sábado, 25 de outubro de 2008

Roupa de Inverno

Chegou mais uma arrumação de roupa, mais um encostar à boxe de saias, calças, vestidos mimosos, lindos de morrer, novinhos em folha e que já não servem. Tirámos das gavetas o que é de verão e organizámos o que já tem para o Inverno. No meio das coisas, apareceram vestimentas do Inverno passado, que já não cabem em mais lado nenhum. Deu-nos a nostalgia, ao nos lembrarmos daquela bonequinha pequenina que mal se mexia e vestia aquelas jardineiras de ganga tão queridas, aquela saia tão fofinha. Às vezes não quero mesmo que ela cresça. Egoísmos de mãe...

Imaginem...

Imaginem-me a tentar apanhá-la para a tentar secar em condições depois do banho. Imaginem-na a gatinhar velozmente cama afora, toda contente, com os seus dadás e a toalha ainda enfiada na cabeça. Imaginem-me a saltar para cima da cama, agarrá-la pelos pés ou pela cintura e tentar puxá-la. Imaginem a guerra que é vesti-la todos os dias depois da banhoca... Ufa!

Molas da roupa

Um dos melhores entreténs que lhe podemos dar. Se nos apanha na cozinha, gatinha até à janela, põe-se de pé e aponta para o cesto das molas da roupa. Fica que tempos a brincar com elas, esvaziando o cesto e depois espalhando-as com a mão. No final, cantamos a lenga-lenga ensinada no Little Gym para arrumar, que nada mais é do que cantar "Vamos todos arrumar, arrumar, arrumar, as ... no lugar!", ene vezes até ela perceber. Agora já sabemos: quando a queremos parada mais de 2 minutos é ir buscar o cesto das molas. O pai hoje tentou a técnica de manhã - enquanto eu me arranjava e secava o cabelo, ele tentou dormitar mais um bocado, pedindo-me o cesto das molas para pôr no chão do quarto. Ainda se aguentou um bocadinho, mas assim que ouviu o secador, largou a tarefa em mãos e começou a gatinhar na minha direcção. Satisfeita a curiosidade, regressou, mas desta vez para massacrar o pai, que desesperadamente tentava fazer de conta que não estava ali. Oh pai! Levanta-te! Isso das molas é giro, mas é só um bocadinho!...

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Ladaínha

Lagarto pintado, quem te pintou?
Foi uma velha que por aqui passou.
No tempo da eira, havia poeira
Puxa lagarto, por esta orelha!
Era uma ladaínha da qual já não me lembrava, até a ouvir outra vez da boca da minha tia para a minha filha. Quando era miúda adorava a parte final, que era quando ela fazia que puxava a minha orelha. E parece que a M. vai pelo mesmo caminho.

Parece que sabe

O avô paterno da M., sendo da terra das castanhas, tem vários soutos lá para cima. Por isso, todos os anos temos imensas para assar, cozer, comer cruas ou mesmo piladas (já ressequidas). É uma realidade que pertence à minha existência de sempre e chega a ser ritual. Os amigos já sabem que têm direito a pelo menos provar aquelas castanhas pequeninas, mas docinhas e que tanto gostam, tendo mesmo encomendas de vários quilos todos os anos. Ora, a M. tem o Dicionário por imagens dos bebés sobre a natureza. Uma das imagens é precisamente uma castanha. Já aqui contei que ela adora folhear os livros e que aponta para as imagens para nós dizermos o nome. Pois pode estar cheia de speed e querer só passar as páginas, sem dar tempo de dizer nada ou mesmo ver alguma coisa, mas aquela página tem paragem obrigatória. Ninguém lhe ensinou nada, nem fez um maior realce àquele fruto seco, mas ela adora-o. Pára sempre, aponta e olha para mim a pedir o nome. E se voltar atrás, é ali que faz o stop. Nem a flor, nem o arco-íris, nem mesmo o sol, têm a mesma sorte. Pode ser coincidência, mas não deixa de ser engraçado...

O meu cabelo

Descobriu-o no outro dia. Tinha-o apanhado em rabo de cavalo, mas havia umas pontas caídas que penderam sobre a sua cara quando lhe dei um beijinho. Agarrou na madeixa e com muito jeitinho (para meu espanto) tentou perceber o que era. Estava fascinada. Como estava a gostar, comecei a fazer-lhe cócegas nas bochecha com a dita. Desmanchou-se a rir à gargalhada, o que teve por consequência a brincadeira ter-se prolongado até ficarmos ambas cansadas. Agora, quando me apanha a jeito, tenta agarrar, mas a meiguice é que parece ter-se ficado por ali - é cada puxão se não tenho cuidado!...

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Está crescida, a minha menina!

Hoje de manhã, o B. deu-lhe o biberão de leite do pequeno-almoço. Ou melhor, deu-lhe colo... A M. tirou-lhe o biberão das mãos, segurou-o e foi conversando com ele enquanto mamava. Até à última gota!

10h00

Domingo, segunda e terça - três dias a acordar a esta fantástica hora! Ao acordar, parece que exclamou sempre pai e mãe, à nossa procura. Esperancei-me que fosse para se manter. Mas não. Hoje as 7h40 do costume voltaram... Pelo menos já percebi onde está o truque: não tem a ver com comer, mas sim com o número de horas que dorme. Mesmo sem o biberão da meia-noite (que a pediatra proibiu...), se adormecer perto das 23h estica-se até à nossa hora desejada. Como ontem adormeceu às 8h30, as suas onze horas de sono de beleza estavam mais do que completas de madrugada. São de facto verdadeiros relógios!

Tentativas monosilábicas

Já vai falando. Ou melhor, tenta! "Nã" é não, "Cãinnn" é cão (ou zebra, o que me faz acreditar que qualquer animal preenche o requisito), "Pãinn" é pão (eu estava a fazer torradas e ela gemia aos meus pés a pedir, ao que me fiz de desentendida e fui perguntando o que queria, se era pão - tantas vezes tentou que exasperou e saiu-se com esta, que agora repete quando quer comer...), uma "Cuca" (expressão da Beira que se usa em vez do conhecido Cucu! que a minha tia ensinou), "Papéiii" é papinha (com direitos de autor da ama).

Sair do banho

É um drama... Tem de se deixar a princesa reinar uns minutos largos na água, ficando com os dedos dos pés meios encarquilhados para depois se conseguir tirá-la de dentro da banheira. O normal é esticar-se tipo enguia escorregadia - temos de fazer um esforço enorme para não a deixar cair - seguindo-se a técnica do dar às pernas freneticamente no ar, até que não obtendo sucesso, passa ao choro e ao não permitir a toalha. O pai faz-lhe umas graçolas em frente ao espelho, ela levanta o capucho da toalha para espreitar, ri-se e acaba por esquecer a água.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Um dia hei-de...

...saltar e correr pelas ruas a pisar folhas secas, ao som do seu quebrar, com a minha filha.

Tia

Como o meu pai estava para Macau, a minha tia passou o domingo connosco. Fomos buscá-la depois do espectáculo para almoçar e assim que a M. a viu fez-lhe uma festa. Lembra-me eu, que em criança era uma eterna apaixonada por esta tia jovem e solteira que tirava os fins-de-semana para brincar comigo (já na adolescência, com a minha evolução e a sua estagnação, a coisa virou para o torto...). Foi ela que lhe deu o almoço, o que implicou uma muda completa de roupa (a falta de jeito não tem explicação...) e andou com ela na brincadeira a tarde toda. Fomos passear para o Jardim das Conchas (que recomendo pelo espaço, infra-estruturas e verde que tem) e ali estivemos cerca de uma hora, na relva, a ver a M. a lavrar os trevos à sua volta e a tia deitada no chão ao seu lado a fazê-la rir. É giro de ver as gargalhadas que ela lhe saca com os seus disparates. Ajudou no banho e o jantar também foi ela que deu e no final foi-se embora para a M. ir para a cama. Todo este belo quadro só tem um senão: a minha tia não sabe falar baixo, nem sem algum histerismo à mistura. Penso que esse seja um dos factores motivo da predilecção da minha filha por ela. Aqueles "uhhhss!" e "ohhhhs!" todos divertem-na à grande, mas também a deixam sobre-excitada e extremamente cansada. Já para não falar de mim e do B. que chegamos ao final do dia com a cabeça em água... Depois, à noite, o adormecer é mais complicado e difícil. O que lhe vale é a alegria com que a recebe e brinca com ela.

Concertos para bebés

Desta vez, o instrumento convidado era a flauta. Com músicas ao tom do Kusturica, fomos assistindo ao espectáculo pacificamente. Sempre achei que a M. iria disparar palco afora assim que soubesse gatinhar, mas afinal enganei-me. Fica o tempo todo em pé, encostada a nós, neste caso o pai, e assiste a tudo com um ar muito atento. Neste concerto, teve a sorte de ficar ao pé de uma das cantoras, que se foi metendo com ela o tempo todo, proporcionando-lhe um espectáculo mais inter-activo. Até a levou a ver de perto a flauta e mais uma vez se provou que não é nada anti-social: foi sem refilar e nem questionou o facto de ir num colo desconhecido. A flauta a tocar à sua frente teve por consequência um ar muito sério e que nos diverte bastante - faz-me lembrar um boxer com as bochechas realçadas e o lábio inferior a fazer um ligeiro beicinho. O momento esteticamente mais bonito - a bailarina a dançar em pontas com umas bolas luminosas nas mãos - é aquele em que ela mais se fixa. Fica de boca aberta e quase que parece que nem pestaneja... Mais um sucesso, mais uma experiência.

Então e o despertador?

Este domingo era o Concerto para bebés deste mês e nós, como de costume, tínhamos bilhetes para ir ao espectáculo das 10h00. Como a M. acorda todos os dias entre as 7h30 e as 8h00, independentemente da hora de deitar ou do biberão da meia-noite, nem me preocupei em pôr despertador - ela desempenha bem esse papel... No dia anterior, fim-de-semana, acordei às 7h40... Fui-me deitar descansada e ferrei a dormir. Acordei com os seus "dadás" baixinhos e bem-dispostos que vinham do seu quarto. Levantei calmamente a cabeça para espreitar as horas e... 9h58!!! Saltei da cama, fiz o B. saltar da cama e depressa concluímos que àquele concerto já não iriamos. O que nos valeu foi eu trabalhar lá e por isso assistimos ao das 11h30... É mesmo do contra!

domingo, 19 de outubro de 2008

Cebola

Este fim-de-semana, viu cebola descascada em cima da banca da cozinha e começou com a técnica costumeira de pedir para comer. Tentei demovê-la distraindo-a, mas não tive sucesso. Como insistia, decidi fazer o contrário - dar a provar para perceber que não presta... Hum-hum... Encostei-a à boca a medo, para não haver uma reacção exagerada. Lambeu os lábios e apontou outra vez. Voltei a molhar só os lábios. Voltou a pedir. Então, tirei um bocadinho com a unha e pu-lo na boca. Depois de saborear - era tão pequeno que não deu para mais - pediu mais. Optei por lhe dar a cebola para a boca. Deu uma trinca ainda simpática. Franzi o sobrolho impressionada, à espera de algo mau. Nope... Gostou e quis mais! Não é que agora a miúda não pode ver cebola que pede logo?!

11 meses

9,525 kg

72,5 cm

Já não me lembro o perímetro cefálico, mas a conclusão médica é que é cabeçuba q.b. (como eu aliás sempre disse...) ;)

Resumindo: entre os percentis 50 e 75

Nova pediatra

Não satisfeitos com a que tínhamos, por falta de disponibilidade (consultas com Multicare só às 2ªs e 5ªs) e alguma falta de sensibilidade para pais de primeira água também (aos telefonemas, raros por não gostarmos de aborrecer por dá cá aquela palha, e por isso só feitos em circunstâncias em que a preocupação aumentava, tal como a sua primeira febre de 39,5º, respondia sempre que não nos preocupássemos e esperar mais um tempo, sem mais), procurámos outro profissional que nos desse a sensação de um maior apoio. Afinal, como disse a amiga F., é alguém com quem teremos de contar até aos 18 anos... Por indicação de uma colega do B., marcámos consulta para a Dra. Margarida Lobo Antunes, médica que dá consultas todos os dias, excepto às 4ªs (dia em que está de banco de urgência, por isso vai dar ao mesmo), no Hospital dos Lusíadas. Fui só eu com a M. no final da crise de gastrenterite. Após uma consulta de quase uma hora, descobri uma médica com imenso profissionalismo, muita atenção aos pormenores e muito directa, sem grandes mimalhices. Questionou-me sobre bastantes coisas, examinou a fundo a M. e pareceu-me mais sensível a questões parvas de pais inexperientes. No final, deu-me um recado para o B.: para pôr óculos quando olhasse para a filha, pois ela de magra não tem nada (depois da gastrenterite, dizia tristemente que ela tinha perdido a sua barriguinha de bebé...). Está boa e recomenda-se, ficando o conselho de um maior cuidado nas quantidades de comida, por exageradas. Depois disso, falei com a amiga enfermeira, um excelente barómetro para estas coisas, que me deu excelentes referências da médica, definindo-ma tal e qual como eu a tinha achado. Acho que desta acertámos...

Já está boa

No sábado já não havia redutos da doença - o apetite voltou em força e regressámos à velha história do já chega. A nossa preocupação terminou e agora é vê-la comer com gosto outra vez...

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Pontinha, pontinha!

A aula de ioga já produz efeitos. Em casa, vou repetindo os exercícios que ainda me lembro, sendo um deles este: deitada ou sentada no nosso colo, pegamos nos pés dela e cantando, acompanhamos com os pés "Pontinha, pontinha! Calcanharito! Sola com sola! E abriu!". Farta-se de rir, especialmente na parte de esfregar as solas uma na outra. Aproveitei para o fazer no muda-fraldas para a conseguir manter sossegada uns minutos. E resulta! Agora é ela que segura nos pés e bate um no outro, sorrindo para mim, à espera que eu cante e faça os pormenores. Bem qua a professora de ioga nos tinha avisado que eles fixavam este a mudar a fralda.

Ontem

A diarreia já se despediu e os vómitos também. Almoçou sopa e maçã cozida, lanchou papa e jantou outra vez sopa e pêra à dentada. Apesar de não comer nas quantidades desejadas está no bom caminho. Mesmo assim, percebe-se que continua mal-disposta, pois certas coisas ainda a agoniam, recusando-as, para além do que demora o dobro do tempo a comer, distraindo-se, fechando a boca ou querendo o livro ou a colher. Foi para a cama cansadíssima da noite anterior, que não recuperou durante o dia e à meia-noite o pai deu-lhe um biberão de leite, com um reforço de duas colheres de papa que foi todo.