quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Não! Não! Não!

Acabou-se a fase de ouro da sua vida e começou a da aprendizagem do cumprimento de ordens. O não já é utilizado cá em casa e cada vez mais. E à conta disso, vamos-nos apercebendo da teimosia que se vai começando a revelar. A M. já percebe bem o conceito do Não. Já por várias vezes que ouve a palavrinha maldita e pára. Depois usa uma técnica quase infalível senão estivermos prevenidos. Ao ouvir o "Não!" pára, olha para nós e após uns segundos que parecem de reflexão, sorri com uns "Hum!" engraçados à mistura. Faço um esforço quase sobre-humano para não me desmanchar ali mesmo e continuar a apregoar o meu "Não!". Se não resulta, chega a gatinhar na nossa direcção o suficiente para não se desviar da sua trajectória inicial e para nos fazer cair num sorriso desarmado. Se nada disso resulta, desiste e segue caminho para outra aventura. Óptimo, dirão vocês, têm uma filha excelente. Hum-hum... Não se deixem enganar. Só funciona assim quando lhe convém. Isto de perceber o "Não!" é só quando lhe interessa, caso contrário parece surda ou nós passamos por paredes mudas e caladas. Ontem, deixei-a brincar com uma revista velha. Rasgou, abanou, destruiu, feliz da vida. Deixei até ao momento em que quis comer papel. Disse-lhe que não e nada. Tirei-lho da boca e nada. Tirei-lho da mão e... voltou à carga. Estivemos nisto bastante tempo. Sempre que ela o levava à boca, eu tirava-lho, dizia que não e punha ao lado, tentando depois distraí-la com outra coisa (dizem os especialistas que esta idade deve ser ensinada, dando alternativas). A M. ignorava e num frenesim, tentava chegar ao papel para o pôr na boca. A certa altura, tirei tudo do seu alcance e pus em cima da mesa com um não mais zangado. Chorou como gente grande. Levantou-se, agarrou-se a mim e deitou a frustração cá para fora. Fui-lhe dizendo que já tinha passado, que NÃO podia ser e dando miminhos ao mesmo tempo. Depois de alguma insistência em me demonstrar o seu descontentamento, achei que já estava pronta para outra e comecei a brincar com o ginásio. Riu-se, mas depois lembrou-se porque estava chateada e continuou a chorar. Só ao fim de algumas tentativas de distração é que lhe passou. Feitiozinho torto, o que se avizinha!...

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