quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Rolha

É o que a chucha é hoje em dia. De chucha, aponta para as coisas e faz uns "ehs!" abafados para chamar a atenção. Se se lhe tirar a rolha, começa logo, logo, a palrar nos seus "da-da-das!". É de chorar a rir.

Colinho da Lúcia

Já aqui disse que a M. não é muito de mimalhices - ao nosso colo está o tempo suficiente de satisfazer a carência, que é reduzido, querendo ir para o chão num instante. Acalmá-la ao colo, distraindo-a com qualquer brincadeira, é quase impraticável, pois passa a vida a tentar sair do colo e ir à sua vida. Como disse a professora de ioga, a visão romântica de mimar a filha ao colo no nosso caso, é só isso mesmo - romântica. Ora, não é que a desgraçada no colo da ama não é assim?! No segundo dia de regresso de férias, cheguei a casa desejosa de a ver e pegar ao colo, achando que o mesmo se daria do outro lado. Estava no colo da ama e veio logo para o meu, mas ao fim de uns minutos, quis regressar à base. Estendi-lhe os braços outra vez, ao que ela respondeu imediatamente da mesma forma. Sorri, contente por não ter perdido o jeito... Mas afinal... Estendeu o braço, agarrou na chucha que eu segurava na minha mão direita e endireitou-se para ficar no colo da sua amiga!... Afinal, era a chucha que ela queria!!! Não bastando, uns dias depois, cheguei a casa e estavam as duas calmamente sentadas no sofá a ler um livro. Perguntei o que faziam e a ama respondeu que estava a acalmá-la para ver se a conseguia depois pôr a dormir! Questionei-a sobre a eficácia de tal truque, convicta de que não teria muitos bons resultados, ao que ela afirmou que não, que resultava bastante bem... Deprimi, só por uns segundos, por não dominar tal arte...

Bengala

Depois da experiência do sobe e desce no Algarve (no recinto da messe, o quarto era o mais em cima possível e a sala de refeições o mais em baixo) e da minha aventura sozinha para o ioga, dei-me por vencida e concluí que o B. era capaz de ter razão: era urgente comprar um carrinho que pesasse menos uns quilos. Assim, sem sequer ter estudado fosse o que fosse (inédito, certo?!), confiei no B. e fomos à loja do Campo Pequeno, que tem umas meninas tão simpáticas e explicadoras, comprar um carrinho-bengala. Optámos por um McLaren, com bastante reclinação de costas e um apoio para os pés rebatível. É o mais leve do mercado e tem um fecho a toda a prova de bebés mais mexidos e curiosos. Só tem um senão: a pala não é propriamente grande, pelo que será preciso comprar uma sombrinha para o ano. É tão leve que por vezes me esqueço e a M. quase que levanta voo ao subir os passeios!... É claro que o pai já ouviu umas quantas vezes a piada inevitável: "afinal teve a filha primeiro um Mclaren do que o pai! Ainda por cima vermelho!"...

Visitas ao e do avô

No domingo de regresso, aproveitei que o B. estava incapacitado com uma violenta dor de dentes, dei-lhe ouvidos, fiz um esforço enorme e meti-me a caminho de Santa Cruz. Sabia que o meu pai e tia estavam lá, e sem avisar, fiz a surpresa. O medo de piadas que originassem discussões era mais que muito, especialmente, tendo em conta os últimos acontecimentos, mas decidida a virar costas no primeiro segundo de guerra, avancei. Afinal, a surpresa foi tão boa e a felicidade daí resultante ainda maior, que correu muito bem. Ficaram ambos tão contentes por ver a M. ali pela primeira vez (foram precisos 10 meses para conhecer a casa de praia do avô...) que nem se atreveram a tal. As minhas conversas com o meu pai limitaram-se ao tempo (tu as bien raison, Virginia!) e até o deixei sozinho com a neta, enquanto fui ao café com a tia. Ficaram a brincar com o quadro dos cavalos e dos cães e ela nem deu pela minha falta. Quando me vim embora, não houve um comentário da parte do sr. coronel de "ainda bem que vieste" ou um obrigado, mas nas entrelinhas do seu olhar, percebi que sim. Depois, nessa semana, a M. teve direito a três visitas do avô - dia sim, dia não. Era uma alegria pegada de brincadeira no jardim atrás das pombinhas quando eu chegava. O meu pai, com receio que o estranhar continuasse (antes das férias, a M. chorou ao ir para o colo dele) e aproveitando o embalo e domingo, evitou tanto tempo de ausência e apostou forte nas visitas em quantidade, para além da qualidade. Ainda bem para a minha filha!

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Mama mi!

Foi o que ela disse, na segunda manhã, deitada no muda-fraldas, de braços estendidos para mim, enquanto chorava por me ver a ir embora...

A nossa ausência

Durante toda a primeira semana, a M. chorou de manhã quando saímos de casa. Assim que percebia que estava a chegar a hora, pimba! Começava o pranto. Queria o pai à força toda, que por sua vez tem dificuldade em negar um colo tão desejado. Acabámos por optar sair sem grande alarido, para que ela não percebesse - só chorava se não estivesse distraída com alguma brincadeira. Damos-lhe o beijinho do até logo, acabamos de nos arranjar e depois saímos. Um dia, estava à janela da cozinha a ver os carros (passatempo preferido desde muito pequenina) e a ama caiu na asneira de lhe mostrar os pais a entrarem no carro. Acenámos um adeus e ficámos a saber mais tarde que, primeiro riu-se imenso, para depois chorar quando nos viu entrar para o carro. O B. no segundo dia, já em parafuso, só me perguntava com ar preocupado, "só gostava de saber porque é que ela chora tanto!...", com cara de desconfiado. Foi preciso uns quantos dias para perceber que era mesmo de tantas férias juntos e de uma "idade" que já implica mais entendimento das coisas... Por mim, foi o argumento para continuar a amamentar: enquanto não parar de chorar por ficar sozinha, não lhe vou dar outro argumento para chorar. Bem basta um choque de cada vez...

Desmame - tentativa n.º 2

A promessa tinha de ser cumprida. Estupidamente, em vez de aproveitar as férias para calmamente a habituar a um novo ritual, esperei pelo primeiro dia de trabalho, três semanas depois de muita festa e miminhos. Não consigo justificar tamanho disparate, a não ser que andei a adiar o inadiável. Segunda de manhã, chegou a Lúcia, já a M. estava acordada. Eu não lhe tinha dado colo para não despoletar reacções desnecessárias. O B. fez a minha vez, passando o testemunho à ama enquanto fazia o biberão. Eu andava nervosamente para trás e para a frente em casa, feita zombi, sem saber o que fazer às mãos. Todo o meu ser me atirava tipo imã para ao pé dela, tendo de me contrariar a cada instante, nas minhas vãs tentativas de racionalização. A certa altura, a M. saturou-se de tanta demora e chorou. Queria-me a mim e tentava saltar do colo da sua amiga para o meu. Escuso de dizer que não correu bem. Acabei por sair porta fora, a chorar, deixando-a a ela a chorar também. O B. ainda me tentou consolar, sem grandes resultados, dizendo que o meu papel estava cumprido, que não sabia o que é que eu ia fazer quando ela saísse à noite pela primeira vez, que eu não a podia ter sempre debaixo da minha saia... Enfim, conversa que nem adianta e que chega a irritar. Só mesmo quem passa pela experiência percebe o quão fundo vai a questão, nem sequer tendo a ver com ser-se homem ou mulher. Fui-me embora de carro a chorar - por ter de ir trabalhar outra vez, por terem acabado as férias, por não poder ficar com a minha filha o dia inteiro. Todas estas razões foram elevadas a um quociente absurdo pelo sentimento que predominava: sentia-me traidora e, acima de tudo, vazia, oca. Não sei explicar melhor. No semáforo vermelho, ainda ao pé de casa, abracei-me a mim mesma para compensar o buraco gigante que se tinha construído e molhei a cara com lágrimas salgadas, com a decisão que ainda não era desta.

Desmame - tentativa n.º 1

O médico já me deu ordem aos 6 meses da M. e a pediatra confirmou - já não faz nada pela M. e faz-me mal a mim. Mas... Primeiro, li que a OMS defende a amamentação até ao ano de idade. Segundo, tenho leite que nunca mais acaba, parece-me um desperdício, para não falar no dinheiro que se poupa. Terceiro... E acima de tudo, ela gosta e eu também... Durante as férias, ainda em Quiaios, tentei mentalizar-me de que estava na altura. Já andava a fazer curativos ao mamilo há mais de um mês e achei que o bom que poderia ter já não justificava o desconforto, que gradualmente evoluiu para a dor outra vez. Por isso, tentei. Só dei de um lado e deixava descansar o outro, dando o B. suplemento para compensar. Durou dois dias. À terceira manhã, a M. chorou desalmadamente ao fim de alguns minutos a mamar. Concluí, junto com o pai, que a fonte estava a secar. Assim, passou ao biberão em exclusividade durante outras duas manhãs. E eu... A encher, a encher, a encher... Tive de tomar banho antes de ir para a praia para, com o chuveiro, aliviar as mimosas, de cheias que estavam, enquanto a ouvia a chorar por a mãe não lhe ligar nenhuma e deixá-la sem o mimo matinal. Ao terceiro dia... Não aguentei e quando ela me estendeu os braços, fiz-nos o gosto ao dedo e dei-lhe de mamar. É claro que estava decidido mentalmente que seria assim. O desconforto do peito cheio não se comparava com o desconforto da minha alma pequenina, por isso, dei o primeiro como desculpa "válida" e resolvi o segundo. Prometi ao pai que no regresso das férias daria razão à razão...

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Baby Ioga

No sábado de regresso, tínhamos uma aula experimental de ioga para bebés com a turma C. Como no início das combinações tínhamos sido avisados de que não poderia haver público, nem o pai, assumi que a informação se mantinha e fui sozinha, juntamente com a M., para as portas de Santo Antão. Chegadas lá, reencontrámos o Dunga, o Quiquinho, o Vicas e a Carolina, tudo bebés boom de Outubro e Novembro, que tinham nascido ao som do tac-tac-tac da enfermeira XXL. Afinal, os pais também podiam ir, mas como o B. já não ia a tempo, segui para a aula com a nossa pipoca. Estava um calor infernal e o ginásio ficava no fim do mundo - foi preciso subir uma ladeira, um elevador para deficientes de mecanismo estranho e mais um lanço de escadas, tudo com o carrinho, a nossa chumbinho e ainda o saco com a tralha dela... Nem imaginam como cheguei alagada lá em cima... A aula: muito bom. A M. fez quase todos os exercícios certinhos, sem grandes invenções, seguindo o que a professora cantava e fazia. É claro que teve os seus momentos de distração, querendo ir à sua vida pelo ginásio fora, que tinha tanta coisa estimulante à volta, mas com um pouco de insistência da minha parte, resultou. Em certos exercícios, demonstrou um verdadeiro prazer, outros não se percebeu. Os seus amiguinhos, melhor ou pior, comportaram-se da mesma forma. Nós, pais, estávamos com muitas dúvidas quanto a uma aula de ioga com estes nossos pimpolhos tão mexidos, ainda por cima juntos, mas afinal nem foi assim tão impraticável. Viemos embora satisfeitos com a experiência, não tanto com a mensalidade - € 62,50, uma aula por semana!!! Ninguém alinhou. É pena, pareceu-me algo de importante para o estímulo dos nossos bebés...

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Já em Lisboa

Fizemos bem em regressar na sexta-feira - a descompressão de três semanas inteirinhas juntos no laró era essencial para todos nós. O fim-de-semana correu bem, regressando à rotina devagarinho, mas descobrimos como um bebé de meses apanha manhas... A M. não quer dormir na cama graças ao mau (?) hábito de passear todos os dias à noite no carrinho pelas ruas de Lagos. Assim, à noite, não querendo entrar em guerra, o B. decidiu continuar com o mesmo esquema contra minha vontade. Punha-a no carrinho e empurrava-o para trás e para a frente no nosso corredor, que é gigaaaaaaante... Resultou. Pelo menos nos primeiros dias...

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Diário fotográfico de um regresso

Voltámos na sexta-feira, por na messe as entradas e saídas serem feitas neste dia da semana e por acharmos melhor ter uns dias em Lisboa com a M., antes da brutalidade de a deixarmos sozinha outra vez, mesmo que com a sua melhor amiga. Como tínhamos todo o tempo do mundo, optámos por fazer a costa algarvia até Sagres e depois a costa vicentina até Porto Covo, parando nos locais que eu conheço, para que o B. ficasse também a conhecer. Visitámos a Ponta de Sagres, almoçámos em Vila do Bispo e parámos em Odeceixe, Zambujeira do Mar, Cabo Sardão, Milfontes e Porto Covo. Ficam aqui os registos fotográficos de um passeio bonito, em que a M. dormiu o caminho quase todo, sempre acompanhados por um vento estupidamente frio e forte.
Praia de Odeceixe
Zambujeira do Mar
Cabo Sardão
Vila Nova de Milfontes
Porto Covo

Ama

Faço aqui uma pequena pausa para dizer que a ama da M. continua no bom caminho. Precisou de falar comigo durante as férias. Depois de tratar do assunto do seu interesse, perguntou-me pela M., querendo saber quais as novas gracinhas aprendidas. Depois pediu-me para falar com ela. Pus em alta-voz e ouviu-se do outro lado o típico "Olá, cucu!" - é assim que a interpela para cumprimentar e despedir (neste caso é "tchau, cucu!"). A M. rasgou um sorriso, palrou qualquer coisa e olhou demoradamente para o telefone com ar de quem reconheceu a voz. No fim, ainda me disse que já estava com saudades dela. Foi um tiro no escuro, mas que tiro!...

A chave do carro

Como todos os bebés, não a pode ver. Tem uma fita preta dependurada, para podermos pô-la ao pescoço, que ainda a torna mais atraente. Muitas vezes, foi a dita que nos ajudou a sentá-la no carrinho e na cadeirinha do carro. Enquanto ela fazia a sua guerra para não se sentar, um de nós acenava com a cenoura e ela para a conseguir apanhar, acalmava. O problema era tirar-lha para pôr o carro a trabalhar depois... O pior foi uma noite que me esqueci dela na sua mão e atravessei o parque de campismo quase às escuras. Às tantas, o B. perguntou-me por ela e eu fiz clique - estava algures no chão... Depois de retroceder o caminho todo, encontrei-a no meio da estrada, passada a ferro por um pneu. Escuso de contar a fúria do B., certo? Felizmente, apesar das marcas de maus-tratos, funcionou, pelo que a fúria foi tempestade de pouca duração... :^)

Dedo e braços

Já sabe esticar o dedo indicador a pedido, sobretudo se for para fazer como o ET e tocar no nosso, também esticado. Já para se vestir e sair do carrinho, basta perguntar pelo braço e depois pelo outro. Põe-se a jeito, para que tais empecilhos não atravanquem o despachar do vestir e do sair do indesejável. Por vezes, já é quase instintivo. Boa, M.!

10 meses

Passou-os no Algarve. A avó, pois está claro, lembrou-se e telefonou a dar os parabéns. Nós demos uma beijoca grande a uma menina que já aponta, conversa imenso, faz o pitinho ao ovo, bate palminhas, dá mais cinco, muitos beijinhos, sabe o que é um xi-coração e não se nega a dar miminhos, assim como turrinhas, sabe o que é a boca e os dentinhos, já se aguenta uns segundos em pé sem apoio quando está distraída, e se está a revelar uma menina muito teimosa e muito crescida. Quanto a números, não faço ideia - a ida à pediatra é só em Novembro, mas afianço uns 9 kg e qualquer coisa...

Sapatos

Não costumo fazer isto, mas as imensas coisas que um bebé obriga a transportar, levou-me a reduzir as minhas coisas ao essencial. Assim, só levei três pares de sapatos: uns chinelos para a praia, uns mocassins para o dia-a-dia e umas sandálias de salto alto para as saias. Isto trocado por miúdos, significa que na prática só tinha um par de sapatos, pois os chinelos da praia estavam em mau estado e os saltos altos estavam impedidos pela minha coluna (eu é que ainda tento de vez em quando convencê-la de que não faz mal, mas ao final de uma hora, ela volta a explicar que dói). Ora, um belo dia, antes de almoço, os mocassins descoseram-se numa das ruas de Lagos - fiquei com os dedos do pé esquerdo inteiramente à mostra. Foi uma coisa esperta de se ver... Ficaram os chinelos, apesar do seu mau aspecto e os saltos altos, que ainda tentaram a sua sorte duas noites com mau resultado. Não sei se do uso, se da velhice, não é que os chanatos também se descoseram?! Andei dois dias a passear com umas coisas que me magoavam o pé, visto que a parte descosida raspava-me o peito do pé, macerando a pele. Na serra, farto de me ver a coxear cada vez mais, o B. levou-me a Portimão às compras. Ficámos com a impressão de que a cidade é grande (comparando com a pequenez de Lagos, é claro), caótica e com pouco comércio. Não deve muito à beleza. Depois de percorrermos as ruas principais à procura de uma sapataria que ainda tivesse sapatos da colecção de verão, no dia 13 de Setembro, fomos ao único Centro Comercial do sítio. Acabei por comprar em saldos uns mocassins vermelhos na Aerosoles, que não fosse pela situação, não compraria. Fica aqui o registo dos meus sapatos de "Tiáaa" que tanto fizeram o Bruno me gozar, mas que agora até gosto...

Serra

No penúltimo dia, como o vento insistia em ser desagradável, decidimos ir passear para Monchique (disse-me uma grande amiga de lá que não fomos originais - vai tudo passear para a serra quando o tempo não permite uma ida à praia). Foi um passeio agradável, com muito verde (a praga dos incêndios ainda não chegou ali) e um sol amigo. Passámos pelas termas, local prazenteiro onde demos o almoço à M., num banco de jardim, sob o olhar atento de um cão preto, de olhos fixos nos boiões, que fez as delícias da nossa filhota e mexeu com os nervos do pai. Mais uma vez, os seus sorrisos, a sua vontade de comer e os guinchinhos de alegria, conjugados com muitos apontares, puseram uns ingleses a rir e elogiar (Oh, filha! Os anormais que não se dignam perceber que estão no estrangeiro e que por isso não podem, nem devem assumir que somos uma extensão da Britânia, não merecem tais boas-vindas!...). Almoçámos no "Jardim das Oliveiras", já a caminho de Foia, por sugestão da referida amiga, comprámos uma aguardente de medronho no supermercado a conselho de uma local, que acabou por ficar como presente de anos do meu pai (49% de alcool!!!) e descemos a serra em direcção a Portimão, à procura de sapatos.

Figos

Os últimos dois dias foram sobretudo marcados por uma ventania insuportável. A nossa intenção de regressar à lagoa para a M. tomar mais banhocas quentinhas saiu gorada. Por causa disso, um dia fomos procurar uma praia mais abrigada e acabámos na Praia da Luz (a famosa da Maddie), frequentada por gente um pouco estranha, devo dizer. Como o vento não queria amainar, fomos espreitar a Ponta da Piedade, famosa pelas suas grutas. A panorâmica é bonita e o pôr-do-sol estava em plena exibição. O B. levava-a ao colo e a certa altura, parou junto de uma figueira, com a mente nos frutos que tinha visto comer momentos antes por outros turistas como nós. Apanhou um e comeu. Para variar, a M. tirou a chucha da boca e deu os seus já famosos estalinhos. O B. não foi de modas e deu-lhe um a provar. Foi um sucesso! Era vê-los à procura de mais, sendo a M. uma excelente vedora. Ela olhava fixamente para a árvore, o pai seguia-lhe o olhar e lá estava mais um. Vieram os dois lambuzados (eu, para variar, com a mania das fotos e dos filmes, nem provei...) e lavaram-se na mangueira de um senhor que lá estava. No regresso, sem alergias, a M. voltou a dormir no carro, cumprindo o ritual.

Um burro e dois cavalos

No dia seguinte, fomos ter com os nossos amigos a um restaurante conhecido dos locais e ao que parece muito bom em peixinho grelhado - o Chico Zé. O dono aproveitou a tasca do pai e aumentou o espaço, tornando-se popular graças à qualidade e aos preços baixos (actualmente, já não são assim tão baixos). Para além disso, correu o Algarve à procura de velharias e decorou o espaço exterior como se de uma quinta com caminhos para percorrer se tratasse. Fomos ver os animais que estavam ao dispor das visitas dos clientes mais assíduos - um burro, dois cavalos, galinhas e uma pavoa com as suas crias. A M., qual sua mãe, ignorou os galináceos (bicho estúpido, esse!). Achou graça à pavoa e respectivos rebentos, mas não lhes deu grande importância. Agora o burro e os cavalos... Muito bem tratados, tinham um porte extraordinário. Ao colo do B., que fez muitas festas à égua mansinha, mansinha, enquanto lhe explicava o que era, a M. olhava muito atenta, sem grandes manifestações. Estava hipnotizada por aquele animal fantástico, lindo de morrer e com uns olhos castanhos que pareciam falar. Acho que um misto de pasmo e admiração é a melhor descrição. Fiz um esforço para não lhe mexer, antecipando um colo necessário para o pai lavar as mãos, que tresandavam a estábulo. É que como sagitariana que sou, seria contra-natura não ser uma apaixonada por estes animais. Quando viemos embora, a sua única reacção foi ficar a olhar para trás até perder de vista os estábulos, percebendo-se que queria mais daqueles amigos simpáticos. Boa, filha! Fico contente.

Ria de Alvor - Lagoa

A tia Z., oriunda de Lagos, tirou uma semana de férias para percorrer a costa algarvia de uma ponta à outra na sua auto-caravana, acompanhada exclusivamente pelo marido. Assim, na sua passagem por Lagos, telefonaram-nos e passámos o dia juntos na praia, assim como a manhã seguinte. Conhecedora dos recantos da casa, a nossa amiga levou-nos à "maternidade do Atlântico", uma lagoa que fica numa das extremidades da meia-praia, cuja água vai e vem do mar e onde existe uma quantidade parva de berbigão, ostras e peixes para quem quiser apanhar. O caminho para lá não é nada evidente - é preciso primeiro que a maré não esteja cheia para se poder passar pela areia e depois atravessa-se um pontão que não é brincadeira. Felizmente, o nosso jipe ainda serviu para alguma coisa!... Estava uma ventania desgraçada, mas a água estava quentinha, confundindo-se o lugar com uma banheira gigante. Foi a grande banhoca da nossa M. Despi-a e levei-a para dentro de água, experimentando um pouco as várias possibilidades de movimentos de sereia da nossa pipoca. Adorou! Ela foi de costas, plena de confiança e sem hesitar, ela foi de barriga para baixo, mesmo com alguns pirolitos, tal era a ânsia de provar o sal, ela foi saltinhos para chapinhar, ela foi o gatinhar dentro de água. Valeu tudo. Fez as nossas delícias e as dos nossos amigos, que estavam maravilhados com aquela capacidade de apreciar a água sem medos. Mas o vento era mais que muito e já eram 6h da tarde, por isso, acabei por a tirar, só a convencendo de que isso era boa ideia com a visão de um iogurte. O B., juntamente com o tio C., dedicou-se à apanha do berbigão, que se veio a provar é viciante, e a provar o dito cru. Quanto à senhoras, encostaram-se junto a umas rochas a apreciar, tendo a tia Z. ensinado uma nova gracinha à M.: o pitinho ao ovo. Tanto lhe mostrou o dedo e cantarolou que à noite, na esplanada do café, teve o privilégio de ver comprovado o seu esforço. A M. passou os dias a mostrar o seu novo truque e muitas vezes adormeceu a fazê-lo já muuuito devagarinho...