sexta-feira, 3 de abril de 2009

Imita o cavalo

E muito bem! Começa por fazer o barulho dos cascos a trote e termina com um "Ihhhh!" fininho. Depois, informa: "Cau", palavra para cavalo. Se estiver ao nosso colo, então, abana o corpo para imitarmos o trote enquanto ela reproduz o som de fundo. No que uma mãe se torna! Até já sirvo para montar! Salvo seja... :)

Ti

Descobriu o umbigo. Ou melhor, eu fi-la descobrir, pois tendo em conta a barriga, só puxando é que consegue vê-lo... Mostrei-lhe o meu para ela perceber que todos temos um. A M. foi mais minuciosa: reparou que, ao lado do umbigo, tenho um sinal e que ela também tem um, mínimo, que eu própria não tinha reparado. Assim, agora quando tem a barriga à mostra, obriga-me a mostrar o meu umbigo para depois ir apontando alternadamente para o "ti!" e o "nau!" - os meus e os dela. O B. também já entrou na dança se estiver por perto.

Pau!

Esta parece mal, mas tenho de contar... A M. apanhou o pai a sair da banheira e estranhando a coisa, apontou com um ar interrogativo. Quem me conhece, sabe que sou meia disléxica e por vezes saiem-me palavras da boca que eu própria nem sei explicar (tipo espetafacular ou caixão do lixo, quando o objectivo era camião do lixo). À conta disso, por vezes, senão muitas, saiem disparates. Desta vez, saiu. Com um ar natural, expliquei-lhe que era o pirilau do pai... Em segundos, saiu do lado do receptor: "pau!". Ah, pois é... Agora, na natação, como ainda toma banho no balneário dos homens com o pai e só depois eu visto-a no nosso, é vê-la a apontar e a dizer em alto e bom som: "pau!". O B. passou a sua primeira vergonha com a filha... Ups!... Mea culpa, mea mui grande culpa!!! :)

Lavar a cabeça

Já não lhe faz confusão molhar a cabeça. Adora que eu ligue o chuveiro, para ela escancarar a boca e sentir a água a bater na língua, engolindo grandes golfadas de água atabalhoadamente. Depois, aviso que vou molhar a cabeça, conto até 3 e ela põe-se a postos, em pé , tapando os olhos, enquanto dá gritinhos. Fase seguinte!...

domingo, 29 de março de 2009

É boa!

Aprendeu graças às minhas perguntas. Quando dou de comer à M., pergunto-lhe várias vezes se "é boa, a papa". Ela sorri, aquiescendo. Já é uma pergunta impensada, nem dando por ela, sendo mais conversa para a entreter do que outra coisa. Não é que no outro dia, a comer o jantar, a certa altura diz com um ar convicto "É boa!", olhando para o pai, como que aprovando o pitéu por ele preparado. Ficámos parvos e demos uma gargalhada conjunta, conseguindo com isso que ela repetisse a façanha. Agora, tudo "é boa!" - a papa verdadeira e a papa de brincar com os tachinhos, assim como tudo aquilo que lhe agrada. Vou-lhe tentando ensinar a diferença entre boa e bom, conseguindo, por exemplo, que ela já saiba que o pai é bom e não boa. Mais uma gracinha para todos se divertirem quando ela come - já não bastava a felicidade ao ver a comida a chegar, a satisfação com que come, os suspiros e os apontares felizes para a comida, agora também aprova, dando-lhe sempre uma classificação de "é boa", juntando-lhe uma imitação de mastigar barulhento de pontuação máxima (tipo um miam! miam! de BD). Saca sempre risos e gargalhadas a quem vê pela primeira vez. É mesmo comilona!

Morangos

Depois de tentarmos a carne de porco sem qualquer problema de alergias, passei aos morangos, ficando a faltar o marisco (só aos 18 meses) e os frutos secos (aos 2 anos). Foi a avó que os levou para Quiaios para a neta provar e digamos que ainda bem que esta não desenvolveu nenhuma alergia. Adorou. Comeu tudo e quis mais, não nos largando enquanto não o conseguiu. Come-os sozinha, com as mãos, ficando com as bochechas todas lambuzadas de vermelho e as unhas parecem saídas de uma tentativa frustrada de tirar verniz vermelho. Naquela noite, fez umas borbulhas em volta da boca, ficando eu sem saber se deveria atribuir aos morangos ou à VASP. Acabei por chegar à conclusão de que foi da segunda, pois os morangos foram comidos ao almoço e seria estranho que a reacção fosse tão demorada, e porque depois comeu mais e não houve mais nenhum sintoma. Hoje em dia, quando vê os "mu" delira e até dá saltinhos de satisfação tal é a alegria de os ir degustar.

VASP

A vacina dos 15 meses... A primeira dada no braço, com a seguinte introdução da tia XXL: "esta dói muito! Parecem vidrinhos a entrar!...". Nem comento o que me custou, especialmente tendo em conta a minha fobia. O B. segurou na M., como em todas as outras picadelas, enquanto eu tentava não ver. Desta vez, tive de me armar em forte e distraí-la com um brinquedo enquanto a querida tia amiga lhe espetava o braço por detrás, para ela não dar conta. Chorou, mas já no fim da dose, muito graças à distracção e à rapidez e eficiência da tia piquita. Depois, foram o colinho, os miminhos e as bolinhas homeopáticas para os dentes, doces e inofensivas, que a calaram. Vá lá, não ficou ofendida com a enfermeira, não lhe guardando rancor, e o choro foi de pouca dura. É uma valentona - mais do que a mãe, no que toca a picas! Avisados de uma possível reacção ao fim de 5-6 dias, ficámos de sobreaviso para febre e eventuais borbulhas pelo corpo que desapareceriam da mesma forma como apareceriam. De facto, no final da semana, à noite, senti-a mais quente, fui medir a temperatura e estava com 38º, apesar de não demonstrar nenhum outro sintoma e sem quebra na sua energia. Pusemos-lhe um Ben-U-Ron e passou. No dia seguinte, à noite, apareceram umas borbulhas pequenas e vermelhas em torno da boca, que no dia seguinte já não existiam, pelo que a vacina passou por nós quase sem mazelas. Ufa!

sábado, 28 de março de 2009

Vacinas

Ainda não referi aqui nenhuma vacina da M. Talvez por ter fobia, na verdadeira acepção da palavra a agulhas, mas penso que merece o comentário. Foi sempre o B. que a segurou em tudo o que implicou picas. Não é que eu não seja capaz, mas a minha aflição seria no mínimo contraproducente para a criança. Assim, o ritual é ir ter com a tia Piquita, como ela própria se intitula nestas situações, e enquanto eu passarinho algures pela sala sem ver ou ser vista pela filha, o B. despe as calças, segura na perna dobrada e a XXL faz o que tem a fazer. A M. regra geral, não é de grandes choros. Se chora, não é por muito tempo, e perdoa sempre à sua amiga sem a bata branca vestida, não lhe guardando qualquer rancor, até hoje - e as vacinas são quase todos os meses! Depois de levar a pica, dirijo-me a ela e tento dar-lhe colinho para a acalmar, mas o B. nem sempre me dá esse direito, até porque se não seguro para o mau, também não tenho legitimidade de segurar para o bom. Está bem, não faz mal. O que interessa é que a nossa pipoca é uma valentona e faz ver à mãe nesta área... Quanto a reacções, foram poucas as vezes que fez, se bem me recordo, só na dos 2 meses é que a febre atacou.

Não há 2 sem 3

Fomos passear com a M. para o jardim, levando a bola, objecto indispensável em qualquer passeio em locais com outras bolas - é a única forma de evitar que ela fique pasmada a olhar ou mesmo chorar por as querer. A certa altura, baixou-se para a apanhar e com as pressas e a trapalhice já de carácter, fê-lo com demasiada força, levando a cabeça ao chão. Ficou com a testa vermelha, mas nada de extraordinário. Mais tarde, já em casa, estava com a M. às cavalitas, e porque já pesa, tirei-a levantando-a, o que fez com que desse com a cabeça dela precisamente na saliência da janela da cozinha, pondo-a a chorar. A testa, já vermelha da tarde, ficou mais um pouco, estando a zona mais sensível das duas pantufadas sofridas. À noite, em cima do sofá com o B. ao lado, na fracção de segundos em que ele se distraiu, tropeçou nos pés e foi direitinha com a cabeça à parede, que é de tinta de areia, provocando raspões desagradáveis. Resultado: muito choro e lágrimas depois, com o saco do gelo na testa, ficou com um galo a cantar meio arranhado, pois testa nenhuma resiste a tanta pancada no mesmo sítio no mesmo dia. Foi obra, especialmente nossa!...

Mais palavras

  • ti - lápis
  • tol - sol
  • au - olhos
  • tim - sim
  • dó-doi
  • cai
  • óia - olha
  • ancá - anda cá
  • pu - puf

Ati!

É o correspondente a "coisa", palavra que nós adultos tanto gostamos de usar quando não sabemos o nome de algo. Quando a M. não sabe o nome ou não consegue dizer, aponta e diz "ati!". Costuma ser uma boa solução. Se não resulta, pego nela e levo-a até ao sítio que ela está a apontar e peço-lhe que me mostre o que quer dizer com aquilo. Pacientemente, lá me leva até ao objecto da sua atenção e eu com um "ah!", lá lhe digo o nome, para ela a seguir, sorrir e fazer um "ãhhh" de satisfação. Diálogos simples, mas eficazes, apenas compreendidos pela mãe e a sua bebé, que precisam de dicionário para o restante mundo, inclusive o pai.

É Mê!!!

Agarra uma coisa com força, encosta ao peito e abraça com convicção, enquanto por entre um sorriso maroto, grita "é mê!!!". Como diz o pai, isto está bonito, está...

quarta-feira, 18 de março de 2009

Se fosse uma música dos U2, qual seria?

É só uma das minhas bandas favoritas, apesar de a ter descoberto já tarde na vida (apesar de pertencer à geração que viveu os anos 80 em plena adolescência, só lhes reconheci o mêrito e talento aos 23...). A música em questão é fantástica e de facto diz muito de mim, mas... já foi mais verdade. Hoje em dia, por vezes traio a minha própria natureza e contrario esse optimismo de uma forma mesmo inconsciente. Coisas dos 30 e tal...

Você é… ‘Beautiful Day’: Carpe Diem é o seu lema. Ou, como cantam as grandes filósofas Azucar Moreno, “solo se vive una vez”. Não perde uma oportunidade para se rir, mesmo que seja à sua própria conta, quando revê os vídeos daquela noite de karaoke num bar da Moita. Em dia de temporal, você é pessoa para cantarolar pela rua fora esta canção: “It's a beautiful day Sky falls, you feel like It's a beautiful dayDon't let it get away”

segunda-feira, 9 de março de 2009

Quê mai!

Já passou para uma frase, o pedido de mais comida. Ena!

Conversa

Esta semana, o avô veio cá a casa à tarde e levou-a à rua. Depois de se ir embora, tentei cortar as unhas À M., com ela sentada ao meu colo, tentando distraí-la com conversa para que a guerra não fosse muita. Fui-lhe dizendo que tinha tido imensa sorte por ter tido a companhia do avô naquele dia, narrando as aventuras do dia, que já me tinham sido relatadas. A certa altura, perguntei-lhe quem tinha ido à rua com o avô e para meu espanto, respondeu-me "bebé". Contente com a resposta e testando a sua capacidade para conversar, perguntei-lhe o que tinha visto com o avô na rua, convicta de que já lhe estava a pedir muito. Obtive mais uma vez resposta, desta feita "Cão! Pomba!". Acho que eu é que não quero ver que ela está a crescer...

E esta, hein?!

De manhã, enquanto lhe mudava a fralda, como ela refilava por não querer estar ali, fui-lhe dizendo que o pai estava a fazer o leite e que mais valia ela sossegar para o conseguir beber mais depressa - sempre foi um bom estratagema para a acalmar. Desta vez, disse um não peremptório. Espantada, perguntei-lhe se não queria o leite. Respondeu-me prontamente com um não cristalino. Não queria acreditar - ela adora o biberão da manhã, ficando tão impaciente que chora enquanto este não chega às suas mãos. Perguntei-lhe então se preferia a papa como pequeno-almoço. O não retumbante repetiu-se. Passei então ao ataque e questionei: "Então e pão? Queres pão?". A cara iluminou-se e no meio de um sorriso de orelha a orelha, saiu um "tsiiii!". Lamento, filha, mas foi ao leite que tiveste direito e não foi por isso que refilaste!...

Espelho

Já aqui contei que a M. é vaidosa, mostrando apreço sempre que lhe dizemos que está linda. Pois... Na semana passada, pus-lhe uma fita no cabelo e depois de a convencer a ficar com ela na cabeça, exclamei que estava linda. Ela fez a cara do costume e foi para o chão. Foi então que começou a apontar para a porta e a dizer "bebé!". Como o normal é perceber que vai ver a sua amiguinha quando vamos à rua, e era o caso, lá lhe expliquei, que não, que iamos à rua, mas que daquela vez não ia ver a Gui. Mas ela continuava com aquilo e eu sempre a explicar o mesmo. A certa altura, a M. foi para a porta da casa-de-banho enquanto repetia a sua ladainha. Percebi. Queria ver-se ao espelho, sendo que desta vez, a bebé era ela. Lá a levantei ao nível do espelho e ela pôde apreciar o quão bonita estava de fita na cabeça, algo que ainda levou uns tempos. Fartei-me de rir sozinha! No dia a seguir, pediu-me para lhe pôr a mochila dela às costas, uma coisa em pano com uma boneca de totós bem engraçada. Acedi ao pedido e lá lha pus. Voltou ao mesmo, desta feita, indo direitinha à casa-de-banho, a apontar para o espelho. Ali ficou um bom bocado, a apreciar o perfil para melhor ver a sua mochila, com um ar de vaidoseira só visto. Eu, está claro, fomentei a coisa, repetindo com ênfase que estava linda. Acho que o pai vai ter sorte e ter a menina mariquinhas que sempre quis. :)

Canca

Adora ir para cima da nossa cama para a palhaçada. Quando me vê puxar a colcha, vem a correr, a pedir "canca!". Quando lhe fazemos a vontade, põe-se em pé, atrevassando de um lado para o outro, a rir por ter um chão tão mole debaixo dos pé. Adora atirar-se de cabeça, dando mergulhos sem se magoar, assim como deixar-se cair de rabo para sentir as molas a saltarem. Nós entramos no jogo, fazendo-a cair e saltando para que o nosso peso a faça balançar, rindo-nos com ela no processo. A mim, faz-me alguma impressão, pois estou sempre a ver quando é que ela cai da cama abaixo ou bate com a cabeça nas partes de madeira, mas vou alinhando na brincadeira, sempre a saltar para a apanhar. Já chega a ser quase um ritual antes da hora de dormir, não se tornando rotina por ser algo que a excita imenso e dificulta o adormecer depois.

Nossa cama

Por causa da tosse, a M. não conseguia dormir em condições, acordando de madrugada a chorar irritada. Na sexta-feira, optei por tentar levá-la para ao pé de nós para ver se acalmava, quebrando a regra de não a habituar à nossa cama. Era muito cedo e tive pena, pois ela estava cheia de sono e não conseguia dormir. Adormeceu, virada ao contrário, como na cama dela, de pés para cima e cabeça para baixo. Acordou connosco, já tarde, no sábado de manhã e com um ar de felicidade por abrir os olhos no meio de nós. Na noite seguinte, foi o B. que fez o mesmo, dizendo-me que quando ela adormecesse ia deitá-la na cama dela. Foi uma noite pior. Eu acordei ene vezes com a tosse e a procura da pepê ou da Lola, enquanto o B. dormia de costas para nós a sono solto. Mais uma vez, a M. acordou ao contrário entre nós, mas quentinha por não estar sozinha na cama. Receei que na terceira noite fosse acordar para ir para a nossa cama, mas não. A nossa M. é boa menina e ganha poucos vícios. E confesso que me souberam bem aquelas manhãs com ela ao pé de mim...

Engordou!!!

Com as idas à praia, com aquele sol fabuloso e traiçoeiro, a M. ficou constipada, com uma tosse chata, o olho a chorar e o nariz cheio de ranhoca. A amiga XXL proibiu a piscina e lá nos ensinou o "muito, muito soro" na vista e nariz e o Maxilase três vezes ao dia, durante cinco-seis dias, até ser necessário incomodar a pediatra. Passou-se o fim-de-semana e chegados a segunda-feira, continuava com uma tosse seca. Optámos por ligar à pediatra, que nos mandou lá ir. A M. portou-se lindamente, não chorando e nem sendo preciso vir para o meu colo para ser auscultada. A médica estava encantada com aquela criança, que apesar do ar desconfiado a olhar para o estetoscópio, não se manifestou e deixou fazer tudo sem refilices. Só na parte da boca, para ver a garganta, é que foi preciso segurá-la e ouve vontade de choro, que passou assim que a sô dra parou com a tortura. Era vê-la no final a bater na engenhoca e a dizer "mau-mau!"... A Dra. Margarida, depois de confirmar que a M. já estava quase boa da constipação, ensinou-me o que fazer em situações destas - como auscultar e que ruídos procurar para identificar a pieira, o que dar (Oxolamina - um bom antitussígeno), como avaliar as ranhocas e como combatê-las com Unimer hipertónico (o do elefante e não o da girafa, por ser melhor). Finalmente, alguém que se interessa a sério e que demonstra profissionalismo a toda a prova!!! Depois, tendo em conta a última consulta, voltou a medi-la e a pesá-la. Em três semanas, a M. voltou a aumentar de peso, para 12,020 kg, subindo de percentil - já ultrapasou ligeiramente o 90!!! A pediatra apenas pigarreou e mostrou um ar um pouco mais preocupado, mas não voltou a impor limites, consciente de que eu estou em cima da coisa. Já cortei o biberão da noite, por não ser necessário, e agora que descobri que a ama gosta de lhe pôr papa no biberão da manhã (...), também o proibi, não querendo saber da sua cara de "mas ela assim tem fome!...". Se há coisa que a M. não tem, é fome, pois alimenta-se bem e não se queixa entre refeições. Há que haver regras, caramba!!! Ah! Faltava contar: a pediatra se já era fã da nossa piquena, agora ainda ficou mais, deliciando-se com as suas saídas e no final comentando "esta miúda é um prato!". Tinha de ser, certo?... ;)

Pampa

Já sabe que a televisão tem um canal que lhe interessa para além do Baby TV: o canal Panda. Adora o boneco gigante e pára tudo quando ele aparece. Quanto à bonecada, ainda prefere o outro canal, mas já identifica genericamente os desenhos animados com o nome daquele, independentemente do canal. Começo até a achar que já está a ficar um pouco viciada na caixa preta, pois de manhã, pouco depois de acordar, se vir a televisão, aponta e diz "Pampa!", insistindo bastante, a ver se tem sorte. A ama já tem ordem para não haver muita televisão durante o dia e nós evitamos, só a ligando nos seus canais preferidos antes do banho e depois do jantar para a acalmar um bocado, preparando a ida para a cama.

domingo, 8 de março de 2009

Frases

Já tenta e eu pasmo...

Como estávamos sozinhas em casa, enquanto eu tomava banho, pu-la na cadeira de comer que levei para a casa-de-banho, apetrechada de lápis e papel para ela se entreter. Durante o duche, ouvi:

- "Mãe! Pai? Papa, pão! Mãe? Bã!"

Tradução: Mãe! O pai? Foi comprar papa e pão! E a Mãe? Está a tomar banho!

Estante dos livros

Mais uma aquisição para o seu quarto - a estante dos livros que comprámos na Vertbaudet. É mimosa e prática, com bastante espaço para os livros e ainda alguns brinquedos. Rosa, verde e azul, com flores e joaninhas pintadas, tem três gavetas abertas, dispostas em cascata, por forma a se conseguir aproveitar o espaço em termos de arrumação. A M. adora empoleirar-se na primeira e até na segunda gavetas para conseguir chegar à última e tirar o que lá está. O objecto do seu desejo nem são os brinquedos, mas sim armar-se em cabrita montês a escalar a montanha...

Pê!

Apesar da M. já mastigar tudo, sem necessidade de se passar a comida, o B. continua a gostar de lhe fazer o miminho da papinha. Assim, quando é ele a preparar a fruta, costuma triturá-la na máquina das sopas, que tanto jeito deu e que agora serve para isto mesmo. A M., assim que ouve o "rrrrrrr" da máquina, a meio da refeição, aponta logo para a porta e exclama "Pê!", palavra universal que serve para designar fruta e que ela adora. Como ela aprendeu a identificar o barulho, a espertalhona!...

Bóua

A bola passou de "bo" para "bóua". Não é à toa que um dos seus brinquedos favoritos já tem o nome quase perfeito. :)

Apontar

Agora, passa a vida nisto. Aponta para tudo e espera que lhe digamos o nome. Parece mesmo que está a aprender, pois a maior parte das vezes, aponta consecutivamente para as mesmas coisas, fazendo-me sentir um disco riscado, de tal forma repito as palavras - parede, tecto, porta, pai, mão, parede, tecto, porta, pai, mão... Ufa!

Ai! Ai! Ai! Ta-tau!

Quando a M. se porta mal, com o objectivo de fazê-la parar com o disparate, o B. disse-lhe algumas vezes "Ai! Ai! Ai! Tau-tau!". Nem foram muitas vezes, pois ele nem é de repreender muito e muito menos assim. Não é que a miúda aprendeu e agora repete, tipo papagaio a expressão?! Chega ao cúmulo de bater em si própria, enquanto o diz, independentemente de nós lho dizermos ou não... E nem sempre é meiga!!! Resumindo: agora o tau-tau, que nunca chegou a ter o efeito de repreensão, é mais uma brincadeira para a M.. Assim, não vale!

Carnaval

No fim-de-semana fomos para Quiaios ter com o tio e os avós, que fizeram questão de dizer eu sei lá quantas vezes que só tinham ido por causa da M.. Foram quatro dias fantásticos, com imenso sol e calor, que fizeram as delícias da nossa pipoca. Como agora ela madruga, arranjei o ritual de irmos até à praia dar uma volta logo de manhã. Percorriamos o passadiço de um lado ao outro, apreciando o mar revolto e levando com o vento nos cabelos, que não incomodava nada, só pelo simples facto de estarmos ali. No segundo dia, após várias solicitações da M. para ir para o chão, tirei-a do carrinho e fui para a areia com ela. Confirmou-se a manutenção do apetite por areia, que continua a ir aos punhados para a boca. Andava sempre em frente, dando imensos tombos pelo meio, pois a praia estava bastante desnivelada devido ao mau tempo do Inverno, sempre na direcção do mar. Se a tívessemos deixado, penso que ia direitinha para uma valente banhoca. Ir embora era sempre um castigo, mas depois consolava-se no carro com uma soneca demorada de cerca de hora e meia antes do almoço, ficando eu de guarda, a fazer as palavras cruzadas à sombra da árvore dos kiwis até a menina acordar. À tarde, passou o tempo todo na rua, no jardim da avó, que é enorme, não querendo ir para dentro de casa só porque sim. Como não lhe arranjámos fatiota de Carnaval, muito porque ela não percebe e eu não ligo muito (o B. ainda tentou desencantar algo que lhe agradasse, mas achou que as giras não valiam o dinheiro pedido), não tinhamos nada para lhe vestir. Também não serviria de nada, pois optámos por fugir à Figueira e à confusão típica daqueles dias, pelo que também ninguém, ou quase ninguém, a iria ver. O B. foi trabalhar na segunda-feira, ficando nós com a avó e o tio, e nesse dia, a M. decidiu mascarar-se. À tarde, foi direitinha para uma parte do jardim em que a relva já está escassa, estando a terra à vista. Sentou-se no chão e foi escavando e atirando a terra ao ar. Deixei, divertida por a ver tão contente e suja. No final da tarde, parecia um limpa-chaminés ou um sem-abrigo, de suja que estava. As unhas estavam negras, a cara borrada e até dentro da fralda havia torrões (lembrem-se de que no Inverno, ela usa body interior por baixo da camisola...). Foi um fartote para todos nós e um dia muito bem passado, sem sequer termos ido passear. O banho tirou o surro e à noite já estava pronta para receber o pai, que morreu de saudades naquele dia infindável de trabalho. Os mimos da avó foram mais que muitos, que até biscoitos lhe fez e que ela namorava sempre que conseguia. Provou e lambuzou-se com os kiwis da casa, que ficaram conhecidos como "ki", com a tia S., que também ganhou um nome diferente do do tio - "pi". Para não variar, amou a companhia, brincadeiras e tropelias do tio mais que tudo, com quem até uma manhã na praia partilhou. Aprendeu ainda a distinguir a avó do avô, usando "ó" para a primeira e "ô" para o segundo, deixando este inchadíssimo por já ter nome. No final deste fim-de-semana prolongado, a avó foi embora cheia de saudades e com a certeza de que a neta continua imparável. Como ela disse, ainda um dia a M. vai-se rir, quando lhe contarmos como ela se arrastava com o boneco na mão para não dormir e as maratonas que ela fazia todos os dias, sempre para trás e para a frente sem parar... Assim, venham mais Carnavais!

Cumpre todas as ordens

Na ginástica recebi os parabéns da professora por a M. já cumprir as ordens todas. Atira para a frente e tenta atirar para cima, anda, corre, tenta saltar, dá pontapés e até tenta andar com um saco de feijões em cima da cabeça (a segurá-lo como é óbvio!). Só lhe falta uma coisa, que nem por nada lhe apetece sequer tentar: a preensão. Não se pendura na barra e nem quer saber. Há-de lá chegar.

Não corto, não corto, não corto!!!

O cabelo da M. continua a crescer devagarinho e uniformemente, excepto... o caracol! Já sei lá quanta gente me disse para cortá-lo, pois fica espetado sozinho, não fazendo sentido. Não quero nem saber! Não corto, não corto, não corto!!! Deixá-lo espetado. O restante cabelo há-de um dia ficar do tamanho daquele e depois já não se nota. É o meu caracol de estimação!...

Mai!

Por lhe perguntarmos quando está a comer se não quer mais, descobriu mais uma palavra, que por sinal lhe dá imenso jeito. Agora quando quer mais é só pedir. Usa é a palavra também para pedir outras coisas, mesmo que ainda não tenha recebido nada antes e não seja apenas uma repetição, como por exemplo para pedir música assim que entra no carro. Por vezes, torna-se difícil perceber o que ela quer afinal, por não haver um primeiro pedido de algo. Com o tempo, lá chegaremos.

Toma! Toma! Toma!

A minha tia estava a brincar com a M. em cima do sofá e ensinou-lhe mais uma das suas. A M. estava de bruços, virada de rabo para ela, e a minha tia decidiu dar-lhe palmadas a brincar na fralda, enquanto dizia "Toma! Toma! Toma". A M. aprendeu. Depois desse dia, era vê-la pela casa a bater na Lola ou num boneco e a dizer exactamente o mesmo, na perfeição. O problema foi que ela não distingue as coisas e por isso fazia o mesmo connosco. Foi uma trabalheira para ela perceber que na mãe e no pai não se bate...

Bebé

A M. já se reconhece e vê-se como uma pessoa autónoma da nossa. Quando se vê ao espelho ou numa fotografia, que já sabe que é dela, é o que diz: "bebé!". E se o pai lhe perguntar quem é a coisa mais linda cá de casa, ela, com ar maroto, responde a sorrir, meia a olhar para baixo, "bebé!".

Já está!

A M. usa muito esta expressão para se despachar. Se já não lhe apetece comer mais, se não quer ficar mais tempo deitada a mudar a fralda (mesmo que ainda não esteja), se não quer molhar a cabeça. Enfim, as ocasiões são várias. A última: deitei-a e como ela não queria dormir, apesar da hora, depois de algumas cambalhotas, levantar e sentar, deitou-se e de olho bem aberto disse "já está!". Tipo: "ok, ganhaste. Já dormi. Agora já posso sair?"...

sábado, 7 de março de 2009

Novo hábito

Como não achava que fosse um bom hábito deixá-la adormecer tão tarde, mesmo recuperando de manhã as horas perdidas à noite, optei por tentar incutir-lhe um novo horário de sono. Comecei por aproveitar duas noites seguidas, em que o cansaço da ginástica e da natação foi tal que adormeceu na cadeira de comer por volta das 22h30, sem biberão. Como não acordou durante a noite com fome, aproveitei a onda e comecei a deitá-la mais cedo. Não correu mal. Andámos a tentar a sorte por volta das 22h30/23h00, para devagarinho ir reduzindo a hora para mais cedo. Desde que eu vá com ela e fique no quarto até ela adormecer está tudo bem. Mesmo que refile um pouco ao princípio, depois de perceber que eu fico ali, acaba por encostar à box e ao fim de, no máximo, meia-hora adormece. Por vezes, precisa de um pouco de mimo primeiro, enrolando-se em mim antes de ir para a cama. Eu dou-lho e espero que ela me peça, por iniciativa própria, para ir para a cama. O senão: tenho de ser eu, senão chora e chama por mim - o B. não tem autorização para a ir deitar... Resultado: quando não adormeço com ela no quarto, ganhamos todos. Ela horas de sono e nós tempo à noite para nós. As noites já são outra vez seguidas e as manhãs começam cedinho, por volta das 7h30. As sestas dependem: por vezes são logo de manhã depois do leite bebido e a fralda mudada, por vezes depois de almoço. É conforme, não havendo regras com a M. Mas não se pode ter tudo!...

Puf

Farta de ficar com o rabo quadrado por me ter de sentar no chão à espera que a M. adormeça e achando que seria algo de que ela ia gostar, encomendei um puf à tia C., de um rosa forte, para combinar com os cortinados. Quando o vi, assustei-me: tem um metro de diâmetro e pareceu-me gigante. Trouxe-o para casa e mostrei-o à M. O meu pai estava cá e começou logo a brincar com ela em cima dele, a fazer escorregas e cambalhotas. Resultado: a M. adorou a coisa. Do que mais gosta é de se atirar contra ele de braços abertos, pois sabe que não se aleija. Para além disso, gosta que eu a ponha lá em cima e vá ajeitando as bolinhas ao seu corpo. Ela vai subindo e descendo com os movimentos, e fica encaixada como se estivesse num pequeno trono. O seu pequeno trono. Depois dou-lhe os brinquedos que ela pede - normalmente os tachinhos - e lá fica ela a brincar connosco dali de cima. Para além disso, agora já tenho onde me sentar para a adormecer. É fofinho, quentinho, molda-se a nós e é suficientemente grande para me enroscar nele. Só tem um mal: muitas vezes adormeço também...

Beijinho à esquimó

Uma das últimas coisas que a ama lhe ensinou, que a M. reconhece como "dá-me um narizinho". Aproxima a cara e abana a cabeça para esfregar o nariz no nosso. É algo que a diverte bastante.

Reconhece

... a nossa roupa, que está para lavar: tira os boxers do B. e diz "pai!", apanha uma meia minha e diz "mãe!". É giro como não se costuma enganar. Agora é o carro. Iamos a sair e eu dizia-lhe que íamos para o carro para passear, ao que ela apontou para o nosso, no meio dos outros, e disse "popó!". Coincidência? Talvez. Mas eu gosto de acreditar que tenho uma filha esperta... ;)

Bicho carpinteiro

Tem-no de certeza e bastante!!! A M. não pára um segundo, nem sequer quando está sentada. Se eu a sentar ao meu colo no chão enquanto lhe tento ler um livro, ela pura e simplesmente não sossega. Ora põe as pernas para um lado, ora põe para o outro, ora se vira de barriga para baixo, ora se levanta para cair de chofre, ora se deita e escorrega pelas minhas pernas abaixo, ora... Cansados? Também eu fico! É impressionante como ela não sabe o que são mais do que 5 segundos quieta. Sem exagero! Um dia que tenha de aprender a brincar ao "Macaquinho do Chinês" vai perder na certa! Ficar como uma estátua é pedir-lhe muito! A quem sai? A mim, pois está claro. Eu até a ler era assim: começava sentada direita no sofá e acabava de pernas para o ar, encostadas às costas do sofá, e de cabeça no chão - literalmente! O que eu mais oiço contarem-me era que as minhas pernas não sossegavam um bocadinho, mesmo quando estava presa na cadeirinha. Onde será que já vi esse filme?!

Escondidos

O meu pai veio passar a tarde com ela cá a casa. Aliás, a M. tem tido o privilégio de muita brincadeira com o avô A. nestes últimos tempos. Parecem dois miúdos e por vezes nem sei qual o pior... Naquele dia, quando cheguei a casa do trabalho, vi os dois à janela a ver as vistas. Estacionei e subi para casa. Quando saí do elevador, estavam os dois escondidos atrás da esquina, com o meu pai a dizer-lhe baixinho para não fazer barulho, para aparecerem quando eu desse sinal de vida (atenção - só apareceram, sem gritinhos, nem cucus. Seria pedir demasiada abertura ao sr. coronel :) ). Depois, riram-se os dois e a minha filha em vez da costumeira festa de boas-vindas que me faz, ignorou-me e seguiu caminho para ao pé do avô para fazer cambalhotas!...

Faz de conta

A avó comprou-lhe no chinês um conjunto de objectos de cozinha - pratos, talheres, frigideira, copos, tachos. Isto porque em casa dela, a M. não fazia outra coisa que não fosse brincar com uns parecidos da prima. Foi o melhor presente que já lhe deram, depois da bola (que também foi a avó que lhe deu...). Não larga aquilo nem por nada. Quando quer brincar, vai buscar a lata do leite onde eu lhe arrumei esta tralha, e enquanto vai dizendo "iá papa!" vai fazendo de conta que come com a colher. Vem nos trazer o prato ou a panela e faz de conta que nos dá de comer. Depois traz o copo e obriga-nos a fazer que bebemos. Houve uma manhã que foi ter com o pai à cama só para lhe dar a "iá papa!"... A nossa princesa já tem brincadeiras de menina e acima de tudo, o que me surpreende é a sua capacidade de imitar e já brincar ao faz de conta. É de facto, giro acompanhar estes pormenores da sua evolução.

Estufa Fria

Lembrei-me da minha infância e como me levavam com alguma frequência à Estufa Fria e ao parque infantil respectivo, por morarmos muito perto dali. Há um lago com patos e gansos e o jardim tem galos, galinhas e pavões. Eu adorava lá ir dar pão aos patos e aos peixes (na altura também havia cisnes) e depois dependurar-me nas barras para aprender a fazer cambalhotas com o meu pai. Assim, fomos com a M. ao jardim da minha infância, para repetir com ela a experiência. Foi um sucesso. Levámos pão num saquinho e, tal como no meu tempo, sentei-a no muro de pedra e atirei o pão aos nossos enfartados amigos (já não se fazem patos como antigamente! Parecia que nos estavam a fazer um favor!...), fomos ver os outros bichos e deixámo-la andar à vontade. Como o lago fica junto à Alameda Eduardo VII, depois do iogurte do lanche, começámos a descê-la. Se dependesse da M., iamos a pé até ao Rossio! Andou, andou, andou, e não queria subir a Alameda - só descer. Fez as delícias de muita gente, especialmente de alguns velhotes solitários que esperavam ver algo que lhes despertasse o interesse de um banco de jardim (é mesmo triste...). Não chegámos a ir ao parque infantil, experimentar o escorrega, pois estava imensa gente, tudo maior do que ela e podia correr mal. Quando a pusemos no carro, vimos uma M. feliz e cansada. Aliás, estávamos todos três cansados! Foi de facto uma excelente tarde!

Lápis de cor

Como ainda tenho os lápis de cor da minha infância (É verdade! Fazia colecção para ter as cores todas e mais algumas, chegando a surripiar alguns na escola por ser uma cor que eu ainda não tinha...), achei que seria engraçado mostrar à M. aquelas coisas mágicas, que fazem riscos numa folha de papel. Sentei-a na cadeira de comer e puxei daquele novo brinquedo. Risquei e fiz desenhos e ela adorou. Tentou segurar num, mas não conseguiu por não ter força para riscar. Isto porque em vez de tentar segurá-la com a mão toda, tentou imitar-me, segurando-o já com os dedos. Demorou alguns dias a perceber onde aplicar a força, mas agora já domina a coisa e já gatafunha pelo papel afora. Por vezes, ela vai-nos dando lápis a lápis para nós riscarmos um bocado, dizendo a cor à vista. Mas o normal, é pedir-nos que façamos desenhos para ela adivinhar. Ainda por cima têm de ser bonecos que ela identifique... Como ninguém cá em casa nasceu artista, nem sempre é evidente, mas pelo menos a colher e a tigela, o gato, o peixe, a pêra, a sua Lola, o sol, o pato, o caracol e o pássaro ainda se consegue fazer... De todos os desenhos possíveis, o que ela gosta mais é o da mão. Ponho a mão dela ou a minha em cima do papel e contorno os dedos, por forma a que ela fique desenhada. Adora a meio do processo tirar a mão depressa, como se estivesse a pregar uma partida. Hoje em dia, passa a vida a pedir para ir para a cadeira de comer, apontando para a gaveta onde os lápis estão escondidos. Foi uma brincadeira com sucesso. Tenho mesmo de lhe comprar uns lápis próprios para bebés, para poder sair da cadeira e não correr riscos...

sexta-feira, 6 de março de 2009

Concerto para bebés

Pela primeira vez, soltou-se e largou à aventura para o meio do palco para ouvir melhor os instrumentos. O normal é ficar junto a nós, mesmo que a curiosidade já aperte. Mais uma vez se viu como ela gosta de ir a este espectáculo, que já se tornou numa rotina mensal cá em casa.

Parapeito e popós

A nossa sala, assim como o quarto dela, têm um grande defeito: as janelas vão até 50 cm do chão e têm um parapeito interior muito acessível. A M., graças à sua genica imparável, descobriu um sítio fantástico para se empoleirar. Ainda por cima é uma janela com vista para os popós que ela tanto gosta. Agora, em vez de 50, são precisos 500 olhos para a vigiar, e temos de rapidamente descobrir uma solução para estas janelas tão acessíveis...

quinta-feira, 5 de março de 2009

Palmada no rabo

No entanto, já comprovei que uma palmada no rabo também surte efeito, ao contrário da palma da mão. Não sei se por parecer mais uma palmada (na mão confesso que às vezes mais parece uma festa com mais força...), se por ter um maior factor de surpresa, se pura e simplesmente ela entende assim porque sim. O que é certo é que há uns dias, apanhei-a a esticar o dedo para a tomada, para tentar tirar a protecção, acto por mais do que uma vez condenado e repreendido (e o quanto!...). Fui por detrás e sem qualquer pré-aviso, dei-lhe uma palmada no rabo de fralda, enquanto soltava um não forte. Ficou espantada, ponderou chorar, mas não o fez e veio ter comigo aflita, para se agarrar às minhas pernas, a dizer "mamã! mamã!". Como quem me pede muitas desculpas. Voltei-lhe a explicar o mesmo de sempre, com muitos nãos à mistura e ela pareceu perceber, pois por alguns tempos, evitou tomadas.

Palmada versus castigo

Sou apologista de uma boa palmada no rabo quando estritamente necessário, optando pelos castigos e a compreensão do porquê na maioria das vezes. Como a M. ainda não tem idade para perceber castigos, comecei por nãos veementes e decididos, mostrando-lhe que estava efectivamente zangada com determinada atitude. A minha filha basicamente borrifou-se para o assunto e o normal é continuar, nem que seja numa de desafio, como reacção. A palmada na palma da mão vem então para primeiro plano. Resultado? Uma gargalhada... Sonora... É assim. A M. não tem medo das palmadas e como não damos com força, o resultado é provocar mais a moçoila. Tentei então segurá-la. Quando está a mexer em algo que não deve, ao fim de alguns avisos, seguro-lhe nas mãos, por forma a ela ficar imobilizada. Desespera. Fica pior do que eu sei lá, chora, atira-se para trás e contorce-se para se soltar. Fico inamovível e após algum choro, pergunto-lhe calmamente se já se acalmou. É engraçado como isto costuma ter um efeito tão positivo. De lágrimas gordas a cairem-lhe dos olhos, olha para mim e tenta auto-dominar-se. Chega a engolir em seco para conseguir parar de chorar, quando percebe que essa é a forma de atingir a liberdade. Como é possível alguém tão pequeno já ter esta capacidade de compreensão... Uma das vezes, pude comprovar como este método é eficaz com a M. Estava sentada em cima da mesa da sala a brincar comigo. Quando descobriu o centro de mesa com folhas e pétalas secas foi um ver se te avias. Meteu logo a mão lá dentro apesar das minhas negas. Retirei-lhe a mão três vezes. À quarta, nem dei pré-aviso. Segurei-lhe nas duas mãos e ali ficámos até ela se acalmar. Como não tenho nenhuma filha prodígio ou que fuja à norma para a idade e que é teimosa como as mulas, é claro que voltou a meter a mão lá dentro, espalhando tudo. Voltei ao mesmo mais uma vez, só a soltando quando parou com o cinema. Expliquei-lhe que não mais uma vez e deixei-a no mesmo sítio, mesmo ao lado da tentação. Tive de esconder a cara por várias vezes... A M. olhava para o centro de mesa e de soslaio para mim, chegando a levantar a mão na sua direcção. Eu nunca me pronunciei ou manifestei. O certo é que o medo de ficar sem se mexer outra vez, impediu-a sempre de levar avante os seus planos, não voltando a lá meter a mão. É claro que no fim, dei-lhe os parabéns e fiz uma festa cheia de palmas por se ter portado tão bem. A educação pela positiva tem muitos mais frutos do que aquela que apenas oprime e realça a negativa... Penso eu de que...

Educar...

É a parte mais díficil de ser-se pai: educar. Tem muito que se lhe diga e nesta matéria as opiniões são tantas e tão diferentes que por vezes é quase como a religião e a política - deviam ser banidas das conversas sociais para evitar discussões. Ser-se Pai implica ser-se mais do que um amigo, implica ser-se uma figura de autoridade, que serve de farol e ao mesmo tempo de âncora a uns seres que nos imitam a nossa vida inteira. O não é uma palavra essencial (como a tia S. diz, é contingente) e a firmeza e coerência das nossas atitudes como pais e pessoas são fundamentais. Parte de nós germinar uma planta, que terá de crescer sozinha, com o seu próprio esforço, mas em torno da nossa estaca, que a orienta sempre para cima ou para a frente, graças à sua rectidão. Quando estes pequeninos nos olham com uns olhos de cão abandonado, nos desafiam com um sorriso malandro para nos desmancharmos com o disparate ou choram com verdadeiras lágrimas de crocrodilo a rolarem cara abaixo ainda se torna mais díficil a tarefa. Porém, sou da opinião que não devemos ceder e quebrar perante tais desafios. Quando é não, é não até ao fim, mesmo que a certa altura já não nos apeteça continuar com aquilo. Cá em casa, o não é mais firme na boca de um de nós. Um de nós descamba mais depressa e rola pelos olhos doces da filha que nos tentam qual Medusa. Nem sempre, mas às vezes, encarreira outra vez e tenta não descarrilar mais, apoiando-se numa maior firmeza do outro. Só espero que com isto, um de nós não esteja condenado a ser o mau da fita. Até porque não é isso que faz com que eles gostem mais ou menos de nós. Faz sim com que tenham mais ou menos respeito, mais ou menos necessidade de conquistar, por não sermos um dado tão adquirido e garantido.

Puca- puca-puca!

No ioga para bebés, aprendi alguns exercícios que tento repetir em casa. Um deles é o comboio. Sento-anas minhas pernas de costas paa mim, levanto e desço as pernas para acompanhar o ritmo e vou dizendo "pouca-terra! pouca-terra!". A certa altura, levanto-lhe o braço e desço como se puxasse uma corda, gritando "uh-uh!", imitando assim o antigo apitar do Quim. Há já uns tempos, que oiço a M. a dizer baixinho e divertida "puca-puca-puca!" sem parar. Eu achava que era um som como outro qualquer até ao dia em que o associei. Fiz-lhe a brincadeira do comboio e ela imitou-me com aquele "puca-puca-puca!", arrematando com um "uuuhhh!" fininho. São de facto verdadeiras esponjas as crianças.

Imitações

São de chorar a rir! Já imita o cão, a vaca e a ovelha com os típicos "ão! ão!", "mu!" e "mé mé!". É engraçado como ela distingue o nome do som desta última. Apesar de usar a expressão "mé-mé" para ambos, o balir é mais demorado. O gato faz "aaauuuu!", o galo faz "cócó!" e o pato faz "cá-cá!". Até o perú faz "pu-pu!". Até aqui tudo normal. Depois, passamos aos engraçadinhos, que gostamos de mostrar ao mundo, para babarmos com as suas apetências. O tigre tem um som parecido com um limpar de garganta arrastado. O macaco faz um "uh! uh!" muito, muito agudo e baixinho. E o nosso preferido, com 12 pontos, é o porco. Franze o nariz, põe a boca em bico e tenta roncar como nós fazemos. E costuma sair um som muito parecido! O seu ar, de cara toda franzida a tentar imitar o porco vale a pena ver.

Olhos de azeitona

Não me canso de os mirar. Tem uns olhos escuros, muito expressivos e sorridentes, que não param de observar tudo e todos. Fazem-me lembrar as azeitonas pretas, que quase reluzem por serem carnudas e escuras, tão perfeitas que dão vontade de comer mesmo não se gostando. São assim os olhos da nossa princesa, espelhos de uma alma cheia de energia e movimento. É o meu desejo que estes olhos lindos nunca deixem de sorrir, como agora, como se tivessem uma gargalhada pendurada a querer sair.

Adormeceu sentada

Uma destas noites, depois de muitas voltas e viravoltas na cama e um deita-te mais ríspido da minha parte, a M. acabou por sossegar da ginástica nocturna e ficou sentada na cama de mão dada comigo de fora das grades da cama. Ali ficou, encostada aos pés da cama, a chuchar na sua pêpê, muito sossegadinha e séria, a observar-me, sentada no chão ao lado da sua cama. Encostei a cabeça aos joelhos para descansar e acabei por passar pelas brasas uns minutos. Quando voltei a levantar a cabeça, a M. ainda estava na mesmíssima posição, só que os seus olhinhos observadores a brilharem no meio do escuro já não se viam. Apercebi-me de uma respiração mais pesada, aproximei-me e vi-a a dormir sentada na mesma posição inicial. Coitadinha, rendeu-se ao João Pestana, mas só porque já não teve forças para mais...

Propriedade exclusiva

Sou eu. O pai não tem autorização para me agarrar por muito tempo ou me abraçar. A M. vem logo, logo direitinha a nós, agarra no braço ou na perna do pai e começa a puxar enquanto chama por mim. É cá uma ciumenta!!!

Ai! Ai!

Desengane-se quem pensa que a expressão é nossa quando ela se porta mal. Também não é nenhuma interjeição de dor. Dou um doce a quem adivinhar, antecipando já a resposta, por ter a firme certeza que ninguém adivinha: é parte do refrão da canção da "Saia da Carolina". É uma das suas músicas preferidas e quando quer que a cantemos, levanta os braços em jeito de rancho folclórico e exclama "Ai! Ai!". Aliás, a nossa filha deve ter herdado os genes lá de chima do pai, pois quando quer que alguém lhe cante algo, levanta os braços e gira o tronco como que a dançar. Parece mesmo que anda no rancho, tal como o B. andou, e que vai dançar o "Vira". E se não é esta canção, é outra qualquer que faça parte do nosso reportório. O que lhe interessa é que haja cantoria para ela poder dançar, algo que ela definitivamente adora. Por vezes, estamos nisto eu sei lá quanto tempo, atendendo às solicitações infindáveis da madame. A avó e a minha tia também já alinham, pondo-nos a todos a cantar às suas ordens.

"A saia da carolina
Tem um largarto pintado!
Sim Carolina, ó-i-ó-ai!
Sim Carolina, ó-ai meu bem!"

Noites aos bochechos

Andou uma semana com um horário manhoso à brava. Apesar de adormecer tarde e a más horas, acordava às 4h, às 6h e um dia outra vez às 7h00. Não percebi o porquê até hoje. Só sei que não achei gracinha nenhuma! Felizmente, já passou.

Sono leve

É quase impossível não acordar a M. de manhã se fizermos barulho. Por barulho entenda-se, não algo mais forte, mas sim por exemplo o som de deslizar da porta do roupeiro do quarto dela. Se nos esquecemos de tirar o casaco à noite, é certinho que ela vai acordar connosco, por mais cuidado que se tenha ao abri-la. Já à noite, depende. Virá-la logo a seguir a ter adormecido, não costuma provocar reacções, mas já desisti há muito de lhe tentar mudar a fralda ou dar-lhe o biberão a meio da noite. Vira-se de barriga para baixo e começa literalmente aos coices até acordar por completo. Depois, é um castigo para adormcer outra vez.

Thi-thi!

Hoje em dia já não sou senhora dos meus domínios. A casa-de-banho então é local interdito à solidão. Se para lá for, é certinho que a M. vem atrás no micro-segundo imediatamente a seguir, não importa o que estiver a fazer no momento. Assim, tive de me habituar a partilhar um sítio, que para mim era sagrado (já percebo o que queria dizer a mãe do meu afilhado, quando há uns anos largos, me disse que quando eu tivesse filhos eu ia ver que a casa-de-banho deixaria de ser um domínio exclusivo...). À conta disso, a M. aprendeu mais um conceito: o xi-xi. Quando me vê sentada na sanita, olha para mim, arreganha os dentes e com ar maroto exclama "thi-thi!". Eu lá lhe explico que é isso mesmo e que ela também faz, só que para a fralda. Quero acreditar que em tudo, se pode tirar algo de positivo, desta feita uma pré-aprendizagem do futuro penico. Quem sabe... Se calhar não estou a delirar... :)

quarta-feira, 4 de março de 2009

Pombas

Fui passear para o jardim com ela. Deixei-a ir a pé para poder disfrutar do passeio à séria, implicando com isso passar o tempo todo (sem exagero) a controlar as mãos, que apanhavam tudo do chão com um único objectivo - a boca -, assim como a evitar tombos e fugidas para sítios menos próprios. Já por várias vezes, nos apercebemos que ela adora animais. Não importa quais. Pássaros, como já aqui contei, é uma das suas paixões, conseguindo detectá-los no ar, bem lá longe, da janela de casa. Costumo pensar que a minha filha vive com a cabeça lá em cima e, não sei porquê, identifico-a com uma das minhas personagens preferidas: Fernão Capela Gaivota. Neste nosso passeio, vimos algumas pombas no jardim. Apontava para elas e tentava apanhá-las, é claro, sem sucesso. Comecei a dizer-lhe para as chamar, enquanto eu própria o fazia. "Pomba! Anda cá! Pombinha!". Pouco tempo depois, saiu-lhe mais uma palavra: "Pomba". Assim, tal e qual. Sem bebelês pelo meio. Depois, era vê-la, a andar na sua direcção enquanto dizia "Pomba! Popita! Cá!". Foi um fartote de plumas naquela tarde e mais algum linguajar aprendido pelo caminho...

Pede em condições

A M. tem o péssimo hábito de pedir as coisas com gemidos. Quando não sabe o nome do que pretende ou quando já está a pedir há tempo demais (o que para ela são só alguns segundos), aponta e começa a gemer, tipo "ãh! ãh! ãh!" em versão de disco riscado. A ama tenta explicar-lhe que aquele "ãhãhãh" não se faz, mas sem sucesso. Quanto a mim, já descobri o truque. Costumo parar, olhar para ela e calmamente digo-lhe para pedir em condições. Ela imediatamente pára com os gemidos de solicitação e emite um "ahhhhhhh!...." baixinho e longo, carregando nos "h". Como se tivesse acabado de beber algo fresquinho e lhe tivesse sabido bem, com uma entoação de malandrice e não de saciada. Como nem sempre lhe dou o pretendido, o normal é voltar aos gemidos. O engraçado, é que agora, por vezes já nem preciso de lhe dizer para pedir em condições. O meu olhar e mão levantada resultam por si só e lá solta ela aquele "ahhhhhh!..." já tão típico. É um começo...

Jeito para o teatro

A M. agora dá-se a uma grande encenação quando é contrariada. Se lhe negamos algo, faz como todos os outros bebés: chora, ou melhor, faz que chora. É uma lamechiche perfeitamente distinta do choro a sério, que não convence ninguém. Até aqui nada de novo. O cómico é a forma como ela o expressa. Costuma levar as mãos à cara, e enquanto abana o corpo para a frente e para trás, vai dizendo "ah bebé! ah bebé!", com um ar desoladíssimo. Imaginem uma carpideira em ponto pequenino e com imenso talento. É a M... Chego a ter de me esconder para ela não me ver rir à gargalhada, não me conseguindo controlar de todo quando ela começa com isto. Como não é suposto gozar com a cara dela e nem é o mais pedagógico, eu tento, juro que tento. Mas nem sempre consigo. Quando não aguento e rebento à sua frente, fica danada comigo e chora mais ainda. Depois, passa por ter de lhe perguntar o que se passa e calmamente lhe explicar que a chorar não vai conseguir nada. Ela acaba por se acalmar, mas o jeito para o teatro está lá. Se calhar, temos uma Eunice Muñoz cá em casa e não sabemos!...

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Fotografias

Já reconhece as pessoas mais chegadas da família nas fotos. As nossas e as delas já as sabe de cor e vai apontando para cada uma e dizendo "pai", "mãe" e "bebé". Em casa da minha sogra, no quarto do tio, há uma foto dele com a tia S. Sempre que se lembra, foge para lá para namorar aquela, não importando estarem lá os originais. Chama-me para ver o "ti", usando a mesma palavra para ambos. As fotos das primas também se intitulam "bebé", apenas para eu de seguida lhe dizer o nome das duas. Agora, descobriu uma foto que tenho no quarto dos meus pais. Pediu para ver e quando eu lhe disse que eram a avó e o avô, olhou para mim e repetiu "ó!". Agora, quando entra no nosso quarto, pede a foto para repetir vezes sem conta "ó!". Fico feliz M. por saber que identificas a tua outra avó, nem que seja pela fotografia.

Cantoria da avó

Nesse fim-de-semana, no final do almoço de sábado, ao colo do B., a M. ouvia a avó a cantar entusiasmada canções típicas da Beira. Tanto a avó cantou, que a certa altura, começámos a ver os olhos a fecharem-se, a cabeça a pender e um esforço enorme para não se render. A avó apercebendo-se disso, continuou firme com a sua cantoria. Não é que adormeceu ao colo do pai?! Inacreditável...

Viagem infernal

É ponto assente. Viagens longas com a M. só em certas alturas do dia: ou de manhã, logo a seguir ao pequeno-almoço ou à tarde, logo a seguir ao almoço ou ao lanche. Isto porque a M. assim dorme pelo menos duas horas de sesta, momento de sono que pode ser feito sentada, fazendo o resto da viagem a refilar. Ela não gosta de estar sentada muito tempo, muito menos gosta de estar presa. Dormir à noite é na cama, pelo mesmo motivo - o mexe, o vira e o revira são pronunciados com veemência durante o sono - por isso já não resulta o truque de ir para Penedono tarde para ela fazer a viagem a dormir. Esta última viagem foi assim. Saímos depois de jantar, para ver se ela adormecia mais cedo com o embalo do carro e iamos descansados. Foi pior a emenda do que o soneto! Queria dormir, mas sempre que estava quase a adormecer, tentava virar-se de rabo para cima, algo impossível na cadeira do carro. Chorava e ficava irritada, conseguindo tudo menos dormir. Foi uma viagem de quatro horas looooonga para todos, comigo virada para trás muito do tempo, com pouco descanso e muito choro à mistura. Só quando se viu ao colo da avó é que descansou e riu-se, como se nada tivesse acontecido...

Bofetada

Acho que a M. não vai ser daquelas crianças que se vão deixar ficar. Na ginástica, estava ela a empurrar uma salsicha, algo que ela adora fazer, quando a amiguinha B. decidiu que aquilo era dela. Basicamente, encostou-se a ela e foi empurrando para o lado, para conseguir tirá-la dali. A M. pouco contente com a brincadeira, olhou para ela e com ar de poucos amigos, sem emitir qualquer som de pré-aviso, deu-lhe um empurrão com a mão na cara. Não lhe vou chamar bofetada pois faltou o "paf", mas só faltou isso para usar essa definição... A outra, um pouco maior, não se intimidou e aqui vai disto: empurrou-a da mesma forma. Como é maior e tem mais força, fez a M. cair para trás, deixando-a sentada no chão. Foi quando eu intervi, assim como o pai da B., pois a M. já se tinha levantado e aparentava querer continuar naquele pequeno jogo, sem se sentir intimidada... Ora, vamos lá ver: nunca te deixes ficar e se te derem, dá também, mas agora começar é que não!!!

Já corre

Atabalhoadamente, mas sim, já corre.

Jantar entre amigos

Convidámos a nossa XXL e a família Pocahontas para jantar num sábado lá em casa. Assim, aproveitávamos e matávamos todos saudades da primeira, a M. tinha a sua amiga só para ela por uma noite, para além de convivermos um pouco entre amigos. Para nosso espanto e deleite, a amiga XXL manteve-se firme na combinação, sem mais 500 compromissos à mesma hora e aos quais nunca consegue dizer que não, e não apareceu nenhuma grávida ou recém-mamã aflita a interromper a ceia. A M. e a Gui deliraram e fartaram-se de brincar, havendo eu sei lá quantas trocas de meiguices. A sua amiga chegava a correr para a apanhar e abraçar pelas costas, atirando-a ao chão, o que ela achava natural. Andaram de mão dada, partilharam brinquedos e jantar e riram-se imenso. Nós gozámos da companhia de uns bons amigos, que partilham ao mesmo tempo a mesma experiência que nós, dando gozo acompanhar a evolução delas e nossa como pais a par e passo. A querida XXL fez as delícias das meninas com um brinquedo para cada uma e ainda foi brindada com um "tá! tá! tá!" que a M. imitou quase na perfeição a certa altura da noite. A Gui aterrou já fora de horas, por volta da meia-noite, dormindo na cama da nossa M., deixando a nossa piquena, bem desperta, sem perceber onde estava a amiga. Perguntava-me pela bebé, e não aceitando a resposta do está a fazer ó-ó, disparava a correr para o quarto dela para a ir chamar. A partir dali, fizemos uns sprints até à porta do quarto, para evitar que ela acordasse a Gui. Já era cerca da 1h da manhã quando demos por terminado o jantar, dizendo um até à próxima a estes amigos que surgiram graças à gravidez e que tão bem nos acompanham (o objectivo de primar pela diferença é sem sombra de dúvida algo mais do que alcançado...). A M. adormeceu com o biberão, ainda perguntando pela bebé mais umas quantas vezes e no dia seguinte, quando acordou e eu lhe perguntei quem estava em casa, referindo-me à minha tia, ela iluminou a cara com um sorriso e exclamou "bebé!!!". Não, filha, não era, mas fica prometido que é uma experiência a repetir. Soube mesmo muito bem, tanto a adultos como a bebés. Um obrigada a todos pela companhia!

O gato cor de lalanja

O B. comprou uma quinta interactiva bilingue na Chicco, com os animais e respectivos sons. A coisa até está engraçada, apesar de eu achar que já não são precisos mais brinquedos destes. Fui experimentando os bonecos todos e verifiquei que, mais uma vez, como em todos os brinquedos da M. até hoje, a versão em inglês é muito mais correcta na linguagem. Por exemplo, em inglês o passarinho azul em tom paternalista, tranforma-se num blue bird very british (e não num little blue bird). Mas a pólvora, descobri-a quando cheguei ao gato cor-de-laranja... Não é que o senhor diz nitidamente "o gato cor-de-lalanja"!!! Chorei a rir. Já o B. não achou graça nenhuma e fez aquilo que ele sabe fazer tão bem: reclamou. A Chicco já respondeu, pedindo um contacto telefónico paa falarem. Sempre estou para ver o que vão dizer... ;p

Tem cocó

Já nos vem comunicar, de mão na fralda, na zona das virilhas, que tem cocó. Não se rala muito com isso, seguindo geralmente à sua vida, salvas raras excepções, em que vai insistindo nesse facto, repetindo de boquinha meia fechada "Cocó! Cocó!". Não creio que o objectivo seja mudar a fralda, pois a guerra para a deitar no muda-fraldas continua, mas sim comunicar-nos aquele facto. Pode ser que seja um primeiro passo para a aprendizagem do penico daqui a uns tempos.

Trapalhice

Nisso sai a mim... Eu não sei o que é passar por um tapete, por um móvel ou uma porta, sem o virar de alguma forma, tirar do sítio ou ir contra a ombreira. Com 36, ainda não sei o que é ter pernas sem nódoas negras, chegando ao cúmulo de me arranhar na parede de tinta de areia e magoar-me noutras partes do corpo. A M. parece que vai pelo mesmo caminho. Apesar de já andar há quase dois meses, ainda tropeça imenso, inclusive nos seus próprios pés. Então andar às arrecuas parece ser uma das coisas que a acompanham diariamente. De vez em quando, vê-se a M. a começar a dar uma espécie de saltinhos para trás, uns passinhos mais rápidos e... Pumba! Lá dá ela mais um bate-cu... Até a professora de ginástica já confirmou esta sua faceta e que é uma herança genética da minha pessoa... O que vale é que é previdente. Normalmente, olha para onde põe os pés e tem cuidado a descer das coisas. Menos mal. Assim, tem-se aleijado pouco. Quanto ao rabiosque, a fralda ainda lhe ampara a queda.

Atchim! Saúde!

Quando alguém espirra, a M. olha para mim de sorriso expectante. Eu exclamo "saúde!" e ela desmancha-se a rir. Habituei-a a isto e agora não importa quem, nem onde, é este o ritual. Agora, temos uma variante: a M. aprendeu a imitar o espirro, repetindo quase nas pontas dos pés, enquanto estica o pescoço, "Tsi!". Depois, é só eu dizer o saúde da praxe, para ela se deliciar. Um dia, estivemos nisto eu sei lá quanto tempo, acabando por perder a noção de quem se estava a rir mais.

Parece um chinês

A M. agora fala pelos cotovelos. Anda o dia inteiro para trás e para a frente, enquanto vai debitando cá para fora o seu charabia. Ela fala, fala, fala, usando imenso os sons "ati" e "atê". Conversa imenso e muitas vezes dirige-nos a palavra, sentindo-me eu incapaz de a acompanhar naquelas chinesices todas. Acho que é isso que parece: um chinezinho pequenino, muito sorridente, muito mexido e muito conversador, ignorando o facto que nós, seus interlocutores, não falamos a sua língua.

Outras palavras

  • maínho - cavalo marinho
  • pó - porta
  • ta - flauta
  • pá - palmeira
  • body (com pronúnica perfeita!)
  • pin - pintainho
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Horários de sono

A pediatra perguntou-me qual era o horário. Respondi-lhe que não tinha. A única coisa consistente é no adormecer tarde - nunca antes das 23h30. Já o acordar era conforme, sabe-se lá do quê... Tanto acorda às 9h00, como às 12h00, como a meio da noite, ficando acordada mais de duas horas, obrigando-nos a levantar de madrugada. A Dra. Margarida aprovou o biberão da noite apenas porque era essencial para a adormecer, senão era de eliminar, e concluiu aquilo que nós já sabíamos: que há crianças sem padrão de rotina no que toca a dormir. É aguentar e fazer os possíveis por implementar um horário, mas sabendo à partida como isso seria difícil. Usou uma boa expressão, que me parece bastante adequada: cá em casa vive-se uma pequena ditadura, que gira em torno da rainha que põe e dispõe. O que fazer? Aguentar... Depois da médica dizer isto, não há muito a fazer. Uma explicação possível é o facto de a M. estar numa idade em que o cérebro absorve tanta informação que é normal que tenha mais dificuldade em desligar e descansar. Outra, é o facto de estar em casa e não ser obrigada a acordar sempre à mesma hora e a gastar energias no infantário. Seja qual for o motivo, agora, ficamos contentes quando o biberão resulta e não é preciso ir para o chão do quarto, esperar que ela adormeça, por vezes até uma hora e meia, ficando com o rabo quadrado...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

15 meses

Fomos à consulta dos 15 meses no dia a seguir a celebrar a data. A pediatra, de quem sou cada vez mais fã, ficou espantada com a criança. Assim que entrámos no consultório, a M. foi para o chão e foi ter com ela. Esta tem um saquinho com brinquedos para entreter a miudagem, tendo entre outras coisa, uns cubos ocos que têm ao centro um animal. São umas coisa pequenas, que nada têm de evidente para uma criança tão pequena. A M., encostada às suas pernas, às tantas diz do nada "cão!". Como não vi nada, questionei-a, enquanto procurava o cão. A médica, ao mesmo tempo, fez um gesto de boquiaberta e respectivo fechar da boca e disse: "Estou parva! Oh mãe! O cão está aqui!". Dentro do dito cubo, estava um cão malhado mínimo, que a M. identificou quase de imediato. Depois de uns minutos com ela, chamou-lhe atrevida e confirmou aquilo que já sabíamos - a M. está hiper-estimulada e já diz imensas coisas. Deu os parabéns à ama e aos pais pelo trabalho feito. Não queria crer quando lhe contei o que a M. responde quando se lhe pergunta pelo pai, dizendo de seguida "pão" e "papa", repetindo aquilo que a Lúcia lhe ensinou: que o pai foi comprar pão e papa. Ao que parece, aos 15 meses não é evidente associar dois conceitos a uma ideia e muito menos expressá-los. Quando lhe falei na ginástica e na natação, riu-se e perguntou a brincar se também não estava no inglês, ao que eu lhe respondi que ainda ponderámos, mas já não nos era possível suportar mais uma actividade. Não fez mais comentários... :) Quanto a números... Tem 10 dentes: 4 em baixo e 6 em cima. Tem 77 cm de altura, ou seja, está entre o percentil 50 e 75. Continua cabeçuda, estando no percentil 90. E... Tem 11,760 kg, ou seja, percentil 90... O comentário foi "Está fofa...". A pediatra não se mostrou excessivamente preocupada, mas frisou que o seu dever é não deixar que a M. seja "fofa". Assim, manteve a "dieta" que eu lhe impus: uma refeição mais completa ao almoço e só sopa e fruta ao jantar. Sendo a sopa sem carne ou peixe,visto que ao almoço já come a quantidade diária necessária. Escuso de dizer que o tradutor interno do B. foi ouvir "fofinha", desdramatizando por completo a parte da M. estar gordinha... :) No final, enquanto a observava, a palavra de ordem da pediatra foi: "Não se preocupem com a vossa filha! Ela está gloriosa!", explicando que desde a última consulta, três meses antes, ela evoluiu imenso e dando-nos a entender que em matéria cognitiva e de desenvolvimento está muito acima da média. Não podia em mim de inchada. E o pai, então rebentava pelas costuras... Que bom que é saber que o esforço está a compensar!

Já endireita a chucha

Finalmente, já dá pela diferença. Agora, sempre que enfia a chucha na boca, endireita-a se esta ficar de cabeça para baixo. Já não tem razão de ser, o espanto de muita gente, quando a via a chuchar a sua pêpê ao contrário.

Aninha-se

A M. está mais mimalha. A criança que não quer muitos apertos ou colo, já o pede, de braços esticados e dizendo "có!". Depois, tem momentos. De manhã, chega a aninhar-se, muito aconchegada, de queixo apoiado no nosso ombro, com um ar de satisfação só visto, sem se mexer, só a disfrutar daquele momento só nosso. Eu chamo-lhe o miminho da manhã e sabe-me que nem ginjas! Mas, com isto não quero dizer que já gosta de colo à séria. Apenas já aprendeu a oferecer-se, e a nós também, bocadinhos destes, que por serem curtos e poucos, têm muito mais valor.

Manhãs difíceis

A M. entrou numa fase mais complicada. Está muito apegada a nós, sobretudo a mim. As segundas-feiras são terríveis, com choro à mistura e muitos chamamentos da minha pessoa. A Lúcia chega a mentir, quando lhe telefono, dizendo que não, que foi só quando nós saímos de casa de manhã, que depois passou, para, no final da tarde, quando chego a casa, me confessar que a M. passou o dia a perguntar por mim e a chorar. Acorda cedo, apanhando-nos ainda em casa, apesar de não ter dormido tudo e não me larga. Até parece que tem um radar que detecta movimento e a avisa que está na hora de sairmos, por forma a nos impedir. Nem me vestir em condições consigo, com ela a esticar-me os braços e a pedir colo, enquanto choraminga meia desesperada. Mal ouve a chave na porta e percebe que é a Lúcia a entrar, desata num pranto que até dá dó. Depois de sairmos, ainda demora uma hora ou mais a conseguir adormecer outra vez, para dormir o que ainda falta. Um dia, chegámos a sair meios a correr para não prolongar o sofrimento. Custa-me horrores deixá-la e tenho vontade de ceder e ficar. Bem sei que é uma fase, que se habitua, mas não deixo de ficar impressionada com aquele ser pequenino a chorar pelos meus colo e miminhos.

Costas acima

Apesar de já ter quase 15 meses, ainda não me livrei dos cocós que saiem pela fralda, que borram a roupa toda, chegando à terceira camada, e mesmo até ao pescoço... Desta vez, foi literalmente até meio das costas e mais uma vez saltou de seguida para o lavatório para se lavar. Oh filha! Então isso nunca mais acaba?!

Vaidosa

Mais uma prova de que à mãe não sai nesta característica, que parece cada vez mais vincada. A M. não tem muito cabelo, mas os caracóis já começam a dar o ar da sua graça, dando-me vontade de comprar coisas giras. Há uns tempos, na vã esperança de que até lá tivesse motivos para a usar, comprei-lhe uma fita cor-de-rosa com umas flores brancas, para a festa de anos. Já dá para tentar imaginar como será, e com um bocadinho de boa vontade, a fita já pode ter uso (acabo sempre por desistir de a pôr, por achar que se calhar ainda não se justifica, mas em casa vou fazendo experiências...). Assim, pu-la no cabelo e para a convencer a mantê-la no sítio, exclamei "Ai, tão linda! Que linda que ela está!". A minha filha endireitou-se, levantou a mão e de palma da mão virada para cima, fez um gesto como que a ajeitar uma farta cabeleira nas pontas (imaginem uma senhora a confirmar que as pontas estão todas enroladas para dentro), com um ar muito feliz. Disse-lhe para se ir mostrar ao pai, o que ela prontamente cumpriu, dirigindo-se à sala. Este exclamou o mesmo, deixando-a ainda mais feliz. Era vê-la a andar de um lado para o outro a revirar as mãos como quem dança sevilhanas, sem nunca tocar no cabelo, e olhando para nós com um ar inchadíssimo. Pirosa!!!

Maínha

Chamei a M. para falar com a madrinha ao telefone, ao mesmo tempo que o encostava ao ouvido. Quando ouviu a sua voz, olhou para mim e com um ar sorridente disse-me: "maínha!". Mais uma pessoa que já tem nome e que babou por já constar da lista.

Tontas!

Muitas vezes, é assim que a chamo. A ama adoptou o mesmo termo, doirando a pílula de vez em quando para "tontita". Não é que a míuda apanhou a coisa e agora também diz "tonta!" ou "totita!"? Se lhe perguntarmos quem é tonta, ela imediatamente ri-se à malandra e responde na mesma moeda umas quantas vezes. Para além disso, algumas vezes, do nada, sai-lhe a palavra, sempre com a mesma cara de quem pregou alguma e ri-se, ri-se. Não sei o que é mais engraçado: se o ar de gozo que põe, como de quem sabe perfeitamente o que aquilo quer dizer e acha piada que seja verdade; se a entoação que lhe dá, como se fosse uma madeirense, mesmo uma viloa profunda, com o seu "toanta!"... Até parece que conhece as suas raízes naquela ilha...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

O clic na natação

Até há pouco tempo, a M. considerava a natação uma pausa kit-kat. Adorava, mas para ficar de molho e boiar à custa do esforço do pai, enquanto os outros colegas se esforçavam por mergulhar e chapinhar. A professora não parecia muito preocupada e eu francamente achava que um dia isso iria mudar, apesar de me aborrecer ela parecer andar ali por andar. A paciência tem as suas virtudes e é bem verdade. Um dia, em finais de Janeiro, numa aula, a M. começou a fazer chap-chap quando solicitada. Ficámos espantados com o ar dela de quem já fazia aquilo há imenso tempo. Desde então, participa, mergulha, chapinha imenso e diverte-se muito mais nas aulas. E a professora agora já investe mais na nossa M. e vai-lhe dando desafios cada vez mais difíceis. Ora até que enfim, que fez o clic!!!

Thá!

Habituou-se a chamar ao líquido que se bebe do biberão, com excepção do leite, "thá!", ou seja chá. Isto porque ao princípio, bebia mais chá do que água, para se habituar a esta, algo difícil de início. Assim, hoje em dia, um biberão com água é "thá!". Até aqui nada de novo, desde há muito. Giro, giro foi um dia a M. entrar na zona da piscina, e com um ar deliciado, apontar para a água e gritar de felicidade: "Thá!!!". Escuso de dizer que me desmanchei a rir, certo?

Cabeça molhada

Banho é com ela, e até vai para a porta da casa-de-banho quando chega a hora, dizendo com um ar feliz "Bã! Bã!". Ponho alguma água na banheira e lavo-a toda, passando pela brincadeira com a bonecada. No final, ligo o chuveiro e vou brincando com o jorrar da água e as suas várias partes do corpo, para se habituar a banhos mais calmos e banhos mais rápidos. Porém, quando começo a dar o banho tenho que esclarecê-la logo se é dia de lavar a cabeça ou não. Isto para prepará-la, pois a M. detesta lavar o cabelo. Se avisar que é dia, é mais fácil depois. Assim, que começo a molhar a cabeça, põe-se em pé num ápice, tenta espetar a cabeça para fora da banheira, enquanto choraminga em tom de refilanço. O champô já não faz confusão, voltando ao mesmo quando lhe volto a molhar a cabeça para o tirar. Cheguei à conclusão de que o problema está na água nos olhos. Mas só no banho em casa, pois na piscina, este problema não se coloca. Ou melhor, não gosta do chapinhar por causa da água na cara, mas não refila. O mais engraçado, é quando ela refila com a água. Quando entende que já chega, ou seja 30 segundos depois, começa a dizer "Já tá! Já tá!". Com o tempo, tem vindo a melhorar, mas continua a não gostar.

A nossa cama

Só serve para uma coisa: coboiada. Dormir que é bom, é uma função que a M. desconhece. Se nos lembrarmos de a levar para lá de manhã, para gozarmos um pouco da ronha matinal de fim-de-semana, a única coisa que conseguimos com isso, é levantarmos-nos mais depressa ainda. Isto porque a M., assim que se apanha em cima dela, põe-se em pé e anda de um lado para o outro, espreita para trás da cabeceira, atira-se de rabo ou mesmo de cabeça, dando valentes mergulhos. Nós ficamos com o coração mais acelerado, por causa das possíveis quedas e batidas de cabeça e não descansamos nada. Tentar deitá-la e encostá-la a nós, independentemente da hora, seja a meio da noite ou de manhã, tem sempre o mesmo resultado: uma enguia enérgica que ficou presa na rede e se quer soltar. É que nem para ela é boa e tenta aproveitar o bem-bom!!!

Foi a primeira e única vez que lho ouvi. Ao telefone com a avó, saiu uma só vez da sua boca e depois fugiu. A avó ficou triste por não ter ouvido, mas eu reconfortei-a, assegurando-lhe de que irão sair muitas e muitas mais "avós" da boca dela daqui para a frente. No entanto, até hoje não repetiu... Se calhar, é mau feitio... ;)

Sangue

Foi a primeira vez que o vimos a sair da M. Foi na brincadeira do xó-xó, uns dias depois, pois ela tinha um brinquedo na mão que ia roendo enquanto cavalgava, até que este se espetou na gengiva com um pouco mais de força. Ela chorou, o pai stressou e ficou sem saber o que fazer, enquanto eu lhe dizia para procurar o biberão da água para tentar estancar com o frio. Lá se apercebeu do que eu pretendia e reagiu, tendo eu de acalmar dois em vez de um. Não foi nada de especial, mas aquele sangue vermelho a sair da boca fez-me impressão. Mas como disse ao B., não será a última vez e se calhar esta nem foi das piores...

Xó-xó do pai

Xó-xó ou às carrachitas são as expressões que lá para cima se usam para as cavalitas lisboetas. Esta proeza é só do B., pois eu não tenho costas, nem força para tal, sobretudo quando estamos na rua e dá jeito pará-la por uns momentos. Ora, uma noite, ele decidiu experimentar fazer de cavalo à séria. Pôs-se de gatas e pediu-me para a segurar em cima dele. Foi andando pelo corredor, enquanto imitava o relinchar e o balancé daquele animal. A M. delirou. Riu-se imenso e segurava-se como podia naquelas costas enormes da sua perspectiva. Não é que quando ele parou, de cansaço, ela, qual amazona experiente, deu aos pés como que a picar o cavalo?! E resultou, porque o pai, apesar de ofegante, achou-lhe tanta piada que arrancou outra vez. A brincadeira só parou quando as forças lhe faltaram e era vê-la de volta dele, a pedir mais e a tentar empoleirar-se outra vez.

Beijinhos

Começou por dá-los a pedido de boca aberta, tipo peixe. Molhava um bocadinho, mas nada de extraordinário. Depois, aprendeu a fechar a boca e fazer um biquinho muito discreto. Agora, escancara a boca de par em par e espeta a língua de fora! Mais um bocadinho e parece um cão a querer lamber a malta de felicidade... Há quem estranhe, como a amiga Gui, que ficou a olhar para ela com um ar de "mas afinal o que é que tu queres com essa língua?...".

Mãe! Mãe! Mamã!

Agora, é assim... Só o meu nome é que surge no meio do escuro da noite e atravessa o corredor até ao nosso quarto. Sempre que acorda é aqui a je que é chamada à recepção... Isto porque durante demasiado tempo, quando ela acorda a meio da noite e choraminga, o B. não ouve e como tenho pena, levanto-me sempre eu. O pai agradece, ficando no seu canto e dando alguns coices suaves, para eu me levantar. Assim que entro no quarto, põe-se em pé, pede-me colo e vai dizendo baixinho, com ar ensonado, "mãe! mãe! Pai?". Quer-me a mim para perguntar pelo pai!!! Não há direito... Um dia, impus-me e obriguei o B. a ir no meu lugar. Foi recambiado. Devolvido à procedência. Berrou e chorou até aparecer a mãe. Uma mãe cheia de sono, aborrecida e mal-disposta, que nem foi muito querida, mas mesmo assim era a mãe... Enfim, com o tempo habitua-se outra vez à figura paterna a meio da noite. Nem que para isso, tenha de chorar um pouco mais.

Horário de sono

Adormece à meia-noite, uma da manhã. Isto implica que não se consiga fazer rigorosamente nada à noite em casa. A nossa menina precisa de muuuuita companhia e apesar de saber brincar sozinha, quando nos apanha em casa (especialmente a mim), só quer é atenção. Há que compreender: a rapariga passa o dia em casa com a ama, por isso quando o universo aumenta para mais dois, aproveita todos os bocadinhos com as restantes pessoas que compõem o seu mundo. Isto é tudo muito bonito, não fosse o facto de já não ter tempo para mim. A seguir ao jantar, tenho de ir logo para o chão da sala ou do quarto e brincar como já não me lembro de brincar há muito. O cansaço às vezes já espreita, mas é só do meu lado. Ela está fresca que nem uma alface ou faz por estar, pois a sua política é: "Render ao sono? Nunca!". E consegue... É claro que também ajuda dormir até às 13h00, não é verdade... Sim, porque a madame dorme seguidinho, de fralda cheia até mais não, na boa até à hora de almoço... Ao fim-de-semana sabe bem, mas não sei se as noites sem tempo compensam...

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Beijinho mágico

Adoptei esta técnica para quando ela se magoa. Dou um beijinho e depois sopro para fazer desaparecer a dor. Resulta sempre, a não ser, é claro, que seja uma dor intensa. Assim, ela já se habituou a vir ter connosco de mão levantada a fazer que chora e a dizer "Mão! Mão!", a solicitar o serviço de reparações rápido. Até aqui nada de especial. Até ao dia, em que veio ter comigo à cozinha, meia dobrada, de rabo espetado, com as duas mãos a apontar para o dito de fraldas e a chorar. Tinha caído de rabo em cima de um brinquedo no quarto e aleijou-se no seu bum-bum. E agora estava a solicitar o beijinho mágico no dito!!! Não deixei de cumprir o meu dever de curandeira, mas por entre muitos risos...

Dáti!

Quando a M. não adormece com o biberão, deitamo-la e sentamos-nos no chão ao lado da cama até ela adormecer. É peremptório ter companhia para não desatar num pranto desalmado e nós já nos rendemos às evidências de vez. Mas, a nossa M. não se fica só assim. O normal é fazer trinta por uma linha até acalmar e tentar adormecer. Senta-se, levanta-se, salta agarrada à grade, esfrega a cara no colchão de rabo espetado, dá com as pernas nas grades, espeta as mãos para nos sentir. Enfim, qualquer coisa serve para espantar o sono, não importando o quão exausta já esteja. Quando sou eu a ficar com ela, acabo por me zangar e digo-lhe uns quantos "deita-te!" ríspidos para a impressionar. A reacção é sempre a mesma: mergulha imediatamente e fica sossegada... 2 minutos! Depois, volta ao mesmo. Assim, o meu "deita-te!" ainda sai umas quantas vezes até ela não voltar a levantar-se e devagarinho ir adormecendo. No outro dia, a M. olhou para mim durante o dia no quarto e disse "dáti!". Não percebi e a ama disse-me que tinha estado com aquilo durante o dia, mas ainda não tinha apanhado o que era. A M. voltou ao mesmo, apontando na direcção da cama. Ao fim de umas quantas insistências, percebi. Estava a apontar para a cama e a repetir o que eu lhe digo à noite...

Bebé

Ou seja, Gui. A sua amiguinha de eleição é sinónimo de ginástica e a sua cara de felicidade no carro em direcção da aula, enquanto vai repetindo vezes sem conta "bebé!", como quem diz que vai voltar a ver a amiga preferida, já é conhecida até da ama, que lhe vai dizendo que sim, que vai ver a Margarida, até meio caminho, ao aproveitar a boleia até perto do metro.

Pópó

Vulgo, hipopótamo. Fixou à primeira, quando lhe disse o nome do boneco verde do banho. Já avó e avô não há meio de dizer. Parece que quanto mais díficil, mais giro...

Pulseiras modernas

Vai mesmo ser pirosa a minha M. A sua vaidosice é de se registar. Descobriu que as argolas coloridas do pino são umas excelentes pulseiras. Agora, adora tirá-las e pô-las nos pulsos, aos pares e andar pela casa toda empertigada, muito direita, e de ar muito inchado, enquanto de braços levantados, vai girando os pulsos como se estivesse a dançar Sevilhanas. Então se lhe dissermos que está tão linda, é vê-la crescer enquanto desfila...

Sopa

Continua a marchar, mas tem de ser densa. Ou é um creme espesso ou uma sopa com muita coisa para mastigar e pouca água. Cá sopas ralas não são para o seu bico. Chega a chorar assim que a vê, se nãof for do seu agrado. E não convém ver o segundo prato antes do tempo, senão manda a sopa à fava... A ver se ela não sabe o que é bom?!

Já tá!

É a frase que a M. usa sempre que acha que já chega. Não interessa o quê: desde o mudar da fralda ao vestir, passando pelas brincadeiras quando já se saturou. Olha para mim com um ar decidido e diz um perfeito "Já tá!". Tenho de lhe dizer que está quase e que já falta muito pouco, para ela perceber que já não demora. Agora adoptou esta técnica quando come. Por vezes (nem sempre!!!), abana a cabeça e diz-me o "já tá!" típico, de sorriso na cara. Se lhe pergunto se quer mais, ela volta a abanar a cabeça e vira a cara. Mensagem recebida, filha!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

2 colheres

Já quer aprender a comer. Isso implica várias coisas. Primeiro, muita mão, roupa, cabeça, cadeira e mãe sujas. Segundo, muito mais tempo disponível para estes momentos do dia. Terceiro, a necessidade de termos duas colheres a uso em cada refeição. Enquanto uma serve para lhe levar um pouco de comida para a boca, a outra serve para ela ir treinando. Depois, vamos trocando. Enquanto ela mastiga a comida e a colher, eu dou-lhe mais uma colherada para a boca. O normal é virar a colher ao contrário quando esta está a chegar à boca, fazendo com que a maior parte da comida caia no colo ou no chão. Por causa disso, por vezes convenço-a a ajudá-la, segurando-lhe a mão enquanto a colher vai do prato até à boca. É engraçado assistir a esta aprendizagem, mas confesso, que tenho de fazer um esforço para ter paciência e aguentar-me firme enquanto vejo a comida escorregar pela barriga abaixo... Ah! E sopa ainda não tem direito a tentativas independentes... O máximo que permito é agarrar na colher quando esta já está a chegar ao seu destino e sempre com a minha ajuda. É que a única vez que não o fiz, até as pestanas comeram sopa!!!

Tou!

Descobriu o telefone. Agora, quando o apanha a jeito, pega nele, encosta-o ao ouvido, muitas vezes ao contrário, e de boquinha feita, como se tivesse um ovo na boca, diz em tom interrogativo: "Tou? Tou?". Vale a pena ver o espectáculo...