que foi da segunda, pois os morangos foram comidos ao almoço e seria estranho que a reacção fosse tão demorada, e porque depois comeu mais e não houve mais nenhum sintoma. Hoje em dia, quando vê os "mu" delira e até dá saltinhos de satisfação tal é a alegria de os ir degustar.
VASP
A vacina dos 15 meses... A primeira dada no braço, com a seguinte introdução da tia XXL: "esta dói muito! Parecem vidrinhos a entrar!...". Nem comento o que me custou, especialmente tendo em conta a minha fobia. O B. segurou na M., como em todas as outras picadelas, enquanto eu tentava não ver. Desta vez, tive de me armar em forte e distraí-la com um brinquedo enquanto a querida tia amiga lhe espetava o braço por detrás, para ela não dar conta. Chorou, mas já no fim da dose, muito graças à distracção e à rapidez e eficiência da tia piquita. Depois, foram o colinho, os miminhos e as bolinhas homeopáticas para os dentes, doces e inofensivas, que a calaram. Vá lá, não ficou ofendida com a enfermeira, não lhe guardando rancor, e o choro foi de pouca dura. É uma valentona - mais do que a mãe, no que toca a picas! Avisados de uma possível reacção ao fim de 5-6 dias, ficámos de sobreaviso para febre e eventuais borbulhas pelo corpo que desapareceriam da mesma forma como apareceriam. De facto, no final da semana, à noite, senti-a mais quente, fui medir a temperatura e estava com 38º, apesar de não demonstrar nenhum outro sintoma e sem quebra na sua energia. Pusemos-lhe um Ben-U-Ron e passou. No dia seguinte, à noite, apareceram umas borbulhas pequenas e vermelhas em torno da boca, que no dia seguinte já não existiam, pelo que a vacina passou por nós quase sem mazelas. Ufa!
sábado, 28 de março de 2009
Vacinas
Ainda não referi aqui nenhuma vacina da M. Talvez por ter fobia, na verdadeira acepção da palavra a agulhas, mas penso que merece o comentário. Foi sempre o B. que a segurou em tudo o que implicou picas. Não é que eu não seja capaz, mas a minha aflição seria no mínimo contraproducente para a criança. Assim, o ritual é ir ter com a tia Piquita, como ela própria se intitula nestas situações, e enquanto eu passarinho algures pela sala sem ver ou ser vista pela filha, o B. despe as calças, segura na perna dobrada e a XXL faz o que tem a fazer. A M. regra geral, não é de grandes choros. Se chora, não é por muito tempo, e perdoa sempre à sua amiga sem a bata branca vestida, não lhe guardando qualquer rancor, até hoje - e as vacinas são quase todos os meses! Depois de levar a pica, dirijo-me a ela e tento dar-lhe colinho para a acalmar, mas o B. nem sempre me dá esse direito, até porque se não seguro para o mau, também não tenho legitimidade de segurar para o bom. Está bem, não faz mal. O que interessa é que a nossa pipoca é uma valentona e faz ver à mãe nesta área... Quanto a reacções, foram poucas as vezes que fez, se bem me recordo, só na dos 2 meses é que a febre atacou.
Não há 2 sem 3
Fomos passear com a M. para o jardim, levando a bola, objecto indispensável em qualquer passeio em locais com outras bolas - é a única forma de evitar que ela fique pasmada a olhar ou mesmo chorar por as querer. A certa altura, baixou-se para a apanhar e com as pressas e a trapalhice já de carácter, fê-lo com demasiada força, levando a cabeça ao chão. Ficou com a testa vermelha, mas nada de extraordinário. Mais tarde, já em casa, estava com a M. às cavalitas, e porque já pesa, tirei-a levantando-a, o que fez com que desse com a cabeça dela precisamente na saliência da janela da cozinha, pondo-a a chorar. A testa, já vermelha da tarde, ficou mais um pouco, estando a zona mais sensível das duas pantufadas sofridas. À noite, em cima do sofá com o B. ao lado, na fracção de segundos em que ele se distraiu, tropeçou nos pés e foi direitinha com a cabeça à parede, que é de tinta de areia, provocando raspões desagradáveis. Resultado: muito choro e lágrimas depois, com o saco do gelo na testa, ficou com um galo a cantar meio arranhado, pois testa nenhuma resiste a tanta pancada no mesmo sítio no mesmo dia. Foi obra, especialmente nossa!...
Ati!
É o correspondente a "coisa", palavra que nós adultos tanto gostamos de usar quando não sabemos o nome de algo. Quando a M. não sabe o nome ou não consegue dizer, aponta e diz "ati!". Costuma ser uma boa solução. Se não resulta, pego nela e levo-a até ao sítio que ela está a apontar e peço-lhe que me mostre o que quer dizer com aquilo. Pacientemente, lá me leva até ao objecto da sua atenção e eu com um "ah!", lá lhe digo o nome, para ela a seguir, sorrir e fazer um "ãhhh" de satisfação. Diálogos simples, mas eficazes, apenas compreendidos pela mãe e a sua bebé, que precisam de dicionário para o restante mundo, inclusive o pai.
quarta-feira, 18 de março de 2009
Se fosse uma música dos U2, qual seria?
É só uma das minhas bandas favoritas, apesar de a ter descoberto já tarde na vida (apesar de pertencer à geração que viveu os anos 80 em plena adolescência, só lhes reconheci o mêrito e talento aos 23...). A música em questão é fantástica e de facto diz muito de mim, mas... já foi mais verdade. Hoje em dia, por vezes traio a minha própria natureza e contrario esse optimismo de uma forma mesmo inconsciente. Coisas dos 30 e tal...
Você é… ‘Beautiful Day’: Carpe Diem é o seu lema. Ou, como cantam as grandes filósofas Azucar Moreno, “solo se vive una vez”. Não perde uma oportunidade para se rir, mesmo que seja à sua própria conta, quando revê os vídeos daquela noite de karaoke num bar da Moita. Em dia de temporal, você é pessoa para cantarolar pela rua fora esta canção: “It's a beautiful day Sky falls, you feel like It's a beautiful dayDon't let it get away”
segunda-feira, 9 de março de 2009
Conversa
Esta semana, o avô veio cá a casa à tarde e levou-a à rua. Depois de se ir embora, tentei cortar as unhas À M., com ela sentada ao meu colo, tentando distraí-la com conversa para que a guerra não fosse muita. Fui-lhe dizendo que tinha tido imensa sorte por ter tido a companhia do avô naquele dia, narrando as aventuras do dia, que já me tinham sido relatadas. A certa altura, perguntei-lhe quem tinha ido à rua com o avô e para meu espanto, respondeu-me "bebé". Contente com a resposta e testando a sua capacidade para conversar, perguntei-lhe o que tinha visto com o avô na rua, convicta de que já lhe estava a pedir muito. Obtive mais uma vez resposta, desta feita "Cão! Pomba!". Acho que eu é que não quero ver que ela está a crescer...
E esta, hein?!
De manhã, enquanto lhe mudava a fralda, como ela refilava por não querer estar ali, fui-lhe dizendo que o pai estava a fazer o leite e que mais valia ela sossegar para o conseguir beber mais depressa - sempre foi um bom estratagema para a acalmar. Desta vez, disse um não peremptório. Espantada, perguntei-lhe se não queria o leite. Respondeu-me prontamente com um não cristalino. Não queria acreditar - ela adora o biberão da manhã, ficando tão impaciente que chora enquanto este não chega às suas mãos. Perguntei-lhe então se preferia a papa como pequeno-almoço. O não retumbante repetiu-se. Passei então ao ataque e questionei: "Então e pão? Queres pão?". A cara iluminou-se e no meio de um sorriso de orelha a orelha, saiu um "tsiiii!". Lamento, filha, mas foi ao leite que tiveste direito e não foi por isso que refilaste!...
Espelho
Já aqui contei que a M. é vaidosa, mostrando apreço sempre que lhe dizemos que está linda. Pois... Na semana passada, pus-lhe uma fita no cabelo e depois de a convencer a ficar com ela na cabeça, exclamei que estava linda. Ela fez a cara do costume e foi para o chão. Foi então que começou a apontar para a porta e a dizer "bebé!". Como o normal é perceber que vai ver a sua amiguinha quando vamos à rua, e era o caso, lá lhe expliquei, que não, que iamos à rua, mas que daquela vez não ia ver a Gui. Mas ela continuava com aquilo e eu sempre a explicar o mesmo. A certa altura, a M. foi para a porta da casa-de-banho enquanto repetia a sua ladainha. Percebi. Queria ver-se ao espelho, sendo que desta vez, a bebé era ela. Lá a levantei ao nível do espelho e ela pôde apreciar o quão bonita estava de fita na cabeça, algo que ainda levou uns tempos. Fartei-me de rir sozinha! No dia a seguir, pediu-me para lhe pôr a mochila dela às costas, uma coisa em pano com uma boneca de totós bem engraçada. Acedi ao pedido e lá lha pus. Voltou ao mesmo, desta feita, indo direitinha à casa-de-banho, a apontar para o espelho. Ali ficou um bom bocado, a apreciar o perfil para melhor ver a sua mochila, com um ar de vaidoseira só visto. Eu, está claro, fomentei a coisa, repetindo com ênfase que estava linda. Acho que o pai vai ter sorte e ter a menina mariquinhas que sempre quis. :)