quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Cores

Já conhece uma catrefada delas. Graças ao lápis de cera de abelha que lhe comprei - são uns blocos rectangulares, não nocivos e que não se partem, com 8 cores - a M. aprendeu num instante. Comecei na ginástica a bater nos colchões coloridos, enquanto dizia as cores respectivas. Ela achava graça à brincadeira e ia batendo atrás de mim, à espera que eu gritasse "azul!". Depois, começámos a dizer as cores de tudo o que nos rodeava, primeiro as primárias, depois outras mais difíceis. Com os lápis, arrematámos. O pai arranjou um jogo engraçado que refinou a capacidade: como ela adora bolas, mesmo desenhadas, ele fazia uma bola de cada cor e depois pedia-lhe para pôr o respectivo lápis em cima da cor correspondente (esperto, não?). Conhece o preto, o branco, o azul, o roxo, o amarelo, o verde, o vermelho, o castanho, o laranja, o rosa e o cinzento. Aprendeu por esta ordem, o que fez com que na consulta dos 18 meses, quando a pediatra perguntou se ela já sabia alguma cor, a M. identificou um brinquedo roxo. O espanto da médica foi o de ela não conhecer, na altura, a cor das meninas - o rosa... Tive de explicar que os lápis dela não tinham essa cor, mas sim o roxo, daí conhecer uma cor tão pouco evidente para um bebé e não reconhecer uma bem mais evidente para a maioria da população...

Adormecer

A M. ainda adormece acompanhada. Primeiro, já no quarto, às escuras, tenho de lhe dar "miminhos", afagando-a ao colo, enquanto canto algumas canções infantis reduzidas quase aos refrões. Ela enfia a cara no meu pescoço, esconde o dô-dô entre o meu peito e ela e ali fica a respirar profundamente. Depois, digo-lhe que está na hora de ir para a cama e, após uma pequena negociação, lá vai resignada, com a certeza que eu fico ali. Tenho de ficar no puf até ela adormecer, e por vezes, até tenho de lhe dar a mão ou segurar-lhe nos pés. Isto, após uma ordem concisa que apenas diz no escuro: "mão!". Nunca consigo sair à socapa, até porque ela vai-me dirigindo a palavra e só depois de um bom bocado, quando eu me zango e quando ela já está mesmo quase, quase a adormecer, é que ela se cala de vez. Saio do quarto sem leh mexer pois pode acordar por dá cá aquela palha e depois é um inferno. Quando me vou deitar, entre 1 e 2 horas depois, vou sempre espreitar a filha. Só temos esta janela temporal para lhe mexer e mesmo assim sem grandes sacudidelas. Mudar-lhe a fralda a meio da noite implica acordar, por isso, evitamos. Ponho-a com a cabeça na cabeceira da cama - costuma adormecer ao contrário para me poder ver no puf - e tapo-a. Agora no verão, nem chego a tapá-la, pois ela transpira desalmadamente e ao fim de 5 minutos, se lá for espreitá-la, o lençol já voou... Depois, o ritual é sempre o mesmo: afago-lhe a cabeça e digo-lhe para dormir bem, com os anjinhos e com a avó, para depois dizer uma reza antiga - "Anjo da guarda, minha companhia, guarda a minha alma de noite e de dia". É estranho eu fazer isto, mas sem saber explicar melhor, acho que devo... Mal não faz, por isso... Acabo com um beijo na testa ou onde consigo chegar. É a parte que mais gosto, pois normalmente tenho direito a um suspiro profundo como resposta. Um suspiro que me enche por completo e me rouba inevitavelmente um sorriso. Tem uma boa noite, M.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Pá e Vassoura

É uma das diversões preferidas em casa da avó: ir buscar a pá e a vassoura, gigantes para este ser pequenino, e tentar usar. Por vezes parece uma cena de filme cómico, com toda a gente a fugir do cabo da vassoura, que anda descontrolado de um lado para o outro, ao sabor das suas voltas e contravoltas. Esperemos que mantenha o gosto por ambas na adolescência!!!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Galaró

Dia de ginástica. Muita agitação como de costume. Uma corrida pelo tapete afora, um tropeção e... Pimba! Um mergulho com a testa direitinha ao alvo - o pilar de uma trave. Vi o galo crescer no meio da testa em segundos. Nem queria acreditar que era possível visualizar a coisa. A M. chorou ao colo e depois ficou parada, sem grandes reacções. Arrotou três vezes. Foi o suficiente para decidir levá-la às urgências (mãe de 1ª água, bem sei...). Fui a casa buscar o B., senão o drama seria maior, e seguimos para o hospital, onde por acaso estava a pediatra da M. de serviço. Tivemos sorte. Viu-a logo e explicou que estava tudo bem. A parte frontal é demasiado dura para fracturas, pelo que será muito difícil que uma mera pancada, mesmo que seca, cause maiores danos para além de galos. A zona parietal, sim, é que é de preocupar, pois fractura muito facilmente. A falta de reacção dela pode ter sido só a reacção à dor. Prescrição: muito gelo e Arnigel, um stick feito à base de arnica que é bom para nódoas negras e galos. Mais um susto. Pequenino.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Evoluída

Tem de ser... Não consigo não contar, mesmo que pareça que me estou a vangloriar... A tia S. é psicóloga e está a especializar-se em psicologia infantil, o que me permite ter muitas dicas do trabalho feito em casa com a nossa filha. Há uns tempos, contou-me que fez uma avaliação a uma criança com mais meio ano do que a M., o que nesta idade faz muita diferença em termos cognitivos. No final do teste, concluiu que aquela menina estava dentro dos parâmetros normais, na escala de 50 em 100. Mas também concluiu que ela sabia fazer menos coisas do que a M., o que implicava que ou o teste não estava bem feito, ou a M. é super inteligente. Questionou o seu professor e mentor, um supra-sumo na área em Portugal nesta matéria. Resposta: "a sua sobrinha não é super-dotada, está é sobre-estimulada. Se os pais quiserem e tiverem paciência conseguem pô-la a ler aos 4 anos.". Não vou tão longe, mas que inchei, inchei... Não tem explicação, o perceber-se o como se está a fazer um bom trabalho com os nossos filhos.

1, 2, 3

Há cerca de mês e meio, a minha tia estava a entretê-la enquanto eu lhe mudava a fralda. Pegou na mãozita dela e foi contando devagar os dedos - um, dois, três, quatro, cinco! Tantas vezes disse, que a M. tentou repetir o som. Ficámos espantadas, a minha tia em êxtase por ter iniciado a M. nos primórdios do contar. A partir daí comecei a contar tudo o que desse para contar - os degraus, os dedos, as bolas, não interessa. Não me estiquei para além do três, por achar já estar a pedir muito da filha. Hoje em dia, já conhece bem o 1, 2, 3, tentando imitar o som. Sai qualquer coisa como "hmmm, dêêê, têêês!". E se lhe perguntar quantos balões estão no livro, apesar de ainda não saber contar (também não é nenhum génio!!!) já percebeu a lógica e diz aleatoriamente "dêêê" ou "têêês". Boa!

Apenco

Mais uma...

  • - "A parede é branca. O puf é cor-de-rosa. A janela é transparente. "
  • - "Apenco!"

Pai à nora

É engraçado como ser-se macho faz tanta diferença. O B. é um pai dedicado, sem sombra de dúvidas - brinca, lê livros, dá de comer, adormece, enfim faz tudo com a filha, sem excepções. Porém, o pai tem muito mais dificuldade em perceber o que a filha diz do que eu. Às vezes, alguma palavra que para mim já é conhecida, para ele não é nada evidente. É certo que, por exemplo, as brincadeiras com ele são menores do que as minhas, pelo que não apanha certos pormenores. Mas não é só por isso. Eu faço por prestar atenção às palavras mal-amanhadas da M. para depois saber o que querem dizer. Se não tiverem um som parecido com a real, chego a repeti-las em voz alta para não me esquecer. Para além disso, parece que tenho um sexto sentido que me faz interpretar correctamente o pretendido pela petiz. O B. não consegue esta proeza. É hilariante a cara dele quando eu gozo com ele por não perceber a filha... No outro dia, por exemplo, a M. pediu ao pai "quio!" incessantemente, enquanto ele estava perto do frigorífico.

  • - "Leitinho? Agora?"
  • - "Quio! Quio!"
  • - "Sim, filha, já vais papar..."
  • - "Quio! Quio!". Ele olhou para mim com ar interrogativo, ao que eu expliquei: - "Queijo..."
  • - "Ahhhh! Queres queijo! Toma."

Gajos... :)

Toc! Toc! Toc!

Um dia, enquanto fazia o jantar, com a cadeira de comer da M. na cozinha para esta ter companhia sem estar ao colo, tive de inventar brincadeiras para a distrair, pois já estava a ficar irrequieta. A certa altura, lembrei-me da brincadeira americana do "Knock, knock! Who's there?" e experimentei. Bati com os nós do dedo no armário ao pé da M. e disse "Toc! Toc! Toc! Quem é? É a Madalena que quer ir para o colo!". Resultou. Ficou parada a olhar para mim e, depois de perceber o conceito com alguma repetição minha, imitou. Agora, de vez em quando lembra-se da brincadeira e começa. Bate com as costas da mão em alguma coisa, enquanto me desafia com um "Tó! Tó!". Eu pergunto quem é e ela responde "bebé!", ao que eu completo com uma frase, descrevendo o momento, como por exemplo, "é a madalena que tomou banho!". Estamos nisto ainda um bom bocado, tendo eu de fazer frases diferentes de cada vez que há um "toc! toc!". Dá jeito, sobretudo quando ela se está a portar mal, pois se eu usar essa frase, ela diz "shim!" e sossega por uns instantes, por vezes o suficiente para eu conseguir o que pretendo. O pai é que ainda não apanhou a brincadeira, ficando a miúda pelo "tó! tó!" sem resposta...

Papapapa!

Novo castigo... Sempre que entramos no carro, a M. pede "mais!". Comecei por lhe perguntar o que queria ela mais, até que aprendeu a pedir "mico!"... Ou seja, música, ou seja, os CDs dela, ou seja, horas de música infantil... Neste momento, o CD preferido é o do Concertos para bebés. Adora. Quando entra no carro, às vezes ainda nem entrou, já está a pedir o "papapapa". Durante o concerto ao vivo, há pelo menos uma música em que eles aprendem a noção de ritmo, batendo-se com as mãos nas pernas para acompanhar a melodia. Esta a M. já aprendeu muito bem. Em várias músicas do CD, as mais agitadas, ela vai batendo com as mãos nas pernas com um ar super divertido. Para além disso, já temos um início de cantoria, com a capacidade de entoar a melodia. Isto porque algumas partes do CD são com bebés que vão entoando uns pequenos "papapa", que ela já imita na perfeição. Com isto tudo, concluí que a M. gosta de música clássica, o que significa que tenho de me educar nesta área para aproveitar este início de gosto. Vai ser difícl, já que não percebo patavina do assunto, mas vou tentar!... Esperemos que o jeito para a música se mantenha. Até porque quem tem jeito para música, também tem jeito para a matemática, e isso sim, era algo que me faria muito feliz, tendo em conta a minha falta de jeito...

Imitar

Há já uns tempos que a M. gosta de nos imitar naquilo que consegue. Já há imenso tempo que tenta contrariar o biberão para aceder aos copos. Pode nem ter sede, mas se nos vir a beber, seja pelo copo ou pela garrafa, pede logo o "pó". Vamos experimentando, com pouca água no copo e a mão por baixo do queixo, para ela aprender a não derramar, mas ainda não é muito evidente. Costuma ter tanta ânsia em beber, que sorve e larga antes de tempo, ficando toda molhada no peito se não tivermos cuidado. Mas já é óptimo esta iniciativa toda! Com o tempo lá chegará.

Guerra para vestir

É um stress! Não se consegue vestir a M. sem se ficar enervado e a suar em bica. O normal é desatar aos saltos em cima da cama ou deitar-se de barriga para baixo de rabo espetado com cara de gozo. Pedir para ficar sossegada é mentira, vai dar ao mesmo que nada. Visto-a em movimento, enquanto vai mergulhando ou passando de gatas, quando consigo que o abanar de pé não tire as calças, até que me aborreço de vez e sento-a de costas para mim. Nem sempre isso é evidente, pois ao agarrar nela para a pôr em pé costuma transformar-se num esparguete cozido humano, escorregando até ao chão. A partir daqui não lhe dou grandes hipóteses de movimento, o que implica choradeira. Acaba por se calar e vestir mansamente o que falta - quase tudo - para se pôr a milhas assim que apanha uma aberta ou um descuido meu...

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Tem, tem!

Sempre que vejo a fralda da M. mais cheia, pergunto-lhe se tem cocó ou xixi. Antes, para não variar, ela dava-me sempre a resposta negativa com veemência. Se eu confirmasse o contrário, respondia-lhe sempre "tem, tem!". Aprendeu assim, tal e qual. Agora a resposta à mesma pergunta não é um mero sim, mas antes um "Tem, tem!" simples e conciso.

Diálogo

Um dos primeiros diálogos, que calhou ser com o pai, há cerca de um mês. Ficámos ambos sem palavra. Acho que foi a primeira vez que nos apercebemos como já se consegue comunicar com a nossa filha.

  • - "Pai! Pai! 'eitinho!"
  • - "Queres leitinho?"
  • - "Quê'u!"
  • - "E a fralda? Não precisa de ser mudada?"
  • - "Shim!"

Bem sei, bem sei. Nada de extraordinário. Acho que só percebe quem já passou por esta etapa, em que deixamos de ouvir palavras soltas, que são respostas meio entabuladas às nossas perguntas simplificadas para o efeito, para conseguirmos um diálogo, mesmo que curto e sem grandes elaborações. É demais!!!

Boa!

A M. tem uma forma gira de me mostrar que já me topou. Quando lhe pergunto alguma coisa que implica apontar para o objecto solicitado, para ver se já percebeu, ela prontamente aponta e, sem hesitações ou expressão de maior contentamento diz "Boa!", dispensando-me do elogio. Mudei de registo e passei a dizer que linda ou muito bem. Não é que a miúda também mudou de registo? Agora diz "'inda! Bem!"!!! Até parece que me está a gozar, tipo "dahhhh!".

Previdente

A M. é muito previdente. Aprendeu com a primeira explicação que o aquecedor queima, apontando à distância, enquanto repete "tá quen!". Na banheira, depois de duas escorregadelas assustadoras, não sai de cima do tapete, ficando com os dedos dos pés à beirinha, a pedir-me o brinquedo que está fora do alcance. Em Quiaios, explicámos-lhe no primeiro dia que a lareira fazia um dói-dói muito, muito grande e que só podia estender a mão para lá para perceber como estava quente do sofá, distância mais do que segura. Nem tentou chegar perto - ao longe aponta e diz "dói-dói!". Demonstrou curiosidade pelo caixote do lixo, pelo que optei por lhe tirar logo a ideia, antes que... Segurei-a e expliquei-lhe que era caca e que fazia dói-dói na barriga. Agora, passa por um e diz logo "caca!". Boa M.!

Dião!

É fanática por aviões. Desde que lhe mostrámos uma vez um no céu, não quer outra coisa. Quando vê um, grita "Dião!" e depois começa o seu incansável "Maisss! Maisss!". Passa que tempos de nariz no ar, à procura de mais aviões, exigindo-nos a sua presença, como se fôssemos capazes de sacar aviões do bolso por artes mágicas. E é difícil fazê-la perceber de que não há mesmo mais. O que vale é que, por vezes, lá aparece de facto mais um para a contentar...

Ateta

É a palavra que a M. usa para os pronomes demonstrativos e indefinidos que conhece, ou seja, quando se quer referir a esta/aquela/a outra (serve para o masculino também). Exemplos práticos:

  • - Tem uma bola na mão e quer aquela - aponta para a bola enquanto repete ateta;
  • - O lápis da mão esquerda e este lápis na mão direita - mostra o primeiro, dizendo tis, mostra o segundo, dizendo ateta;
  • - Pergunta pelos avôs - pergunta pelo avô, ao que eu respondo que não está. Pergunta então pelo outro avô, dizendo ateta.

É preciso saber decifrar o código!!!

terça-feira, 12 de maio de 2009

Mais palavras

Já são imensas e começa a ser difícil apontar todas, por isso ficam as mais usadas:

  • ua - lua ou rua
  • ento - vento
  • tchu - chuva
  • eiti'u - leitinho
  • paia - praia / papaia
  • má -mar
  • pé - pedra
  • té - terra
  • qué - café
  • au - óculos
  • big'o - umbigo
  • nai - sinal
  • tantas
  • bio - libro
  • tso-tso - xó-xó (cavalitas)
  • inda - linda
  • bem
  • aqui
  • ali
  • piu - pássaro
  • cóuo - colo

Igualzinha, igualzinha...

Pode ser chapada ao pai, mas tem duas características muito minhas. A primeira é rir por antecipação. Quando percebe que vamos fazer uma brincadeira ou cócegas, basta a cara para ela se desmanchar à gargalhada, porque ela não faz por menos. Lembro-me muitas vezes de um colega de faculdade que topou o meu fraco e de vez em quando olhava para mim com cara de asneira, dizia o meu nome com tom misto de gozo e aviso e... espetava o dedo indicador à frente do meu nariz. Não havia vez, mesmo, que eu não me desmanchasse ali mesmo, com uma gargalhada parva non-stop, que entrava num círculo fechado, impedindo-me de parar facilmente. A segunda é ser do contra. Sempre que me perguntam alguma coisa, seja se quero comer ou se gosto de algo, a primeira palavra que assoma na minha mente e que maioritariamente sai da boca é não. Por vezes, é sem pensar, sem realmente achar que não. A M. é igualzinha. A primeira resposta é sempre não. Mesmo se a pergunta for: "queres papa?". Depois, espanto-me e pergunto outra vez. Ela então arrepia caminho e já diz que sim, visto que como criança que é ainda não tem aquela mania de "já disse que não e por isso agora não volto atrás para não parecer contraditória e prefiro ficar a ver comer"...