Quando era criança tinha um ritual anual: em Dezembro tinha direito a escolher um vestido novo para estrear no meu dia de anos e voltar a usar no dia da consoada. Normalmente, era um dia animado: iamos 4 à procura da fatiota nova - os meus pais, a minha avó e eu. Também normalmente, as opiniões dividiam-se naturalmente em duas facções: eu e o meu pai gostávamos de um e a minha mãe e a minha avó gostavam de outro. É claro que o desempate era feito pela aniversariante, por isso, o meu pai vinha sempre para casa inchadíssimo por ter mais uma vez acertado... Achei por bem sugerir ao B. instituir esta mesma tradição para a nossa M. Assim, sem qualquer hipótese de conversações, o pai B. assumiu o cargo de comprador oficial da fatiota de festa da filha. Começámos por ir ao Corte Inglês, mas não encontrámos nada que nos dissesse algo. À noite, o B. espreitou a net. Descobriu na Jacadi a colecção "Petite Parisienne" e sentenciou - é este. No dia seguinte, fomos à loja. Depois de algumas tentativas frustradas a descrever uma roupa vista na net, cheguei eu e dei a referência. A senhora foi buscá-lo lá dentro. Veio tudo - o vestido, o body, o gorro e até o cachecol (contra a minha vontade por saber de antemão que não iria ser usado...). Chegou a casa inchado por a sua filha ir igual a uma princesa. Mas houve alguém triste com isto tudo... A minha sogra, nesse mesmo dia, ligou-me a pedir um favor: ir à loja e comprar "o vestido mais lindo que lá houver", como presente da avó... Ainda tentei convencer o B. a prescindir da titularidade da compra, mas em vão. Ficou a avó com o 2º lugar: oferecer o casaco...
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Vestido novo
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Dormiu com o pai...
Ontem, o B. foi deitá-la. Como não esperou que ela acalmasse primeiro, foi prendado com um choro cheio de soluços à mistura. Não resistindo, tirou-a da cama e pô-la em cima da outra, de visitas, que ainda está no seu quarto. Ali estiveram os dois até à meia-noite, hora em que fui ver se o pai não tinha aterrado por ali mesmo, para descobrir que afinal a menina estava a dormir encostadinha a ele. Hoje de manhã, ainda tentou uma teoria no mínimo interessante: é que esta noite ela não acordou. Ora, isso só podia ser porque ontem não adormeceu a chorar!... Já ouvi desculpas melhores... ;)
Balões
Ama de paixão balões mal cheios para que não os consiga rebentar com o seu agarrar pouco meigo! Farta-se de rir enquanto gatinha velozmente atrás deles. Ontem, durante uma brincadeira, deu-lhes um nome. Ao meu interminável repetir do "balão!", ela respondeu "gápã!", fixando-se firmemente nesta nova palavra. O "pinnnn" também foi usado, mas menos. Dizem que só os pais é que detêm o lêxico dos filhos nos primeiros anos. Não sei não!...
Bolas
Não sei se não será futebolista... Não pode ver uma bola que fica logo maluca. Põe-se no chão e ela vai gatinhando a uma velocidade razoável enquanto vai dando pantufadas com as mãos para a ver rebolar à sua frente. Em casa só tinha uma de pano com um guizo que ela já brinca ao atira comigo na perfeição. Este fim-de-semana, como a avó lhe queria comprar uma coisa qualquer, sugeri uma bola pequena das princesas da Disney, em vez de mais um boneco. Fez as suas delícias e chega a querer ir para dentro do parque porque ela lá está... A sua paixão por bolas é de tal maneira que na semana passada, no hipermercado, começou a ficar quase histérica a apontar para as melancias. Não estava a ver o porquê de tal felicidade por causa de uma fruta que ela não reconhece como tal. Só depois é que percebi: eram bolas!...
Dois passos!
No fim-de-semana, a brincar com o tio F., quis vir ter comigo. Estendi-lhe as mãos e o tio pregou-lhe a partida. Conforme ela deu o passo em frente na minha direcção, ele largou-a e ela muito depressa deu dois passos sem se apoiar a nada. Hoje, repetiu a façanha. Agarrada ao sofá, estendi-lhe as mãos e incentivei-a a vir ter comigo. A rir, voltou-se de frente para mim e deu mais dois passos inteirinhos sem mãos! Também hoje, no The Little Gym, deixei-a seguir caminho, enquanto a vigiava, quando a vi em pé segura a uma almofada enorme para cambalhotas. Quando se soltou, ficou propositadamente dois segundos em pé sem se apoiar. Um pequeno passo para o homem, mas um passo de gigante para um bebé... Pode ser que ainda faça a vontade ao pai e comece a andar no seu dia de anos...
Banheira
Fica louca quando vê a água da banheira a correr. Põe-se em pé a apontar e a pedir para ir lá para dentro o quanto antes. Depois de entrar, fica em pé a chapinhar na água e só depois é que se senta. Os seus brinquedos são sempre os mesmos: o pato da Imaginarium (do qual já aqui falei), o termómetro de água que nunca usámos quando era recém-nascida e que tem a forma de um peixe amarelo e o livro do flutuar (uma bóia amarela em forma de estrela com o peixe chamado Pompeu e que ela quase que já diz bem - "pompê"). Para a conseguir esfregar da cintura para baixo, a técnica é sempre a mesma: começo a atirar água para as costas e para a barriga e ela automaticamente levanta-se e agarra-se à borda da banheira. Dá-me o tempo suficiente de a lavar em condições. Depois, divertimos-nos um bocadinho por nada com a água e os brinquedos. É sempre um bom momento.
Treino para a natação
A banheira tem servido de treino para os dias de natação. O chap, chap, chap é com o bater das mãos e dos pés na água. Agora já se vê água a sair para fora e ela achar normal os salpicos na cara quando a violência do gesto o justifica. Também o deitar de costas é ensaiado. Aviso-a de que a vou deitar e ponho-lhe a mão nas costas. Ela acede deitar-se para trás segura por mim. Mas só um bocadinho!... Parece que estão a resultar, pois já identifica os gestos e não refila muito com o deitar de costas... Amanhã verei os frutos destes meus ensinamentos caseiros.
Natação
A semana passada, estreou-se nos mergulhos. Até agora, sendo a mais pequenina da turma, apenas tinha autorização para se sentar à beira da piscina para se deixar cair nos meus braços, sem mergulhar a cabeça. Desta vez, juntou-se aos colegas de água e ao cair foi mesmo abaixo. Ao sair da água, vinha a fazer os prfff típicos de quem tem água a mais na cara, mas não houve pirolitos, nem choradeira. A professora Ana fartou-se de a aplaudir e ao fim de duas vezes achou que era suficiente. Quanto às outras actividades, adora todas, desde o barquinho (anda aos esses na água virada de frente para mim) ao gatinhar por cima do colchão até ao outro lado, onde eu estou (costuma ser o exemplo para a M. grande da turma, que tem medo de tudo. A coitada da miúda passa a vida a ouvir: "olha a M. pequenina! Ela está a fazer e tu não!"...). A professora de vez em quando faz umas maldades com o regador, para eles perderem o medo da água na cara e a M. nem reage - as nossas investidas na nossa banheira com a água na cabeça surtiram efeito. O chap, chap, chap das mãos e dos pés ainda precisam de mais treino e nem sempre são cumpridos. Para além disso, não gosta de nadar de costas, lutando para se virar quando chega a essa parte. A sua colaboração nem sempre é a desejada - quando é preciso pôr o esparguete debaixo dos braços, passa a vida a tentar tirar aquilo, o que para mim implica um esforço enorme para não a deixar cair de cabeça na água... Adora a bola amarela. Passa a vida a tentar chegar aquela coisa que não pára quieta um bocadinho e que é demasiado grande para conseguir agarrar. Ah! E adora comer o material das aulas - os pesos de esferovite então é à dentada! O cômputo final é extremamente positivo.
Pêpê!
Foi o pai que ensinou. Chucha, alias chupeta, alias, pêpê. Já o diz na perfeição e basta ela cair por qualquer motivo e põe-se logo a olhar para o chão e a dizer com um ar interrogativo - "pêpê?...". E estamos a ficar viciadas na dita. Cheira-me que vai ser um caso sério perder a dependência...
A galinha do vizinho
Ementa para o jantar:
- sopa de bróculos sem sal - após algumas colheres: "hum... ainda se come, mas deve haver melhor..."
- massinha com perú cozido sem sal - após algumas colheres: "isto até parece bom, mas há qualquer coisa que está errada..."
- papaia - a meio da sobremesa: "ok, ok! Isto é docinho... Eu até gosto, mas mesmo assim..."
Não insistimos. Achei que o lanche tinha sido mais pesado ou que pura e simplesmente não tinha fome. Como a M. come sempre bem, não nos preocupámos, deixando um biberão meio preparado para a ceia, mesmo que estivesse já a dormir. Assim, sentámos-nos à mesa a jantar. Cardápio: peixe com batatas assados no forno. A M. espreitou para o prato do pai e... Começou a gemer, a debruçar-se toda sobre a cadeira de comer e a fazer tanto barulho, que mal nos ouvíamos. O que vale é que a pediatra já autorizou o sal. Aliás, é esse o motivo da greve de fome da nossa filha - já tem termo de comparação por ir petiscando dos nossos pratos enquanto comemos. Depois de saber o que é bom, o paladar refinou. Resultado? O B. não jantou, tendo a M. papado tudinho do seu prato. Conclusão? Comida sem sal e só cozida? Comam-na vocês!!!
Demasiado arisca
Na segunda, a M. acordou antes de eu tomar banho. Fui buscá-la e levei-a para ao pé do pai, para que este tomasse conta dela enquanto a ama não chegava. O B., no quentinho da cama, não se querendo levantar logo, especialmente porque estava frio, tentou. Abraçou-a e com muitos miminhos, enfiou-a para debaixo dos lençóis, enquanto a segurava nos seus braços. Hum-hum... A M. debateu-se, torceu-se, contorceu-se e conseguiu. Sentou-se e desatou a passarinhar cama afora com os seus dadás bem sonantes. Foi uma boa tentativa, mas a nossa filha é demasiado arisca para essas façanhas, pai!...
É mesmo do contra!
No sábado tive de acordar às 7h30. A M. achou por bem só acordar às 9h30. No domingo, tinha a manhã por minha conta. A M. estava a pino às 7h20... Irra, filha! Podias ser mais amiga da mãe!!!
Pede a guitarra
O tio F. também estava em Quiaios. Como de costume, tivemos festa e guitarrada. A M. fartou-se de dançar e até experimentou dedilhar naquelas cordas duras. No final do fim-de-semana, já quase de partida, estava a M. ao colo da avó (que fez o gostinho ao dedo e adormeceu-a ao colo), quando viu a guitarra em cima do armário. Apontou, olhou para a avó e fez um "ãhhh" de quem pede. A avó perguntou-lhe se era a guitarra que queria, ao que ela voltou a apontar e desta vez... abanou-se como que a dançar. Como quem, toca lá aquilo que eu quero dançar!...
Neta de padeiro
É mesmo!!! Já por mais de uma vez frisei aqui a sua vontade de comer permanente. Desde que descobriu o pão e o termo que se usa para o denominar, não quer outra coisa. Se me vê entrar na cozinha vai direitinha à zona da caixa do pão, levanta-se e encostada ao armário começa a gritar "pãínnn! pãíinnnn!!!", enquanto aponta, toda esticadinha para o sítio da sua veneração. Aliás, tem dias em que tudo o que seja de comer é "pãíinnn"... É de tal maneira, que já cheguei ao cúmulo de ligar para a minha sogra um desses dias em que a M. andava para trás e para a frente na sala, atrás de mim, a gritar por mais "pãíinnn" só para ela ouvir a nova proeza da sua neta... O avô padeiro e a avó que não consegue resistir a uma côdea de pão (estão-se sempre a rir para ela...) deliram ao vê-la tão desesperada por pão, sentindo uma consanguinidade mais vincada pelo facto de a neta ser a fã n.º 1 daquele alimento, que eles tão bem conhecem por o terem fabricarem tantos anos.
Tirei as teimas
No fim-de-semana fomos até Quiaios ter com os avós. Naquela casa, a M. dorme no nosso quarto, numa cama de grades, ainda do tempo dos anteriores proprietários. No sábado, esteve na brincadeira com a avó e o tio até à meia-noite e depois fomos todos nos deitar. Foi uma festa! Quando se apercebeu de que para além dela, nós também íamos e ainda por cima no mesmo quarto que ela, ali mesmo ao lado, viu-se a alegria espelhada na sua cara. Esteve ainda um bom bocado a atirar a Lola para o chão, entretendo-se a ver o pai a apanhá-la vezes sem conta, para lha atirar para dentro da cama outra vez. A certa altura, não conseguindo ler mais nada, apaguei a luz e deixei-os neste atira-apanha, enquanto o pai jogava mais um pouco no telemóvel. Acabou por adormecer sem qualquer tipo de fita. Às 3h da matina, acordámos com o seu choro. Chorava de tal forma, que nos obrigou a levantar aos dois para preparar o biberão, que acabei por lhe dar eu. Adormeceu na mimalhice do meu colo outra vez, quase uma hora depois. Achei que por aquela noite já estava e aconcheguei-me no bem bom dos lençóis quentinhos numa noite bem fria. Meia-hora depois, acordei com os seus gemidos. Estava a querer chorar, ainda a dormir, fazendo sons meios aflitos. Ao fim de alguns minutos, chorou mesmo e acabou por acordar outra vez. O pai desta vez acalmou-a e ela caiu até de manhã. São mesmo pesadelos. Resta saber se à conta deles, não vai ganhar alguma manha...
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Gui
Amiga de barriga, nasceu no mesmo ano da M. no meu dia de anos e é mais conhecida por Pocahontas, alcunha que lhe foi posta quase à nascença por ter tantas semelhanças com aquela personagem da Disney. As suas características: morenaça, com uma cabeleira farta, que nos seus escassos 10 meses já foi cortado três vezes, de uma alegria contagiante e muito, muito querida. Um pormenor: a sua primeira gargalhada foi dada comigo... :) As mães ficaram amigas e ainda por cima temos a sorte de sermos quase vizinhas. Juntas são do mais engraçado que há. Já se reconhecem perfeitamente e fazem sempre uma festa uma à outra. Ontem, a M. teve o privilégio de receber beijinhos e miminhos da sua amiguinha, que é uma verdadeira mimocas, na aula de ginástica, à qual também aderiu. Como disse a mãe F. e muito bem, temos de fazer por cultivar esta amizade, para que perdure e para que um dia possam partilhar de memórias conjuntas de há muitos anos. São estas amizades que geralmente ficam para sempre e que resistem até às circunstâncias da vida. Para além disso, os seus pais são pessoas que merecem o nosso respeito e confiança, e é também uma amizade que gostaria e faço questão de cultivar. Ainda bem que ainda se conseguem fazer amigos assim!...
A sua amiga
A Lúcia. A ama da M. é a sua grande amiga. Deixa-lhe cortar as unhas, adormece ao seu colo, diz-lhe adeus quando vai embora, está sempre de volta das suas saias lá por casa. Agora com a constipação, deixa-lhe pôr soro no nariz com uma pintarola só vista. Nem precisa de subterfúgios. É só tapar uma narina com um dedo enquanto espreme o frasco para a outra e depois repetir do outro lado. Sem choros, sem refilices, sem guerras. A última: agora, quando a vê ir embora, chora!
Pequeno-almoço na cama
Como não queria que a M. acordasse tão cedo, tinha pedido à ama para não fazer barulho quando chegou. Mas mesmo assim a M. acordou, pelo que a ama tentou uma estratégia nova. Fez o biberão e foi-lho levar à cama, onde ela estava muito sossegada de olho aberto. A M. segurou nele como já é costume e por isso a ama veio-se embora, fechando a porta atrás de si. A M. mamou tudinho, pousou o biberão e com um embalo da sua amiga, que entretanto voltou a aparecer, adormeceu outra vez até às 10h00. Desconfio que se tivesse sido eu a entrar no quarto o resultado teria sido bem diferente...
7 horas de sono
Foi o que ela dormiu na noite anterior. Durante o dia, não fez qualquer tipo de sesta. Quando cheguei a casa, estava a ama a tentar adormecê-la, mas não conseguiu. Peguei nela e fui buscar o B. ao trabalho para tentar a técnica do adormecer com o ronron do motor. Ainda dei umas voltas extra na rotunda das Olaias, mas não resultou. Foi à ginástica e os olhos de sono deram lugar à excitação normal daquelas aulas. No regresso a casa... Adormeceu e ferrou até às 21h30, hora em que chorou para jantar. Depois disso, só adormeceu à meia-noite, para acordar à 1h00 e obrigar-me a ficar no quarto com ela até à 1h50. Às 2h20 acordei outra vez, com um choro que não chegou a exigir a minha presença. Adivinhem a que horas acordou hoje de manhã? Às 8h00... Ou seja, outras 7 horas de sono... Ou seja, em 48 horas, dormiu 16. Tendo em conta que os bebés da idade dela devem fazer um amédia de 12-14 horas por dia...
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Já segura na colher
Já há muito que enquanto lhe dou a comida, ela segura numa colher para se ir habituando à ideia. Faz dela batuque, leva à boca e atira ao chão. De há uns tempos para cá que lhe vou mostrando para que serve efectivamente aquele instrumento. Ponho-lhe comida na colher, dou-lha para a mão e sem largar esta, levo-lhe a colher à boca. Esta semana experimentei ajudá-la a comer. Dou-lhe primeiro parte da refeição - a sopa (que como é mais líquida não daria bons resultados) e o princípio do segundo prato. Quando acho que ela já está meia satisfeita, a colher passa para a mão dela e começamos o treino. Sempre com a mão dela na minha, apanhamos um bocadinho de comida e levamos à boca. Depois repetimos e repetimos até acabar o prato. Com a fruta faço o mesmo. E não é que ela gosta? Devo aliás dizer que, se eu não tiver cuidado, ela come mais depressa do que se for eu a dar. Passo a vida a dizer "devagarinho, M.". Não tarda, não me deixa segurar na mão e depois vai ser uma chuva de arroz e outros produtos afins!...