terça-feira, 7 de outubro de 2008

Boa noite, papá!

Depois de se perceber qual é o problema, foi fácil de resolvê-lo. Agora, todos os dias à noite, entre as 9h30 e as 9h45 o mais tardar, quando a M. começa a revelar sinais de cansaço, pego nela ao colo, o pai dá-lhe sempre as boas noites com vários beijinhos, enquanto digo por ela "boa noite, papá!" e depois levo-a para o quarto. De luz apagada, já com a cama aberta, nas primeiras noites tive de acalmá-la primeiro ao colo. Pegava no ursinho Babiage, punha a música a tocar e embalava-a até ela parar de chorar. Era um choro pouco normal, que depois de saber o motivo era facilmente identificado como de medo, senão mesmo de pânico. Falava-lhe baixinho ao ouvido, conversava com ela, enquanto ela ia sossegando e encostando a cabeça no meu ombro. Quando já estava calma e meia grogue de sono, punha-a devagarinho na cama. As duas primeiras noites resultaram numa choraminguice, que passou com umas massagens nas costas - abro os dedos médio e indicador e com alguma pressão subo-os e desço-os pelas costas dela, cada um de seu lado da espinha. Adormecia de rabo espetado, muito mais calma. Nas noites seguintes, as massagens já não resultaram. Apesar de se pôr na posição, ao fim de alguns minutos, resistia e sentava-se ou punha-se em pé para me impedir de realizá-las. Assim, sentei-me no chão do quarto, ao lado da sua cama sem dizer palavra, com uma mão dentro da cama para ela me ver. Se choramingava, dizia-lhe baixinho que estava ali e ela, ouvindo a minha voz, olhava para mim, arrastava-se para ao pé de mim e acabava por aí adormecer. A sua única necessidade é sentir-me ali, ao pé dela. O tempo que demorava a adormecer era também resultado de me estar a controlar - entreabria os olhos para me ver de x em x tempo, mexia a mão ou o pé para me sentir... Houve um dia que já estava de costas para mim há um bom bocado. De tal forma, que achei que já estaria a dormir. Levantei-me devagarinho para sair do quarto, quando se ouviu o meu joelho a estalar. Um pequenino estalido, mas que a fez levantar a cabeça e olhar para trás. Só tive tempo de me levantar, olhar para trás, ouvi-la choramingar e voltar para trás para o meu lugar ao lado da cama. Automaticamente, parou, baixou a cabeça e ficou-se depois de alguns controlos em como eu ainda ali estava... Depois, criou-se o ritual: chegamos ao quarto e ela pede-me logo para ir para a cama, já não precisando primeiro do meu colo para acalmar. Eu deito-me sem palavras na cama ao lado e ali fico à espera que ela adormeça. O normal é adormecermos as duas, cada uma na sua cama, ao som do ursinho.

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