sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Cabeça molhada

Banho é com ela, e até vai para a porta da casa-de-banho quando chega a hora, dizendo com um ar feliz "Bã! Bã!". Ponho alguma água na banheira e lavo-a toda, passando pela brincadeira com a bonecada. No final, ligo o chuveiro e vou brincando com o jorrar da água e as suas várias partes do corpo, para se habituar a banhos mais calmos e banhos mais rápidos. Porém, quando começo a dar o banho tenho que esclarecê-la logo se é dia de lavar a cabeça ou não. Isto para prepará-la, pois a M. detesta lavar o cabelo. Se avisar que é dia, é mais fácil depois. Assim, que começo a molhar a cabeça, põe-se em pé num ápice, tenta espetar a cabeça para fora da banheira, enquanto choraminga em tom de refilanço. O champô já não faz confusão, voltando ao mesmo quando lhe volto a molhar a cabeça para o tirar. Cheguei à conclusão de que o problema está na água nos olhos. Mas só no banho em casa, pois na piscina, este problema não se coloca. Ou melhor, não gosta do chapinhar por causa da água na cara, mas não refila. O mais engraçado, é quando ela refila com a água. Quando entende que já chega, ou seja 30 segundos depois, começa a dizer "Já tá! Já tá!". Com o tempo, tem vindo a melhorar, mas continua a não gostar.

A nossa cama

Só serve para uma coisa: coboiada. Dormir que é bom, é uma função que a M. desconhece. Se nos lembrarmos de a levar para lá de manhã, para gozarmos um pouco da ronha matinal de fim-de-semana, a única coisa que conseguimos com isso, é levantarmos-nos mais depressa ainda. Isto porque a M., assim que se apanha em cima dela, põe-se em pé e anda de um lado para o outro, espreita para trás da cabeceira, atira-se de rabo ou mesmo de cabeça, dando valentes mergulhos. Nós ficamos com o coração mais acelerado, por causa das possíveis quedas e batidas de cabeça e não descansamos nada. Tentar deitá-la e encostá-la a nós, independentemente da hora, seja a meio da noite ou de manhã, tem sempre o mesmo resultado: uma enguia enérgica que ficou presa na rede e se quer soltar. É que nem para ela é boa e tenta aproveitar o bem-bom!!!

Foi a primeira e única vez que lho ouvi. Ao telefone com a avó, saiu uma só vez da sua boca e depois fugiu. A avó ficou triste por não ter ouvido, mas eu reconfortei-a, assegurando-lhe de que irão sair muitas e muitas mais "avós" da boca dela daqui para a frente. No entanto, até hoje não repetiu... Se calhar, é mau feitio... ;)

Sangue

Foi a primeira vez que o vimos a sair da M. Foi na brincadeira do xó-xó, uns dias depois, pois ela tinha um brinquedo na mão que ia roendo enquanto cavalgava, até que este se espetou na gengiva com um pouco mais de força. Ela chorou, o pai stressou e ficou sem saber o que fazer, enquanto eu lhe dizia para procurar o biberão da água para tentar estancar com o frio. Lá se apercebeu do que eu pretendia e reagiu, tendo eu de acalmar dois em vez de um. Não foi nada de especial, mas aquele sangue vermelho a sair da boca fez-me impressão. Mas como disse ao B., não será a última vez e se calhar esta nem foi das piores...

Xó-xó do pai

Xó-xó ou às carrachitas são as expressões que lá para cima se usam para as cavalitas lisboetas. Esta proeza é só do B., pois eu não tenho costas, nem força para tal, sobretudo quando estamos na rua e dá jeito pará-la por uns momentos. Ora, uma noite, ele decidiu experimentar fazer de cavalo à séria. Pôs-se de gatas e pediu-me para a segurar em cima dele. Foi andando pelo corredor, enquanto imitava o relinchar e o balancé daquele animal. A M. delirou. Riu-se imenso e segurava-se como podia naquelas costas enormes da sua perspectiva. Não é que quando ele parou, de cansaço, ela, qual amazona experiente, deu aos pés como que a picar o cavalo?! E resultou, porque o pai, apesar de ofegante, achou-lhe tanta piada que arrancou outra vez. A brincadeira só parou quando as forças lhe faltaram e era vê-la de volta dele, a pedir mais e a tentar empoleirar-se outra vez.

Beijinhos

Começou por dá-los a pedido de boca aberta, tipo peixe. Molhava um bocadinho, mas nada de extraordinário. Depois, aprendeu a fechar a boca e fazer um biquinho muito discreto. Agora, escancara a boca de par em par e espeta a língua de fora! Mais um bocadinho e parece um cão a querer lamber a malta de felicidade... Há quem estranhe, como a amiga Gui, que ficou a olhar para ela com um ar de "mas afinal o que é que tu queres com essa língua?...".

Mãe! Mãe! Mamã!

Agora, é assim... Só o meu nome é que surge no meio do escuro da noite e atravessa o corredor até ao nosso quarto. Sempre que acorda é aqui a je que é chamada à recepção... Isto porque durante demasiado tempo, quando ela acorda a meio da noite e choraminga, o B. não ouve e como tenho pena, levanto-me sempre eu. O pai agradece, ficando no seu canto e dando alguns coices suaves, para eu me levantar. Assim que entro no quarto, põe-se em pé, pede-me colo e vai dizendo baixinho, com ar ensonado, "mãe! mãe! Pai?". Quer-me a mim para perguntar pelo pai!!! Não há direito... Um dia, impus-me e obriguei o B. a ir no meu lugar. Foi recambiado. Devolvido à procedência. Berrou e chorou até aparecer a mãe. Uma mãe cheia de sono, aborrecida e mal-disposta, que nem foi muito querida, mas mesmo assim era a mãe... Enfim, com o tempo habitua-se outra vez à figura paterna a meio da noite. Nem que para isso, tenha de chorar um pouco mais.

Horário de sono

Adormece à meia-noite, uma da manhã. Isto implica que não se consiga fazer rigorosamente nada à noite em casa. A nossa menina precisa de muuuuita companhia e apesar de saber brincar sozinha, quando nos apanha em casa (especialmente a mim), só quer é atenção. Há que compreender: a rapariga passa o dia em casa com a ama, por isso quando o universo aumenta para mais dois, aproveita todos os bocadinhos com as restantes pessoas que compõem o seu mundo. Isto é tudo muito bonito, não fosse o facto de já não ter tempo para mim. A seguir ao jantar, tenho de ir logo para o chão da sala ou do quarto e brincar como já não me lembro de brincar há muito. O cansaço às vezes já espreita, mas é só do meu lado. Ela está fresca que nem uma alface ou faz por estar, pois a sua política é: "Render ao sono? Nunca!". E consegue... É claro que também ajuda dormir até às 13h00, não é verdade... Sim, porque a madame dorme seguidinho, de fralda cheia até mais não, na boa até à hora de almoço... Ao fim-de-semana sabe bem, mas não sei se as noites sem tempo compensam...

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Beijinho mágico

Adoptei esta técnica para quando ela se magoa. Dou um beijinho e depois sopro para fazer desaparecer a dor. Resulta sempre, a não ser, é claro, que seja uma dor intensa. Assim, ela já se habituou a vir ter connosco de mão levantada a fazer que chora e a dizer "Mão! Mão!", a solicitar o serviço de reparações rápido. Até aqui nada de especial. Até ao dia, em que veio ter comigo à cozinha, meia dobrada, de rabo espetado, com as duas mãos a apontar para o dito de fraldas e a chorar. Tinha caído de rabo em cima de um brinquedo no quarto e aleijou-se no seu bum-bum. E agora estava a solicitar o beijinho mágico no dito!!! Não deixei de cumprir o meu dever de curandeira, mas por entre muitos risos...

Dáti!

Quando a M. não adormece com o biberão, deitamo-la e sentamos-nos no chão ao lado da cama até ela adormecer. É peremptório ter companhia para não desatar num pranto desalmado e nós já nos rendemos às evidências de vez. Mas, a nossa M. não se fica só assim. O normal é fazer trinta por uma linha até acalmar e tentar adormecer. Senta-se, levanta-se, salta agarrada à grade, esfrega a cara no colchão de rabo espetado, dá com as pernas nas grades, espeta as mãos para nos sentir. Enfim, qualquer coisa serve para espantar o sono, não importando o quão exausta já esteja. Quando sou eu a ficar com ela, acabo por me zangar e digo-lhe uns quantos "deita-te!" ríspidos para a impressionar. A reacção é sempre a mesma: mergulha imediatamente e fica sossegada... 2 minutos! Depois, volta ao mesmo. Assim, o meu "deita-te!" ainda sai umas quantas vezes até ela não voltar a levantar-se e devagarinho ir adormecendo. No outro dia, a M. olhou para mim durante o dia no quarto e disse "dáti!". Não percebi e a ama disse-me que tinha estado com aquilo durante o dia, mas ainda não tinha apanhado o que era. A M. voltou ao mesmo, apontando na direcção da cama. Ao fim de umas quantas insistências, percebi. Estava a apontar para a cama e a repetir o que eu lhe digo à noite...

Bebé

Ou seja, Gui. A sua amiguinha de eleição é sinónimo de ginástica e a sua cara de felicidade no carro em direcção da aula, enquanto vai repetindo vezes sem conta "bebé!", como quem diz que vai voltar a ver a amiga preferida, já é conhecida até da ama, que lhe vai dizendo que sim, que vai ver a Margarida, até meio caminho, ao aproveitar a boleia até perto do metro.

Pópó

Vulgo, hipopótamo. Fixou à primeira, quando lhe disse o nome do boneco verde do banho. Já avó e avô não há meio de dizer. Parece que quanto mais díficil, mais giro...

Pulseiras modernas

Vai mesmo ser pirosa a minha M. A sua vaidosice é de se registar. Descobriu que as argolas coloridas do pino são umas excelentes pulseiras. Agora, adora tirá-las e pô-las nos pulsos, aos pares e andar pela casa toda empertigada, muito direita, e de ar muito inchado, enquanto de braços levantados, vai girando os pulsos como se estivesse a dançar Sevilhanas. Então se lhe dissermos que está tão linda, é vê-la crescer enquanto desfila...

Sopa

Continua a marchar, mas tem de ser densa. Ou é um creme espesso ou uma sopa com muita coisa para mastigar e pouca água. Cá sopas ralas não são para o seu bico. Chega a chorar assim que a vê, se nãof for do seu agrado. E não convém ver o segundo prato antes do tempo, senão manda a sopa à fava... A ver se ela não sabe o que é bom?!

Já tá!

É a frase que a M. usa sempre que acha que já chega. Não interessa o quê: desde o mudar da fralda ao vestir, passando pelas brincadeiras quando já se saturou. Olha para mim com um ar decidido e diz um perfeito "Já tá!". Tenho de lhe dizer que está quase e que já falta muito pouco, para ela perceber que já não demora. Agora adoptou esta técnica quando come. Por vezes (nem sempre!!!), abana a cabeça e diz-me o "já tá!" típico, de sorriso na cara. Se lhe pergunto se quer mais, ela volta a abanar a cabeça e vira a cara. Mensagem recebida, filha!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

2 colheres

Já quer aprender a comer. Isso implica várias coisas. Primeiro, muita mão, roupa, cabeça, cadeira e mãe sujas. Segundo, muito mais tempo disponível para estes momentos do dia. Terceiro, a necessidade de termos duas colheres a uso em cada refeição. Enquanto uma serve para lhe levar um pouco de comida para a boca, a outra serve para ela ir treinando. Depois, vamos trocando. Enquanto ela mastiga a comida e a colher, eu dou-lhe mais uma colherada para a boca. O normal é virar a colher ao contrário quando esta está a chegar à boca, fazendo com que a maior parte da comida caia no colo ou no chão. Por causa disso, por vezes convenço-a a ajudá-la, segurando-lhe a mão enquanto a colher vai do prato até à boca. É engraçado assistir a esta aprendizagem, mas confesso, que tenho de fazer um esforço para ter paciência e aguentar-me firme enquanto vejo a comida escorregar pela barriga abaixo... Ah! E sopa ainda não tem direito a tentativas independentes... O máximo que permito é agarrar na colher quando esta já está a chegar ao seu destino e sempre com a minha ajuda. É que a única vez que não o fiz, até as pestanas comeram sopa!!!

Tou!

Descobriu o telefone. Agora, quando o apanha a jeito, pega nele, encosta-o ao ouvido, muitas vezes ao contrário, e de boquinha feita, como se tivesse um ovo na boca, diz em tom interrogativo: "Tou? Tou?". Vale a pena ver o espectáculo...

Bolas e bolas de sabão

Já sabe que há sempre uma altura com bolas e outra com bolas de sabão na aula de ginástica. De tal forma, que quando lhe falo na ginástica ela imediatamente me diz "bão!". Depois, já no ginásio, de tempos a tempos vai até à porta onde as coisas estão guardadas e aponta, dizendo "Bão! Bão!". Quando chega o momento tão esperado, a M. dirige-se rapidamente para a professora e costuma ser das primeiras a receber a bola amarela. Depois, é vê-la aos pontapés à bola, normalmente sempre com a esquerda, como a professora me chamou a atenção. É isso, ou pedir-me para fazer cestos no cesto de basquete que há no ginásio. Mas é engraçado, apesar da sua paixão por aquele esférico amarelo, e até tentar roubar mais bolas aos restantes colegas de aula, quando chega a hora de a entregar, a tarefa é facílima. Basta cantar a canção do arrumar e ela parte prontamente na direcção da professora de braços estendidos. Com esta paixão e a mania de dançar por dá cá aquela palha, ou vai ser futebolista ou bailarina, a miúda!

10 minutos

Li no blog de uma grande amiga, que tal como eu, se preocupa a 300% com o bem-estar da sua filha. É bom saber que fazemos o que deve de ser e que mantemos firme os sentimentos dos nossos filhos... É esse o nosso objectivo: fazê-los felizes e com isso sermos também felizes.

Mário Cordeiro, pediatra, disse na semana passada numa conferência organizada pelo Departamento de Assuntos Sociais e Culturais da Câmara Municipal de Oeiras, que muitas birras e até problemas mais graves poderiam ser evitados se os pais conseguissem largar tudo quando chegam a casa para se dedicarem inteiramente aos seus filhos durante dez minutos. Ao fim do dia os filhos têm tantas saudades dos pais e têm uma expectativa tão grande em relação ao momento da sua chegada a casa que bastava chegar, largar a pasta e o telemóvel e ficar exclusivamente disponível para eles, para os saciar. Passados dez minutos, eles próprios deixam os pais naturalmente e voltam para as suas brincadeiras. Estes dez minutos de atenção exclusiva servem para os tranquilizar, para eles sentirem que os pais também morrem de saudades deles e que são uma prioridade absoluta na sua vida. Claro que os dez minutos podem ser estendidos ou até encurtados conforme as circunstâncias do momento ou de cada dia. A ideia é que haja um tempo suficiente e de grande qualidade para estar com os filhos e dedicar-lhes toda a atenção. Por incrível que pareça, esta atitude de largar tudo e desligar o telemóvel tem efeitos imediatos e facilmente verificáveis no dia-a-dia. Todos os pais sabem por experiência própria que o cansaço do fim de dia, os nervos e stress acumulados e ainda a falta de atenção ou disponibilidade para estar com os filhos, dão origem a uma espiral negativa de sentimentos, impaciências e birras. Por outras palavras, uma criança que espera pelos pais o dia inteiro e, quando os vê chegar, não os sente disponíveis para ela, acaba fatalmente por chamar a sua atenção da pior forma. Por tudo isto e pelo que fica dito no início sobre a importância fundamental que os pais-homem têm no desenvolvimento dos seus filhos, é bom não perder de vista os timings e perceber que está nas nossas mãos fazer o tempo correr a nosso favor. (in Boletim de Julho da Acreditar)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Rabo assado

Não. Assadíssimo... O dia com o avô teve um senão. O normal é pedir-lhe para ficar com ela só meio dia, pois apesar do jeito que tem para tomar conta dela, fazendo cambalhotas e vendo livros, entre outras coisas, o mudar da fralda é mais crítico. Para além de se baralhar um bocado e demorar a perceber qual a frente e qual o verso, quando é cocó o resultado não é bom. Isto porque os cocós da M. são extremamente moles e por isso borram, literalmente, tudo. Ora, tratando-se de uma menina, há sítios mais recônditos do que outros a limpar... O meu pai nem tem ideia. Nem vale a pena explicar, porque em sítios bem mais óbvios a coisa também não fica bem limpa, para além do que por vezes até a roupa fica um pouco mal-tratada... Resultado: ao final do dia, a M. tinha feito 3 valentes cocós, todos limpos pelo avô. A primeira coisa que fiz quando cheguei a casa foi enfiá-la na banheira, antecipando um pouco esse ritual. Quando tentei lavar-lhe a papoilita, como carinhosamente diz a tia P., desatou num berreiro inacreditável. Quando fui ver... Até me doeu. Estava vermelha desde a frente até atrás e não havia cantinho poupado... Foi um castigo para a lavar, depois para a limpar e sobretudo para lhe mudar as fraldas seguintes. Liguei para a tia XXL, pois está claro, que me sugeriu limpar sempre com esguichos de soro fisiológico, em vez de toalhitas (eu uso sempre compressas não esterilizadas e água), secar sempre com o secador do cabelo a frio e muita pasta de zinco. Avisou-me da possibilidade de ficar em ferida, o que felizmente não aconteceu. A sua cara de alívio com o secador até dava dó... Ainda demorou uns dias a curar e nós aprendemos para todo o sempre que um dia inteiro com o avô dá mau resultado. Ele, coitado, nem chegou a saber, para não ficar com problemas de consciência...

Dia com o avô

A ama adoeceu e faltou uns dias. O meu pai prontificou-se a ficar com a neta e sem ele dar por isso, calhou-lhe o dia inteirinho... Habituado a só ficar de manhã ou só à tarde, teve de se arranjar desde as 8h30 até às 18h00, hora a que eu cheguei. Parece que brincaram o dia todo, sem sestas pelo meio, tal foi a excitação. O meu pai só me dizia "ela não pára!" e ela encantada ria-se. Depois de jantar, em questão de minutos, a M. aterrou na cadeira de comer e já não conseguiu mais ter qualquer reacção. Liguei para o meu pai, para lhe perguntar algumas coisas e atendeu-me a tia. O avô, disse-me ela, estava no sofá a dormir, depois de ter discursado uns momentos sobre a actividade imparável da neta. Assim, naquela noite, duas pessoas com tendências noctívagas, e com a mania que dormir é só muito tarde, adormeceram por volta das 21h00, coisa inédita na família... Ficaram os dois derreados com a aventura do dia!...

Tunga! Pumba! Pum!

Quando a M. cai, costumo dizer "Pumba!" para ela não se assustar. Quando a empurro no carrinho, nos momentos em que ele embate nas paredes, grito "Pum!". A M. pegou nisto tudo e somou-lhe mais um - "Tunga!". São os sons que ela usa quando algo cai no chão ou vai contra qualquer coisa, independentemente de ser ela a tirar ou não. É engraçado o ar de safada que costuma pôr ao dizer estes sons...

Já espera

Quando acorda de madrugada, geralmente faço-lhe o biberão da manhã para ver se a menina adormece outra vez. Habitualmente, isso implicava guerra: aquela hora da manhã, ela quer é colo e eu já não consigo fazer o biberão enquanto tento aguentar aquele peso. Por isso, costumávamos ter choro até conseguir ir para o colo com o dito na boca. Desta vez, correu melhor. Levei-a ao colo para a cozinha enquanto lhe explicava que ia fazer o biberão. Ela olhou muito séria para mim e depois sorriu de orelha a orelha. Quando chegou a parte de a sentar no chão, lá lhe expliquei o porquê e pedi-lhe para ficar muito sossegadinha. Não é que desta vez a impaciência perdeu a vez?! Ficou ao meu lado, sentada em cima do tapete da cozinha, muito séria, enquanto me ouvia a explicar os passos todos da feitura do seu leitinho. Nem queria acreditar! Depois, levantou-se e calmamente, deu-me a mão e, de Lola na outra, foi mansamente atrás de mim até à sala. Fez-me lembrar aqueles postais queridos de meninos com um boneco a arrastar pelo chão. Que bom que é já não haver estes cinemas! Mas, atenção! É só de vez em quando, porque a impaciência ainda é uma das suas grandes características...

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Escova de dentes

A menina gosta de trincar. Ou melhor, gosta de morder quando apanha alguma coisa dentro da boca. O resultado são muitos gritos quando chega a hora de lavar os dentes com a dedeira... Gritos nossos, entenda-se... Já tentei de tudo para ela parar, mas como nada surtiu efeito e ela continuava encantada com essa nova brincadeira, desisti e passei à escova de dentes. Agora, esfrego primeiro eu, para depois passar-lhe para as mãos aquela coisa gira, com uns pêlos espetados e que até são fáceis de arrancar. Não está nada fácil a tarefa de lavar os dentes...

Processo cognitivo

De repente, sentimos uma diferença enorme na M. em termos de compreensão. Já percebeu por completo a lógica do encaixe das formas nos buracos dos seus vários brinquedos com essa função. Já reconhece a maior parte dos animais que tem, desde os animais da selva à ovelha e aos bichos aquáticos do banho. Percebe aquilo que lhe pedimos, desde o ir mostrar ao pai, ao sentar, ao deitar ou desempenhar certa tarefa numa brincadeira. Já responde a algumas das nossas perguntas, como se quer mais, se gosta ou qual das coisas quer. Já reconhece os membros da família mais chegada pelo nome, apesar de só os ver muito de vez em quando. É um caminhar sempre em frente que nos surpreende e encanta.

Uvas

É doida por uvas. Ao ponto de se ter de as esconder... Em casa da avó, havia um cacho de uvas enormes, daqueles que pareciam saídos de um quadro. Pôs a família inteira à procura delas, porque de cada vez que ela as descobria no esconderijo, lá iam elas para outro armário qualquer, que só quem as escondeu sabia qual era...

domingo, 18 de janeiro de 2009

Mais palavras

O normal é apreender uma das sílabas, regra geral a primeira. Algumas delas já são velhas, às quais atribuiu mais do que um significado.

  • cacol ou cucol (caracol)
  • ti (tigre - já era tio)
  • ca (cavalo ou macaco)
  • Nana (banana)
  • nhona (anona)
  • pê (pêra - que já era peixe)
  • pu (pomada)
  • bão (tubarão - que já era bolas de sabão e balão)
  • tê (estrela)
  • pupu (peru)
  • e uma vez disse com um ar muiiiito malandro, "papinha"!!!

Aos pares

Os seus amigos funcionam aos pares, um para cada mão: o peixe de borracha (a Doris do Nemo) é com a tartaruga (da mesma colecção); o tigre com o elefante (ambos de plástico); a ovelha com o ornitorrinco (de peluche, provenientes da Nova Zelândia e da Austrália); o caracol e a abelha de madeira; e duas bolas do jogo de eleição.

Crises de nervos

Passou a isso, a exteriorização do seu mau feitio. Fica logo zangada, faz cara feia, chora alto, anda de um lado para o outro, enquanto vai abanando os braços ou batendo com as mãos uma na outra, como se estivesse a sacudir a farinha. Tenho três formas de a parar: ou ignoro, ou fico a olhar muda com uma cara mista de incrédula e reprovação, ou pergunto-lhe o que é isso com cara séria. Costumam resultar as três, mas a primeira é a mais eficaz. Espero sinceramente que seja só uma fase...

À terceira só cai quem é burro...

A terceira tentativa de me deitar as unhas, uns dias depois, foi apenas isso - uma tentativa. Assim que encostou a mão à minha cara e viu o meu ar, segundos antes de eu levantar a mão, parou e ficou com os dedos em posição, encostados à minha bochecha, com uma cara de "será que vou a tempo?". Foi. Depois, fez-me uma festinha, mas daquelas pouco meigas, como que a disfarçar o primeiro gesto, mas o suficiente q.b. para mesmo assim eu perceber a intenção original. Não voltou a repetir a gracinha até hoje.

Segunda palmada

No dia seguinte, pelo mesmo motivo. Desta vez, o pai nem se apercebeu, só dando conta depois de me ouvir dizer um "Madalena!" muito feio. Ela olhou para mim, olhou para o pai, continuando com essa reacção, alternando o olhar de um para o outro. O B. perguntava-lhe o que se tinha passado e o que tinha ela feito, com um ar sério e eu mantive a minha cara de zanga. O cómico é que quando olhava para mim fazia cara séria, como que a avaliar a situação, quando olhava para o pai, fazia o beicinho genuíno, como que a ameaçar o choro. Mas choro que é bom? Nem vê-lo!!! Segurou-se e aguentou-se à bronca como gente grande. Ou seja, com o pai fica mais sentida do que comigo... O final da história também foi igual: beijinhos distribuídos e muito sentidos, pelo que acho que estamos no bom caminho...

Primeira palmada

Foi na noite de fim do ano... E ainda por cima a dobrar... O seu mau feitio tem-se vindo a revelar cada vez mais. Bem sei que saiu ao pai e puxa à mãe, mas ela conseguiu refinar... Anda com a mania de teimar até mais não, fazer birra por tudo e por nada quando contrariada, com choros sonoros e agora levanta também a mão. Bem sei que faz parte, e que está na idade de testar todos os limites, mas parece-me que esta menina vai ser complicada, se não tivermos cuidado. Estava eu no chão a brincar com ela, quando teimou que tinha de mexer nas velas da mesa de apoio, estando careca de saber que não pode. Disse-lhe que não, e ela ignorando-me por completo, insistiu. Estivemos nisto até que eu me irritei e tirei-a de ao pé da mesa em peso com um não muito sério. Não é que a criatura levantou-me a mão e deitou-me as unhas à cara! E com cara de má!!! Nem pensei. Assim que senti as unhas, ela sentiu a palmada no rabo. O B., que estava ao lado, fez o mesmo, e por isso em simultâneo virou-lhe a mão e deu-lhe uma palmada na dita. Peguei nela e puxei-a para ao lado para ela perceber que estava mesmo zangada com ela, enquanto ambos lhe dizíamos que tinha sido muito feia. Numa fracção de segundos, o seu pequeno cérebro processou a informação e desatou a chorar. Ficou mesmo sentida, porque de dorida não tinha nada, visto que as palmadas foram para enxotar moscas. Mesmo assim, fiquei com o coração mais pequenino e tive vontade de vacilar... O pai, logo de seguida, sentiu-se também e agarrou nela, explicando-lhe que não podia ser, quase estragando tudo. O que vale é que a avó lá lhe disse para a largar, enquanto dizia à neta para me fazer uma festinha para pedir desculpa. Acabou por me dar um beijinho muito sentido, outro ao pai e todos fizemos as pazes. O vaticínio da avó, que já cá anda há uns anos e deve saber o que diz: "Vai, vai! Vai-se ver grega, vai!"...

Fim de ano com os avós

Graças ao funeral, que implicou a chegada a Lisboa às 16h00, de 31 de Dezembro, os meus sogros acabaram por ficar cá em casa a festejar o final de mais um ano connosco. A M. estava nas suas sete quintas com os avós para partilhar os brinquedos. A avó fez as suas delícias e apanhou em três tempos o seu linguajar, decifrando que "pê" é peixe e que isso implica também a tartaruga e dando-lhe abébias no que toca a comida. Graças à presença dos avós e à comida que tinhamos em farta para a ocasião, a M. acabou por se desforrar e até eu desisti e deixei que comesse o pão que quisesse. Os avós de cansados, adormeceram e eram 23h50 quando a avó acordou estremunhada, que por sua vez, estremunhou o marido, para fazerem tchim-tchim à meia-noite. Eu estava à espera de detectar tampas de panela a bater às janelas e, assim que as ouvi, corri ao despique, deixando o B. um tanto ou quanto envergonhado e a sogra a rir à gargalhada e a dizer que já tinha valido a pena vir a Lisboa. A M. adormeceu pouco depois da passagem do ano e nós fomos para a cama com o sabor de uma "festa" simpática, caseira e confortável. Pelo menos, começar, começou bem! :)

Bebés!!!

No último dia do ano, o B. foi a Montemor-O-Novo, a um funeral de uma tia paterna que morreu de repente. Eu fiquei em Lisboa com a M. e aproveitei a manhã para tentar a sorte nos saldos. Levava a M. no carrinho, condição sine qua non para conseguir fazer alguma coisa. Entrei na Massimo Dutti, com descontos de 60% (é incrível o que a crise faz...) e estava eu a ver calças quando a M., rindo e gritando "Bebé! Bebé!", topou, no meio das pessoas, um bebé e uma menina com talvez mais um ano do que ela. Uma Beatriz que se viu na obrigação de entretê-la, porque de cada vez que lhe virava costas, ela chorava, mas chorava! A nova amiguinha saltitava, dançava, fazia cenas de filme cómico, atirando-se para o chão, e a M. dava gargalhadas, pondo a loja inteira a rir um bom rir. Mas sempre que a Beatriz ia ver do irmão ou da mãe, que não parava de experimentar roupa, a minha menina chorava baba e ranho. Estive à vontade cerca de uma hora dentro da loja, sem ver roupa, a tentar convencer a minha filha de que a Beatriz se tinha ido embora, para dois minutos depois esta voltar a aparecer. Acabei por desistir daquela loja e passei a outra. Na segunda loja, estava uma menina com os seus 4 anos com a mãe. A M. mais uma vez, grita "Bebé! Bebé!", mas esta não era nenhuma Beatriz, que tinha jeito para a comédia e escondeu-se atrás das pernas da mãe. Sairam da loja e, consequentemente, eu também. É que a M. voltou a chorar desalmadamente com a ida daquela potencial amiga. Resumindo: todas as crianças que ela viu naquela manhã eram primeiro motivo de risos e gargalhadas desproporcionais, logo seguidos por um choro sentido, digno de fado, por se irem embora. Compras com ela sozinha outra vez? Só se não tiver remédio!!!

Sentada no bam-bam

O carrinho de empurrar também se transforma num carrinho de sentar. Um dia, virei-o e sentei-a nele, empurrando-a corredor fora. Ao fim de algumas tentativas frustradas, porque os pés arrastam pelo chão e impedem-no de avançar, lá lhe consegui fazer entender que tinha de pôr as pernas para cima para andar. Agora, quando se senta no carrinho, levanta as pernas e apoia-as ao lado do volante, dizendo "Pé! Pé!" como quem diz "Já sei! Vês?". É de chorar a rir. Só não tem graça é o cansaço de andar a correr corredor afora, enquanto ela se diverte no seu bam-bam. Ufa!!!

Ti!

O tio Filipe é o "ti". Ao chegar a Lisboa de viagem, entrou em casa e foi direitinha para o quarto a gritar "ehhh!" de contentamento, reconhecendo o seu espaço e os seus brinquedos. Depois do reconhecimento feito, veio para a sala, olhou em volta e começou a perguntar pelo "ti". Tantas vezes perguntou, connosco sempre a dizer que não estava, que acabei por lhe ligar só para ela o ouvir falar. Só se calou depois do telefonema e de alguns beijinhos dados ao telefone. Já aqui ficou bem frisada a sua paixão por ele - é só mais uma prova de que se mantém.

Andar bem

Os dias passados em casa da avó na brincadeira com a prima, puxaram por ela e veio para Lisboa a andar bem. Ainda vai ao chão gatinhar, mas cada vez menos. Mas a sua característica de trapalhona parece confirmar-se. Tropeça imenso nos seus próprios pés e é engraçado vê-la às arrecuas até acabar por dar um bate-cu pouco discreto. O que vale é que não é muito maricas e por isso segue caminho sem muita conversa.

Natal

Um dia cheio de polvo frito, rabanadas (que nós chamamos de fritas lá para cima), filhoses, doces e muita, muita confusão. O dia é infernal, com os entras e sais de toda a gente, os meus cunhados até à última a trabalhar na padaria (é a época de maior trabalho) e eu a tomar conta da pequenada com a ajuda do B. Calhou-me a mim cumprir o papel de tia e madrinha e dei banho às três, vesti e sequei o cabelo, dando-me a certeza da loucura que é ter mais do que um, com pouca diferença de idade, especialmente se forem terrabentas como as duas mais pequenas... O jantar na casa dos meus sogros é constituído por vários pratos: açorda de bacalhau, bacalhau cozido e arroz de polvo. A açorda é tradição da casa do sogro que a mulher respeita anualmente, o bacalhau porque faz parte da ceia de Natal na Beira Alta e o arroz de polvo porque sim. Confesso que já tenho saudades do bacalhau guizado que a minha avó do norte fazia na panela de ferro preto de três pernas à lareira, com colorau. As sobremesas são mais que muitas, mas nunca faltam duas coisas: o pudim de ovos e o doce de serradura. Gabo-me de este último ter sido importado por mim da minha família da Madeira para a tradição desta família. Sentamos-nos à mesa já tarde, por causa da mercearia e padaria que fecham tarde naquele dia, mas com muito barulho e gargalhadas pelo meio. Os presentes foram antecipados porque a pequenada já não aguentava mais, e lá se distribuiram. Primeiro a prima mais velha, depois a mais nova. A M. para o ano vai entrar nestas andanças, mas desta vez ficou-se entretida no meio dos papeis de embrulho, sem perceber o que se estava ali a passar. Com sorte, ainda há polvo frito, num dos pratos que a sogra escondeu pela casa - este ano foram 8 kg de polvo e, mesmo assim, houve guerra... No final, fica-se à conversa, já tudo meio a dormir, tendo eu ficado sossegada a ver um filme, para cumprir pelo menos uma das minhas tradições de Natal.

Prima Matilde

Como de costume, fomos passar o Natal lá acima. A M. adora as primas, mas em especial a mais nova, que tem apenas mais um ano do que ela. Aquela por sua vez, tem uma verdadeira a-do-ra-ção pela sua prima pequenina. Faz tudo o que esta faz, até comer, que não é o seu forte (a mãe já me disse que, se a M. lá ficasse 15 dias, a sua filha engordava o que precisava!). Enquanto lá estamos, passam os dias inteiros juntas a brincar. A casa parece outra, cheia de barulho e correria, gritinhos e guinchinhos de felicidade. Confesso que chego ao fim do dia de rastos, de andar atrás das duas. O que uma tem a mais na fala, tem a outra no andar, mas não é por isso que não se entendem. No meio do charabiá delas, passam o dia de volta dos seus afazeres. Para a M. a prima é a "bebé ", já a outra chama-lhe "manena". A continuar serão super-amigas no futuro, sobretudo quando já não se sentir a diferença de idades. Serão férias super-divertidas, e ainda mais se os pais a deixarem vir com a nossa M. uns dias, para a praia ou para a capital. A nossa, é certo, irá de férias com os avós, algo que consideramos essencial para o seu imaginário, para o seu crescimento e desenvolvimento e para a sua relação com aquela parte da família que está tão longe no dia-a-dia.

Tia Sofia

Tenho de fazer aqui menção a esta personagem também da nossa vida. A M. adora gente e dá-se bem com todos, mas tem uma predilecção por esta amiga especial, de sorriso sempre pronto na cara. Talvez por já ter feito baby-sitting (quando fomos ao cinema), talvez por acompanhá-la desde que nasceu, talvez porque faz parte da sua personalidade carismática. O mais certo é que é um pouco de tudo. Seja o que for, a M. não a pode ver. Vai direitinha a ela, a pedir colo, ao ponto de um dia chegarmos as duas a casa ao mesmo tempo, e apesar de eu ser a mãe e de já não me ver desde manhã, ignorar-me e solicitar a sua atenção. Nem o meu colo quis e chorou quando a viu sair porta fora. O engraçado é que esta amiga é quem é mais "má" com ela. É quem lhe dá as negas quando são precisas, quem lhe diz que não há birras, quem lhe faz cara feia e séria, mesmo que tenha uma vontade desalmada de se desmanchar a rir, para lhe mostrar que não está a gostar. E a M. acata tudo. Com ela não há grandes choros, insistências ou birras (ela também não é criança para muito disso, verdade seja dita). A mãe agradece a disponibilidade e a amizade de índole pedagógica, que não inclui bonecada só por ser giro e que corresponde à vontade de ensinar e ajudar a educar. Esperemos que a amizade perdure, independentemente do futuro!

36...

Detesto Dezembro. Começa com os meus anos, que já não me animam. Já lá vão os tempos em que tinha dificuldade em marcar mesa para mais de 30 fiéis malucos que seguiam noite dentro até de madrugada a celebrar comigo. Hoje em dia, não consigo fazer festa, mesmo que queira, porque os amigos já são poucos, todos têm a sua vida e a altura é complicada. Ainda por cima, como sagitariana que sou, sofro do complexo de Peter Pã, como tal, não quero crescer. E digamos que estar a 4 anos dos 40 não anima muita gente, especialmente quando ainda assim, algumas coisas da vida estão por estruturar... Este ano, a coisa não melhorou. O pai e a tia esqueceram-se o que não ajudou. O que valeu foi a festa de anos da Gui, que celebra a data no mesmo dia do que eu - que me permitiu estar em ambiente de festa e distrair-me um pouco - e... o meu jantar de anos surpresa!!! A colega e amiga do trabalho, percebendo que a coisa não estava fácil para estes lados, combinou às escondidas com o B. o jantar na casa dela e, junto com mais duas malucas, organizaram-se. Não apanhei nada. A neura era tal, que nem quando o B. me disse que íamos jantar para os lados de Mafra e que por isso podíamos passar em casa dela em Sintra, quando ele nunca lá tinha estado antes, me fez perceber. Ou melhor, desconfiei e até imaginei que seria isso, mas como não queria mais uma desilusão, fiz força para não acreditar até ter a certeza. Ainda me caiu uma lágrima quando me apercebi de que era verdade... Foi um jantar simpático, com muita comida, risos e boa disposição e um bolo de aniversário, o suficiente para terminar bem o dia, porque afinal, o que interessa não é a quantidade, mas sim a qualidade. Obrigada, malta, fez-me bem!

Alergias

Até agora, nada. O ovo também já foi à experiência e tudo bem. Já só faltam a carne de porco, os morangos, os kiwis, o marisco e o chocolate. Este último, se depender de mim, vai demorar a ser provado...

Já sobe

Para cima da mesa de actividades. São precisos 50 olhos para que ela não se aventure e não caia para trás!!!

Não jantei...

Ou melhor, jantei mal e porcamente... A M. pedincha comida sempre que a vê. É inacreditável... Janta primeiro, pratos bem cheios com fruta no fim, e mesmo assim, quando vê a nossa comida começa logo a puxar os casacos, a esticar-se na ponta dos pés, a gemer e a gritar "papa!". O pai nestas coisas é muuuuuito mais permissivo do que eu. Basta ela insistir um bocadinho e lá vai ela, sem fome nenhuma, para o seu colo para ir depenicando do seu prato, quando não lhe come parte da refeição... Desta vez, zanguei-me. Disse que não e não deixei. E fui dizendo, a um e a outro sucessivamente, não parecendo que nenhum estivesse a perceber o que eu estava a dizer. A certa altura, o B. zangado, olha para mim e diz-me "então tenta lá tu que ela não coma! Vá!". Meio dito, meio feito. Larguei os talheres, levantei-me, peguei nela ao colo e sentei-me no sofá a ler um livro. Nem meio minuto depois, já tinha esquecido a comida e o pai jantou em condições. Eu tive de esperar pelo final e depois comer a correr, não fosse ela ter mais ideias... Então afinal, era assim tão difícil?!

Lola com rodas

Depois de comprarmos o casaco, passámos à parte dos brinquedos por causa dos presentes de Natal ainda por comprar. A certa altura, a M. dislumbrou no meio da confusão, no chão, um conjunto de Lolas com rodas. Não consegui mais tirá-la dali. Sentou-se no chão e ia brincando com uma e com outra, com uma alegria só vista. Depois de alguns minutos largos naquilo, acabámos por lhe comprar uma como o nosso presente de Natal. Agora, é vê-la andar pela casa com o fio na mão, de braço bem levantado acima da cabeça e ficar enervada por a sua vaquinha de estimação levantar voo, em vez de rolar pelo chão... Mas quando consegue, com a nossa ajuda, fica mesmo contente. :)

Casaco novo

A avó tem o ritual de oferecer um casaco pelo Natal às netas - O casaco bom do Inverno. Como não conseguiu oferecer o vestido dos anos, visto que o B. insistiu em assumir essa função, passou o casaco para o aniversário e uma roupa nova para aquela ocasião. Fiquei eu encarregue de o comprar na grande Lisboa. Optámos por ir ao El Corte Inglês, por terem mais opção de escolha, apesar das pegas que já lá tivemos. Tinhamos em vista um da Laranjinha, cor-de-rosa, em fazenda, muito à senhorinha, estilo clássico, mas nas suas pesquisas na net, o B. tinha visto outras coisas, cujas marcas estão representadas naquela loja. A primeira tentativa de ida saiu gorada - fui buscá-lo ao metro para irmos directos, mas a M. assim que o viu entrar para o carro, desatou num pranto que queria o pai, e alguns "apai" depois, este não foi senhor de seguir em frente e voltou para trás para pegar ao colo a sua princesa (sem comentários...). Da segunda vez, uma semana depois, foi mais fácil e sem choros e por isso pusemos-nos a caminho. Chegados lá, experimentou o da Laranjinha, que ficava bom de tamanho, pelo que poderia não durar o Inverno todo, por isso desistimos da ideia. Foi quando vimos um da Kenzo pelo qual nos apaixonámos e que não tinha nada a ver com o primeiro. Ao vesti-lo, ficou perfeito. As cores são fantásticas e é muito quentinho, com pêlo por dentro. Mais tarde, num site que também o vendia, o B. ainda descobriu mais uma vantagem: não tem avesso, ou seja, funciona dos dois lados... Obrigada, avó, fico linda com ele!

sábado, 17 de janeiro de 2009

Ombros, barriga e joelhos

Na ginástica, tivemos uma aula em que se canta aquela conhecida canção do corpo humano, adaptada de inglês para português. A certa altura, é a vez dos ombros, da barriga e dos joelhos, pondo-lhe as mãos nas respectivas partes do corpo para perceberem. A M. não pareceu dar grande importância a tal exercício. Chegadas a casa, estava eu a secá-la do banho, quando lhe falei na barriga. E ela, prontamente, levou ambas as mãos aos ombros e logo, logo de seguida aos joelhos, com um ar muito satisfeito, tipo "vês? Aprendi!". Ou seja, aprendeu que aquele conjunto de palavras corresponde ao conjunto daqueles dois sítios. Fiquei surpreendida com o facto de ter assimilado os conceitos só com aquela primeira tentativa, apesar de se ter trocado um bocado. É espantoso como, nestas idades, estes pequeninos cérebros são verdadeiras esponjas! Foi uma trabalheira para desfazer a confusão, mas agora, já sabe o que são os ombros e o que são os joelhos, mas regra geral um segue-se ao outro, mesmo sem pedir. A barriga está por perceber, mas haveremos de lá chegar.

O meu martírio diário

Todos os dias, mas todos os santos dias, tem de ser. Tenho de lhe ler dois livros, uma, e outra, e outra vez. É de tal maneira, que chega a nem querer ouvir o resto - assim que passa à segunda página, já se foi embora, para voltar logo a seguir à carga. São eles: a Branca de Neve, curiosamente o primeiro livro que recebeu, e o Winnie conta, que tem uma espécie de mini-ábaco para contar as bagas que o ursinho vai apanhando. O objectivo dela é encontrar os pássaros na Branca de Neve e ouvir-me cantar e andar com as bolas de um lado para o outro com o Winnie. O
primeiro quase que já nem o posso ver!!!

Bam-bam!

Como já deu para perceber pelas fotos, a M. tem um carrinho de empurrar. Quando o B. o comprou não lhe deu importância nenhuma porque não andava. Agora que que já dá passos sozinha, mesmo que atabalhoadamente, já acha graça à coisa. Ponho-lho à frente e ajudo-a a endireitá-lo, indo sempre atrás, não vá a sua trapalhice fazer das suas. Costumo imitar o som de um carro a andar, usando a onomatopeia "bam! bambambaaaaaam!". Depois, quando vai contra a parede, grito "Pum!!!". Em minutos adoptou este som, e agora, quando vai contra alguma coisa ou quando atira algo ao chão que faça barulho, grita "Pum!". Mas não foi só isso que aprendeu... Uns dias depois de começarmos com esta brincadeira, estava eu na sala e a M. vem ter comigo a pedir "bam-bam". Não percebi. Pedi-lhe para me explicar o que pretendia, ao que ela dirigiu-se para o quarto e apontou para o dito carro, dizendo "bam-bam!". O que ela queria era aquele brinquedo ao qual associou o som que eu uso para brincar com ele!!! Ficou o nome. Cá em casa, todos os carros são popós menos o dela, que é bam-bam!

Bebelês

A ama já lhe ensinou mais umas das palavras básicas de bebelês - popó. Não sei se foi com a janela a ver os carros a passarem ou se foi com o livro que tem um tractor, pois é tudo o mesmo: popó. Já a ovelha é mémé, pato é cuá-cuá ou cá-cá, galinha e galo é cocó. Não me lembro de mais nenhuma, mas deve havê-las... É de facto muito mais fácil de aprender a falar assim para eles. E eu que tinha a intenção de ensinar logo a palavra correcta, sem bebelês pelo meio... Mais uma daquelas regras de antes do nascimento, que são muitas vezes utópicas, e que rapidamente se desfazem com a realidade...

Bye bye!

Quando a mesa de actividades da M. deixa de ser usada por uns momentos, diz "até já!" e desliga-se. Ora, a versão em inglês diz no final "bye bye!". Não é que a miúda um dia repetiu na perfeição a expressão?!

Onde estão?

A M. anda sempre com umas bolas na mão. A sua brincadeira favorita é atirá-las para o chão e vê-las a rolar até pararem. Muitas das vezes, param debaixo do sofá ou da cama. Depois, senta-se ao lado deste e aponta para lá enquanto nos chama. A madame nunca tenta sequer chegar lá, visto que é muito mais fácil pôr-nos a nós de rabo para o ar. E nós, palermas, fazemos-lhe a vontade...

Brinquedos

Uma pequena amostra do canto do quarto com a tralha para brincar...

Ginástica

Apesar do esforço que isso implica, foi uma excelente ideia inscrever a M. no The Little Gym. Tanto o prof. Rodrigo, como a prof. Vi. são excelentes naquilo que fazem - o primeiro mais calmo e a segunda mais dinâmica, mas ambos muito focados na evolução das crianças e na aprendizagem dos pais, regra geral sem descuidar nenhum de nós. Não podia estar mais contente. A M. adora tudo. O normal é primeiro ficar algum tempo a observar, mais do que a participar, mas depois costuma alinhar em tudo na maior. Aprendeu há pouco tempo a cambalhota para trás, mas essa eu não faço em casa com receio de me falhar a força e fazer asneira com o pescoço. Já a preensão na barra paralela é outra conversa. De acordo com os professores, é normal os bebés não darem importância nenhuma a certas coisas e gostar muito de fazer outras. No caso da M., ela pura e simplesmente não quer nem saber de se agarrar à barra e ficar pendurada. É uma questão de tempo e perseverança, que é coisa que não falta naquele espaço. Apesar de gostar de tudo, há duas coisas que a M. não dispensa: as bolas e as bolas de sabão. Já sabe onde estão guardadas e por vezes leva-me até à porta e aponta como que a pedi-las. A bola é média, amarela e feita de um material tipo forro de casaco, por forma a que eles consigam agarrá-las. Já as bolas de sabão saiem de uma espécie de pistola que dispara ene bolas ao mesmo tempo de vários tamanhos. Quando finalmente se vão buscar (fazem ambas parte de todas as aulas, apesar de poderem ter funções diferentes de semana para semana), ela prontamente se põe na linha da frente. A bola é agarrada com firmeza, passeando-se pela sala como se se tratasse do seu maior tesouro, não vá algum dos colegas ter ideias. Por vezes atira ao chão para dar pontapés, outras pede-me para ir ao cesto de basquete encestar com a minha ajuda. Já as bolas de sabão são para apanhar com o dedo indicador, ficando muito séria a olhar. Mas de tudo o que a M. já lá aprendeu até hoje, a mais útil é uma canção. Quando acaba um exercício e temos de arrumar o objecto em causa, canta-se "Está na hora de arrumar, arrumar, arrumar! Está na hora de arrumar as .... no lugar!" A M. nem pestaneja - vai pela minha mão entregar até a bola que tanto gosta. Em casa, experimentei a técnica. Não é que resulta?! Assim, nunca ou quase nunca temos choros...

Natação - insatisfeitos

Como quem vai à ginástica sou eu, a natação compete ao pai. Só nos dias em que ele não pode serei eu a fazer a vez. Assim, o normal é eu ficar a ver de plateia para depois a vestir enquanto o B. toma banho e se arranja. Por vezes parece-nos que a professora não liga grande coisa à M., muito porque ela é a mais nova, no meio de muitos, e ainda não sabe fazer o que os outros fazem e também porque ela não é grande adepta de exercício físico e por isso a maior parte dos exercícios são para ser aldrabados ou nem sequer tentados. A sua predilecção é entrar para dentro de água (prioridade máxima) e ficar ali a demolhar, lambendo avidamente as mãos por estarem molhadas, o que se torna um ciclo vicioso. Ainda não fez o clic do nadar e parece que a professora está mais ou menos à espera dele pacientemente. Por vezes, é um pouco frustrante para nós ver os outros mais evoluídos, a fazer chap chap ou a mergulhar (entenda-se saltar para dentro de água para os braços do pai) com vontade e a nossa M. também não. Para além disso, o horário não facilita nada - 18h15 implicam o B. sair muito cedo do trabalho e eu vir a correr de Sintra para chegar a horas de ajudar à saída da aula. Ao fazermos a inscrição, ficámos em lista de espera para a aula seguinte - 19h00. Mas como as turmas estão cheias, esperámos. Até que um dia... Na aula dela estavam também dois gémeos, que chegavam sempre atrasadíssimos. Uma certa vez, ouvi os pais a combinarem com a professora a passagem para a aula seguinte. Achei que devia tentar a sorte também. Falei e ela confirmou que havia uma vaga e deixou. Ficámos de confirmar até ao dia seguinte e quando ligámos para o ginásio, estes disseram que isso não era assim. Resumindo: a professora não pode fazer as coisas à revelia da secretaria e estes quando se aperceberam da vaga ligaram a única pessoa que estava à nossa frente, que aceitou. Ficámos nós em espera na mesma... Fomos falar com o responsável que, depois de perceber a história toda, abriu a excepção de aumentar a turma de 8 para 9 crianças. Não gostámos da ideia. Se com 8 já é o que é, com 9 seria pior... Mas parece que a política do Megacraque é mesmo assim: se as crianças não comparecem todas frequentemente, então, para maximizar os lucros abrem vagas. Demonstrámos bastante o nosso descontentamento e ficámos à experiência para duas aulas em Janeiro às 19h00, para depois dizermos de nossa justiça. A ver vamos...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Tété!

É a expressão usada lá em cima em vez do cucu! O B. usa-a muito e eu por arrasto também. Agora, é a M. que a usa. Quando quer esconder a cara ou só os olhos atrás de alguma coisa, para nós lhe ligarmos, exclama "tété!". É tão engraçado ver a sua expressão de divertimento, com aqueles olhinhos brilhantes, como se achasse estar a fazer uma coisa muito esperta. E efectivamente, até está... :P

Tsão!

É a nova palavra dela, que nada mais é do que chão...

Água do banho

Na banheira, agora, adora abrir a boca, levá-la escancarada à água e beber. Podia-lhe dar para pior...

Gatinhar de sereia

Nunca aqui o referi, mas merece menção. Quando a M. gatinha, as pernas andam aos Ss como se fosse um peixe. Em vez de impulsionar o movimento com os pés, usa mais a força nos joelhos, deixando os pés meios no ar. Assim, estes vão andando ao sabor do gatinhar, de um lado para o outro, tal e qual como um rabo de peixe. É a nossa pequenina sereia...

Subterfúgios

Como não quer andar, tem de arranjar estratagemas para deslocar coisas. Assim, ou as põe à sua frente no chão e vai gatinhando enquanto dá sapatadas com as mãos, atirando-as para a frente, ou usa uma posição estranhíssima que não é nem gatinhar, nem andar. Põe uma perna dobrada como se estivesse de cócoras e a outra estica para o lado. Depois, com uma mão a segurar no objecto, vai andando com a ajuda dos empurrões da outra mão no chão. Ou melhor, vai saltitando desajeitadamente...

Preguiçosa ou medrosa?

Apesar de já ter andado, a M. só dá passos sozinha quando está distraída. Já se põe em pé e até bate palmas e tenta abanar-se para dançar sem apoio, mas andar, que é bom, está escasso. Ainda precisa do nosso dedo indicador para sentir segurança. Já se chegou a agarrar à minha manga, que não lhe dava estabilidade nenhuma, pelo contrário, até a desiquilibrava. Dá pequenos passos entre dois móveis ou do B. para mim e vice-versa, mas de resto, apesar de o saber, ainda não se astreve, como se diz lá para cima... Enfim, é dar tempo ao tempo, até porque eu, como mãe egoísta, nem tenho muita pressa que ela o faça perfeitamente - é mais um passo para fora da minha saia... ;)

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

A meio da noite

Quando a M. acorda a meio da noite, porque aponta para fora do quarto e não descansa enquanto não o consegue, costumamos levá-la para o sofá. Aí, depois do biberão do chá, acaba por se encostar ao nosso peito e relaxar até adormecer. A semana passada, trocou-nos as voltas. Acordou e eu fui lá. Como de costume, apontou para a porta. Levei-a para a sala e tentei sentar-me no sofá. Mas, desta vez, não me deixou. Chorava e resistia, contorcendo-se ao meu colo. Chá, nem vê-lo, até chapadas dava no biberão... Levei-a para a janela da cozinha para ver se os carros de antigamente a acalmavam. Resultou. Ali ficou, ao meu colo, a ver os poucos carros a passarem no Eixo N/S. De cada vez que passava um, eu sussurrava-lhe quase ao ouvido "olha mais um! Este vai para o trabalho" ou "uma mota que vem da festa". Eu sei lá. Sempre que não passava nenhum, primeiro fazia o gesto do "não há" e depois franzia a testa e começava a querer zangar-se, mas felizmente aparecia outro e mais outro. Como 11 kg já pesam e a minha coluna já não é grande amiga de brincadeiras, acabei por ter de me sentar. Voltei para o sofá. Foi um berreiro tal que acordou o B. Este levantou-se e revezou-me. Ao fim de uma hora e tal, conseguiu a proeza de a adormecer e tentou aproveitar a hora que faltava até acordar. Foi uma verdadeira luta para não adormecer... Porque será?

Mais técnicas

Tem mais duas formas de me desmanchar, para além de desviar o assunto para alguma gracinha. Uma é apontar para alguma coisa com muito interesse. Por exemplo, faz isso desde que descobriu a torneira do bidé. Abre-a e enfia a mão até ao cotovelo, ficando encharcada. Como já sei o que pretende, quando a vejo entrar na casa-de-banho, vou atrás e espero. Quando já está em pé, em frente ao bidé, a olhar para a torneira com cara de quem viu o Pai Natal, digo-lhe que não. Ela vai tentando uma e outra vez, primeiro pedindo-me autorização apontando, depois levando lá a mão ou aproximando-se sorrateiramente de lado, e eu sempre firme, vou-lhe recusando a vontade. Até que fico zangada e ponho uma voz mais ríspida. Ela vai e aponta para a banheira com um "ãh!" de interessada impressionante, com um ar muito entusiasmado, como que a dizer que aquele disparate todo não é nada, o que importa é que quer tomar banho! A outra forma de me dar a volta resulta com muito mais eficácia... Quando a coisa já está preta, olha para mim, arreganha a boca, ficando os dentes de baixo à mostra e dá uma gargalhada com a cara toda franzida. Quando me faz isto, não consigo. Regra geral, tenho de esconder a cara para não estragar, mas a espertalhona já me apanha fácil, fácil. Como diz a tia S., sabe-a toda e eu estou tramada...

Pé!

A M. é expert em dar a volta ao contexto quando lhe interessa. Quando lhe estou a mudar a fralda, tem momentos de verdadeira violência. Dá aos pés e quando acerta magoa. Normalmente, faz isso quando já tem a fralda suja aberta. Se calhar, é por sentir a liberdade... Ela vai testando várias vezes a nossa paciência e os seus limites, o que é de louvar, pois só prova que está a evoluir no bom sentido, mas conseguindo que eu fique por vezes efectivamente chateada. Agora, sou eu que imponho mais respeito, tendo o B. mais dificuldade. Ponho uma cara séria, digo o nome dela, seguido de umas quantas negas, num tom de repreensão e espeto o dedo. A parte do dedo parece ajudar a manter o respeito. Quando ela vê que a coisa já não está mesmo nada de feição para ela, olha para mim com ar de sacana, levanta a perna e sai um triunfante "pé!". Como quem "olha a gracinha que eu sei fazer!". Tenho de me segurar e respirar fundo para não me desmanchar...

Ginetes

Está a ficar com um feitio!... Quando quer alguma coisa e não tem, seja porque ela própria não consegue ou porque não deixamos, cerra os poucos dentes que tem, encosta o queixo ao peito, abana a cabeça e dá aos braços enquanto parece que rosna. É de uma impaciência a toda a prova, não querendo esperar por nada quando está determinada a obter algo. Tenho de me impor com firmeza, senão temos o caldo entornado. Costumo perguntar-lhe com ar sério "o que é isso?", friso uns quantos nãos se necessário e ela lá percebe. Se começa a chorar porque não lhe dou logo o que ela quer, digo-lhe para se acalmar e dizer-me com calma o que quer. Costuma resultar. Lá pára de chorar e aponta com um sorriso malandro para o objecto do seu desejo. Mas nem sempre. Já tive de a deixar a chorar no meio do chão, porque atirou a cabeça para trás numa birra a querer ficar má. Como não lhe ligo, acaba por perceber a mensagem. Já o B... a coragem para se impor é diferente e tanto lhe dá para tentar o mesmo que eu, como para ceder quase à primeira. A sua princesa já sabe e por isso agora vai tentando primeiro a sorte com ele, a ver se pega. E às vezes sai-lhe a lotaria. Depois tenho de lhe recordar a ele o que devia ter feito e ele lá tenta a custo contrariar aqueles olhos pestanudos e expressivos que o derretem tanto. A ver vamos se não vou ser a má da fita...

Pescoço

Tal e qual como eu: é o seu ponto fraco. Derrete-se toda e desmancha-se às gargalhadas quando o pai lhe dá beijocas gordas ou faz-lhe cócegas no pescoço. É o nosso calcanhar de Aquiles. Mas o pai tem um condão maior do que o meu. Comigo, ri-se e torce-se toda, mas com o pai dá gargalhadas contínuas de a levarem ao cansaço. E quando o pai pára, estica o pescoço e põe-se a jeito, a pedir mais, oferecendo-lhe a dádiva de a ver rir outra vez. Rimos-nos todos sempre muito com aquelas gargalhadas contagiantes e cristalinas.

Andou!!!

De domingo para segunda-feira, dia 8 de Dezembro, ainda com 12 meses, a M. andou. Estávamos a conversar na sala da tia J. com o B. a tentar gerir as cambalhotas da M. e do F. ao mesmo tempo. A nossa pipoca estava excitadíssima e lá por já ser uma da manhã não a impedia, nem ao seu amigo de ter a energia para algo mais. Às tantas, viu uma fotografia do F. com meses em cima de uma mesa de apoio. Começou a querer chegar ao "bebé!". O B. começou a distanciá-la da moldura e largava-a para ela chegar lá. Não é que andou?! Depois de muitos pininhos, como diz o tio F., ao longo das semanas anteriores, e algumas mostras de que estava quase, quase, naquele fim-de-semana, lá se dignou andar. Estávamos todos tão entusiasmados que só visto. A tia J. fez um ar de vitória por ter andado na casa dela e o tio J. estava morto de sono, mas feliz. Eu e o pai estávamos nas nuvens. É impressionante como algo tão básico e elementar para o ser humano pode ser uma vitória e uma conquista tão grande. Se foi assim com o andar, nem imagino quando for com o ler, o entrar para a faculdade, o casar, o ser mãe... Acho que vamos ficar cheios com tanta emoção. E ainda bem!...

Mana mais velha

Há cinco anos que andava a dizer que ia a Braga ter com a amiga do coração. Nestes tempos de Dezembro, altura em que me sinto mais frágil, estava a precisar de me sentir rodeada por amigos sinceros e presentes. Por isso, disse ao B. que queria ir. Marcou com ela à minha revelia, com o intuito de me fazer uma surpresa, para o fim-de-semana prolongado do 8. Acabei por descobrir antes do tempo, mas não fez mal. O que eu queria era ir. Na antevéspera, a minha tia pregou-nos a partida: deu-lhe um achaque à porta de nossa casa e foi de charola para o hospital. Depois de algumas horas com exames, a médica de serviço avisou o B. que tinha de ir à psiquiatra outra vez - temos outra depressão à porta ... Aviso: não podia ficar sozinha... Demos voltas à cabeça e acabámos por arranjar uma solução - levámo-la primeiro a Penedono, onde estava o meu pai, dormimos lá e depois seguimos para Braga. Foi um fim-de-semana lenitivo. Estivemos no seio de uma família harmoniosa e que transmite paz e eu estive com a minha melhor amiga, de quem já tinha muitas saudades. Os encontros de fugida, sempre graças à sua persistência em vir a Lisboa de vez em quando, não dão para nada. Só servem para ficar com mais saudades ainda. Não falámos de nada em especial, nem de problemas, nem de preocupações, apesar de também me apetecer. Optei por não o fazer, pois era um tempo tirado para esquecer e não recordar. Uma pausa kit-kat. Os seus filhos estão fantásticos e o mais novo, mais velho um ano do que a M., adorou a presença daquela pequenina amiga - "Sabes, M., sabes, és muito gira!", ao que ela respondia com um sorriso e um "ãh!" que parecia afirmativo, fazendo o B. levar as mãos à cabeça e as mães sonharem com uma aproximação maior das famílias no futuro (ainda não se paga por sonhar, certo? ;) . Foi muito, muito bom. Vim embora um pouco mais consolada, ainda com saudades, que só conseguiria matar vivendo por perto, mas mais apaziguadas. Recordei muitas madrugadas, sentadas no sofá de Campo de Ourique a ver o sol nascer, e a dizer com toda a sinceridade "Bolas! Podias ser homem tu!". Ao que me era respondido "Não. Perfeito, perfeito, era se tu fosses o homem...". Obrigada, J., a ti e aos teus.

Caiu do sofá

Apanhei o maior susto até hoje com ela. Estava a brincar no sofá comigo. Pôs-se em pé, encostada às costas do sofá no mesmo instante em que o B. me fez uma pergunta. Na fracção de segundos em que olhei para o lado, a M. literalmente mer-gu-lhou... Quando olhei, estava ela em pleno voo, a ir direitinha ao chão de cabeça. A cena foi vista em câmara lenta tal foi o susto. Eu que não tenho memória visual quase nenhuma, tenho presente a imagem em slow motion a reproduzir-se na minha cabeça, sempre que me lembro de tão ínfame episódio... Já não fui a tempo de nada e ela caiu. Ouviu-se o bonc da cabeça a bater no chão e um choro imediatamente a seguir. Um choro intenso de dor. Agarrei nela ao colo e tentei acalmá-la, enquanto o B. tentava pôr as mãos na sua cintura para pegar ele nela ao colo. Mas o meu abraço e olhar determinado fizeram-no entender que nem valia a pena. Estava tipo leoa a lamber a ferida da cria e ai de quem lhe tocasse... Assim, enquanto a M. chorava no meu regaço, o B. com uma presença de espírito impressionante, foi buscar gelo dentro de um pano da loiça (quase que partia a gaveta do congelador...). Quando voltou, lá ma conseguiu tirar, sentou-a no seu colo e pôs-lhe o gelo na testa, enquanto eu ia vendo livros com ela para a distrair. Ela deixou e parou de chorar. Quando tudo tinha passado, já com a mossa vermelha a desaparecer da testa graças ao gelo, foi ao colo do pai para a cozinha, enquanto eu chorei feita Maria Madalena... É que para além do susto, o sentimento de culpa invadiu-me de uma forma parva. Bem sei que é o primeiro de muitos, haverão outros se calhar bem piores, mas este eu vi, este foi comigo. Ainda por cima careca de saber como os sofás são perigosos e como a pequenada não deve andar lá em cima. Enfim, passou... Aprendi a lição e o B. disse uma grande verdade: ainda bem que foi comigo, porque se tivesse sido com ele, acho que o tinha comido vivo...

Trouxe a meia

Foi no outro dia. Estava eu no sofá distraída, eis senão quando chega-me a piolha à minha beira de meia na mão. Estende-me a mão e diz-me "mêa!". Pois é. Já tem ideias a cachopa. Tive de lhe calçar a dita, senão não me largava o resto da noite...

domingo, 14 de dezembro de 2008

Quase, quase...

Na ginástica, a professora confirmou as nossas suspeitas - está quase, quase a andar. Só lhe falta um bocadinho assim... Por isso, naquela aula, tentou de tudo para ver se a convencia. A certa altura, pegou num arco, com o qual a M. estava a brincar, pô-lo em sua volta e fê-la agarrá-lo à frente. Enquanto a segurava por debaixo do braço, foi incentivando-a a andar, comigo à frente a chamá-la. Lá andou, sentindo-se segura pela professora, agarrada ao dito arco. A certa altura, a professora largou-a e ela continuou entusiasmada sempre em frente, agarrada à sua bóia de salvação a rir-se imenso pela aventura que estava a viver. No final da aula, a professora vaticinou que a M. na semana seguinte já ia de metro sozinha para a aula...

Bailarina

Até a ama já previu o seu futuro. Não pode ouvir uma música que começa logo, logo a dançar. Não importa o género, nem quem canta. E o engraçado é que tem ritmos diferentes, tendo várias formas de expressão a sua dança. Se for uma melodia suave, roda o tronco de um lado para o outro. Se for uma rockalhada, dobra as pernas e levanta um braço. Se for uma pimbalhada, levanta os dois braços e abana-se. Diz quem já viu que até dá ao rabiosque quando toca o telemóvel da ama com o seu kuduro... Há uns dias, experimentei pôr no VH1. Nem de propósito! Estava a dar o Top dos anos 80 e os Dire Straits estavam a tocar "Money for nothing". A miúda adorou! Encostou-se à mesinha da sala, levantou um braço e abanou-se toda, cabeça inclusive! Continuou com os Duran Duran e só acalmou com a Whitney Houston. Parece que tem bom gosto!...

Mamã e caca: palavras universais

Qualquer pessoa, desde que não seja um bebé, é "mamã". Quando não sabe o nome, é isso que chama. Até o pai, que vive frustrado por ela não dizer papá, apesar de o saber. Já para todas as coisas que ela não sabe ou não consegue dizer o palavra usada é "caca"... Esta linda palavra aprendeu-a num instante com o pai. Estava a meter uma porcaria qualquer do chão na boca e o B. rapidamente lha tirou e disse "não comas isso que é caca". Logo de seguida, saiu da boca dela, um perfeito e sonoro "caca!". E parece que sabe que é asneira, pois a entoação é sempre essa. Diz sempre a segunda sílaba com mais ênfase, como se estivesse a dizer um palavrão. É de chorar a rir. Agora, tudo é caca, basta não saber o nome. Bem que se diz que o mau aprendem eles logo, sem sequer serem ensinados!...

Abana a cabeça

Já diz que não com a cabeça quando não quer comer mais. Temos sempre de confirmar, perguntando-lhe umas quantas vezes. Está quase sempre a falar a sério, mas ainda tem umas quantas vezes que são só a fingir e, por isso, lá abre a boca para mais uma colher. Com o tempo, deixa de se confundir e torna-se mais fácil.

Perfume

Parece que nisso vai sair ao pai... A ama todos os dias de manhã, depois de a vestir e arranjar levanta-a e exclama "está linda!" umas quantas vezes, ao que ela reage com um sorriso de satisfação. Agora, quando lhe pomos o perfume que nos saiu como presente da Imaginarium, põe-se a postos: estica a cabeça para a frente, inclina-a e fica à espera da borrifadela. Não é que liga mais a isso do que eu?!

Evolução

Todos os dias vemos coisas novas, novidades nas gracinhas e a compreensão a evoluir a olhos vistos. Está mesmo a ficar crescida a nossa pipoca! Alguns dos pontos altos da sua evolução diária: - já reconhece algumas partes do corpo. De cima para baixo, já sabe o que é o cabelo, as orelhas, os olhos, o nariz, a mão e os pés, - já reconhece as formas do seu tambor e encaixa-as no sítio certo, assim como as rodelas do pino colorido, - sabe o que é pôr o chapéu, mesmo que seja um dos copos da sua pirâmide preferida, - percebe o que é sentar, deitar e levantar (melhor compreendido com uma solicitação de upa!), - se lhe peço para trazer algo, ela sorri e com ar maroto vem até mim com o objecto na mão para mo entregar.

Paladares

Já come da nossa comida. Aliás, fez greve à carne cozida e sem sal, e fecha a boca com determinação à comida saudável que fazemos para bebés. Até hoje, ainda não houve nada de que ela não gostasse. Adora qualquer fruta, até o ananás, prefere o peixe à carne e polvo põe-na a salivar. Até a uma tangerina com casca já deu uma dentada, o que provocou uma careta, para voltar à carga imediatamente a seguir. Só a sopa é que tem de ser sempre primeiro e sem mais nada à vista, senão tenta fazer gazeta ao prato que os miúdos por excelência se baldam.

Pai fora

Com algum alívio e muita pena nossa, o patriarca da família, o tio J., morreu, depois de algumas semanas de sofrimento. À tarde, o B. pôs-se a caminho de Coimbra para o velório e para o funeral no dia seguinte e ficámos as duas em casa sozinhas. Foi a primeira vez que a M. não viu o pai chegar a casa antes de jantar e passou uma noite sem ele. A meio da noite, ia para a porta da rua, levantava-se e apoiada nela, olhava para mim e interrogava-me "papá?", de palma da mão virada para cima. Tive de lhe explicar umas quantas vezes que o pai não estava e só no dia seguinte o ia ver. Na hora de ir para a cama, o biberão não foi suficiente e tive de me sentar no chão ao lado da cama dela para a convencer de que estava tudo bem. À meia-noite, ao fim de uma hora, lá adormeceu, depois de muitas certificações em como eu continuava de plantão. Deitei-me cansada e triste. Duas horas depois, às duas da manhã, acordei com o choro, para mim já normal do ritual da noite. Tirei-a da cama, acalmei-a e voltei a deitá-la. Ficou-se, mas com um sono muito agitado. Estive ainda um bom bocado com a minha mão em cima da sua cabeça para ela dormir mais em paz. Tornei-me a deitar, mas algo me fez ligar a televisão do quarto e deixá-la ligada. A partir daí, vi todos os números no despertador - a M. acordou de hora a hora a chorar até às 7h00... Ela chorou, às 3h, às 4h, às 5h, às 6h e finalmente às 7h, hora a que lhe dei o biberão de leite. Ou foi a falta do pai, ou fui eu que lhe passei a tristeza, ou algo mais. Não sei... Só sei que foi uma noite para esquecer!!!

Noite adentro

Tivemos uma fase looonga de más noites. Depois de adormecer com o biberão, acorda cerca de duas horas depois a chorar. Depois, é a luta para não adormecer outra vez. Acendemos a luz da casa-de-banho e entramos no quarto dela. Ela aponta imediatamente para a porta, na direcção da luz e temos porque temos de levá-la para fora do quarto. O truque é levá-la para a sala, para ir na direcção da luz, sentarmos-nos no sofá e encostá-la ao nosso ombro. Nós recostamos para trás e ela aninha-se em cima de nosso corpo e acaba por acalmar com a batida do nosso coração e o calor do nosso corpo. O chá às vezes resulta e depois de beber a litrada adormece confortada. Por vezes, acorda mais uma vez e temos de voltar ao mesmo. São noites aos soluços, com muito sono e choro à mistura. Hoje em dia, o ritual antes de ir para a cama é sempre o mesmo: deixar o biberão da manhã meio pronto para só ser necessário aquecer a água, caso acorde de madrugada, deixar um biberão de chá na sala para o que der e vier, assim como a manta a postos para a enrolar e um sono mais alerta para um choro assustado.

Batata frita

No sábado, véspera da festa de anos, dia em que a ama ficou a fazer doces, optámos pelo McNhonald's para um almoço tardio. Comprámos para todos, inclusive para a ama e a filha. A M. comeu a sua refeição primeiro e depois ficou a ver. Hum-hum... Nem deu tempo de sentar em condições, já ela estava a gemer e a esticar o braço para a nossa comida de plástico. Problema: era comida de plástico que não QUERO que ela prove antes de ter termos comparativos com os amiguinhos e por isso suplicar para ser igual à multidão. Por isso, o meu não-não era veemente. Mas... antes da minha nega, já a ama lhe tinha dado uma batata frita para a mão. Segurou-a com um ar intrigado e saboreou. É o termo. Devagarinho e com prazer. Seguiu-se uma segunda que despertou o mesmo prazer. Depois, armei-me em má da fita e disse convictamente que não à ama. Percebeu e por isso, parou. Por causa disso, não conseguiu comer mais sossegada porque a M. não parou mais de pedinchar. Parece que a cachopa sai a mim nas batatas fritas: venham elas! E são todas minhas, muito minhas e só minhas!!! :p

Fomos ao cinema!!!

Desde que a M. nasceu que não sabíamos o que isso era. A avó está longe e o avô e tia do meu lado ainda não são as pessoas indicadas para se deixar a criança. Talvez quando ela tiver mais idade... Temos duas voluntárias: a madrinha e a tia S. Como a madrinha mora em Sintra e tem de vir com o filho cá para casa, acaba por não ser uma solução muito viável, apesar da sua boa-vontade. Sobra a tia S, com quem a M. se dá lindamente. Depois temos outro problema: o pai galináceo... Convencê-lo a deixar a sua princesa sem um de nós enquanto vamos sair é um caso sério. Por isso, optei por ser pragmática. Para celebrar o meu aniversário como mãe pedi um presente: ir ao cinema. Combinei com a nossa amiga e fui informando o B. do facto. A reacção foi sempre de nega, mas uma nega tímida, pelo que fui insistindo naquele dado adquirido da ida ao cinema. Chegados ao dia, parece que o B. lá deu autorização à tia S. para combinar comigo a saída, sob o auspício "mas não me façam muito a vida negra...". Assim, a tia S. jantou connosco e ficou com a M. enquanto nós fomos ver o Mamma Mia. Durante toda a sessão, por entre as gargalhadas, o B. ia espreitando o telemóvel para ter a certeza absoluta, sintética e analítica de que não havia nenhum telefonema que tivesse passado despercebido. Como se isso fosse possível! Tinha o telele na mão, de onde não saiu o tempo todo, que apesar de estar sem som, acende quando alguém telefona... No final, saiu cheio de pressa e viemos direitinhos para casa. A sua cara relaxou ao entrar porta dentro e ouvir uma vozinha de felicidade gritar do quarto "mamã! papá!". A tia S. brincou a noite toda com ela e já estava no quarto dela às escuras a tentar adormecê-la em vão. Parece que, no meio das brincadeiras, passou a noite a ir à porta do nosso quarto e olhar para trás, encolhendo os ombros de palma da mão para cima, com uma expressão de "não há!". Acabou por adormecer ao meu colo com o biberão da noite, que chegou quase à 1h00. Qual deles o pior!... ;)

Biberão da noite

Depois de várias estratégias tentadas, sempre com guerra para dormir, optámos pelo biberão da meia-noite, que a pediatra dispensou, tendo em conta que a M. se alimenta muuuito bem. Assim, cortei no jantar, passando este a ser só composto por sopa e fruta, para caber um biberão três horas depois. Agora entre as 23h e as 0h00, para dar um intervalo simpático após o jantar, fazemos o biberão, que eu lhe dou enquanto trauteio uma melodia de ninar. Normalmente, adormece. Quando acaba o biberão dou-lhe a chucha e ela fica-se, ou na posição em que estava a mamar ou enroscada em mim. Costuma dar uns suspiros ou uns gemidos de quem está aliviada por finalmente estar a descansar. Porque será que é tão difícil render-se ao sono e ao mundo do João Pestana?...

sábado, 13 de dezembro de 2008

Luta para adormecer

A M. é igualzinha a mim - não quer dormir e luta desumanamente para o conseguir. Normalmente, por volta das 22h tentava deitá-la. Dava o beijinho de boa-noite ao pai e seguíamos para o quarto. Depois era conforme, mas normalmente não era fácil. Depois de um pouco de mimo ao meu colo deitava-a, a sussurrar-lhe ao ouvido que estava na hora de fazer ó-ó. De seguida, tinha de me sentar no chão ao lado da cama. Ela ia confirmando que eu estava lá, por entre cambalhotas e tropelias, tudo para não adormecer. Ao fim de uma hora, acabava por se render. Com o tempo, este pequeno esquema foi perdendo efeito... Por já se conseguir levantar com facilidade, por já conseguir resisitir mais tempo e por já conhecer o truque. Assim, começou a chorar quando a punha na cama. Foi evoluindo para uma luta interminável que não permitia o descanso de ninguém durante pelo menos hora e meia. Chage ao cúmulo de estremecer a cabeça e abrir os olhos redondos quando sente que está a quebrar, só para despertar... Isto, é claro, conforme as noites. Mesmo assim, ainda hoje tem noites em que adormece depois de jantar por causa do cansaço da ginástica ou da natação, e aquelas em que a minha presença ao lado da cama é suficiente. Mas a luta continua...

Palavras dominadas

Depois, para além do mamã e papá, tem aquelas que já sabe dizer na perfeição: caca, pão, papa, pé e mão. Estas já saiem sem hesitação ou balbuciares.

Arranhadelas nas palavras

Aqui ficam as palavras já dominadas pela nossa pipoca: Mé-mé (ovelha) páte (pato) papáto (sapato) mêi (meia) cocó (galinha e galo) memmmme (tentativa de mu! da vaca) pê (peixe) pôpê (pompeu - o nome do peixe do livro do banho) bá (bola) bão (balão) tshá (chá)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Presentes

Das várias prendas que a M. recebeu, há duas que acho que devo mencionar: o mé-mé grande e as bolas. É assim que os identificamos cá em casa. O primeiro é uma ovelha de baloiço, comprada na Imaginarium pelas colegas do B. Parece que a primeira intenção era a Lola de baloiço, mas não a encontraram. Pois, ainda bem. A M. adora tudo o que seja mé-més, então um gigante, que baloiça, tem um sininho e bale quando se carrega no botão é o máximo! De vez em quando pede para andar e lá lhe fazemos a vontade. Ainda por cima, tem a mais-valia de ter umas rodinhas que se podem baixar e assim andar pela casa fora de ovelha. O outro foi o presente da tia C., também da Imaginarium, que é uma pirâmide de copos cilíndricos de tamanho decrescente, com um buraco cada um, junto com cinco bolas, duas das quais fazem barulho, que se enfiam em cima para cairem pirâmide abaixo até sairem no buraco da base. A M. não larga aquilo! Na noite em que lhe dei o brinquedo, esteve que tempos a enfiar as bolas no topo para as ver cair e no final bater palminhas de satisfação. Agora, se não está a brincar com o conjunto, anda com as bolas na mão e pede-nos interminavelmente para as tirar de debaixo da cama ou do sofá quando para lá escorregam. Obrigada pelos presentes fantásticos que nos deram!

Obrigada

Para além dos agradecimentos às amigas e amigos que apareceram, ajudaram, se ofereceram e apoiaram, quero aqui deixar um especial para o tio Pipe e a tia S. Uma das coisas de que o B. mais sente falta na cidade é do apoio a que sempre esteve habituado no seio da sua família. Aqui sentimos-nos um pouco perdidos e sem apoios, por motivos que nos ultrapassam, a um, ao outro, ou aos dois - uns longe da vista, outros longe do coração. Os pais do B. não puderam vir à festa de anos da M. pois o meu sogro tinha sido operado na semana anterior, e digamos que 400 km não é a melhor terapêutica a seguir. O meus cunhados também não pois têm uma padaria que não pára para gerir. O B. estava desgostoso e teve alguma dificuldade em aceitar os factos. Foi mais uma vez o salvador da pátria que fez as honras da casa. O mano mais novo pôs-se a caminho e veio à festa da afilhada, que sei ser uma das meninas dos seus olhos. Sem a sua ajuda, assim como a da sua namorada, muitas das coisas não teriam sido possíveis. Por isso, aqui fica o obrigada em directo e o registo de que, mais uma vez, escolhemos bem o padrinho da nossa filha, assim como a sorte de termos esta tia emprestada. Um beijo lambuzado da pipoca e um sorriso amigo dos pais para os dois.

A festa

A comida tinha ar e estava apetitosa, a sala estava bonita e acolhedora. O sítio em si é fabuloso para festas - tem uma sala ampla, cadeiras q.b., brinquedos, uma casa-de-banho com fraldário e outra com WC para os mais pequeninos, uma mini-cozinha e até um micro-ondas. O jardim é enorme e está fechado por um portão, pelo que a pequenada pode correr à sua vontade. Os amigos apareceram todos, com excepção de três que não conseguiram mesmo ir, dando-nos a certeza de sermos acarinhados por todos, mesmo por aqueles que não apareceram, mas que não deixaram de dar um olá. O dia estava lindo, com um sol quentinho a aquecer quem lá estava e a abrilhantar um dia já por si memorável. A tia F. ofereceu-se para tirar as fotografias, o que me tirou um peso de cima e me permitiu estar com todos (obrigada!!!). O meu maior receio semi-confirmou-se com uma tirada muito infeliz do avô, que infelizmente é impossível de controlar, mas as amigas mais chegadas iam gerindo os meus sentimentos em relação a isso e à tia maluca, para que não causassem muitos danos, nem que fosse permitindo-me desabafos discretos por entre os sorrisos para os convidados (um muito e muito obrigada!!!). Os balões fizeram sucesso e a miudagem divertiu-se a rebentá-los, quando estes não o faziam sem ajuda, apesar dos mais pequenos, incluindo a M. não se assustarem nem um bocadinho (confesso que passei a não achar muita graça aos ditos, de tanto salto que dei naquela tarde...). A M. estava delirante com tantos meninos e meninas à sua volta e ia-se revezando por entre os colos de todos, pelo meio de muita brincadeira. Fez as delícias de todos e apesar de eu não ter tido quase tempo nenhum com ela, fui vendo pelo canto do olho a sua felicidade, o que me bastou. A sua amiga mais que tudo, também M., estava lá, vestida de igual (LOL!!!), e a nossa M. choramingava se a via longe do seu alcance, o que mais uma vez, só nos (a mim e à tia F.) deixou felizes, com a certeza de uma bonita amizade. Passou o dia a comer e a gritar "pãeinnn" para quem a quisesse ouvir e raras foram as vezes que eu não a procurei e vi com algo na mão para comer. Os "parabéns" foram bem recebidos por ela, cantados ao meu colo, pedindo segunda volta no final da cantoria, e viu-nos, a mim e ao pai, a soprar o bolo com um ar admirado. No final, o cansaço era tal, que 50 metros depois de termos arrancado, adormeceu no carro a caminho de casa, tendo feito uma birra gigante ao chegar a casa, por ter sido obrigada a ser acordada para se mudar de fralda e roupa, ambas muito sujas. Calou-se a custo e rendida, com um biberão que serviu de jantar e ceia, tendo ido para a cama sem banho. O resumo da história: ainda bem que a fizemos, a primeira festa de anos da M., com todo o orgulho que nos é permitido, ficando estampada a felicidade naquele grupo que quis celebrar connosco um dos dias mais importantes da nossa vida. Ah! E o B. já escolheu o tema dos 2 anos: as flores... :)

O bolo

A conselho de uma colega de trabalho, optei por espreitar o blog onde foi mandado fazer o bolo de despedida de solteira de uma colega e amiga, que devo dizer estava fantástico. Depois de ver uns quantos engraçados, descobri um que era a cara da M. Um 1 gigante, cor-de-rosa, decorado com flores e... a Lola! Era perfeito. O preço não era convidativo, por isso desisti da ideia, mas não sem antes mostrá-lo ao B. em casa. Calhou a madrinha da M. estar cá e também ver. Gostou tanto que fincou pé em como devia de ser aquele o bolo de anivesário da afilhada. Queria tanto, que chegou a oferecer-se para pagar metade, pelo que ficou decidido. Com massa de iogurte por causa dos mais pequenos, ficou o bolo escolhido semanas antes. Estava lindo! Só um senão para preciosistas como eu - os cornos da Lola não são brancos e pontiagudos, mas sim pequeninos, rosa e redondos. Mas nada que alguém para além de mim tenha reparado... ;) http://www.nosemaisebolos.blogspot.com/

Festa - preparativos 2

Quanto à comida, a ama da M., que passou a semana de véspera a dar palpites e a sugerir mais e mais coisas para a festa, disponibilizou-se para fazer os doces, tendo vindo no sábado para tal tarefa, acompanhada da sua filha mais nova. Ela tratou dos doces e assim ficámos com brigadeiros de cacau e outros de coco, gelatinas, um pudim e uma mousse de chocolate caseiros e uma tarte de natas. A avó mandou duas bolas de carne e a tia queques de chocolate. Tudo junto com as quiches feitas no dia anterior, os rissóis, croquetes, chamuças e pastéis de massa tenra encomendados, batatas fritas, umas sandochas de pão de leite e sumos com fartura, decoraram as mesas para os convivas. Fome ninguém ia ter... E eu cumpri os meus dizeres de sempre ao afirmar aos sete ventos que festa que é festa é caseira, sem Mcnhodal's ou Pizzas Hut em série. O B. foi de manhã limpar a sala e pôr as mesas com a ajuda do tio F., enquanto eu tratava do resto em casa, graças à tia S. que fez de baby-sitter à pressão ao brincar com a M. a manhã toda. Ao irem almoçar fora, ainda tiveram o discernimento de repararem que a vela do bolo tinha ficado esquecida na mala da mãe da pasteleira e que por isso era preciso comprar uma, incumbência que lhes coube a eles. Às 14h30, o B. estava quase arrependido, e dizia entre-dentes que era a última vez, que para o ano ia para um daqueles sítios pré-fabricados e plastificados. Às 15h00, já animados e curiosos, de vestido novo, mãe e filha, estávamos a chegar e a abrir a porta aos primeiros convidados, quase mais pontuais do que nós.

Festa - preparativos 1

Depois de alguma relutância da minha parte, acordámos numa festa de anos para a nossa pipoca com mais gente do que nós os três. Como ela fez anos numa segunda-feira, marcámos para o domingo seguinte, no espaço dos Francisquinhos (espaço neutro, grande e com jardim). Para não variar (é uma característica muito nossa), deixámos tudo para a última. Comprámos os pratos, copos e talheres de plástico (minha rica ecologia!...) semanas antes e até alguns balões, mas o resto da decoração também não. Na semana que antecedia o grande dia, nos bocadinhos que tínhamos, andávamos feitos loucos à procura de toalhas descartáveis, balões, fitas e outras coisas e loisas giras e em conta para a festa. Pois está claro, que algumas das coisas ficaram para o próprio dia. Nesta onda, na véspera, comprámos fitas de manhã, as toalhas (ainda por cima uma tinha defeito - tinha um buraco gigante no meio que obrigou à compra de outra na noite de sábado!!!), mais plásticos e mais balões à tarde. Saímos do Colombo às 18h00, indo o B. para a sala e eu, entregue à filha, fui a correr para o estacionamento do Continente para receber o bolo de aniversário. Com a parvoeira da desorganização ainda preguei um susto à pasteleira que, trinta minutos antes da entrega, em Almada, recebeu um telefonema meu, já meia enervada, a dizer que pedia desculpa, que esquecesse, mas já não dava, que não tinha tempo e que tinha de desmarcar e que ia inventar eu alguma coisa para não parecer mal. A desgraçada gaguejava e dizia-me para me acalmar, que ela ia entregar o bolo à festa no domingo à tarde, onde era, que ela ia. Foi quando percebi... Eu estava a desmarcar a manicure e tinha marcado o número do bolo... O que vale é que a Sara tem sentido de humor... Entre banho e jantar da M. não consegui fazer mais nada e fui entretanto chamada à sala da festa, onde a minha opinião era precisa. Lá fui, sem jantar. A sala já estava meia decorada. O B. com uma ideia de festa fabulosa para a filha, exagerou na fotografia e imaginou 200 balões cheios pela sala fora, que encomendou à noite à desgraçada da tia S., talvez para lá ficarem até à manhã de domingo a encher... O tio F., que veio passar o fim-de-semana à capital para estar com a sobrinha na festa, e a tia S., abdicaram do jantar e do cinema para ajudar (lá viram a coisa negra e renderam-se à invasão dos balões) e já tinham bufado e soprado para milhentos balões de todas as cores para fazer um palhaço com aqueles. Ao chegar, ajudei a dispor a restante decoração - fizemos uma espécie de M com uma fita de 14 metros cor-de-rosa, pois está claro, cercada de balões rosa e brancos e deixámos eu sei lá quantos escondidos atrás das cadeiras para a criançada. De regresso a casa, toca de fazer quiches e os saquinhos dos miúdos com as gomas ou os balões, conforme a idade. Escuso de dizer que, mesmo assim, sobraram balões para os próximos dois anos, certo? Deitámos-nos passava da uma da manhã, com a ideia certa de que o dia seguinte não ia ser mais fácil...