Quando era criança tinha um ritual anual: em Dezembro tinha direito a escolher um vestido novo para estrear no meu dia de anos e voltar a usar no dia da consoada. Normalmente, era um dia animado: iamos 4 à procura da fatiota nova - os meus pais, a minha avó e eu. Também normalmente, as opiniões dividiam-se naturalmente em duas facções: eu e o meu pai gostávamos de um e a minha mãe e a minha avó gostavam de outro. É claro que o desempate era feito pela aniversariante, por isso, o meu pai vinha sempre para casa inchadíssimo por ter mais uma vez acertado... Achei por bem sugerir ao B. instituir esta mesma tradição para a nossa M. Assim, sem qualquer hipótese de conversações, o pai B. assumiu o cargo de comprador oficial da fatiota de festa da filha. Começámos por ir ao Corte Inglês, mas não encontrámos nada que nos dissesse algo. À noite, o B. espreitou a net. Descobriu na Jacadi a colecção "Petite Parisienne" e sentenciou - é este. No dia seguinte, fomos à loja. Depois de algumas tentativas frustradas a descrever uma roupa vista na net, cheguei eu e dei a referência. A senhora foi buscá-lo lá dentro. Veio tudo - o vestido, o body, o gorro e até o cachecol (contra a minha vontade por saber de antemão que não iria ser usado...). Chegou a casa inchado por a sua filha ir igual a uma princesa. Mas houve alguém triste com isto tudo... A minha sogra, nesse mesmo dia, ligou-me a pedir um favor: ir à loja e comprar "o vestido mais lindo que lá houver", como presente da avó... Ainda tentei convencer o B. a prescindir da titularidade da compra, mas em vão. Ficou a avó com o 2º lugar: oferecer o casaco...
Há 8 anos
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