No dia seguinte, estava a dar uma reportagem sobre a Amália, e como é óbvio, passaram algumas canções dela. A M. estava na sua cadeira de comer amarrada, mas não foi isso que a impediu de abanar o corpo ao som daquela música tão portuguesa, olhando para nós com ar satisfeito. Que gostos tão díspares, filha!
sábado, 11 de outubro de 2008
Ao som dos Sheik
Domingo à noite, televisão ligada na RTP1 com a Catarina Furtado e o seu novo programa "A minha geração", cujo tema eram os anos 60. O B. e eu estávamos a brincar com a M. de costas viradas para a caixinha mágica, enquanto a famosa apresentadora anunciava os próximos convidados - os Sheik, banda de música da época com o Fernando Mendes e o Paulo de Carvalho. De repente, a M. desliga o botão da nossa brincadeira, vira-nos costas, gatinha até à mesinha de apoio, e em pé começa a abanar-se, vidrada na TV. Ficámos os dois pasmos a ver a nossa filha a dançar à grande com aqueles senhores a tocar música dos anos 60. Não é que a miúda gosta daquela música?!
Miminhos à Lola
Quando lhe damos A vaquinha Lola, pega nela, inclina a cabeça e encosta-a à cara em gesto de miminho. Dantes era só quando estava com sono e sentada. Agora, varia o momento, já não sendo preciso o sono para acontecer e chega a deitar-se no chão com a vaca por baixo. A única coisa que se mantém é o objecto do mimo - a sua amiga Lola. Fica tão querida!
Mau Maria!
Tanto dei na cabeça do B. que as crianças ganham a manha da cama dos pais num ápice que ele cumpre à risca: não tenta levá-la para a nossa cama - até porque eu começo logo a dizer que não quando ele entra no nosso quarto, seja qual for a sua intenção. Mas... Já foram duas as noites nestas últimas semanas em que a M. acordou a meio a chorar. O pai vai logo ver o que se passa e acaba por tirá-la da cama para a acalmar. Da primeira vez, cheio de sono, deitou-se no sofá com ela e ali ficaram os dois uma hora e meia a dormir. Já eu estava na cama enervada, à espera de deixar de a ouvir para lhe ir dizer para a deitar, na certeza que o inevitável acontecesse. Acabei por me levantar e acordá-lo para a ir deitar, ficando eles os dois a dormir a sono solto e eu de pestana aberta, irritada por isso ter acontecido. Da segunda vez, como lhe preguei o sermão do sofá, foi para a cama de visitas que ainda está no quarto dela, ali ficando até ela adormecer... Assim, não há quem aguente!!!
Escorregar para trás
Desde que descobriu tal efeito no ginásio onde experimentou o ioga para bebés, que de vez em quando a vemos esticada no chão, de barriga para baixo, a empurrar com as mãos para escorregar para trás. O pior é que ainda não percebeu que no tapete o efeito de deslizar não é o mesmo e por isso, de vez em quando, empanca no respectivo, ficando a olhar para trás com um ar de quem não consegue perceber onde está o gato...
Que vergonha!
Estávamos na Zara a ver roupa para ela e o B. decidiu começar a dançar ao som da música à sua frente. Esta teve a reacção de pôr as mãos em cima da cabeça e puxar o couro cabeludo para baixo. O pai, na brincadeira, imitou-a dizendo "ai, que vergonha!". É que parecia mesmo! Dava mesmo o ar de uma filha encavacada pela figura do seu cota em público! Ora, o gesto de imitação do B. teve por consequência a M. ter descoberto o seu novo truque. Agora, se lhe perguntarmos pela vergonha, ela automaticamente leva as mãos à cabeça e faz um ar comprometido. É de chorar a rir!
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Pic-pic
Bolas de sabão
Mais uma vez, graças à Dodot, percebi que bolas de sabão eram muito apreciadas pelos bebés e que tinham a sua função pedagógica. Por isso, há cerca de três meses, rapinei um frasquinho daquelas à sogra, que o tinha comprado em Quiaios para as outras netas mais crescidas e lá o esqueceu e comecei a brincar com a M. Começou por ficar sentada com um ar muito sério a olhar para aquelas coisas estranhas que pairavam à sua frente. Ao fim de uns dias, começou a rir-se e a apontar para elas. Agora, passa o tempo de braço levantado, gatinhando de um lado para o outro, a tentar apanhá-las e fazendo muitas exclamações pelo meio. E confirma-se a sua utilidade, pois no The Little Gym, a aula acaba sempre com imensas bolas de sabão e a M. alinha com os outros bebés na brincadeira de as apanhar com a nossa ajuda. Quanto a mim, ignoro o facto de estar a molhar e eventualmente manchar o tapete da sala, e regresso aos meus tempos de menina, quando adorava tirar as tampas das canetas para fazer bolas de sabão e divirto-me à grande!
Desmame - tentativa n.º 3
Fui ao alergologista, à consulta pré-vacinas. Depois de algumas perguntas, chegou à conclusão de que para além de alergia ao pólen das gramíneas, tenho rinite vascular, sendo necessário fazer um teste respiratório de hidrogéneo, o que para tal, terei de tomar antibiótico duas semanas antes. Ora, isso é incompatível com a amamentação... O médico percebeu o dilema e no final da consulta e de muitas explicações, resolveu a coisa de forma simples: escreveu num papel tudo aquilo que eu tinha de fazer por ordem cronológica - o antibiótico, a análise ao sangue, o teste respiratório e a medicação a tomar. No topo da lista, estava: deixar de amamentar. Entregou-me o papel e avisou-me que a vacina tinha de ser encomendada em Outubro, pelo que tinha de fazer aquilo tudo em breve. O resto era comigo. Ao chegar a casa, o B. avisou-me: eu tinha prometido que era naquele fim-de-semana que parava e agora é que tinha mesmo de ser. Assim, na sexta-feira passada, de manhã, fiz muitas festinhas na cabeça da minha filha enquanto lhe dava de mamar pela última vez. Combinei com o B. que no dia seguinte era ele que se levantava e lhe dava o biberão, enquanto eu ficava na cama. E assim foi. Escuso de dizer que não dormi nada depois que ela acordou, e ia ouvindo o pai a levantá-la, aquecer a água, dar-lhe o biberão e mudar-lhe a fralda. A certa altura, ao ouvir-me no quarto, apareceu-me lá e eu, pensando que se queria lá deitar com ela, dei-lhe uma corrida em pêlo. Ainda me correram duas lágrimas, ao brincar com ela depois, mas a presença da filha não me permitiu mais exteriorizações. Passei o resto do dia insuportável, com uma neura de todo o tamanho e zangada com o meu marido. No domingo, o dia correu melhor, pois tivemos piquenique nos Francisquinhos e estivemos com amigos de barriga. Segunda-feira, tentámos entrar numa nova rotina, com um biberão para dar. Mas eu sabia que tinha de ser, que ela já não precisava mais de mim nesse sentido e que tenho de começar a pensar em mim. No dia 3 de Outubro, com quase 11 meses, foi mais uma etapa que passou, só que custa...
Como estamos a adormecer
Depois daquele problema todo para adormecer, faço aqui o balanço do agora. Regularizou - o normal era ir para cama ao meu colo, eu acalmá-la um pouco e ela rapidamente pedir para ir para a sua cama para dormir. Depois, era só eu ficar ao lado da cama, com a cabeça ao nível do colchão, para não haver tentações de se levantar, até ela adormecer. A partir de certa altura, bastava eu sair do quarto sem que ela desse conta e ficava-se sozinha, sem mais confusão. No entanto, houve um dia que o pai tentou deitá-la - convém estarmos os dois treinados de igual modo. Esqueceu-se da parte de a acalmar primeiro ao colo e ela já ia sobre-excitada por nos termos distraído com a hora. Correu mal. Chorou desalmadamente, quis sair da cama e só eu é que consegui acalmá-la ao colo. Demorei uma eternidade para conseguir que ela se calasse, outra para a conseguir deitar e ainda outra até ela adormecer. Foi outro ponto de viragem. Desde esse dia que já não é tão fácil deitá-la. Já chora outra vez, ao colo também, a apontar para a porta, como que a dizer que quer sair do quarto. E agora é muito mais difícil de conseguir sair do quarto: controla-me imenso - até com o pé. O meu pai, quando soube, só comentou: "Ohoho! Estás tramada! Isso é do pior!". É que quando eu era pequenina, era o meu pai que tinha a exclusividade de me deitar (a minha mãe só reivindicou esse título anos mais tarde com a obrigatoriedade do beijinho de boa noite na cama). Diz ele que eu demorava imenso tempo a adormecer, precisamente porque o controlava também. Ele não podia sair de ao pé de mim, chegando eu ao cúmulo de espetar a mão e o pé por fora das grades só para o sentir. E se não desse com ele, estava o caldo entornado! Ele conta que chegou a sair do quarto de gatas para eu não dar pelas sombras em movimento, havendo até algumas vezes que já à porta do quarto, ouvia um "papá? Estás aí?" baixinho. E tocava de voltar atrás enquanto confirmava resignado a sua presença. Pois... A parte de sair de gatas já acontece. Vamos ver se não evoluimos para uma cena igualzinha à da mãe, está bem, filha?
Acordar
Tem um excelente acordar. Costuma estar na posição de rabo empinado e se não está põe-se a jeito assim para se levantar. Sempre bem-disposta, raramente chora e senta-se na cama a palrar sozinha, sem grandes alaridos. Depois quando vamos buscá-la, seja quem for, oferece-nos logo um sorriso rasgado de felicidade por nos ver. Assim vale a pena acordar, filha!
Monossílabos
No entanto, já nos apercebemos de algumas tentativas monossilábicas, graças ao nosso esforço repetitivo. Quando lhe lavo as mãos, repito vezes sem conta "a mão!". Da última vez, sairam várias vezes "a mâ!" com um ar de quem está a perceber tudo. Faz o mesmo com o não: chega ao objecto proibido, olha para mim, espera pelo meu "não, não!" e antes de mexer diz "nâ!" com ar entendido. Estou feita!
É quase isso!
A M. só diz mamã. É uma palavra que serve para mim e para o pai, que coitado, não acha muita graça à brincadeira. No outro dia, sentada ao meu colo a palrar, viu o pai passar, aponta e diz "pei! pei! ptttttte!". Está quase, quase!...
Provar o chão
Como gosta de comer tudo, achou por bem que o chão também devia ser saboroso. Agora, dá-lhe para ali - deita-se de barriga para baixo, abre a boca gigante e prova o chão. É claro que chãos há muitos, por isso há que provar o de madeira do corredor, o tapete da sala, o azulejo da cozinha e pois está claro, last but not the least, o tapete da cozinha, que até tem altinhos...
Estalinhos com a língua
Já faz e com muito jeito por sinal. É um som do qual ela gosta muito. Tanto, que por vezes está que tempos com aquilo.
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Boneca Mafalda
A minha tia teimava que já era altura de ela ter uma boneca - tem alguns bonecos, mas só peluches de animais (todinhos oferecidos) ou brinquedos didácticos. Assim, como não percebe nada do assunto e não se movimenta lá muito bem pela cidade, encomendou-me a dita em seu nome - "compra uma coisa gira", disse ela. Lembrei-me logo da que tinha visto na loja de Sintra da Taf Toys. Lá fui, no dia seguinte, comprar mais um brinquedo para a M., desta feita por € 16 - uma boneca de pano, com a saia forrada com papel amachucado, uns caracóis giros e um lenço na cabeça. O que me atraiu na boneca? O colorido e a particularidade de ao batermos palmas com as suas mãos ela tocar alternadamente quatro músicas muito engraçadas. Foi um sucesso - a M. adorou e a minha tia também. Esta baptizou-a de Mafalda (foi buscar a lembrança da Mafaldinha que eu tanto lia em miúda, muitas vezes sem perceber a piada política que estava por detrás daqueles desenhos sul-americanos). O doce da boneca está no facto de a M. encostar a Mafalda à cara, fazendo um miminho toda ternurenta quando toca a música calminha das quatro que ela tem.
Não há!
Sempre que acaba a comida ou que eu quero que algo desapareça da sua vista, ganhei o hábito de virar a palma da mão para cima e com ar de espanto dizer "Não há!". Tantas vezes o fiz, que ela aprendeu. Agora, seja porque o pai saiu da sala, seja porque a papa acabou ou seja porque não pode mexer e eu desapareço com o objecto das tentações, é ela que o faz a torto e a direito, faltando só o "não" para ficar perfeito - vira a mão igualzinha a mim e com um ar de espanto faz "Ahhh!". Giro, giro são a expressão e o tom que ela usa para o fazer - parece mesmo que me estou a ver ao espelho...
Tomate
Uma destas noites, estando eu a preparar o jantar e estando a M. sentada na sua cadeira de comer na cozinha, sempre a pedir comida, apesar de já ter jantado, experimentei dar-lhe um bocadinho de tomate a provar. Fez uma careta de todo o tamanho, saboreou, voltou a fazer careta, engoliu e... fez estalinhos com a boca a pedir mais! Dei mais um quadradinho e a cena repetiu-se! Chorei a rir com a expressão...
Tirar a chucha
Disse-nos a amiga F. que o dentista recomendou o retirar da chucha a partir do momento em que nascem os dentes, por causa das má-formações. Faz todo o sentido, por isso, disse à ama para gradualmente e sem grandes alaridos não lha dar sempre por dá cá aquela palha, para tornar o processo em algo pouco sofrido (eu perdi a minha aos dois anos graças à minha querida avó que, ao ver a chucha cair da minha boca para o chão da janela do 3º andar, aproveitou logo a deixa para me dizer que aquela tinha caído em cima de caca de cão. Depois foi todo um processo de me enojar sempre que eu falava nela. Consta que ainda chorei cerca de três dias, mas depois passou-me). Ela não sente muito a sua falta durante o dia - se não a tiver e sobretudo se não a vir, está tudo bem, nem se lembra. Temos é de ir contrariando o dedo na boca que de vez em quando lá vai parar. Já à noite e para adormecer a conversa é outra. A chucha é o seu comprimido para dormir, juntamente com a vaquinha Lola. E já acorda por causa dela, ao ponto de ter várias na cama para as ir perdendo e encontrando.