Novo castigo... Sempre que entramos no carro, a M. pede "mais!". Comecei por lhe perguntar o que queria ela mais, até que aprendeu a pedir "mico!"... Ou seja, música, ou seja, os CDs dela, ou seja, horas de música infantil... Neste momento, o CD preferido é o do Concertos para bebés. Adora. Quando entra no carro, às vezes ainda nem entrou, já está a pedir o "papapapa". Durante o concerto ao vivo, há pelo menos uma música em que eles aprendem a noção de ritmo, batendo-se com as mãos nas pernas para acompanhar a melodia. Esta a M. já aprendeu muito bem. Em várias músicas do CD, as mais agitadas, ela vai batendo com as mãos nas pernas com um ar super divertido. Para além disso, já temos um início de cantoria, com a capacidade de entoar a melodia. Isto porque algumas partes do CD são com bebés que vão entoando uns pequenos "papapa", que ela já imita na perfeição. Com isto tudo, concluí que a M. gosta de música clássica, o que significa que tenho de me educar nesta área para aproveitar este início de gosto. Vai ser difícl, já que não percebo patavina do assunto, mas vou tentar!... Esperemos que o jeito para a música se mantenha. Até porque quem tem jeito para música, também tem jeito para a matemática, e isso sim, era algo que me faria muito feliz, tendo em conta a minha falta de jeito...
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Imitar
Há já uns tempos que a M. gosta de nos imitar naquilo que consegue. Já há imenso tempo que tenta contrariar o biberão para aceder aos copos. Pode nem ter sede, mas se nos vir a beber, seja pelo copo ou pela garrafa, pede logo o "pó". Vamos experimentando, com pouca água no copo e a mão por baixo do queixo, para ela aprender a não derramar, mas ainda não é muito evidente. Costuma ter tanta ânsia em beber, que sorve e larga antes de tempo, ficando toda molhada no peito se não tivermos cuidado. Mas já é óptimo esta iniciativa toda! Com o tempo lá chegará.
Guerra para vestir
É um stress! Não se consegue vestir a M. sem se ficar enervado e a suar em bica. O normal é desatar aos saltos em cima da cama ou deitar-se de barriga para baixo de rabo espetado com cara de gozo. Pedir para ficar sossegada é mentira, vai dar ao mesmo que nada. Visto-a em movimento, enquanto vai mergulhando ou passando de gatas, quando consigo que o abanar de pé não tire as calças, até que me aborreço de vez e sento-a de costas para mim. Nem sempre isso é evidente, pois ao agarrar nela para a pôr em pé costuma transformar-se num esparguete cozido humano, escorregando até ao chão. A partir daqui não lhe dou grandes hipóteses de movimento, o que implica choradeira. Acaba por se calar e vestir mansamente o que falta - quase tudo - para se pôr a milhas assim que apanha uma aberta ou um descuido meu...
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Tem, tem!
Sempre que vejo a fralda da M. mais cheia, pergunto-lhe se tem cocó ou xixi. Antes, para não variar, ela dava-me sempre a resposta negativa com veemência. Se eu confirmasse o contrário, respondia-lhe sempre "tem, tem!". Aprendeu assim, tal e qual. Agora a resposta à mesma pergunta não é um mero sim, mas antes um "Tem, tem!" simples e conciso.
Diálogo
Um dos primeiros diálogos, que calhou ser com o pai, há cerca de um mês. Ficámos ambos sem palavra. Acho que foi a primeira vez que nos apercebemos como já se consegue comunicar com a nossa filha.
- - "Pai! Pai! 'eitinho!"
- - "Queres leitinho?"
- - "Quê'u!"
- - "E a fralda? Não precisa de ser mudada?"
- - "Shim!"
Bem sei, bem sei. Nada de extraordinário. Acho que só percebe quem já passou por esta etapa, em que deixamos de ouvir palavras soltas, que são respostas meio entabuladas às nossas perguntas simplificadas para o efeito, para conseguirmos um diálogo, mesmo que curto e sem grandes elaborações. É demais!!!
Boa!
A M. tem uma forma gira de me mostrar que já me topou. Quando lhe pergunto alguma coisa que implica apontar para o objecto solicitado, para ver se já percebeu, ela prontamente aponta e, sem hesitações ou expressão de maior contentamento diz "Boa!", dispensando-me do elogio. Mudei de registo e passei a dizer que linda ou muito bem. Não é que a miúda também mudou de registo? Agora diz "'inda! Bem!"!!! Até parece que me está a gozar, tipo "dahhhh!".
Previdente
A M. é muito previdente. Aprendeu com a primeira explicação que o aquecedor queima, apontando à distância, enquanto repete "tá quen!". Na banheira, depois de duas escorregadelas assustadoras, não sai de cima do tapete, ficando com os dedos dos pés à beirinha, a pedir-me o brinquedo que está fora do alcance. Em Quiaios, explicámos-lhe no primeiro dia que a lareira fazia um dói-dói muito, muito grande e que só podia estender a mão para lá para perceber como estava quente do sofá, distância mais do que segura. Nem tentou chegar perto - ao longe aponta e diz "dói-dói!". Demonstrou curiosidade pelo caixote do lixo, pelo que optei por lhe tirar logo a ideia, antes que... Segurei-a e expliquei-lhe que era caca e que fazia dói-dói na barriga. Agora, passa por um e diz logo "caca!". Boa M.!
Dião!
É fanática por aviões. Desde que lhe mostrámos uma vez um no céu, não quer outra coisa. Quando vê um, grita "Dião!" e depois começa o seu incansável "Maisss! Maisss!". Passa que tempos de nariz no ar, à procura de mais aviões, exigindo-nos a sua presença, como se fôssemos capazes de sacar aviões do bolso por artes mágicas. E é difícil fazê-la perceber de que não há mesmo mais. O que vale é que, por vezes, lá aparece de facto mais um para a contentar...
Ateta
É a palavra que a M. usa para os pronomes demonstrativos e indefinidos que conhece, ou seja, quando se quer referir a esta/aquela/a outra (serve para o masculino também). Exemplos práticos:
- - Tem uma bola na mão e quer aquela - aponta para a bola enquanto repete ateta;
- - O lápis da mão esquerda e este lápis na mão direita - mostra o primeiro, dizendo tis, mostra o segundo, dizendo ateta;
- - Pergunta pelos avôs - pergunta pelo avô, ao que eu respondo que não está. Pergunta então pelo outro avô, dizendo ateta.
É preciso saber decifrar o código!!!
terça-feira, 12 de maio de 2009
Mais palavras
Já são imensas e começa a ser difícil apontar todas, por isso ficam as mais usadas:
- ua - lua ou rua
- ento - vento
- tchu - chuva
- eiti'u - leitinho
- paia - praia / papaia
- má -mar
- pé - pedra
- té - terra
- qué - café
- au - óculos
- big'o - umbigo
- nai - sinal
- tantas
- bio - libro
- tso-tso - xó-xó (cavalitas)
- inda - linda
- bem
- aqui
- ali
- piu - pássaro
- cóuo - colo
Igualzinha, igualzinha...
Pode ser chapada ao pai, mas tem duas características muito minhas. A primeira é rir por antecipação. Quando percebe que vamos fazer uma brincadeira ou cócegas, basta a cara para ela se desmanchar à gargalhada, porque ela não faz por menos. Lembro-me muitas vezes de um colega de faculdade que topou o meu fraco e de vez em quando olhava para mim com cara de asneira, dizia o meu nome com tom misto de gozo e aviso e... espetava o dedo indicador à frente do meu nariz. Não havia vez, mesmo, que eu não me desmanchasse ali mesmo, com uma gargalhada parva non-stop, que entrava num círculo fechado, impedindo-me de parar facilmente. A segunda é ser do contra. Sempre que me perguntam alguma coisa, seja se quero comer ou se gosto de algo, a primeira palavra que assoma na minha mente e que maioritariamente sai da boca é não. Por vezes, é sem pensar, sem realmente achar que não. A M. é igualzinha. A primeira resposta é sempre não. Mesmo se a pergunta for: "queres papa?". Depois, espanto-me e pergunto outra vez. Ela então arrepia caminho e já diz que sim, visto que como criança que é ainda não tem aquela mania de "já disse que não e por isso agora não volto atrás para não parecer contraditória e prefiro ficar a ver comer"...
Dar a escolher
Já sabe o que quer, sem grandes dúvidas. Muitas vezes, já lhe dou a escolher a fruta da sobremesa. Opto por duas, mostro-lhas e deixo-a decidir. Ela fica toda contente e não pede sempre a mesma coisa, sabendo variar, mesmo que todas as noites uma das opções seja banana. Também nos livros, já lhe dou essa liberdade. Todos os meses, compro-lhe um livro no hipermercado com a ajuda da M. Vou com ela até à secção da livraria, escolho três e mostro-lhos, perguntando-lhe qual ela quer. Olha para os três com ar interessado e selecciona um, raramente voltando atrás na decisão. Quando a M. escolhe, pergunto-lhe se é aquele mesmo que quer, ao que normalmente obtenho um sim verbal e um acenar de cabeça convicto. E atenção! Nada de fitas ou birras porque quer todos. Percebe que é só um. Uma das vezes, vi uma senhora a olhar pelo canto do olho com um ar de "Está parva! Então a miúda lá sabe o que quer com aquela idade! aquilo ainda vai dar para o torto...". Depois de ela assistir à cena até ao fim, fiz um ar de "Viste? Toma!", seguindo caminho e deixando-a parada com cara de espanto. Mania que as pessoas têm de que criança implica burrice!!!
Ritual nocturno
Todas as noites temos o ritual de ir para a cama: a M. lava os dentes, toma as gotas do fluor, mudo-lhe a fralda e deixo-a escolher até quatro livros. Ela lá vai até à estante, dizendo ou tirando, quando consegue, os livros pretendidos para aquela noite, confirmando com um sim convicto de cabeça. É engraçado como esta criança tão pequena já sabe tão bem o que quer. Alguns dos livros já têm nomes. Por exemplo, os do Ruca ou o do Noddy são "Cuca" e "Nódi", "A mão pintada" é a "mão", um desdobrável sobre as cores que acaba com um balão é o "bão" e por aí afora. Depois, sentamos-nos na cama de visitas, que ainda está no quarto dela, e leio-lhos um a um. A M. não gosta de os ouvir ao colo - tem antes de se sentar ao meu lado, encostada, ou melhor, refastelada, no meu flanco esquerdo, chuchando violentamente, enquanto massaja as orelhas da Lola. No final da leitura, ou quando dá sinais de cansaço por já não ser capaz de ouvir o livro até ao fim, declaro o fim da sessão, pego nela ao colo e vamos à sala dar um beijinho de boa-noite ao pai. Dá o beijinho prontamente e depois, durante uns tempos, logo a seguir, quando saímos da sala enquanto o pai lhe vai dizendo para dormir bem, começava a fazer cara de choro e desatava num pranto só visto. Um choro sentido, convicto e sonoro, mas sem guerras, como alguém resignado à sua sorte. Arranjei uma forma de a acalmar e convencer de que está na hora da cama com as ovelhas fluorescentes que estão coladas na parede por cima da sua cama. Basicamente, perguntava-lhe quem é que estava à espera dela para fazer ó-ó, ao que ela me respondia por entre o choro "mé-mé!". E eu lá lhe explicava que elas já estavam fartas de esperar para dormir com ela e ela parava com a fita, pedia-me miminhos por instantes e para atirar de seguida o corpo para o lado, para se deitar. A certa altura, era de tal forma, que ela assim que entrava no quarto, antes que eu dissesse alguma coisa, dizia logo por entre os soluços, "mé-mé!!!", assumindo que aquele era o seu desgraçado destino. Era mesmo cómico. Com o tempo, habituou-se à ideia e hoje em dia, já não chora. Só tem uma exigência, ou melhor duas: tenho de ser eu a cumprir o ritual e quando a deito depois do meu beijo de boa-noite, tenho de me sentar no puff até ela adormecer, sem grandes fitas. Ou seja, tenho pelo menos para cerca de uma hora de ritual nocturno todos os dias, mas sabe-me bem...
A curiosidade...
...neste caso não matou o gato, mas enfureceu um formigueiro inteirinho. A M. achou que aquele monte de terra tinha um ar estranho, ou talvez apetitoso, não sei especificar. Ainda tentámos agarrar-lhe a mão, mas já não fomos a tempo. Assim, que levantou a parte de cima do formigueiro, eram aos milhares, mínimas, a sairem em catadupa do buraco. E está claro, que muitas delas subiram mãos e pernas acima da malvada que lhes rebentou com o tecto. Era ver a M. a correr e a abanar-se toda, enquanto gritava aflita, "Ai! Ai! Ai! Ai! Ai!!!". Acho que aprendeu a lição, porque há uns tempos, quando ela ia a deitar a mão a outro monte de terra, relembrei-lhe a experiência, segurando-a e perguntando-lhe: "Não mexas... Não te lembras das formigas da terra?", parou, avaliou e olhando para mim com ar entendido, respondeu, "Tsi!", seguindo em frente...
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Cena de filme
Os nossos cunhados e sobrinhas foram passar uma semana a Paris, tendo ido nós buscá-los ao aeroporto no regresso. Passo a descrever a cena, digna de um guião de filme meloso. Imaginem a coisa com banda sonora e em câmara lenta, á moda dos anos 80... A M. estava a brincar com o tio Filipe no átrio das chegadas, quando vimos a família aparecer na porta. Chamei a M. e disse-lhe para ver quem vinha lá. A Matilde, por sua vez, vinha ao colo da mãe com ar ensonado e cansado, escondendo a cara no seu cabelo. A minha cunhada, do seu lado, também lhe perguntou quem estava ali. A M. olhou para cima, à procura e viu. Esboçou um sorriso rasgado, de orelha a orelha, e começou a correr na direcção do fim da rampa, a rir um bom rir, gritando "Bebé!". Em simultâneo, a Matilde espreitou por entre o cabelo da mãe e viu a prima à sua procura. Soltou um guinchinho de felicidade e começou a tentar mergulhar para o chão, de tal forma que a mãe teve dificuldade em não deixá-la cair. Assim que a pousou em segurança, desatou a correr rampa abaixo, enquanto ri-a à gargalhada e dizia "Ma'ena!" sem parar. Chegaram ao pé uma da outra ao mesmo tempo, pararam, esboçaram um sorriso, não sei como, ainda maior e deram um abraço gigante, do tamanho do mundo. Assim ficaram um instante, para a seguir seguirem à sua vida, de mão dada, por exigência da minha filha. Deixaram-nos a todos parados a ver, sem grande reacção, embevecidos com tamanha felicidade e amizade. Foi bonito. Só tive pena de não ter a câmara de filmar para registar um momento único, que poucos realizadores conseguirão reproduzir. Acham que estou a exagerar? Talvez, mas num centésimo. Tenho testemunhas que não me deixam mentir...
Partilhar
Ovos de chocolate
A vantagem desta Páscoa sobre todas as próximas que virão? Os ovos e as amêndoas de chocolate que a M. recebeu. Ou melhor, que os pais receberam. E eu que já não recebia guloseimas na Páscoa, este ano foram tantas!... É que a nossa filha ainda não sabe o que é chocolate. Desconfia que aquela coisa que levamos à boca deve ser boa - pudera! Come-se! -, mas certezas, certezas, não tem. Quando a avó chegou e lhe pôs nas mãos um ovo da Kinder gigante, eu exclamei - "Uma bola torta! Que giro! Dá cá que a mãe guarda". Ela sem tempo para muito e sem grandes hipóteses, cedeu e ficou a olhar para aquilo intrigada, enquanto desaparecia da sua vista. Ainda não foi desta que fiz o gostinho ao dedo da avó... :)
Páscoa
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Drops of Jupiter
A minha avó materna deu-me uma vez o melhor conselho, adaptado à realidade do século 21, está claro, que já algum dia recebi: acaba de tirar o curso, viaja durante dois anos e conhece o mundo, volta, arranja emprego e compra casa. Só depois, casa-te. Filhos só dois anos depois de casada. Uma senhora nascida em 1905 tinha esta visão... Por isso, levanta voo, sonha, descobre-te e conhece o mundo. Descobre a amizade e o amor, vive, não sobrevivas e nunca, mas nunca te esqueças de que a felicidade está em ti, independentemente de tudo o mais. É o meu maior conselho... Eu cá estarei para te dar a mão, para te empurrar no meio do medo do teu primeiro voo e para aplaudir todas as conquistas que obtenhas.
- Drops of Jupiter - Train
- Now that she's back in the atmosphere
- With drops of Jupiter in her hair, hey, hey
- She acts like summer and walks like rain
- Reminds me that there's time to change, hey, hey
- Since the return from her stay on the moon
- She listens like spring and she talks like June, hey, hey
- Tell me did you sail across the sun
- Did you make it to the Milky Way to see the lights all faded
- And that heaven is overrated
- Tell me, did you fall for a shooting star
- One without a permanent scar
- And did you miss me while you were looking at yourself out there
- Now that she's back from that soul vacation
- Tracing her way through the constellation, hey, hey
- She checks out Mozart while she does tae-bo
- Reminds me that there's time to grow, hey, hey
- Now that she's back in the atmosphere
- I'm afraid that she might think of me as plain ol' Jane
- Told a story about a man who is too afraid to fly so he never did land
- Tell me did the wind sweep you off your feet
- Did you finally get the chance to dance along the light of day
- And head back to the Milky Way
- And tell me, did Venus blow your mind
- Was it everything you wanted to find
- And did you miss me while you were looking for yourself out there
- Can you imagine no love, pride, deep-fried chicken
- Your best friend always sticking up for you even when I know you're wrong
- Can you imagine no first dance, freeze dried romance five-hour phone conversation
- The best soy latte that you ever had . . . and me
- Tell me did the wind sweep you off your feet
- Did you finally get the chance to dance along the light of day
- And head back toward the Milky Way
Doente
A M. apanhou gastrenterite outra vez. Mesmo em casa, mais protegida, estas doenças apanham-na na esquina desprevenida, e por um lado ainda bem. Desta vez, o que mais nos afligiu foram os vómitos, já que eram a dormir e de barriga para cima. Na primeira manhã, quem deu conta foi a ama que ao chegar, foi espreitá-la e nos chamou a perguntar o que era aquilo. Era uma massa arrocheada espalhada pela cama e cabelo da M. A coitada vomitou o jantar que incluia uvas e acabou por adormecer outra vez sozinha, sem ninguém por perto, acabando por ficar com aquela nhanhisse pegajosa seca. Senti um peso de culpa de 5 toneladas a cair-me em cima. Como foi possível eu não ter ouvido, não ter acordado? O cansaço era muito, mas caramba, a minha filha vomitou e teve de safar-se sozinha, durante a noite, com a cara, o cabelo e a cama sujos... Fui trabalhar com os pés pesados e com aquela imagem na cabeça. Horrível... Durante o dia, muita diarreia e falta de apetite, da praxe nestas coisas. Nessa noite, deitei-a e fui espreitando. Vomitou outra vez, de cabeça para cima. Foi um repuxo que caiu em cheio na cara. Assustada, chorou desalmadamente. Foi preciso dar-lhe banho a meio da noite e depois de muito mimo, creme e roupa lavada, decidi - dormi com ela na cama do tio, o tio ficou no sofá e o pai na nossa cama. Não quis correr o risco de ela se engasgar com o próprio vómito. Foi um sono solto, cortado às 3h com uma descarga de diarreia, com uma filha que se virava e revirava no canto dela, sem se chegar a mim. No dia seguinte, ainda com o ritual da diarreia diurna, tive de chegar tarde a casa, assim como o B. A minha tia, que foi lá jantar pelo seu dia de anos, ficou com ela depois da ama sair. Ligou-me a dizer que a M. tinha feito diarreia, que estava toda borrada e se eu demorava muito. Como continuava atrasada, disse-lhe o que lhe devia vestir e liguei para o B. para se despachar. Quando este chegou a casa, meia-hora depois, estava a M. aos saltos em cima da cama, de fralda, sem roupa, embrulhada numa toalha toda borrada, que foi limpando a porcaria que saiu para fora da fralda e que a titi nem detectou (ainda me perguntam porque não confio neles para ir passar férias...). Nessa noite, voltou a vomitar na cama às 5h, pelo que o B. decidiu levá-la para a nossa cama. Dormi mal, com ela às voltas. Tive medo que ficasse com a manha de dormir connosco, mas temos sorte - a M. continua a preferir dormir sozinha e parece que percebeu que aquilo foi uma excepção devido à doença. Já passou, mas foi uma aventura e tanto...
Colecção de bolas
O meu pai está a desempenhar cada vez mais o seu papel de Avô, ou seja, o de mimar, mimar, mimar. Ele e a minha tia foram um dia lá a casa e, para não variar, levaram a M. à rua para passear. Perto de nossa casa há uma papelaria, que entre muitas outras coisas, vende bolas. Umas bolas pequenas, mesmo a jeito da mão de um bebé de 18 meses, de várias cores e desenhos e que saltam q.b.. Escuso de voltar a explicar o quanto a nossa filha adora bolas. Diz quem viu, que se colou à montra da loja e com a cara e as mãos escarrapachadas no vidro, ia repetindo incessantemente - "Bola! Bola! Bola!". A titi não resisitiu e entrou. Comprou não uma, mas duas bolas para gáudio da petiz. Quando cheguei a casa, veio à porta exibir a sua nova aquisição, enquanto se ouvia o meu pai a resmungar: "Pois. Não podias ter comprado só uma. Tinham de ser logo duas! Habitua-a, habitua-a e depois me dirás...". Ouvi o sr. coronel falar e achei normal - essa era a sua função de pai, certo? No dia seguinte... Cheguei a casa e tinhamos avô outra vez. Desta feita, a M. apareceu à porta com, não duas, mas três bolas! A ama por entre sorrisos lá me explicou que desta vez tinha sido o avô, que escondido na sala, não se dignava dar-me a honra da sua presença. Sorri e entrei. Meti-me com ele. "Mais uma?!". "Ela não largava a montra e não se calava com as bolas!..." "Hum... Então a teoria é bonita, mas é só para a tia?..." "Oh! Pfffff!....", fez ele, enquanto encolhia os ombros e me virava as costas. Sem comentários... :)
Medicação - dúvidas
Como a constipação deixou-me algumas dúvidas, mandei um e-mail à pediatra para perceber algumas coisas. Como me parece útil, aqui fica…
Ben-U-Ron: serve para febre e dores - Brufen: serve para febre e dores, tem acção anti-inflamatória que o ben-u-ron não tem - Oxolamina: serve para tosse seca/irritativa - Maxilase é anti-inflamatório - Actifed: p/ o ranho
Quando tem febre deve dar em primeiro lugar o ben-u-ron. Pode fazer ben-u-ron de 6/6 horas se tiver febre. Se a febre voltar com um intervalo inferior a 6 horas, deve dar Brufen. O brufen pode dar no máximo 3xdia (8/8 horas). O oxolamina é um xarope para a tosse e deve ser dado 5ml de 8/8 horas. É independente do ben-u-ron e brufen e pode ser dado ao mesmo tempo. Se tem muito ranho deve dar actifed 5ml 1 a 2 x dia. O oxolamina e actifed podem dados durante 5 a 7 dias seguidos.
Não há diferença entre o Ben-U-Ron supositório e o xarope - deve dar 5ml do xarope ou 250mg supositório.
Supositórios
A M. constipou-se. Como tinha bastante febre, demos-lhe Ben-U-Ron, alternado com Brufen. Mas como fomos ensinados com supositórios, pensámos que seria melhor continuar com a mesma linha de procedimento. Pela primeira vez, a M. reagiu. O primeiro fui eu que pus e a M. choramingou. Lá a distraí e ela esqueceu até ao dia seguinte a experiência. Na manhã seguinte, comigo ao lado, a ama fez o mesmo. Chorou, enquanto dizia "Dói-dói!". Durante uns tempos, a M. ganhou repulsa ao muda-fraldas, alapando-se a nós sempre que tentávamos mudar a fralda no dito. Tinhamos de ir para cima da cama do tio, para a convencermos, e mesmo isso era difícil...
Letícia
A Lúcia tem uma filha com 3 anos. Já nos pediu autorização para a levar duas vezes, tendo tido como resultado uma enorme diversão para a M. por ter tido só para si uma amiguinha para brincar um dia inteirinho. Como a experiência foi positiva para a nossa filha, concordámos dizer à Lúcia que podia levar a filha de tempos a tempos - ou um dia por semana ou de 15 em 15 dias, conforme lhe desse jeito. Desta forma, a M. aprende a lidar e conviver com outras crianças, sem ser naquelas horas estipuladas na ginástica e na natação. Ainda por cima, a Letícia é mais velha, obrigando-a a gerir as suas capacidades sociais. O B. comunicou-o à ama, que apesar de não parecer muito interessada, lá apareceu uma sexta-feira com a filha. A M. delirou. Passaram o dia na brincadeira e quando cheguei a casa, a M. estava extasiada com a "bebé", chamando-me para a ver vezes sem conta. Percebi porque é que a Lúcia não está muito disponível para repetir a experiência com mais frequência. Estava com uma cara de cansaço por demais evidente, muito porque a filha é algo mexida. Julgo que o melhor termo para a definir é beirão - é terrabenta... Não pára um segundo, sempre a a falar e, muitas vezes, tentando contrariar as ordens da mãe. Quando comentei com a ama que parecia cansada, o comentário foi: "prefiro 4 Madalenas a 1 Letícia...". Pois... Esperemos que isto não invalide mais visitas da amiguinha lá a casa.
Birras
Já começa a querer fazê-las... E das beras... Chora sempre que é contrariada, com um volume em crescendo, correndo-lhe lágrimas gordas cara abaixo, atira-se para trás, por vezes chega a tentar bater. Tantas vezes nos zangámos por causa desta última atitude que agora levanta a mão, olha para nós de soslaio e finge que a parede, a mesa, a cadeira, whatever, é mau-mau. A parte do choro está mais difícil. O meu olhar reprovador ou ignorá-la continuam a ter sucesso. Já percebeu que tem de se acalmar quando lhe levantamos a mão em sinal de stop. É engraçado vê-la a tentar controlar o choro sozinha, engolindo em seco, para pedir outra vez o que quer, com mais calma. Se lhe dizemos que não outra vez, às vezes descamba. O B. cede facilmente, com um "oh, filha!" um deixar cair dos braços de vencido e com muitas tentativas de distração com o intuito de parar o choro. Eu bem me zango com o pai para ignorar ou impor-se, mas com pouco sucesso. Ele já percebeu a lógica, mas tem uma grande incapacidade de a aplicar na prática. Ela já percebeu as regras do jogo e está diariamente a testar os limites. Eu não quero uma filha irritante e mimada!!! Ai! Ai! Ai!
Sestas
A M. não gosta de dormir, é algo mais do que assente. A noite já está controlada, já havendo um ritual mais ou menos estabelecido. Durante o dia, já a conversa é outra... Com a ama, tem dias que nem dorme, muito, penso eu, porque esta não quer perder muito tempo com o assunto - estamos a falar de talvez perto de uma hora ou mais - e muito porque não consegue gerir as visitas do meu pai, que não têm hora certa e são imprevisíveis. Ao fim-de-semana, temos mais sorte. Como temos mais tempo, saímos, brincamos e cansamos. Para além disso, temos o embalo do carro como um extra bastante vantajoso. Assim, connosco, a M. chega a dormir sestas de 2 horas depois de almoço. Preocupada com o regime de sono da nossa pipoca, pedi conselhos à pediatra. Disse-me que as 9/10h de sono nocturno lhe pareciam bem, mas que a sesta do dia era essencial e não devia falhar. Disse-me o que eu já sabia - criar um horário sempre igual, que com a repetição cria o hábito. Falei com a Lúcia e dei-lhe instruções: todos os dias tem de dormir pelo menos uma sesta. Já a pensar nas férias da praia e na saída desta às 10h30/11h00 e nos fins-de-semana em que queremos passear à tarde, orientei-a para o horário da manhã, antes do almoço. Ao mesmo tempo, impus ao meu pai a regra do telefonema prévio antes da visita, para saber se está a dormir ou não. A M. já vai dormindo de manhã, mas muitas vezes só dorme meia hora. À tarde, a Lúcia também já vai conseguindo convencê-la a ir até ao país dos sonhos, mas não me parece muito evidente. A ver vamos se não sai à mãezinha que, desde muito cedo, deixou de dormir sesta, contrariando as regras todas...
N.º 5!!!
Uma máquina
Há duas frases na ginástica que ficaram mais presentes na minha memória: o prof. Rodrigo comentar ironicamente que a M. está cada vez mais levezinha, sempre que pega nela para exemplificar qualquer exercício e o comentário da prof. Vi a falar com uma amiga quando viu a M. a entrar na sala. Apontou para ela e disse: "a M. é uma máquina! Faz tudo o que lhe mandam sem hesitações!". Sorri agradecida e entrei atrás da M. Mas cá por dentro, babei... :)
Comeu sozinha
Já sabe comer sozinha, usando tanto a mão direita como a esquerda para agarrar na colher. Eu não imponho nada, mas tendencialmente acaba na mão direita. Pode ser que seja como eu que só uso a esquerda para cortar direito com tesoura, tal e qual como a minha mãe. Agora, tem dias. Por vezes começa e acaba com a colher, outras vezes acaba com a mão. Quando está para aí virada, come tudo sozinha e sem grandes badalhoquices. Até sopa já marchou só pela mão dela! É claro, que é preciso ter paciência e sobretudo um pano à mão para limpar tudo o que saltou fora, mas mesmo assim, está muito bem. Boa! Como ela própria diz, depois de nos ouvir a dizer-lho várias vezes.
Já pede colo
A M. descobriu que se esticar os braços para cima e pedir com ar de cãozinho abandonado "cóuo" costuma ter sorte...
Jerónimo de Sousa
Estava a M. sentada na cadeira de comer, eis senão quando, apontou para a televisão e exclamou "Ô!" toda satisfeita. Olhei e quando vi o Jerónimo de Sousa a falar no telejornal soltei uma gargalhada. A nossa pipoca confundiu estes dois homens que em nada são iguais, a não ser numa cara mais comprida e num cabelo meio grisalho. A minha tia disse que era dos óculos, pois está claro.
Avô
Tem uma loucura só vista pelo avô A. De tal maneira, que houve um dia que calei o choro do ir para a cama, dizendo-lhe que tinha de dormir, pois depois do ó-ó grande o avô ia lá a casa para ir à rua com ela. Parou logo de chorar, perguntou "Ô?". Eu confirmei e ela conformada deitou-se sem mais arrelias. Adora ir passear com ele para a rua e passa tardes na rua atrás dos pombos, e do cão, e dos outros "bebés", pelo menos de acordo com o relato que ela me faz a posteriori. Este por sua vez, já não sabe passar um dia sem ir lá a casa para brincar com ela. Vai disfarçando, dizendo que não pode ir todos os dias da semana senão ela fica mal habituada, mas depois aparece, muito porque é ele que já está habituado... Descobriu na nossa dispensa um pacote de milho para pipocas que levou sumiço numa tarde com as pombas, para no dia seguinte trazer outro comprado. Pelo que percebi, agora tem sempre milho no carro. Como diz a minha sogra, as pombas de Telheiras são tão finas que não comem um milho qualquer, mas sim um de pipocas... A regra de ouro dos passeios com o avô é simples: desde que não leve nada à boca a M. pode fazer o que quiser, pelo que quando chego a casa, ela está disfarçada de filha de cigano. As unhas negras, as mãos sem explicação, a roupa tão suja que chega a ser preciso tira-nódoas para terra e relva e até a cara está coberta de terra. Ou seja, ficar badalhoca é a regra imposta pela brincadeira entre neta e avô. O meu pai está tão encantado por aquela Sereia, que no dia a seguir a ralhar com a minha tia por esta lhe ter comprado duas bolas só porque a M. se colou à montra, chegou a casa com uma terceira bola. A lógica do "habitua-a mal, habitua e vais ver" pelos vistos só se aplica aos outros. Ele é excepção. E quando me meti com ele, perguntando para que era mais uma bola, ele encolheu os ombros e respondeu: "Ela não saía da montra! É uma loucura por bolas!", soprando desconfortável. Hum-hum...
Música do Manel
Há uns largos meses atrás, expliquei aqui que cantava a música"Olha a bola Manel" do José Barata Moura para adormecer a M. Tinha um efeito soporífero eficaz, mesmo que demorado. No outro dia, tentei outra vez o mesmo truque. A M. estava excitadíssima e, quando a deitei, estava literalmente aos saltos e semi-cambalhotas na cama. Percebi que não ia correr bem e como ela passava a vida a tirar as meias só para me desafiar, optei por tirá-la da cama e, à media luz, mudá-la para um babygrow com pés. Ao mesmo tempo, ia falando baixinho e fazendo festinhas para a sossegar. Resultou. A certa altura, estava a M. sentada no muda-fraldas, de chucha na boca, com olhos de sono e muito sossegadinha a olhar para mim. Lembrei-me daquela bebé que adormecia com as minhas cantorias e tentei a sorte. Assim que comecei a cantar "Olha a bola Manel", os seus olhos escureceram, a cara fechou e fez um beicinho de cortar o coração. Chorou! A M. chorou com aquela música porque associou a ir dormir e isso era o que ela não queria. Já tentei mais vezes sem ser na hora de dormir e o resultado não é muito positivo. Uma das minhas músicas de infância preferidas parece ter sido banida...
Tau
Já aprendeu a dizer adeus. Levanta a mão e baixa os dedos, enquanto diz "Tau!". Para se despedir, ou opta por este ou pelo atirar do beijinho, que ainda se fica pela mão na boca. Mas graças a este "tau", pudemos assistir ao nascimento de uma estrela. E com um futuro promissor na carreira de actriz dramática. Senão vejam se não tenho razão. O ritual para se deitar é sempre o mesmo: abrimos as camas (a dela e a nossa), vamos buscar os seus amigos inseparáveis - a pêpê e o dôdô - sentamos-nos no puf a ler os livros que ela escolhe, apagamos a luz do quarto dela e vamos à sala dar um beijinho de boa noite a quem lá está. Distribui mansamente todos os beijinhos solicitados, não importa a quem. Quando chega a vez do pai, faz beicinho e começa a chorar. Um choro típico de quem já sabe o que a espera e não quer, mas que remédio. Depois, vou com ela ao colo para o quarto e acalmo-a até ela pedir para se deitar na cama. Até aqui, nada de extraordinário. Porém, ha duas particularidades dignas de menção: primeiro, já aprendeu que ao entrar no quarto, vou-lhe perguntar quem está à sua espera para fazer ó-ó, referindo-me às ovelhas fluorescentes que estão coladas na parede por cima da cama dela. Agora, a malandra já diz "ah, memés!" por entre o choro quando entra no quarto, já não conseguindo eu por isso qualquer efeito de acalmia. Segundo... Quando entro no quarto com ela a chorar, ao encostar a porta, a minha filha vira-se para ela e, com a mão em posição, vai dizendo com um ar desoladíssimo - "Tau pai, Tau!" com vários soluços à mistura. Parece que vai para a guerra e que nunca mais o vai voltar a ver. Não há noite que eu não me ria, escondendo a cara no seu cabelo, para não a frustrar...
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Tio Filipe
Mudou-se para Lisboa e está temporariamente lá em casa, partilhando o quarto com a M. Não podiam ter dado melhor presente à criança. É uma loucura com ele e a tia S. e a excitação é tal que por vezes a hora de dormir não é evidente. Era "Ti", passou a "Tio", com uma especial entoação no "o" da palavra, quase parecendo um "Tiu". Brincam todos os dias e tem direito a miminhos extra. É de tal maneira, que o pai já passou para terceiro plano... Quando sente a chave na porta, exclama "Tio!", ao que eu explico que não e questiono quem será então. Resposta: "Pi!", referindo-se à namorada dele, a tia Sofia. Só quando lhe dou outra nega e volto a perguntar quem será, é que ela acerta na mouche e lá diz "Pai!"... As primeiras noites foram pacíficas, sem a M. se aperceber que o tio partilhava o quarto com ela - ela deita-se depois e acordava primeiro. Ao fim de uns dias, ela começou a acordar antes dele sair, apercebendo-se de que ele estava ali. Resultado: a meio da noite, estando as camas perpendiculares entre si, a M. levanta-se, agarra-se à barra lateral e olhando para a cama dele, chama "Tio?". Ele, acorda estremunhado, mexe-se sem falar (senão "tinhamos conversa para a noite toda!!!") e ela literalmente volta a aterrar. Diz o tio que a ouve a cair na cama como um peso morto, para logo depois ouvir a respiração de quem dorme. A consequência disto, é termos um tio cansado de manhã, que não ouve o despertador, porque ainda não está habituado a estas andanças nocturnas de um bebé pequeno. Isso e um inchaço enorme por ter um papel tão importante na vida da sobrinha, para além de provocar o riso e o gozo de todos nós...
Em cima de nós
A M. não pára quieta - já ficou aqui bem registado. Mas o não estar quieta quando ouve uma história ou quando tem de estar em pé, perto de nós, ou seja, situações em que, supostamente, deve estar sossegada (conceito que desconhece por completo), significa normalmente uma coisa: pisar os nossos pés. Tem uma necessidade parva de subir para cima de nós, indo pisando as uvas, como quem está a fazer vinho, macerando simpaticamente com os seus 12 kg e meio as bases do nosso corpo. Se estivermos meios estendidos com as pernas esticadas, vai pernas e tudo! Oh M., tu tem dó!!!
Desenhos
Gosta mesmo de comer! Até nos desenhos isso ficou provado. Quando me pede para fazer riscos (sim porque é o mais que consigo fazer...), há sempre duas coisas que têm de estar presentes na folha de rascunho: a colher e a tigela... E não satisfeita, têm de ser desenhadas uma e outra vez, sempre com um "Mai!" iminente, ainda eu não acabei os anteriores.
Imita o cavalo
E muito bem! Começa por fazer o barulho dos cascos a trote e termina com um "Ihhhh!" fininho. Depois, informa: "Cau", palavra para cavalo. Se estiver ao nosso colo, então, abana o corpo para imitarmos o trote enquanto ela reproduz o som de fundo. No que uma mãe se torna! Até já sirvo para montar! Salvo seja... :)
Ti
Descobriu o umbigo. Ou melhor, eu fi-la descobrir, pois tendo em conta a barriga, só puxando é que consegue vê-lo... Mostrei-lhe o meu para ela perceber que todos temos um. A M. foi mais minuciosa: reparou que, ao lado do umbigo, tenho um sinal e que ela também tem um, mínimo, que eu própria não tinha reparado. Assim, agora quando tem a barriga à mostra, obriga-me a mostrar o meu umbigo para depois ir apontando alternadamente para o "ti!" e o "nau!" - os meus e os dela. O B. também já entrou na dança se estiver por perto.
Pau!
Esta parece mal, mas tenho de contar... A M. apanhou o pai a sair da banheira e estranhando a coisa, apontou com um ar interrogativo. Quem me conhece, sabe que sou meia disléxica e por vezes saiem-me palavras da boca que eu própria nem sei explicar (tipo espetafacular ou caixão do lixo, quando o objectivo era camião do lixo). À conta disso, por vezes, senão muitas, saiem disparates. Desta vez, saiu. Com um ar natural, expliquei-lhe que era o pirilau do pai... Em segundos, saiu do lado do receptor: "pau!". Ah, pois é... Agora, na natação, como ainda toma banho no balneário dos homens com o pai e só depois eu visto-a no nosso, é vê-la a apontar e a dizer em alto e bom som: "pau!". O B. passou a sua primeira vergonha com a filha... Ups!... Mea culpa, mea mui grande culpa!!! :)
Lavar a cabeça
Já não lhe faz confusão molhar a cabeça. Adora que eu ligue o chuveiro, para ela escancarar a boca e sentir a água a bater na língua, engolindo grandes golfadas de água atabalhoadamente. Depois, aviso que vou molhar a cabeça, conto até 3 e ela põe-se a postos, em pé , tapando os olhos, enquanto dá gritinhos. Fase seguinte!...
domingo, 29 de março de 2009
É boa!
Aprendeu graças às minhas perguntas. Quando dou de comer à M., pergunto-lhe várias vezes se "é boa, a papa". Ela sorri, aquiescendo. Já é uma pergunta impensada, nem dando por ela, sendo mais conversa para a entreter do que outra coisa. Não é que no outro dia, a comer o jantar, a certa altura diz com um ar convicto "É boa!", olhando para o pai, como que aprovando o pitéu por ele preparado. Ficámos parvos e demos uma gargalhada conjunta, conseguindo com isso que ela repetisse a façanha. Agora, tudo "é boa!" - a papa verdadeira e a papa de brincar com os tachinhos, assim como tudo aquilo que lhe agrada. Vou-lhe tentando ensinar a diferença entre boa e bom, conseguindo, por exemplo, que ela já saiba que o pai é bom e não boa. Mais uma gracinha para todos se divertirem quando ela come - já não bastava a felicidade ao ver a comida a chegar, a satisfação com que come, os suspiros e os apontares felizes para a comida, agora também aprova, dando-lhe sempre uma classificação de "é boa", juntando-lhe uma imitação de mastigar barulhento de pontuação máxima (tipo um miam! miam! de BD). Saca sempre risos e gargalhadas a quem vê pela primeira vez. É mesmo comilona!
Morangos
Depois de tentarmos a carne de porco sem qualquer problema de alergias, passei aos morangos, ficando a faltar o marisco (só aos 18 meses) e os frutos secos (aos 2 anos). Foi a avó que os levou para Quiaios para a neta provar e digamos que ainda bem que esta não desenvolveu nenhuma alergia. Adorou. Comeu tudo e quis mais, não nos largando enquanto não o conseguiu. Come-os sozinha, com as mãos, ficando com as bochechas todas lambuzadas de vermelho e as unhas parecem saídas de uma tentativa frustrada de tirar verniz vermelho. Naquela noite, fez umas borbulhas em volta da boca, ficando eu sem saber se deveria atribuir aos morangos ou à VASP. Acabei por chegar à conclusão de que foi da segunda, pois os morangos foram comidos ao almoço e seria estranho que a reacção fosse tão demorada, e porque depois comeu mais e não houve mais nenhum sintoma. Hoje em dia, quando vê os "mu" delira e até dá saltinhos de satisfação tal é a alegria de os ir degustar.
VASP
A vacina dos 15 meses... A primeira dada no braço, com a seguinte introdução da tia XXL: "esta dói muito! Parecem vidrinhos a entrar!...". Nem comento o que me custou, especialmente tendo em conta a minha fobia. O B. segurou na M., como em todas as outras picadelas, enquanto eu tentava não ver. Desta vez, tive de me armar em forte e distraí-la com um brinquedo enquanto a querida tia amiga lhe espetava o braço por detrás, para ela não dar conta. Chorou, mas já no fim da dose, muito graças à distracção e à rapidez e eficiência da tia piquita. Depois, foram o colinho, os miminhos e as bolinhas homeopáticas para os dentes, doces e inofensivas, que a calaram. Vá lá, não ficou ofendida com a enfermeira, não lhe guardando rancor, e o choro foi de pouca dura. É uma valentona - mais do que a mãe, no que toca a picas! Avisados de uma possível reacção ao fim de 5-6 dias, ficámos de sobreaviso para febre e eventuais borbulhas pelo corpo que desapareceriam da mesma forma como apareceriam. De facto, no final da semana, à noite, senti-a mais quente, fui medir a temperatura e estava com 38º, apesar de não demonstrar nenhum outro sintoma e sem quebra na sua energia. Pusemos-lhe um Ben-U-Ron e passou. No dia seguinte, à noite, apareceram umas borbulhas pequenas e vermelhas em torno da boca, que no dia seguinte já não existiam, pelo que a vacina passou por nós quase sem mazelas. Ufa!
sábado, 28 de março de 2009
Vacinas
Ainda não referi aqui nenhuma vacina da M. Talvez por ter fobia, na verdadeira acepção da palavra a agulhas, mas penso que merece o comentário. Foi sempre o B. que a segurou em tudo o que implicou picas. Não é que eu não seja capaz, mas a minha aflição seria no mínimo contraproducente para a criança. Assim, o ritual é ir ter com a tia Piquita, como ela própria se intitula nestas situações, e enquanto eu passarinho algures pela sala sem ver ou ser vista pela filha, o B. despe as calças, segura na perna dobrada e a XXL faz o que tem a fazer. A M. regra geral, não é de grandes choros. Se chora, não é por muito tempo, e perdoa sempre à sua amiga sem a bata branca vestida, não lhe guardando qualquer rancor, até hoje - e as vacinas são quase todos os meses! Depois de levar a pica, dirijo-me a ela e tento dar-lhe colinho para a acalmar, mas o B. nem sempre me dá esse direito, até porque se não seguro para o mau, também não tenho legitimidade de segurar para o bom. Está bem, não faz mal. O que interessa é que a nossa pipoca é uma valentona e faz ver à mãe nesta área... Quanto a reacções, foram poucas as vezes que fez, se bem me recordo, só na dos 2 meses é que a febre atacou.
Não há 2 sem 3
Fomos passear com a M. para o jardim, levando a bola, objecto indispensável em qualquer passeio em locais com outras bolas - é a única forma de evitar que ela fique pasmada a olhar ou mesmo chorar por as querer. A certa altura, baixou-se para a apanhar e com as pressas e a trapalhice já de carácter, fê-lo com demasiada força, levando a cabeça ao chão. Ficou com a testa vermelha, mas nada de extraordinário. Mais tarde, já em casa, estava com a M. às cavalitas, e porque já pesa, tirei-a levantando-a, o que fez com que desse com a cabeça dela precisamente na saliência da janela da cozinha, pondo-a a chorar. A testa, já vermelha da tarde, ficou mais um pouco, estando a zona mais sensível das duas pantufadas sofridas. À noite, em cima do sofá com o B. ao lado, na fracção de segundos em que ele se distraiu, tropeçou nos pés e foi direitinha com a cabeça à parede, que é de tinta de areia, provocando raspões desagradáveis. Resultado: muito choro e lágrimas depois, com o saco do gelo na testa, ficou com um galo a cantar meio arranhado, pois testa nenhuma resiste a tanta pancada no mesmo sítio no mesmo dia. Foi obra, especialmente nossa!...
Ati!
É o correspondente a "coisa", palavra que nós adultos tanto gostamos de usar quando não sabemos o nome de algo. Quando a M. não sabe o nome ou não consegue dizer, aponta e diz "ati!". Costuma ser uma boa solução. Se não resulta, pego nela e levo-a até ao sítio que ela está a apontar e peço-lhe que me mostre o que quer dizer com aquilo. Pacientemente, lá me leva até ao objecto da sua atenção e eu com um "ah!", lá lhe digo o nome, para ela a seguir, sorrir e fazer um "ãhhh" de satisfação. Diálogos simples, mas eficazes, apenas compreendidos pela mãe e a sua bebé, que precisam de dicionário para o restante mundo, inclusive o pai.
quarta-feira, 18 de março de 2009
Se fosse uma música dos U2, qual seria?
É só uma das minhas bandas favoritas, apesar de a ter descoberto já tarde na vida (apesar de pertencer à geração que viveu os anos 80 em plena adolescência, só lhes reconheci o mêrito e talento aos 23...). A música em questão é fantástica e de facto diz muito de mim, mas... já foi mais verdade. Hoje em dia, por vezes traio a minha própria natureza e contrario esse optimismo de uma forma mesmo inconsciente. Coisas dos 30 e tal...
Você é… ‘Beautiful Day’: Carpe Diem é o seu lema. Ou, como cantam as grandes filósofas Azucar Moreno, “solo se vive una vez”. Não perde uma oportunidade para se rir, mesmo que seja à sua própria conta, quando revê os vídeos daquela noite de karaoke num bar da Moita. Em dia de temporal, você é pessoa para cantarolar pela rua fora esta canção: “It's a beautiful day Sky falls, you feel like It's a beautiful dayDon't let it get away”
segunda-feira, 9 de março de 2009
Conversa
Esta semana, o avô veio cá a casa à tarde e levou-a à rua. Depois de se ir embora, tentei cortar as unhas À M., com ela sentada ao meu colo, tentando distraí-la com conversa para que a guerra não fosse muita. Fui-lhe dizendo que tinha tido imensa sorte por ter tido a companhia do avô naquele dia, narrando as aventuras do dia, que já me tinham sido relatadas. A certa altura, perguntei-lhe quem tinha ido à rua com o avô e para meu espanto, respondeu-me "bebé". Contente com a resposta e testando a sua capacidade para conversar, perguntei-lhe o que tinha visto com o avô na rua, convicta de que já lhe estava a pedir muito. Obtive mais uma vez resposta, desta feita "Cão! Pomba!". Acho que eu é que não quero ver que ela está a crescer...
E esta, hein?!
De manhã, enquanto lhe mudava a fralda, como ela refilava por não querer estar ali, fui-lhe dizendo que o pai estava a fazer o leite e que mais valia ela sossegar para o conseguir beber mais depressa - sempre foi um bom estratagema para a acalmar. Desta vez, disse um não peremptório. Espantada, perguntei-lhe se não queria o leite. Respondeu-me prontamente com um não cristalino. Não queria acreditar - ela adora o biberão da manhã, ficando tão impaciente que chora enquanto este não chega às suas mãos. Perguntei-lhe então se preferia a papa como pequeno-almoço. O não retumbante repetiu-se. Passei então ao ataque e questionei: "Então e pão? Queres pão?". A cara iluminou-se e no meio de um sorriso de orelha a orelha, saiu um "tsiiii!". Lamento, filha, mas foi ao leite que tiveste direito e não foi por isso que refilaste!...
Espelho
Já aqui contei que a M. é vaidosa, mostrando apreço sempre que lhe dizemos que está linda. Pois... Na semana passada, pus-lhe uma fita no cabelo e depois de a convencer a ficar com ela na cabeça, exclamei que estava linda. Ela fez a cara do costume e foi para o chão. Foi então que começou a apontar para a porta e a dizer "bebé!". Como o normal é perceber que vai ver a sua amiguinha quando vamos à rua, e era o caso, lá lhe expliquei, que não, que iamos à rua, mas que daquela vez não ia ver a Gui. Mas ela continuava com aquilo e eu sempre a explicar o mesmo. A certa altura, a M. foi para a porta da casa-de-banho enquanto repetia a sua ladainha. Percebi. Queria ver-se ao espelho, sendo que desta vez, a bebé era ela. Lá a levantei ao nível do espelho e ela pôde apreciar o quão bonita estava de fita na cabeça, algo que ainda levou uns tempos. Fartei-me de rir sozinha! No dia a seguir, pediu-me para lhe pôr a mochila dela às costas, uma coisa em pano com uma boneca de totós bem engraçada. Acedi ao pedido e lá lha pus. Voltou ao mesmo, desta feita, indo direitinha à casa-de-banho, a apontar para o espelho. Ali ficou um bom bocado, a apreciar o perfil para melhor ver a sua mochila, com um ar de vaidoseira só visto. Eu, está claro, fomentei a coisa, repetindo com ênfase que estava linda. Acho que o pai vai ter sorte e ter a menina mariquinhas que sempre quis. :)
Canca
Adora ir para cima da nossa cama para a palhaçada. Quando me vê puxar a colcha, vem a correr, a pedir "canca!". Quando lhe fazemos a vontade, põe-se em pé, atrevassando de um lado para o outro, a rir por ter um chão tão mole debaixo dos pé. Adora atirar-se de cabeça, dando mergulhos sem se magoar, assim como deixar-se cair de rabo para sentir as molas a saltarem. Nós entramos no jogo, fazendo-a cair e saltando para que o nosso peso a faça balançar, rindo-nos com ela no processo. A mim, faz-me alguma impressão, pois estou sempre a ver quando é que ela cai da cama abaixo ou bate com a cabeça nas partes de madeira, mas vou alinhando na brincadeira, sempre a saltar para a apanhar. Já chega a ser quase um ritual antes da hora de dormir, não se tornando rotina por ser algo que a excita imenso e dificulta o adormecer depois.
Nossa cama
Por causa da tosse, a M. não conseguia dormir em condições, acordando de madrugada a chorar irritada. Na sexta-feira, optei por tentar levá-la para ao pé de nós para ver se acalmava, quebrando a regra de não a habituar à nossa cama. Era muito cedo e tive pena, pois ela estava cheia de sono e não conseguia dormir. Adormeceu, virada ao contrário, como na cama dela, de pés para cima e cabeça para baixo. Acordou connosco, já tarde, no sábado de manhã e com um ar de felicidade por abrir os olhos no meio de nós. Na noite seguinte, foi o B. que fez o mesmo, dizendo-me que quando ela adormecesse ia deitá-la na cama dela. Foi uma noite pior. Eu acordei ene vezes com a tosse e a procura da pepê ou da Lola, enquanto o B. dormia de costas para nós a sono solto. Mais uma vez, a M. acordou ao contrário entre nós, mas quentinha por não estar sozinha na cama. Receei que na terceira noite fosse acordar para ir para a nossa cama, mas não. A nossa M. é boa menina e ganha poucos vícios. E confesso que me souberam bem aquelas manhãs com ela ao pé de mim...
Engordou!!!
Com as idas à praia, com aquele sol fabuloso e traiçoeiro, a M. ficou constipada, com uma tosse chata, o olho a chorar e o nariz cheio de ranhoca. A amiga XXL proibiu a piscina e lá nos ensinou o "muito, muito soro" na vista e nariz e o Maxilase três vezes ao dia, durante cinco-seis dias, até ser necessário incomodar a pediatra. Passou-se o fim-de-semana e chegados a segunda-feira, continuava com uma tosse seca. Optámos por ligar à pediatra, que nos mandou lá ir. A M. portou-se lindamente, não chorando e nem sendo preciso vir para o meu colo para ser auscultada. A médica estava encantada com aquela criança, que apesar do ar desconfiado a olhar para o estetoscópio, não se manifestou e deixou fazer tudo sem refilices. Só na parte da boca, para ver a garganta, é que foi preciso segurá-la e ouve vontade de choro, que passou assim que a sô dra parou com a tortura. Era vê-la no final a bater na engenhoca e a dizer "mau-mau!"... A Dra. Margarida, depois de confirmar que a M. já estava quase boa da constipação, ensinou-me o que fazer em situações destas - como auscultar e que ruídos procurar para identificar a pieira, o que dar (Oxolamina - um bom antitussígeno), como avaliar as ranhocas e como combatê-las com Unimer hipertónico (o do elefante e não o da girafa, por ser melhor). Finalmente, alguém que se interessa a sério e que demonstra profissionalismo a toda a prova!!! Depois, tendo em conta a última consulta, voltou a medi-la e a pesá-la. Em três semanas, a M. voltou a aumentar de peso, para 12,020 kg, subindo de percentil - já ultrapasou ligeiramente o 90!!! A pediatra apenas pigarreou e mostrou um ar um pouco mais preocupado, mas não voltou a impor limites, consciente de que eu estou em cima da coisa. Já cortei o biberão da noite, por não ser necessário, e agora que descobri que a ama gosta de lhe pôr papa no biberão da manhã (...), também o proibi, não querendo saber da sua cara de "mas ela assim tem fome!...". Se há coisa que a M. não tem, é fome, pois alimenta-se bem e não se queixa entre refeições. Há que haver regras, caramba!!! Ah! Faltava contar: a pediatra se já era fã da nossa piquena, agora ainda ficou mais, deliciando-se com as suas saídas e no final comentando "esta miúda é um prato!". Tinha de ser, certo?... ;)
Pampa
Já sabe que a televisão tem um canal que lhe interessa para além do Baby TV: o canal Panda. Adora o boneco gigante e pára tudo quando ele aparece. Quanto à bonecada, ainda prefere o outro canal, mas já identifica genericamente os desenhos animados com o nome daquele, independentemente do canal. Começo até a achar que já está a ficar um pouco viciada na caixa preta, pois de manhã, pouco depois de acordar, se vir a televisão, aponta e diz "Pampa!", insistindo bastante, a ver se tem sorte. A ama já tem ordem para não haver muita televisão durante o dia e nós evitamos, só a ligando nos seus canais preferidos antes do banho e depois do jantar para a acalmar um bocado, preparando a ida para a cama.
domingo, 8 de março de 2009
Frases
Já tenta e eu pasmo...
Como estávamos sozinhas em casa, enquanto eu tomava banho, pu-la na cadeira de comer que levei para a casa-de-banho, apetrechada de lápis e papel para ela se entreter. Durante o duche, ouvi:
- "Mãe! Pai? Papa, pão! Mãe? Bã!"
Tradução: Mãe! O pai? Foi comprar papa e pão! E a Mãe? Está a tomar banho!
Estante dos livros
Pê!
Apesar da M. já mastigar tudo, sem necessidade de se passar a comida, o B. continua a gostar de lhe fazer o miminho da papinha. Assim, quando é ele a preparar a fruta, costuma triturá-la na máquina das sopas, que tanto jeito deu e que agora serve para isto mesmo. A M., assim que ouve o "rrrrrrr" da máquina, a meio da refeição, aponta logo para a porta e exclama "Pê!", palavra universal que serve para designar fruta e que ela adora. Como ela aprendeu a identificar o barulho, a espertalhona!...
Apontar
Agora, passa a vida nisto. Aponta para tudo e espera que lhe digamos o nome. Parece mesmo que está a aprender, pois a maior parte das vezes, aponta consecutivamente para as mesmas coisas, fazendo-me sentir um disco riscado, de tal forma repito as palavras - parede, tecto, porta, pai, mão, parede, tecto, porta, pai, mão... Ufa!
Ai! Ai! Ai! Ta-tau!
Quando a M. se porta mal, com o objectivo de fazê-la parar com o disparate, o B. disse-lhe algumas vezes "Ai! Ai! Ai! Tau-tau!". Nem foram muitas vezes, pois ele nem é de repreender muito e muito menos assim. Não é que a miúda aprendeu e agora repete, tipo papagaio a expressão?! Chega ao cúmulo de bater em si própria, enquanto o diz, independentemente de nós lho dizermos ou não... E nem sempre é meiga!!! Resumindo: agora o tau-tau, que nunca chegou a ter o efeito de repreensão, é mais uma brincadeira para a M.. Assim, não vale!
Carnaval
Cumpre todas as ordens
Na ginástica recebi os parabéns da professora por a M. já cumprir as ordens todas. Atira para a frente e tenta atirar para cima, anda, corre, tenta saltar, dá pontapés e até tenta andar com um saco de feijões em cima da cabeça (a segurá-lo como é óbvio!). Só lhe falta uma coisa, que nem por nada lhe apetece sequer tentar: a preensão. Não se pendura na barra e nem quer saber. Há-de lá chegar.
Não corto, não corto, não corto!!!
O cabelo da M. continua a crescer devagarinho e uniformemente, excepto... o caracol! Já sei lá quanta gente me disse para cortá-lo, pois fica espetado sozinho, não fazendo sentido. Não quero nem saber! Não corto, não corto, não corto!!! Deixá-lo espetado. O restante cabelo há-de um dia ficar do tamanho daquele e depois já não se nota. É o meu caracol de estimação!...
Mai!
Por lhe perguntarmos quando está a comer se não quer mais, descobriu mais uma palavra, que por sinal lhe dá imenso jeito. Agora quando quer mais é só pedir. Usa é a palavra também para pedir outras coisas, mesmo que ainda não tenha recebido nada antes e não seja apenas uma repetição, como por exemplo para pedir música assim que entra no carro. Por vezes, torna-se difícil perceber o que ela quer afinal, por não haver um primeiro pedido de algo. Com o tempo, lá chegaremos.
Toma! Toma! Toma!
A minha tia estava a brincar com a M. em cima do sofá e ensinou-lhe mais uma das suas. A M. estava de bruços, virada de rabo para ela, e a minha tia decidiu dar-lhe palmadas a brincar na fralda, enquanto dizia "Toma! Toma! Toma". A M. aprendeu. Depois desse dia, era vê-la pela casa a bater na Lola ou num boneco e a dizer exactamente o mesmo, na perfeição. O problema foi que ela não distingue as coisas e por isso fazia o mesmo connosco. Foi uma trabalheira para ela perceber que na mãe e no pai não se bate...
Bebé
A M. já se reconhece e vê-se como uma pessoa autónoma da nossa. Quando se vê ao espelho ou numa fotografia, que já sabe que é dela, é o que diz: "bebé!". E se o pai lhe perguntar quem é a coisa mais linda cá de casa, ela, com ar maroto, responde a sorrir, meia a olhar para baixo, "bebé!".
Já está!
A M. usa muito esta expressão para se despachar. Se já não lhe apetece comer mais, se não quer ficar mais tempo deitada a mudar a fralda (mesmo que ainda não esteja), se não quer molhar a cabeça. Enfim, as ocasiões são várias. A última: deitei-a e como ela não queria dormir, apesar da hora, depois de algumas cambalhotas, levantar e sentar, deitou-se e de olho bem aberto disse "já está!". Tipo: "ok, ganhaste. Já dormi. Agora já posso sair?"...
sábado, 7 de março de 2009
Novo hábito
Como não achava que fosse um bom hábito deixá-la adormecer tão tarde, mesmo recuperando de manhã as horas perdidas à noite, optei por tentar incutir-lhe um novo horário de sono. Comecei por aproveitar duas noites seguidas, em que o cansaço da ginástica e da natação foi tal que adormeceu na cadeira de comer por volta das 22h30, sem biberão. Como não acordou durante a noite com fome, aproveitei a onda e comecei a deitá-la mais cedo. Não correu mal. Andámos a tentar a sorte por volta das 22h30/23h00, para devagarinho ir reduzindo a hora para mais cedo. Desde que eu vá com ela e fique no quarto até ela adormecer está tudo bem. Mesmo que refile um pouco ao princípio, depois de perceber que eu fico ali, acaba por encostar à box e ao fim de, no máximo, meia-hora adormece. Por vezes, precisa de um pouco de mimo primeiro, enrolando-se em mim antes de ir para a cama. Eu dou-lho e espero que ela me peça, por iniciativa própria, para ir para a cama. O senão: tenho de ser eu, senão chora e chama por mim - o B. não tem autorização para a ir deitar... Resultado: quando não adormeço com ela no quarto, ganhamos todos. Ela horas de sono e nós tempo à noite para nós. As noites já são outra vez seguidas e as manhãs começam cedinho, por volta das 7h30. As sestas dependem: por vezes são logo de manhã depois do leite bebido e a fralda mudada, por vezes depois de almoço. É conforme, não havendo regras com a M. Mas não se pode ter tudo!...
Puf
Farta de ficar com o rabo quadrado por me ter de sentar no chão à espera que a M. adormeça e achando que seria algo de que ela ia gostar, encomendei um puf à tia C., de um rosa forte, para combinar com os cortinados. Quando o vi, assustei-me: tem um metro de diâmetro e pareceu-me gigante. Trouxe-o para casa e mostrei-o à M. O meu pai estava cá e começou logo a brincar com ela em cima dele, a fazer escorregas e cambalhotas. Resultado: a M. adorou a coisa. Do que mais gosta é de se atirar contra ele de braços abertos, pois sabe que não se aleija. Para além disso, gosta que eu a ponha lá em cima e vá ajeitando as bolinhas ao seu corpo. Ela vai subindo e descendo com os movimentos, e fica encaixada como se estivesse num pequeno trono. O seu pequeno trono. Depois dou-lhe os brinquedos que ela pede - normalmente os tachinhos - e lá fica ela a brincar connosco dali de cima. Para além disso, agora já tenho onde me sentar para a adormecer. É fofinho, quentinho, molda-se a nós e é suficientemente grande para me enroscar nele. Só tem um mal: muitas vezes adormeço também...
Beijinho à esquimó
Uma das últimas coisas que a ama lhe ensinou, que a M. reconhece como "dá-me um narizinho". Aproxima a cara e abana a cabeça para esfregar o nariz no nosso. É algo que a diverte bastante.
Reconhece
... a nossa roupa, que está para lavar: tira os boxers do B. e diz "pai!", apanha uma meia minha e diz "mãe!". É giro como não se costuma enganar. Agora é o carro. Iamos a sair e eu dizia-lhe que íamos para o carro para passear, ao que ela apontou para o nosso, no meio dos outros, e disse "popó!". Coincidência? Talvez. Mas eu gosto de acreditar que tenho uma filha esperta... ;)
Bicho carpinteiro
Tem-no de certeza e bastante!!! A M. não pára um segundo, nem sequer quando está sentada. Se eu a sentar ao meu colo no chão enquanto lhe tento ler um livro, ela pura e simplesmente não sossega. Ora põe as pernas para um lado, ora põe para o outro, ora se vira de barriga para baixo, ora se levanta para cair de chofre, ora se deita e escorrega pelas minhas pernas abaixo, ora... Cansados? Também eu fico! É impressionante como ela não sabe o que são mais do que 5 segundos quieta. Sem exagero! Um dia que tenha de aprender a brincar ao "Macaquinho do Chinês" vai perder na certa! Ficar como uma estátua é pedir-lhe muito! A quem sai? A mim, pois está claro. Eu até a ler era assim: começava sentada direita no sofá e acabava de pernas para o ar, encostadas às costas do sofá, e de cabeça no chão - literalmente! O que eu mais oiço contarem-me era que as minhas pernas não sossegavam um bocadinho, mesmo quando estava presa na cadeirinha. Onde será que já vi esse filme?!
Escondidos
O meu pai veio passar a tarde com ela cá a casa. Aliás, a M. tem tido o privilégio de muita brincadeira com o avô A. nestes últimos tempos. Parecem dois miúdos e por vezes nem sei qual o pior... Naquele dia, quando cheguei a casa do trabalho, vi os dois à janela a ver as vistas. Estacionei e subi para casa. Quando saí do elevador, estavam os dois escondidos atrás da esquina, com o meu pai a dizer-lhe baixinho para não fazer barulho, para aparecerem quando eu desse sinal de vida (atenção - só apareceram, sem gritinhos, nem cucus. Seria pedir demasiada abertura ao sr. coronel :) ). Depois, riram-se os dois e a minha filha em vez da costumeira festa de boas-vindas que me faz, ignorou-me e seguiu caminho para ao pé do avô para fazer cambalhotas!...
Faz de conta
A avó comprou-lhe no chinês um conjunto de objectos de cozinha - pratos, talheres, frigideira, copos, tachos. Isto porque em casa dela, a M. não fazia outra coisa que não fosse brincar com uns parecidos da prima. Foi o melhor presente que já lhe deram, depois da bola (que também foi a avó que lhe deu...). Não larga aquilo nem por nada. Quando quer brincar, vai buscar a lata do leite onde eu lhe arrumei esta tralha, e enquanto vai dizendo "iá papa!" vai fazendo de conta que come com a colher. Vem nos trazer o prato ou a panela e faz de conta que nos dá de comer. Depois traz o copo e obriga-nos a fazer que bebemos. Houve uma manhã que foi ter com o pai à cama só para lhe dar a "iá papa!"... A nossa princesa já tem brincadeiras de menina e acima de tudo, o que me surpreende é a sua capacidade de imitar e já brincar ao faz de conta. É de facto, giro acompanhar estes pormenores da sua evolução.
Estufa Fria
Lembrei-me da minha infância e como me levavam com alguma frequência à Estufa Fria e ao parque infantil respectivo, por morarmos muito perto dali. Há um lago com patos e gansos e o jardim tem galos, galinhas e pavões. Eu adorava lá ir dar pão aos patos e aos peixes (na altura também havia cisnes) e depois dependurar-me nas barras para aprender a fazer cambalhotas com o meu pai. Assim, fomos com a M. ao jardim da minha infância, para repetir com ela a experiência. Foi um sucesso. Levámos pão num saquinho e, tal como no meu tempo, sentei-a no muro de pedra e atirei o pão aos nossos enfartados amigos (já não se fazem patos como antigamente! Parecia que nos estavam a fazer um favor!...), fomos ver os outros bichos e deixámo-la andar à vontade. Como o lago fica junto à Alameda Eduardo VII, depois do iogurte do lanche, começámos a descê-la. Se dependesse da M., iamos a pé até ao Rossio! Andou, andou, andou, e não queria subir a Alameda - só descer. Fez as delícias de muita gente, especialmente de alguns velhotes solitários que esperavam ver algo que lhes despertasse o interesse de um banco de jardim (é mesmo triste...). Não chegámos a ir ao parque infantil, experimentar o escorrega, pois estava imensa gente, tudo maior do que ela e podia correr mal. Quando a pusemos no carro, vimos uma M. feliz e cansada. Aliás, estávamos todos três cansados! Foi de facto uma excelente tarde!
Lápis de cor
Como ainda tenho os lápis de cor da minha infância (É verdade! Fazia colecção para ter as cores todas e mais algumas, chegando a surripiar alguns na escola por ser uma cor que eu ainda não tinha...), achei que seria engraçado mostrar à M. aquelas coisas mágicas, que fazem riscos numa folha de papel. Sentei-a na cadeira de comer e puxei daquele novo brinquedo. Risquei e fiz desenhos e ela adorou. Tentou segurar num, mas não conseguiu por não ter força para riscar. Isto porque em vez de tentar segurá-la com a mão toda, tentou imitar-me, segurando-o já com os dedos. Demorou alguns dias a perceber onde aplicar a força, mas agora já domina a coisa e já gatafunha pelo papel afora. Por vezes, ela vai-nos dando lápis a lápis para nós riscarmos um bocado, dizendo a cor à vista. Mas o normal, é pedir-nos que façamos desenhos para ela adivinhar. Ainda por cima têm de ser bonecos que ela identifique... Como ninguém cá em casa nasceu artista, nem sempre é evidente, mas pelo menos a colher e a tigela, o gato, o peixe, a pêra, a sua Lola, o sol, o pato, o caracol e o pássaro ainda se consegue fazer... De todos os desenhos possíveis, o que ela gosta mais é o da mão. Ponho a mão dela ou a minha em cima do papel e contorno os dedos, por forma a que ela fique desenhada. Adora a meio do processo tirar a mão depressa, como se estivesse a pregar uma partida. Hoje em dia, passa a vida a pedir para ir para a cadeira de comer, apontando para a gaveta onde os lápis estão escondidos. Foi uma brincadeira com sucesso. Tenho mesmo de lhe comprar uns lápis próprios para bebés, para poder sair da cadeira e não correr riscos...
sexta-feira, 6 de março de 2009
Concerto para bebés
Pela primeira vez, soltou-se e largou à aventura para o meio do palco para ouvir melhor os instrumentos. O normal é ficar junto a nós, mesmo que a curiosidade já aperte. Mais uma vez se viu como ela gosta de ir a este espectáculo, que já se tornou numa rotina mensal cá em casa.
Parapeito e popós
A nossa sala, assim como o quarto dela, têm um grande defeito: as janelas vão até 50 cm do chão e têm um parapeito interior muito acessível. A M., graças à sua genica imparável, descobriu um sítio fantástico para se empoleirar. Ainda por cima é uma janela com vista para os popós que ela tanto gosta. Agora, em vez de 50, são precisos 500 olhos para a vigiar, e temos de rapidamente descobrir uma solução para estas janelas tão acessíveis...
quinta-feira, 5 de março de 2009
Palmada no rabo
No entanto, já comprovei que uma palmada no rabo também surte efeito, ao contrário da palma da mão. Não sei se por parecer mais uma palmada (na mão confesso que às vezes mais parece uma festa com mais força...), se por ter um maior factor de surpresa, se pura e simplesmente ela entende assim porque sim. O que é certo é que há uns dias, apanhei-a a esticar o dedo para a tomada, para tentar tirar a protecção, acto por mais do que uma vez condenado e repreendido (e o quanto!...). Fui por detrás e sem qualquer pré-aviso, dei-lhe uma palmada no rabo de fralda, enquanto soltava um não forte. Ficou espantada, ponderou chorar, mas não o fez e veio ter comigo aflita, para se agarrar às minhas pernas, a dizer "mamã! mamã!". Como quem me pede muitas desculpas. Voltei-lhe a explicar o mesmo de sempre, com muitos nãos à mistura e ela pareceu perceber, pois por alguns tempos, evitou tomadas.
Palmada versus castigo
Sou apologista de uma boa palmada no rabo quando estritamente necessário, optando pelos castigos e a compreensão do porquê na maioria das vezes. Como a M. ainda não tem idade para perceber castigos, comecei por nãos veementes e decididos, mostrando-lhe que estava efectivamente zangada com determinada atitude. A minha filha basicamente borrifou-se para o assunto e o normal é continuar, nem que seja numa de desafio, como reacção. A palmada na palma da mão vem então para primeiro plano. Resultado? Uma gargalhada... Sonora... É assim. A M. não tem medo das palmadas e como não damos com força, o resultado é provocar mais a moçoila. Tentei então segurá-la. Quando está a mexer em algo que não deve, ao fim de alguns avisos, seguro-lhe nas mãos, por forma a ela ficar imobilizada. Desespera. Fica pior do que eu sei lá, chora, atira-se para trás e contorce-se para se soltar. Fico inamovível e após algum choro, pergunto-lhe calmamente se já se acalmou. É engraçado como isto costuma ter um efeito tão positivo. De lágrimas gordas a cairem-lhe dos olhos, olha para mim e tenta auto-dominar-se. Chega a engolir em seco para conseguir parar de chorar, quando percebe que essa é a forma de atingir a liberdade. Como é possível alguém tão pequeno já ter esta capacidade de compreensão... Uma das vezes, pude comprovar como este método é eficaz com a M. Estava sentada em cima da mesa da sala a brincar comigo. Quando descobriu o centro de mesa com folhas e pétalas secas foi um ver se te avias. Meteu logo a mão lá dentro apesar das minhas negas. Retirei-lhe a mão três vezes. À quarta, nem dei pré-aviso. Segurei-lhe nas duas mãos e ali ficámos até ela se acalmar. Como não tenho nenhuma filha prodígio ou que fuja à norma para a idade e que é teimosa como as mulas, é claro que voltou a meter a mão lá dentro, espalhando tudo. Voltei ao mesmo mais uma vez, só a soltando quando parou com o cinema. Expliquei-lhe que não mais uma vez e deixei-a no mesmo sítio, mesmo ao lado da tentação. Tive de esconder a cara por várias vezes... A M. olhava para o centro de mesa e de soslaio para mim, chegando a levantar a mão na sua direcção. Eu nunca me pronunciei ou manifestei. O certo é que o medo de ficar sem se mexer outra vez, impediu-a sempre de levar avante os seus planos, não voltando a lá meter a mão. É claro que no fim, dei-lhe os parabéns e fiz uma festa cheia de palmas por se ter portado tão bem. A educação pela positiva tem muitos mais frutos do que aquela que apenas oprime e realça a negativa... Penso eu de que...
Educar...
É a parte mais díficil de ser-se pai: educar. Tem muito que se lhe diga e nesta matéria as opiniões são tantas e tão diferentes que por vezes é quase como a religião e a política - deviam ser banidas das conversas sociais para evitar discussões. Ser-se Pai implica ser-se mais do que um amigo, implica ser-se uma figura de autoridade, que serve de farol e ao mesmo tempo de âncora a uns seres que nos imitam a nossa vida inteira. O não é uma palavra essencial (como a tia S. diz, é contingente) e a firmeza e coerência das nossas atitudes como pais e pessoas são fundamentais. Parte de nós germinar uma planta, que terá de crescer sozinha, com o seu próprio esforço, mas em torno da nossa estaca, que a orienta sempre para cima ou para a frente, graças à sua rectidão. Quando estes pequeninos nos olham com uns olhos de cão abandonado, nos desafiam com um sorriso malandro para nos desmancharmos com o disparate ou choram com verdadeiras lágrimas de crocrodilo a rolarem cara abaixo ainda se torna mais díficil a tarefa. Porém, sou da opinião que não devemos ceder e quebrar perante tais desafios. Quando é não, é não até ao fim, mesmo que a certa altura já não nos apeteça continuar com aquilo. Cá em casa, o não é mais firme na boca de um de nós. Um de nós descamba mais depressa e rola pelos olhos doces da filha que nos tentam qual Medusa. Nem sempre, mas às vezes, encarreira outra vez e tenta não descarrilar mais, apoiando-se numa maior firmeza do outro. Só espero que com isto, um de nós não esteja condenado a ser o mau da fita. Até porque não é isso que faz com que eles gostem mais ou menos de nós. Faz sim com que tenham mais ou menos respeito, mais ou menos necessidade de conquistar, por não sermos um dado tão adquirido e garantido.
Puca- puca-puca!
No ioga para bebés, aprendi alguns exercícios que tento repetir em casa. Um deles é o comboio. Sento-anas minhas pernas de costas paa mim, levanto e desço as pernas para acompanhar o ritmo e vou dizendo "pouca-terra! pouca-terra!". A certa altura, levanto-lhe o braço e desço como se puxasse uma corda, gritando "uh-uh!", imitando assim o antigo apitar do Quim. Há já uns tempos, que oiço a M. a dizer baixinho e divertida "puca-puca-puca!" sem parar. Eu achava que era um som como outro qualquer até ao dia em que o associei. Fiz-lhe a brincadeira do comboio e ela imitou-me com aquele "puca-puca-puca!", arrematando com um "uuuhhh!" fininho. São de facto verdadeiras esponjas as crianças.
Imitações
São de chorar a rir! Já imita o cão, a vaca e a ovelha com os típicos "ão! ão!", "mu!" e "mé mé!". É engraçado como ela distingue o nome do som desta última. Apesar de usar a expressão "mé-mé" para ambos, o balir é mais demorado. O gato faz "aaauuuu!", o galo faz "cócó!" e o pato faz "cá-cá!". Até o perú faz "pu-pu!". Até aqui tudo normal. Depois, passamos aos engraçadinhos, que gostamos de mostrar ao mundo, para babarmos com as suas apetências. O tigre tem um som parecido com um limpar de garganta arrastado. O macaco faz um "uh! uh!" muito, muito agudo e baixinho. E o nosso preferido, com 12 pontos, é o porco. Franze o nariz, põe a boca em bico e tenta roncar como nós fazemos. E costuma sair um som muito parecido! O seu ar, de cara toda franzida a tentar imitar o porco vale a pena ver.
Olhos de azeitona
Não me canso de os mirar. Tem uns olhos escuros, muito expressivos e sorridentes, que não param de observar tudo e todos. Fazem-me lembrar as azeitonas pretas, que quase reluzem por serem carnudas e escuras, tão perfeitas que dão vontade de comer mesmo não se gostando. São assim os olhos da nossa princesa, espelhos de uma alma cheia de energia e movimento. É o meu desejo que estes olhos lindos nunca deixem de sorrir, como agora, como se tivessem uma gargalhada pendurada a querer sair.
Adormeceu sentada
Uma destas noites, depois de muitas voltas e viravoltas na cama e um deita-te mais ríspido da minha parte, a M. acabou por sossegar da ginástica nocturna e ficou sentada na cama de mão dada comigo de fora das grades da cama. Ali ficou, encostada aos pés da cama, a chuchar na sua pêpê, muito sossegadinha e séria, a observar-me, sentada no chão ao lado da sua cama. Encostei a cabeça aos joelhos para descansar e acabei por passar pelas brasas uns minutos. Quando voltei a levantar a cabeça, a M. ainda estava na mesmíssima posição, só que os seus olhinhos observadores a brilharem no meio do escuro já não se viam. Apercebi-me de uma respiração mais pesada, aproximei-me e vi-a a dormir sentada na mesma posição inicial. Coitadinha, rendeu-se ao João Pestana, mas só porque já não teve forças para mais...
Propriedade exclusiva
Sou eu. O pai não tem autorização para me agarrar por muito tempo ou me abraçar. A M. vem logo, logo direitinha a nós, agarra no braço ou na perna do pai e começa a puxar enquanto chama por mim. É cá uma ciumenta!!!
Ai! Ai!
Desengane-se quem pensa que a expressão é nossa quando ela se porta mal. Também não é nenhuma interjeição de dor. Dou um doce a quem adivinhar, antecipando já a resposta, por ter a firme certeza que ninguém adivinha: é parte do refrão da canção da "Saia da Carolina". É uma das suas músicas preferidas e quando quer que a cantemos, levanta os braços em jeito de rancho folclórico e exclama "Ai! Ai!". Aliás, a nossa filha deve ter herdado os genes lá de chima do pai, pois quando quer que alguém lhe cante algo, levanta os braços e gira o tronco como que a dançar. Parece mesmo que anda no rancho, tal como o B. andou, e que vai dançar o "Vira". E se não é esta canção, é outra qualquer que faça parte do nosso reportório. O que lhe interessa é que haja cantoria para ela poder dançar, algo que ela definitivamente adora. Por vezes, estamos nisto eu sei lá quanto tempo, atendendo às solicitações infindáveis da madame. A avó e a minha tia também já alinham, pondo-nos a todos a cantar às suas ordens.
Noites aos bochechos
Andou uma semana com um horário manhoso à brava. Apesar de adormecer tarde e a más horas, acordava às 4h, às 6h e um dia outra vez às 7h00. Não percebi o porquê até hoje. Só sei que não achei gracinha nenhuma! Felizmente, já passou.
Sono leve
É quase impossível não acordar a M. de manhã se fizermos barulho. Por barulho entenda-se, não algo mais forte, mas sim por exemplo o som de deslizar da porta do roupeiro do quarto dela. Se nos esquecemos de tirar o casaco à noite, é certinho que ela vai acordar connosco, por mais cuidado que se tenha ao abri-la. Já à noite, depende. Virá-la logo a seguir a ter adormecido, não costuma provocar reacções, mas já desisti há muito de lhe tentar mudar a fralda ou dar-lhe o biberão a meio da noite. Vira-se de barriga para baixo e começa literalmente aos coices até acordar por completo. Depois, é um castigo para adormcer outra vez.
Thi-thi!
Hoje em dia já não sou senhora dos meus domínios. A casa-de-banho então é local interdito à solidão. Se para lá for, é certinho que a M. vem atrás no micro-segundo imediatamente a seguir, não importa o que estiver a fazer no momento. Assim, tive de me habituar a partilhar um sítio, que para mim era sagrado (já percebo o que queria dizer a mãe do meu afilhado, quando há uns anos largos, me disse que quando eu tivesse filhos eu ia ver que a casa-de-banho deixaria de ser um domínio exclusivo...). À conta disso, a M. aprendeu mais um conceito: o xi-xi. Quando me vê sentada na sanita, olha para mim, arreganha os dentes e com ar maroto exclama "thi-thi!". Eu lá lhe explico que é isso mesmo e que ela também faz, só que para a fralda. Quero acreditar que em tudo, se pode tirar algo de positivo, desta feita uma pré-aprendizagem do futuro penico. Quem sabe... Se calhar não estou a delirar... :)
quarta-feira, 4 de março de 2009
Pombas
Fui passear para o jardim com ela. Deixei-a ir a pé para poder disfrutar do passeio à séria, implicando com isso passar o tempo todo (sem exagero) a controlar as mãos, que apanhavam tudo do chão com um único objectivo - a boca -, assim como a evitar tombos e fugidas para sítios menos próprios. Já por várias vezes, nos apercebemos que ela adora animais. Não importa quais. Pássaros, como já aqui contei, é uma das suas paixões, conseguindo detectá-los no ar, bem lá longe, da janela de casa. Costumo pensar que a minha filha vive com a cabeça lá em cima e, não sei porquê, identifico-a com uma das minhas personagens preferidas: Fernão Capela Gaivota. Neste nosso passeio, vimos algumas pombas no jardim. Apontava para elas e tentava apanhá-las, é claro, sem sucesso. Comecei a dizer-lhe para as chamar, enquanto eu própria o fazia. "Pomba! Anda cá! Pombinha!". Pouco tempo depois, saiu-lhe mais uma palavra: "Pomba". Assim, tal e qual. Sem bebelês pelo meio. Depois, era vê-la, a andar na sua direcção enquanto dizia "Pomba! Popita! Cá!". Foi um fartote de plumas naquela tarde e mais algum linguajar aprendido pelo caminho...
Pede em condições
A M. tem o péssimo hábito de pedir as coisas com gemidos. Quando não sabe o nome do que pretende ou quando já está a pedir há tempo demais (o que para ela são só alguns segundos), aponta e começa a gemer, tipo "ãh! ãh! ãh!" em versão de disco riscado. A ama tenta explicar-lhe que aquele "ãhãhãh" não se faz, mas sem sucesso. Quanto a mim, já descobri o truque. Costumo parar, olhar para ela e calmamente digo-lhe para pedir em condições. Ela imediatamente pára com os gemidos de solicitação e emite um "ahhhhhhh!...." baixinho e longo, carregando nos "h". Como se tivesse acabado de beber algo fresquinho e lhe tivesse sabido bem, com uma entoação de malandrice e não de saciada. Como nem sempre lhe dou o pretendido, o normal é voltar aos gemidos. O engraçado, é que agora, por vezes já nem preciso de lhe dizer para pedir em condições. O meu olhar e mão levantada resultam por si só e lá solta ela aquele "ahhhhhh!..." já tão típico. É um começo...
Jeito para o teatro
A M. agora dá-se a uma grande encenação quando é contrariada. Se lhe negamos algo, faz como todos os outros bebés: chora, ou melhor, faz que chora. É uma lamechiche perfeitamente distinta do choro a sério, que não convence ninguém. Até aqui nada de novo. O cómico é a forma como ela o expressa. Costuma levar as mãos à cara, e enquanto abana o corpo para a frente e para trás, vai dizendo "ah bebé! ah bebé!", com um ar desoladíssimo. Imaginem uma carpideira em ponto pequenino e com imenso talento. É a M... Chego a ter de me esconder para ela não me ver rir à gargalhada, não me conseguindo controlar de todo quando ela começa com isto. Como não é suposto gozar com a cara dela e nem é o mais pedagógico, eu tento, juro que tento. Mas nem sempre consigo. Quando não aguento e rebento à sua frente, fica danada comigo e chora mais ainda. Depois, passa por ter de lhe perguntar o que se passa e calmamente lhe explicar que a chorar não vai conseguir nada. Ela acaba por se acalmar, mas o jeito para o teatro está lá. Se calhar, temos uma Eunice Muñoz cá em casa e não sabemos!...
