terça-feira, 7 de outubro de 2008

Já lhe dou banho

Graças à minha tendinite de Quervain, derivada do pega a toda a hora num bebé, poucas vezes lhe dei banho, por ser preciso segurá-la por debaixo do braço para não cair para trás e a minha segurança ser muito pouca para não a deixar cair - é que se ela desse de repente um esticão para trás, o mais certo era não a conseguir segurar, por me falhar a mão. Agora, já se senta na banheira com segurança e até já se põe em pé com a nossa ajuda. Por isso, apesar de continuar a ser um ritual de pai/filha, já tenho capacidade para o substituir quando ele não está. Ela adora ficar dentro de água - sem ajudas pois não gosta que a seguremos (as minhas mãos estão estrategicamente escondidas atrás dela, não vá o diabo tecê-las...) - a brincar com o pato, o peixinho (um termómetro dos tempos de bebé, que se revelou inútil) e um livro em forma de estrela. Fica sempre mais do que o necessário dentro da banheira porque não quer sair e é aí que reside a minha dificuldade agora. Quando a tiramos, fica mole, escorregando pelas nossas mãos tipo enguia e esperneia, chorando que não quer sair. Para a convencer, pomo-nos em frente ao espelho para ela se ver e esquecer a água. Vejo-me aflita para a conseguir tirar e costumo ficar molhada por ter de a encostar a mim antes de lhe enrolar a toalha.

Muito cuspo

Não o faz a comer (ainda não é desta que levas a tua avante, tia S.), mas já descobriu o pffffrtttt! Andou uns dias com aquele hábito badalhoco de pôr a língua de fora e fazer aquilo, para ficar toooooda babada. Vá lá, gosta demasiado de comer para se lembrar de fazer tal brincadeira à hora da refeição, senão era sopa por todo o lado!...

"Vou-te apanhar!!!" X "Esconde, esconde!!!"

Qual delas a sua brincadeira preferida. Eu ponho-me de gatas, faço ar de malandra e começo a dizer com ar ameaçador e divertido "vou-te apanhar!". Quando ela me vê fazer aquela cara já sabe, prepara-se, abana-se toda de excitação e aos guinchinhos, começa a fugir à minha frente. Dou-lhe um pequeno avanço e depois agarro-a, para lhe fazer cócegas no pescoço. Por seu lado, o pai adora agarrá-la ao colo e desafiando-me começa a dizer à M. "esconde, esconde!", abraçando-a em seguida, para lhe tapar a cara, enquanto eu lhe faço um "cucu!", ajudado de cócegas. Ela desmancha-se a rir à gargalhada com o jogo. Delira com qualquer uma!

"Cresceu!" disse eu espantada...

Desde que se consegue pôr em pé que adora gatinhar até à cadeira de comer, levantar-se e tentar chegar com o dedo aos buraquinhos por baixo do tabuleiro. Fica na pontinha dos pés e quase, quase que chega, mas fica-lhe sempre a "faltar um bocadinho assim". Ora, precisamente uma semana depois de ter observado esta cena, com a madrinha dela em casa, a M. repetiu a sua tentativa de se esticar. E eu, ao reparar, mostrei-lhe tal graça. Não é que a M. chegava na perfeição aos buraquinhos?! Nem em bicos dos pés se pôs! Fiquei abismada o quanto ela tinha crescido numa semana. A madrinha sorriu com tal evolução e fez um ar de aprovação. O B. chegou e eu repeti-lhe o surto fantástico de crescimento, ao que ele naturalmente me respondeu que "é normal. Ela está a crescer...", com um ar entendido. Eu não estava em mim - ela tinha crescido à vontade uns 10 cm no espaço de uma semana! É... À noite, como de costume empurrei a dita cadeira até à nossa mesa, para nos fazer companhia ao jantar. Como esta tem uma tábua por debaixo do tampo, tenho de baixar aquela dois níveis para que a M. consiga enfiar as pernas. Vou carregar nos botões e... Já estava na posição certa... Fez-se luz... Afinal, a M. não tinha crescido extraordinariamente. A cadeira é que tinha descido... O que vale é que não fui só eu a embrutecer momentaneamente - estava acompanhada de mais dois tontos que foram na onda do cresceu.. E ainda por cima, a madrinha já tem um filho de 8 anos, por isso, já tinha a obrigação de saber melhor... Ai, ai... Na brincadeira, por vezes digo que estou com Alzheimer galopante. Por vezes, não sei se não é verdade... :S

Ai! Ai! Ai! Ai! Ai!

No segundo dia de regresso das férias, portanto ainda bem treinada nas birras de contrariada, ao chegar a casa, perguntei à ama se tinha dormido. Respondeu-me que sim. Quando perguntei como, confirmou as minhas suspeitas: no carrinho para trás e para a frente no corredor de casa. Com a M. ao colo, olhei para a ama e em tom de brincadeira, fiz "Ai! Ai! Ai! Ai!". No instante a seguir, a M. faz beicinho e começa a chorar. Mas a chorar a valer, com lágrimas gordas e tudo! Nem queria acreditar! Estive que tempos a abraçá-la e a explicar-lhe que não era com ela, até se acalmar. Ficou a olhar para nós com um ar muito sério, sem perceber muito bem o que se estava a passar. A ama, tão espantada quanto eu com aquela reacção, testou-a. Olhou para ela, e com aquele ar meigo que tem, tentou fazer um "Ai! Ai! Ai! Ai!" convincente. Não é que a M. começou logo, logo a fazer beicinho. Só não chegou a chorar porque a ama é demasiado doce para conseguir fingir à séria e nem seria essa a sua intenção. Lá lhe dei mais uns beijinhos e ficou satisfeita. Mimada é o que ela está, com toda a certeza, mas ainda bem, é sinal de que é feliz. A ver vamos se conseguimos equilibrar as coisas para não a transformarmos numa peste!...

Boa noite, papá!

Depois de se perceber qual é o problema, foi fácil de resolvê-lo. Agora, todos os dias à noite, entre as 9h30 e as 9h45 o mais tardar, quando a M. começa a revelar sinais de cansaço, pego nela ao colo, o pai dá-lhe sempre as boas noites com vários beijinhos, enquanto digo por ela "boa noite, papá!" e depois levo-a para o quarto. De luz apagada, já com a cama aberta, nas primeiras noites tive de acalmá-la primeiro ao colo. Pegava no ursinho Babiage, punha a música a tocar e embalava-a até ela parar de chorar. Era um choro pouco normal, que depois de saber o motivo era facilmente identificado como de medo, senão mesmo de pânico. Falava-lhe baixinho ao ouvido, conversava com ela, enquanto ela ia sossegando e encostando a cabeça no meu ombro. Quando já estava calma e meia grogue de sono, punha-a devagarinho na cama. As duas primeiras noites resultaram numa choraminguice, que passou com umas massagens nas costas - abro os dedos médio e indicador e com alguma pressão subo-os e desço-os pelas costas dela, cada um de seu lado da espinha. Adormecia de rabo espetado, muito mais calma. Nas noites seguintes, as massagens já não resultaram. Apesar de se pôr na posição, ao fim de alguns minutos, resistia e sentava-se ou punha-se em pé para me impedir de realizá-las. Assim, sentei-me no chão do quarto, ao lado da sua cama sem dizer palavra, com uma mão dentro da cama para ela me ver. Se choramingava, dizia-lhe baixinho que estava ali e ela, ouvindo a minha voz, olhava para mim, arrastava-se para ao pé de mim e acabava por aí adormecer. A sua única necessidade é sentir-me ali, ao pé dela. O tempo que demorava a adormecer era também resultado de me estar a controlar - entreabria os olhos para me ver de x em x tempo, mexia a mão ou o pé para me sentir... Houve um dia que já estava de costas para mim há um bom bocado. De tal forma, que achei que já estaria a dormir. Levantei-me devagarinho para sair do quarto, quando se ouviu o meu joelho a estalar. Um pequenino estalido, mas que a fez levantar a cabeça e olhar para trás. Só tive tempo de me levantar, olhar para trás, ouvi-la choramingar e voltar para trás para o meu lugar ao lado da cama. Automaticamente, parou, baixou a cabeça e ficou-se depois de alguns controlos em como eu ainda ali estava... Depois, criou-se o ritual: chegamos ao quarto e ela pede-me logo para ir para a cama, já não precisando primeiro do meu colo para acalmar. Eu deito-me sem palavras na cama ao lado e ali fico à espera que ela adormeça. O normal é adormecermos as duas, cada uma na sua cama, ao som do ursinho.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Medo de dormir

Calhou a M. adormecer na cadeira de comer no dia em que a tia S. me ligou a confirmar as noites difíceis que se avizinhavam, por isso respirei de alívio por não ser preciso entrar logo em medidas drásticas. No dia seguinte, sábado, fomos para Quiaios ter com o tio F. e a tia S. Jantámos fora, com uma M. muito bem-disposta a mordiscar pão. Até que... Começou a revelar o seu cansaço. Desatou a chorar sem grandes intervalos, por isso peguei nela e fui para casa, deixando o resto da malta a ver a selecção nacional. Confesso que ainda dei umas voltas de carro pela vila (que é enooooorme...) para ver se não tinha de assistir ao cinema fora da minha casa, mas em nada adiantou - chorava a plenos pulmões. Fui para casa, fiz as camas (a nossa e a dela) com ela a passarinhar pelo quarto e depois de um bocadinho de mimo ao colo, dei-lhe um beijo de boa noite e pu-la na cama, ao mesmo tempo que o B. e a tia S. chegavam a casa. O B. sabendo o que me esperava, aproveitou o intervalo do jogo para me ir dar apoio moral. Saímos do quarto e deixámos a nossa pipoca a chorar desalmadamente. Ao fim de alguns minutos, já eu e o pai estávamos em polvorosa, por isso, a tia S., para nos acalmar, perguntou-nos se podia ir ela ao quarto. Eu agradeci secretamente do fundo do coração e acho que o B. também. Assim, estivemos os dois na sala, durante uma hora e meia a ouvir a M. a chorar no quarto, com pausas cada vez maiores e uma amiga incansável a tentar conversar calmamente com ela. O B. conseguiu devorar duas sandes e sei lá mais o quê com os nervos e eu acompanhava-o a bufar de 10 em 10 minutos com os nervos. Confesso: não fosse a tia S. lá estar não sei se conseguia. E ainda bem que ela lá estava. No dia anterior, quando falou com o seu professor, este também tinha posto a hipótese dos pesadelos, tendo-a descartado para segundo plano por ainda ser cedo. Ou seja, os bebés por volta do ano já conseguem reproduzir mentalmente durante o sono imagens que assimilaram durante o dia. Por vezes, estas assustam-nos e eles têm os chamados pesadelos. A M., por estar sobre-estimulada, e por isso mais à frente nalgumas coisas, já chegou a esta fase. E confirma-se. Naquela semana, acordei uma noite com ela aos soluços a dormir, e nem as minhas festas na cabeça, nem os meus sussuros a acalmaram logo, não tendo nunca acordado durante todo o processo. Quando, naquela noite, a tia S. assistiu ao cinema, pelos vários sinais percepcionados percebeu - a M. tinha era medo de dormir e fazia o impossível para não adormecer. Assim, a solução era precisamente a contrária: ela precisava da nossa presença para se deixar ir para o vale dos lençóis sem grande resistência...

Sestas - nem vê-las...

Convém aqui explicar que a M. já não andava a dormir nada durante o dia - de manhã é raro tal proeza e à tarde, ou porque teve a visita do avô ou da tia, ou porque a ama não insistiu por causa do choro, tal facto reproduzia-se. Chegou a fazer sestas de 20 minutos num dia inteiro e aguentar acordada até às 22h00. Apesar de adormecer tarde (às vezes à meia-noite) por causa das birras, acorda sempre entre as 7h30 e as 8h15, salvo raras excepções, que estica até às 9h00. Isto porque desenvolveu um relógio interno à conta das mamadas que tinham de acontecer o mais tardar até às 8h15 (foi o único grande senão de dar de mamar, pois até eu ir trabalhar, ela acordava bem mais tarde, por volta das 10h30...). Faz noites inteiras - o problema é adormecer e não dormir - desde que tem um mês, mas mesmo assim, não dorme o suficiente para compensar a falta das sestas. Sai a mim: desde muito cedo que a minha mãe desistiu de me fazer dormir a sesta e ainda hoje odeio dormir de dia - é preciso estar num estado febril ou de cansaço muito grande para tal acontecer, senão o humor é terrível quando acordo... Assim, à noite, chega derreada e com um cansaço brutal em cima. Levei nas orelhas da tia S., que me disse que um bebé nesta idade tem de dormir por volta de 14 horas por dia, pelo que repercuti a reprimenda à ama, que por sua vez começou a tentar mais afincadamente. Para além disso, impus a regra das visitas a partir das 17h00 ou então antecipadas por um telefonema para saber o estado da criança: acordada ou a dormir...

Birras - 2

O choro antes de dormir... Inexplicável. Chegada a Lisboa, começou por adormecer embalada no carrinho pelo nosso corredor afora, por iniciativa do pai. Conforme a minha previsão, a certa altura, tal truque deixou de resultar. Tentou-se de tudo - até o colo... Nada, mas nada, a calava, a não ser o cansaço, depois de uma hora, ou mais, ao colo, a berrar. Literalmente, a berrar. Dava guinchos nada normais. Achei que era birra de sono, conjugada com cansaço (não quer dormir de dia), com três semanas de rotina para adormecer e mimo a mais que tinham resultado numa super-manha. Uma noite, como não se calava, nem ao colo, pu-la na cama sentei-me ao lado a falar baixinho. Depois, tentei calar-me. Como também não resultou, sentei-me no chão escondida atrás da cama a ouvi-la a chorar (sou masoquista, sou...). Ao fim de talvez 40 minutos, a chorar com ela, não aguentei mais e peguei nela ao colo. Talvez por se sentir aconchegada depois daquele abandono tão grande, talvez vencida pelo cansaço, adormeceu pouco depois embalada por mim. Nessa noite, sozinha em casa (como não consegue ouvir a filha a chorar, o B. deu boleia à tia para casa e depois passeou por Lisboa, para dar tempo...), estava uma pilha de nervos: primeiro pelo choro dela incontrolado e segundo por ter contrariado a minha própria teoria. Quando o B. chegou, cheguei a dizer-lhe que se ela adormecesse ao colo sem choro desde o início, connosco sentados, desistia das minhas belas teorias e passava a fazer isso, mas ela só nos quer em pé e já pesa muito, quanto mais daqui a uns tempos. Delírios!... Sabia qual era a solução: uns dias a chorar na cama, sem apelo, nem agravo. A minha dúvida porém era outra: como deixar chorar? Comigo ao lado sem falar, com a mão dentro da cama, vir-me embora e deixá-la sozinha? É que se era para chorar, que pelo menos fosse uma solução eficaz - sofrer sem resultados não valia a pena. Falei com a amiga enfermeira para lhe pedir um conselho de mãe. A sugestão foi pô-la na cama, vir embora e deixar chorar, não importa quanto tempo, porque manha é assim que se combate, por mais que nos custe. Calhou a tia S. telefonar nesse mesmo dia e aproveitei uma borla psicológica. Depois de algumas perguntas lógicas - tipo, mudou alguma coisa na rotina, como é o choro, etc... - achou que a enfermeira tinha razão, mas ficou de confirmar com o seu mestre em psicologia infantil. Nessa noite, calhou a M. estar tão cansada que antes de a pôr na cama, tentei embalá-la e a técnica resultou: já ia mais para lá do que para cá quando a deitei e deixou-se ficar sem grandes cinemas, comigo a fazer-lhe massagens nas costas. No dia seguinte, a tia S. confirmou-me a resposta dada no dia anterior. Podia apenas ir ao quarto de x em x tempo tentar acalmá-la sem pegar ao colo, mais por mim, mãe, do que por ela, por forma a não sentir que a estava a abandonar à sua sorte. Se não resultasse, para lhe ligar outra vez. Preparei-me mentalmente para o que aí vinha e avisei o B. para que ele me desse apoio - é que deixar a filha chorar assim não é fácil e sozinha em casa mais ainda...

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Birras - 1

O regresso das férias teve uma consequência evidente: birras por tudo o que quer e por tudo o que não quer. Se lhe dizíamos que não, chorava. Se não lhe dávamos, chorava. Se a ignorávamos, chorava. Para além disso, começou a berrar sem explicação na hora de dormir, fosse na cama, no carrinho, ao colo, eu sei lá... Na semana de regresso, à tarde, simplesmente não me deixou pôr a fralda. Torceu-se, contorceu-se, parecia uma enguia, enquanto chorava, berrava, guinchava. Um verdadeiro disparate. A muito custo e muitos nervos depois, consegui. Só acreditou em mim a tia porque estava presente e assitiu a tudo. Tanto o B., como a ama fizeram cara de gozo e de exagero da minha parte. No dia seguinte, fiz o sermão à ama sobre a necessidade de contrariar a menina, ao que obtive como resposta o costume: silêncio, pressupondo-se a anuência. Achei que ela não me tinha levado a sério, sério - só por metade. Quando cheguei, na rua, recusei a ida do colo para o chão porque sabia que ela queria gatinhar cimento fora. Encostou o queixo ao peito, fez cara de má e berrou (literalmente) com um "agrrrmmmm!" de zangada, enquanto se torcia para conseguir chegar ao chão. Calmamente, segurei-a com força e repeti várias vezes que não. Ao fim de uns minutos, distraiu-se com a árvore e foi como se nada fosse com ela - apontou e "dá! dá!". A ama assistiu a tudo. Entendeu melhor o sermão... No dia a seguir, voltei a repetir a importância do não à ama de manhã. Ao regressar à tarde, percebi que a ama tinha interiorizado definitivamente o sermão. A M. tinha-lhe feito uma birra similar à que fez comigo, a propósito da fralda. Contou-me a desagradável experiência, que tinha começado a dizer não e como isso estava a fazer efeito. Ao fim de três semanas, a M. já percebe verdadeiramente o Não. Agora, o normal, é insistir uma ou duas vezes quando quer mexer nas coisas ou em certos casos, como o da mesinha da sala, já olha para nós antes de mexer, como que a pedir autorização, e desiste com a negativa. É claro que não temos nenhum génio em casa - continua a fazer birras, a tentar mexer onde não pode e a não querer ficar deitada no muda-fraldas mais do que uns segundos, mas o exagero já não é exagerado. Quero acreditar que com o tempo chegamos lá...

Carrinho

Perdi a cabeça e uns tempos depois, fui lá buscar o carro da mesma marca... Enquanto anda, toca uma música super-engraçada, que põe a M. a abanar-se toda, acende e apaga as luzes e ainda tem uma cenoura escondida no porta-bagagens que ao puxar-se regressa ao sítio, tremendo por todo o lado, com um "bzzzzzz!" divertido.

Espelho

Com base nas dicas da Dodot (tem um site fantástico, com bastante informação) sobre os brinquedos adequados para as crianças dos 0 aos 12 meses, andava à procura de um espelho para ela brincar. Já aqui fiz antes a referência de como ela gosta de se ver ao espelho (como, aliás, todos os bebés nesta fase). Só descobri o da Imaginarium, que me parecia excessivamente caro (como quase tudo lá) para o efeito, por isso continuei à procura. Um dia, lembrei-me de procurar na net o site da Taf Toys, marca de um cubo fantástico que lhe comprei. Fiquei fã da marca. Têm coisas lindas e só tenho pena de não a ter descoberto mais cedo, pois há coisas que já não são adequadas para a M. (como por exemplo, um brinquedo que se pendura nas costas do banco de trás do carro enquanto eles vão no ovo, e por isso de costas para a estrada, com estímulos aos quais eles conseguem chegar). E de facto, tinham um espelho. Mas encontrá-lo cá?... Enfim, reservei a ideia de o encomendar via net, sem estar muito convencida, pois o preço, com as despesas de envio, acabava por se aproximar da Imaginarium. Entretanto, tive de ir buscar a cadeirinha para o carro à loja em Sintra e descobri que a senhora também tinha descoberto a marca, tendo-se tornado sua representante. Encomendei o espelho sem compromisso. Quando regressei de férias, já tinha recebido um telefonema a dizer que já lá estava para eu ir ver - é muito giro, tem três fases - pendurado na cama de grades, deitado no chão e depois em pé - e custa quase metade do preço do outro. Trouxe-o. A M. também adorou e mais uma vez provou que é uma espertalhona. Quando cheguei a casa com ele, abri o embrulho com ela ao colo. Pus-lho à sua frente e ela como de costume começou a mirar-se e a rir-se para si mesma. A certa altura, ao ouvir-me falar, em vez de olhar para mim directamente, baixou a cabeça, para poder espreitar e ver-me através do espelho. A seguir fez o mesmo com a ama. Pôs-nos a rir às duas com a gracinha.

Quando chego a casa

Na maior parte das vezes, quando chego a casa, está no jardim com a ama, na sua aprendizagem da difícil tarefa que é aprender a andar. Quando me vê ao longe, começa a dar saltinhos de contente, a querer dar passos de gigante, enquanto se abana toda e dá guinchinhos de satisfação. Dá-me cá um gozo!!!

A saia do pai

Não o largava. Teve uma fase depois das férias, que eu pura e simplesmente só existia na ausência do seu mais que tudo. Esticava-lhe os braços a pedir colo, ia atrás dele com o seu "nha! nha! nha!" característico, aflita por ele ir "só ali, filha!" e eu era ignorada com uma pintarola que só vista! De manhã, depois de mamar, queria o pai. À tarde, quando ele chegava, queria o pai, ao ponto de ele não ter tempo de se desembaraçar do fato e da gravata ou mesmo lavar as mãos. Confesso que por mais bonito que seja e mesmo satisfatório, a pontinha do ciúme está lá. Sobretudo, quando quer sair do nosso colo para o dele... Agora já acalmou, já partilha o entusiasmo pelos dois outra vez.

O nosso blog!...

Uns dias depois das férias, o B. perguntou-me à mesa: "então, já se escreveu alguma coisa no nosso blog?". "Já se escreveu"?! O "nosso" blog?! Perguntei. Resposta: "é nosso, então não é sobre a nossa filha?" E esta, hein?! Comecei esta aventura como uma forma de desabafar sobre os problemas da vida com um bando de desconhecidos, que eventualmente me descobrisse no meio do caos que é a internet. Com o nascimento da filha, pouquíssimo tempo depois de me intrusar nestes meandros, comecei gradualmente a tornar isto num diário para um dia mais tarde lhe oferecer. Mas sempre na perspectiva de algo mais anónimo, mais livre, por não saberem quem eu sou ou a minha família. Agora, dou por mim a ser lida por uma quantidade generosa de amigos, alguns desconhecidos, que me deixam aliás comentários engraçados, e por um marido sedento de ver por escrito aquilo que acontece com a sua filha. Ainda um dia, arranjo outro que ninguém vai descobrir de quem é para poder dizer as maiores baboseiras que me apetecer!... ;)

Anona

A M. adora fruta, não importa qual. Nem posso falar em preferência, porque com todas, debruça-se toda na cadeira de comer, torce-se para chegar mais depressa à colher e até dá o jeito à mão esquerda como se estivesse a dançar sevilhanas, ao som de muitos "hhumm!" de satisfação. Se tivesse mesmo, mesmo de escolher, acho que votava na melancia, mas se calhar foi por nas férias ter havido muita... Já provou as "normais" - banana, maçã, pêra e afins, assim como as de época, tal como meloa e companhia, cereja e uvas. Das tropicais também já tomou conhecimento: papaia e manga marcham lindamente. Foi a vez da preferida da mãe e da avó materna. Provou anona, fruta da minha segunda terra, a Madeira, que apesar de ter dado uma trabalheira a tirar caroços (na ilha, são 3 vezes maiores e quase não têm estes incómodos...), foi um sucesso.

Os dentes de cima

Já apareceram! Nem demos por ela. No sábado de manhã a seguir ao regresso de férias, estava o B. a tentar tirar-lhe um bocado de papel irresistível ao provar (...) quando sentiu qualquer coisa na gengiva superior. Espreitou, voltou a passar o dedo e descobriu dois dentes - um já totalmente saído e a crescer, o outro a rebentar. Depois de "oh filha! Nem demos conta!..." (ainda damos uma importância enorme a todas as novidades ao pormenor), foi uma festa e o B. ligou logo à mãe a contar. E afinal, parece que fomos os últimos a saber... Na segunda, quando contei à ama, ela com naturalidade respondeu que sim, que já sabia e que até já tinha mostrado ao avô, que por sua vez já tinha contado à tia. Por um lado, ainda bem - é sinal que não lhe doem...

Contrariá-la

Chegados de férias, o normal era insistir, insistir, insistir até ficar irritada e chorar. Como não tinha sorte com essa estratégia, com uma outra qualquer distracção, acabava por apontar, olhar para nós e fazer "Da! Da!"... Até que um dia... Temos uma mesinha de apoio na sala, com umas velas pequeninas e um cinzeiro de estimação do B. A M. adora levantar-se agarrada a ela - fica mesmo à sua altura - e tentar atirar tudo para o chão. Como de costume, assim que a vi a agarrar-se à borda da dita mesa, preparei-me para a lenga-lenga do "não, não!". À primeira nega, olhou para mim e esboçou um sorriso gigante. Fiz um esforço, segurei-me e voltei a dizer "não, não!". Ela vai e... esboça um sorriso gigantérrimo, acompanhado de um "hhhhum!" malandreco. Fiz das tripas coração, respirei fundo e voltei à carga - "não, não!". Vai daí, olha para mim, testa-me em segundos e... solta uma gargalhada cristalina!... Desculpem os manuais de pais perfeitos, mas não fui capaz. Desmanchei-me com ela e ri a bom rir. Escuso de dizer que depois tive de lhe tirar a vela da mão, certo?...

Paul Newman

Desde que o descobri no início dos anos 80, tinha eu acabado de entrar na adolescência, que fiquei fã. Qual Tom Cruise, qual carapuça! Paul Newman é que era e o homem já ia nos seus 50s. Lindo de morrer, com uns olhos azuis profundos e uma simetria de cara (e não só...) fora do normal, não deixou qualquer ponta de fora no seu trabalho como actor e realizador. Ser humano com consciência democrata e marido fiel de 50 anos (coisa rara em Hollywood), é um exemplo para muitos. Morreu esta semana. Deixou-me uma pequenina tristeza por já cá não estar, mas como diz o Bono, é fácil lembrar um nome, mas, mais difícil, é recordar o que se fez em nosso nome, por isso, fica aqui um tributo a um Senhor, que marcou mais do que uma geração.

"Paul Newman interpretou vários papéis inesquecíveis. Mas aqueles que o orgulharam mais nunca foram campeões de bilheteira: marido devotado, pai e avô amoroso, filantropo dedicado. O nosso pai era um raro símbolo de humildade, o último a reconhecer que o que ele fazia era especial. Intensamente reservado, fez a diferença na vida de muitas pessoas graças à sua generosidade. Até ao fim da sua vida, o nosso pai foi incrivelmente grato pela sua sorte. Nas suas palavras, "era um privilégio estar aqui". Ele será orgulhosamente lembrado por aqueles cuja vida ele tocou e deixa-nos com uma extraordinária inspiração para prosseguir. "

(Carta das filhas, divulgada no dia a seguir à sua morte)

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Já foi!!!!!!!!!!

Vendi! Vendi! Vendi! Vendi! Vendi! Vendi! Vendi! Vendi! Já se foi embora para o Algarve!!!!! Quando chego a casa já não está parada a olhar para mim e a recordar-me diariamente do meu fracasso, com ar misto de abandono e desafio. Vade retro Satanás! Xô bicho! Só não consegui ficar feliz ao vê-la ir embora devido à incapacidade do meu marido em se revelar feliz também. Nem disfarçar conseguiu... Já só falta dar o golpe final para acabar com a miséria e o suplício do animal. Acabou-se o sonho e a vontade de ser diferente, de sentir-me útil e completa. No dia em que a M. nasceu, desisti, encasquetei na minha cabeça que não dava mais para insistir em bater no ceguinho. Esperei mais uns meses para fazer a vontade ao marido, que tem mais dificuldade do que eu em assumir um erro, mesmo que este não seja dele. Sei que vou ficar sempre com a mágoa de não conseguir ser dona de mim própria, mas como diz o meu pai, o tempo tudo amansa - não cura, isso não, mas ameniza o sentimento.