domingo, 18 de janeiro de 2009

Crises de nervos

Passou a isso, a exteriorização do seu mau feitio. Fica logo zangada, faz cara feia, chora alto, anda de um lado para o outro, enquanto vai abanando os braços ou batendo com as mãos uma na outra, como se estivesse a sacudir a farinha. Tenho três formas de a parar: ou ignoro, ou fico a olhar muda com uma cara mista de incrédula e reprovação, ou pergunto-lhe o que é isso com cara séria. Costumam resultar as três, mas a primeira é a mais eficaz. Espero sinceramente que seja só uma fase...

À terceira só cai quem é burro...

A terceira tentativa de me deitar as unhas, uns dias depois, foi apenas isso - uma tentativa. Assim que encostou a mão à minha cara e viu o meu ar, segundos antes de eu levantar a mão, parou e ficou com os dedos em posição, encostados à minha bochecha, com uma cara de "será que vou a tempo?". Foi. Depois, fez-me uma festinha, mas daquelas pouco meigas, como que a disfarçar o primeiro gesto, mas o suficiente q.b. para mesmo assim eu perceber a intenção original. Não voltou a repetir a gracinha até hoje.

Segunda palmada

No dia seguinte, pelo mesmo motivo. Desta vez, o pai nem se apercebeu, só dando conta depois de me ouvir dizer um "Madalena!" muito feio. Ela olhou para mim, olhou para o pai, continuando com essa reacção, alternando o olhar de um para o outro. O B. perguntava-lhe o que se tinha passado e o que tinha ela feito, com um ar sério e eu mantive a minha cara de zanga. O cómico é que quando olhava para mim fazia cara séria, como que a avaliar a situação, quando olhava para o pai, fazia o beicinho genuíno, como que a ameaçar o choro. Mas choro que é bom? Nem vê-lo!!! Segurou-se e aguentou-se à bronca como gente grande. Ou seja, com o pai fica mais sentida do que comigo... O final da história também foi igual: beijinhos distribuídos e muito sentidos, pelo que acho que estamos no bom caminho...

Primeira palmada

Foi na noite de fim do ano... E ainda por cima a dobrar... O seu mau feitio tem-se vindo a revelar cada vez mais. Bem sei que saiu ao pai e puxa à mãe, mas ela conseguiu refinar... Anda com a mania de teimar até mais não, fazer birra por tudo e por nada quando contrariada, com choros sonoros e agora levanta também a mão. Bem sei que faz parte, e que está na idade de testar todos os limites, mas parece-me que esta menina vai ser complicada, se não tivermos cuidado. Estava eu no chão a brincar com ela, quando teimou que tinha de mexer nas velas da mesa de apoio, estando careca de saber que não pode. Disse-lhe que não, e ela ignorando-me por completo, insistiu. Estivemos nisto até que eu me irritei e tirei-a de ao pé da mesa em peso com um não muito sério. Não é que a criatura levantou-me a mão e deitou-me as unhas à cara! E com cara de má!!! Nem pensei. Assim que senti as unhas, ela sentiu a palmada no rabo. O B., que estava ao lado, fez o mesmo, e por isso em simultâneo virou-lhe a mão e deu-lhe uma palmada na dita. Peguei nela e puxei-a para ao lado para ela perceber que estava mesmo zangada com ela, enquanto ambos lhe dizíamos que tinha sido muito feia. Numa fracção de segundos, o seu pequeno cérebro processou a informação e desatou a chorar. Ficou mesmo sentida, porque de dorida não tinha nada, visto que as palmadas foram para enxotar moscas. Mesmo assim, fiquei com o coração mais pequenino e tive vontade de vacilar... O pai, logo de seguida, sentiu-se também e agarrou nela, explicando-lhe que não podia ser, quase estragando tudo. O que vale é que a avó lá lhe disse para a largar, enquanto dizia à neta para me fazer uma festinha para pedir desculpa. Acabou por me dar um beijinho muito sentido, outro ao pai e todos fizemos as pazes. O vaticínio da avó, que já cá anda há uns anos e deve saber o que diz: "Vai, vai! Vai-se ver grega, vai!"...

Fim de ano com os avós

Graças ao funeral, que implicou a chegada a Lisboa às 16h00, de 31 de Dezembro, os meus sogros acabaram por ficar cá em casa a festejar o final de mais um ano connosco. A M. estava nas suas sete quintas com os avós para partilhar os brinquedos. A avó fez as suas delícias e apanhou em três tempos o seu linguajar, decifrando que "pê" é peixe e que isso implica também a tartaruga e dando-lhe abébias no que toca a comida. Graças à presença dos avós e à comida que tinhamos em farta para a ocasião, a M. acabou por se desforrar e até eu desisti e deixei que comesse o pão que quisesse. Os avós de cansados, adormeceram e eram 23h50 quando a avó acordou estremunhada, que por sua vez, estremunhou o marido, para fazerem tchim-tchim à meia-noite. Eu estava à espera de detectar tampas de panela a bater às janelas e, assim que as ouvi, corri ao despique, deixando o B. um tanto ou quanto envergonhado e a sogra a rir à gargalhada e a dizer que já tinha valido a pena vir a Lisboa. A M. adormeceu pouco depois da passagem do ano e nós fomos para a cama com o sabor de uma "festa" simpática, caseira e confortável. Pelo menos, começar, começou bem! :)

Bebés!!!

No último dia do ano, o B. foi a Montemor-O-Novo, a um funeral de uma tia paterna que morreu de repente. Eu fiquei em Lisboa com a M. e aproveitei a manhã para tentar a sorte nos saldos. Levava a M. no carrinho, condição sine qua non para conseguir fazer alguma coisa. Entrei na Massimo Dutti, com descontos de 60% (é incrível o que a crise faz...) e estava eu a ver calças quando a M., rindo e gritando "Bebé! Bebé!", topou, no meio das pessoas, um bebé e uma menina com talvez mais um ano do que ela. Uma Beatriz que se viu na obrigação de entretê-la, porque de cada vez que lhe virava costas, ela chorava, mas chorava! A nova amiguinha saltitava, dançava, fazia cenas de filme cómico, atirando-se para o chão, e a M. dava gargalhadas, pondo a loja inteira a rir um bom rir. Mas sempre que a Beatriz ia ver do irmão ou da mãe, que não parava de experimentar roupa, a minha menina chorava baba e ranho. Estive à vontade cerca de uma hora dentro da loja, sem ver roupa, a tentar convencer a minha filha de que a Beatriz se tinha ido embora, para dois minutos depois esta voltar a aparecer. Acabei por desistir daquela loja e passei a outra. Na segunda loja, estava uma menina com os seus 4 anos com a mãe. A M. mais uma vez, grita "Bebé! Bebé!", mas esta não era nenhuma Beatriz, que tinha jeito para a comédia e escondeu-se atrás das pernas da mãe. Sairam da loja e, consequentemente, eu também. É que a M. voltou a chorar desalmadamente com a ida daquela potencial amiga. Resumindo: todas as crianças que ela viu naquela manhã eram primeiro motivo de risos e gargalhadas desproporcionais, logo seguidos por um choro sentido, digno de fado, por se irem embora. Compras com ela sozinha outra vez? Só se não tiver remédio!!!

Sentada no bam-bam

O carrinho de empurrar também se transforma num carrinho de sentar. Um dia, virei-o e sentei-a nele, empurrando-a corredor fora. Ao fim de algumas tentativas frustradas, porque os pés arrastam pelo chão e impedem-no de avançar, lá lhe consegui fazer entender que tinha de pôr as pernas para cima para andar. Agora, quando se senta no carrinho, levanta as pernas e apoia-as ao lado do volante, dizendo "Pé! Pé!" como quem diz "Já sei! Vês?". É de chorar a rir. Só não tem graça é o cansaço de andar a correr corredor afora, enquanto ela se diverte no seu bam-bam. Ufa!!!

Ti!

O tio Filipe é o "ti". Ao chegar a Lisboa de viagem, entrou em casa e foi direitinha para o quarto a gritar "ehhh!" de contentamento, reconhecendo o seu espaço e os seus brinquedos. Depois do reconhecimento feito, veio para a sala, olhou em volta e começou a perguntar pelo "ti". Tantas vezes perguntou, connosco sempre a dizer que não estava, que acabei por lhe ligar só para ela o ouvir falar. Só se calou depois do telefonema e de alguns beijinhos dados ao telefone. Já aqui ficou bem frisada a sua paixão por ele - é só mais uma prova de que se mantém.

Andar bem

Os dias passados em casa da avó na brincadeira com a prima, puxaram por ela e veio para Lisboa a andar bem. Ainda vai ao chão gatinhar, mas cada vez menos. Mas a sua característica de trapalhona parece confirmar-se. Tropeça imenso nos seus próprios pés e é engraçado vê-la às arrecuas até acabar por dar um bate-cu pouco discreto. O que vale é que não é muito maricas e por isso segue caminho sem muita conversa.

Natal

Um dia cheio de polvo frito, rabanadas (que nós chamamos de fritas lá para cima), filhoses, doces e muita, muita confusão. O dia é infernal, com os entras e sais de toda a gente, os meus cunhados até à última a trabalhar na padaria (é a época de maior trabalho) e eu a tomar conta da pequenada com a ajuda do B. Calhou-me a mim cumprir o papel de tia e madrinha e dei banho às três, vesti e sequei o cabelo, dando-me a certeza da loucura que é ter mais do que um, com pouca diferença de idade, especialmente se forem terrabentas como as duas mais pequenas... O jantar na casa dos meus sogros é constituído por vários pratos: açorda de bacalhau, bacalhau cozido e arroz de polvo. A açorda é tradição da casa do sogro que a mulher respeita anualmente, o bacalhau porque faz parte da ceia de Natal na Beira Alta e o arroz de polvo porque sim. Confesso que já tenho saudades do bacalhau guizado que a minha avó do norte fazia na panela de ferro preto de três pernas à lareira, com colorau. As sobremesas são mais que muitas, mas nunca faltam duas coisas: o pudim de ovos e o doce de serradura. Gabo-me de este último ter sido importado por mim da minha família da Madeira para a tradição desta família. Sentamos-nos à mesa já tarde, por causa da mercearia e padaria que fecham tarde naquele dia, mas com muito barulho e gargalhadas pelo meio. Os presentes foram antecipados porque a pequenada já não aguentava mais, e lá se distribuiram. Primeiro a prima mais velha, depois a mais nova. A M. para o ano vai entrar nestas andanças, mas desta vez ficou-se entretida no meio dos papeis de embrulho, sem perceber o que se estava ali a passar. Com sorte, ainda há polvo frito, num dos pratos que a sogra escondeu pela casa - este ano foram 8 kg de polvo e, mesmo assim, houve guerra... No final, fica-se à conversa, já tudo meio a dormir, tendo eu ficado sossegada a ver um filme, para cumprir pelo menos uma das minhas tradições de Natal.

Prima Matilde

Como de costume, fomos passar o Natal lá acima. A M. adora as primas, mas em especial a mais nova, que tem apenas mais um ano do que ela. Aquela por sua vez, tem uma verdadeira a-do-ra-ção pela sua prima pequenina. Faz tudo o que esta faz, até comer, que não é o seu forte (a mãe já me disse que, se a M. lá ficasse 15 dias, a sua filha engordava o que precisava!). Enquanto lá estamos, passam os dias inteiros juntas a brincar. A casa parece outra, cheia de barulho e correria, gritinhos e guinchinhos de felicidade. Confesso que chego ao fim do dia de rastos, de andar atrás das duas. O que uma tem a mais na fala, tem a outra no andar, mas não é por isso que não se entendem. No meio do charabiá delas, passam o dia de volta dos seus afazeres. Para a M. a prima é a "bebé ", já a outra chama-lhe "manena". A continuar serão super-amigas no futuro, sobretudo quando já não se sentir a diferença de idades. Serão férias super-divertidas, e ainda mais se os pais a deixarem vir com a nossa M. uns dias, para a praia ou para a capital. A nossa, é certo, irá de férias com os avós, algo que consideramos essencial para o seu imaginário, para o seu crescimento e desenvolvimento e para a sua relação com aquela parte da família que está tão longe no dia-a-dia.

Tia Sofia

Tenho de fazer aqui menção a esta personagem também da nossa vida. A M. adora gente e dá-se bem com todos, mas tem uma predilecção por esta amiga especial, de sorriso sempre pronto na cara. Talvez por já ter feito baby-sitting (quando fomos ao cinema), talvez por acompanhá-la desde que nasceu, talvez porque faz parte da sua personalidade carismática. O mais certo é que é um pouco de tudo. Seja o que for, a M. não a pode ver. Vai direitinha a ela, a pedir colo, ao ponto de um dia chegarmos as duas a casa ao mesmo tempo, e apesar de eu ser a mãe e de já não me ver desde manhã, ignorar-me e solicitar a sua atenção. Nem o meu colo quis e chorou quando a viu sair porta fora. O engraçado é que esta amiga é quem é mais "má" com ela. É quem lhe dá as negas quando são precisas, quem lhe diz que não há birras, quem lhe faz cara feia e séria, mesmo que tenha uma vontade desalmada de se desmanchar a rir, para lhe mostrar que não está a gostar. E a M. acata tudo. Com ela não há grandes choros, insistências ou birras (ela também não é criança para muito disso, verdade seja dita). A mãe agradece a disponibilidade e a amizade de índole pedagógica, que não inclui bonecada só por ser giro e que corresponde à vontade de ensinar e ajudar a educar. Esperemos que a amizade perdure, independentemente do futuro!

36...

Detesto Dezembro. Começa com os meus anos, que já não me animam. Já lá vão os tempos em que tinha dificuldade em marcar mesa para mais de 30 fiéis malucos que seguiam noite dentro até de madrugada a celebrar comigo. Hoje em dia, não consigo fazer festa, mesmo que queira, porque os amigos já são poucos, todos têm a sua vida e a altura é complicada. Ainda por cima, como sagitariana que sou, sofro do complexo de Peter Pã, como tal, não quero crescer. E digamos que estar a 4 anos dos 40 não anima muita gente, especialmente quando ainda assim, algumas coisas da vida estão por estruturar... Este ano, a coisa não melhorou. O pai e a tia esqueceram-se o que não ajudou. O que valeu foi a festa de anos da Gui, que celebra a data no mesmo dia do que eu - que me permitiu estar em ambiente de festa e distrair-me um pouco - e... o meu jantar de anos surpresa!!! A colega e amiga do trabalho, percebendo que a coisa não estava fácil para estes lados, combinou às escondidas com o B. o jantar na casa dela e, junto com mais duas malucas, organizaram-se. Não apanhei nada. A neura era tal, que nem quando o B. me disse que íamos jantar para os lados de Mafra e que por isso podíamos passar em casa dela em Sintra, quando ele nunca lá tinha estado antes, me fez perceber. Ou melhor, desconfiei e até imaginei que seria isso, mas como não queria mais uma desilusão, fiz força para não acreditar até ter a certeza. Ainda me caiu uma lágrima quando me apercebi de que era verdade... Foi um jantar simpático, com muita comida, risos e boa disposição e um bolo de aniversário, o suficiente para terminar bem o dia, porque afinal, o que interessa não é a quantidade, mas sim a qualidade. Obrigada, malta, fez-me bem!

Alergias

Até agora, nada. O ovo também já foi à experiência e tudo bem. Já só faltam a carne de porco, os morangos, os kiwis, o marisco e o chocolate. Este último, se depender de mim, vai demorar a ser provado...

Já sobe

Para cima da mesa de actividades. São precisos 50 olhos para que ela não se aventure e não caia para trás!!!

Não jantei...

Ou melhor, jantei mal e porcamente... A M. pedincha comida sempre que a vê. É inacreditável... Janta primeiro, pratos bem cheios com fruta no fim, e mesmo assim, quando vê a nossa comida começa logo a puxar os casacos, a esticar-se na ponta dos pés, a gemer e a gritar "papa!". O pai nestas coisas é muuuuuito mais permissivo do que eu. Basta ela insistir um bocadinho e lá vai ela, sem fome nenhuma, para o seu colo para ir depenicando do seu prato, quando não lhe come parte da refeição... Desta vez, zanguei-me. Disse que não e não deixei. E fui dizendo, a um e a outro sucessivamente, não parecendo que nenhum estivesse a perceber o que eu estava a dizer. A certa altura, o B. zangado, olha para mim e diz-me "então tenta lá tu que ela não coma! Vá!". Meio dito, meio feito. Larguei os talheres, levantei-me, peguei nela ao colo e sentei-me no sofá a ler um livro. Nem meio minuto depois, já tinha esquecido a comida e o pai jantou em condições. Eu tive de esperar pelo final e depois comer a correr, não fosse ela ter mais ideias... Então afinal, era assim tão difícil?!

Lola com rodas

Depois de comprarmos o casaco, passámos à parte dos brinquedos por causa dos presentes de Natal ainda por comprar. A certa altura, a M. dislumbrou no meio da confusão, no chão, um conjunto de Lolas com rodas. Não consegui mais tirá-la dali. Sentou-se no chão e ia brincando com uma e com outra, com uma alegria só vista. Depois de alguns minutos largos naquilo, acabámos por lhe comprar uma como o nosso presente de Natal. Agora, é vê-la andar pela casa com o fio na mão, de braço bem levantado acima da cabeça e ficar enervada por a sua vaquinha de estimação levantar voo, em vez de rolar pelo chão... Mas quando consegue, com a nossa ajuda, fica mesmo contente. :)

Casaco novo

A avó tem o ritual de oferecer um casaco pelo Natal às netas - O casaco bom do Inverno. Como não conseguiu oferecer o vestido dos anos, visto que o B. insistiu em assumir essa função, passou o casaco para o aniversário e uma roupa nova para aquela ocasião. Fiquei eu encarregue de o comprar na grande Lisboa. Optámos por ir ao El Corte Inglês, por terem mais opção de escolha, apesar das pegas que já lá tivemos. Tinhamos em vista um da Laranjinha, cor-de-rosa, em fazenda, muito à senhorinha, estilo clássico, mas nas suas pesquisas na net, o B. tinha visto outras coisas, cujas marcas estão representadas naquela loja. A primeira tentativa de ida saiu gorada - fui buscá-lo ao metro para irmos directos, mas a M. assim que o viu entrar para o carro, desatou num pranto que queria o pai, e alguns "apai" depois, este não foi senhor de seguir em frente e voltou para trás para pegar ao colo a sua princesa (sem comentários...). Da segunda vez, uma semana depois, foi mais fácil e sem choros e por isso pusemos-nos a caminho. Chegados lá, experimentou o da Laranjinha, que ficava bom de tamanho, pelo que poderia não durar o Inverno todo, por isso desistimos da ideia. Foi quando vimos um da Kenzo pelo qual nos apaixonámos e que não tinha nada a ver com o primeiro. Ao vesti-lo, ficou perfeito. As cores são fantásticas e é muito quentinho, com pêlo por dentro. Mais tarde, num site que também o vendia, o B. ainda descobriu mais uma vantagem: não tem avesso, ou seja, funciona dos dois lados... Obrigada, avó, fico linda com ele!

sábado, 17 de janeiro de 2009

Ombros, barriga e joelhos

Na ginástica, tivemos uma aula em que se canta aquela conhecida canção do corpo humano, adaptada de inglês para português. A certa altura, é a vez dos ombros, da barriga e dos joelhos, pondo-lhe as mãos nas respectivas partes do corpo para perceberem. A M. não pareceu dar grande importância a tal exercício. Chegadas a casa, estava eu a secá-la do banho, quando lhe falei na barriga. E ela, prontamente, levou ambas as mãos aos ombros e logo, logo de seguida aos joelhos, com um ar muito satisfeito, tipo "vês? Aprendi!". Ou seja, aprendeu que aquele conjunto de palavras corresponde ao conjunto daqueles dois sítios. Fiquei surpreendida com o facto de ter assimilado os conceitos só com aquela primeira tentativa, apesar de se ter trocado um bocado. É espantoso como, nestas idades, estes pequeninos cérebros são verdadeiras esponjas! Foi uma trabalheira para desfazer a confusão, mas agora, já sabe o que são os ombros e o que são os joelhos, mas regra geral um segue-se ao outro, mesmo sem pedir. A barriga está por perceber, mas haveremos de lá chegar.

O meu martírio diário

Todos os dias, mas todos os santos dias, tem de ser. Tenho de lhe ler dois livros, uma, e outra, e outra vez. É de tal maneira, que chega a nem querer ouvir o resto - assim que passa à segunda página, já se foi embora, para voltar logo a seguir à carga. São eles: a Branca de Neve, curiosamente o primeiro livro que recebeu, e o Winnie conta, que tem uma espécie de mini-ábaco para contar as bagas que o ursinho vai apanhando. O objectivo dela é encontrar os pássaros na Branca de Neve e ouvir-me cantar e andar com as bolas de um lado para o outro com o Winnie. O
primeiro quase que já nem o posso ver!!!

Bam-bam!

Como já deu para perceber pelas fotos, a M. tem um carrinho de empurrar. Quando o B. o comprou não lhe deu importância nenhuma porque não andava. Agora que que já dá passos sozinha, mesmo que atabalhoadamente, já acha graça à coisa. Ponho-lho à frente e ajudo-a a endireitá-lo, indo sempre atrás, não vá a sua trapalhice fazer das suas. Costumo imitar o som de um carro a andar, usando a onomatopeia "bam! bambambaaaaaam!". Depois, quando vai contra a parede, grito "Pum!!!". Em minutos adoptou este som, e agora, quando vai contra alguma coisa ou quando atira algo ao chão que faça barulho, grita "Pum!". Mas não foi só isso que aprendeu... Uns dias depois de começarmos com esta brincadeira, estava eu na sala e a M. vem ter comigo a pedir "bam-bam". Não percebi. Pedi-lhe para me explicar o que pretendia, ao que ela dirigiu-se para o quarto e apontou para o dito carro, dizendo "bam-bam!". O que ela queria era aquele brinquedo ao qual associou o som que eu uso para brincar com ele!!! Ficou o nome. Cá em casa, todos os carros são popós menos o dela, que é bam-bam!

Bebelês

A ama já lhe ensinou mais umas das palavras básicas de bebelês - popó. Não sei se foi com a janela a ver os carros a passarem ou se foi com o livro que tem um tractor, pois é tudo o mesmo: popó. Já a ovelha é mémé, pato é cuá-cuá ou cá-cá, galinha e galo é cocó. Não me lembro de mais nenhuma, mas deve havê-las... É de facto muito mais fácil de aprender a falar assim para eles. E eu que tinha a intenção de ensinar logo a palavra correcta, sem bebelês pelo meio... Mais uma daquelas regras de antes do nascimento, que são muitas vezes utópicas, e que rapidamente se desfazem com a realidade...

Bye bye!

Quando a mesa de actividades da M. deixa de ser usada por uns momentos, diz "até já!" e desliga-se. Ora, a versão em inglês diz no final "bye bye!". Não é que a miúda um dia repetiu na perfeição a expressão?!

Onde estão?

A M. anda sempre com umas bolas na mão. A sua brincadeira favorita é atirá-las para o chão e vê-las a rolar até pararem. Muitas das vezes, param debaixo do sofá ou da cama. Depois, senta-se ao lado deste e aponta para lá enquanto nos chama. A madame nunca tenta sequer chegar lá, visto que é muito mais fácil pôr-nos a nós de rabo para o ar. E nós, palermas, fazemos-lhe a vontade...

Brinquedos

Uma pequena amostra do canto do quarto com a tralha para brincar...

Ginástica

Apesar do esforço que isso implica, foi uma excelente ideia inscrever a M. no The Little Gym. Tanto o prof. Rodrigo, como a prof. Vi. são excelentes naquilo que fazem - o primeiro mais calmo e a segunda mais dinâmica, mas ambos muito focados na evolução das crianças e na aprendizagem dos pais, regra geral sem descuidar nenhum de nós. Não podia estar mais contente. A M. adora tudo. O normal é primeiro ficar algum tempo a observar, mais do que a participar, mas depois costuma alinhar em tudo na maior. Aprendeu há pouco tempo a cambalhota para trás, mas essa eu não faço em casa com receio de me falhar a força e fazer asneira com o pescoço. Já a preensão na barra paralela é outra conversa. De acordo com os professores, é normal os bebés não darem importância nenhuma a certas coisas e gostar muito de fazer outras. No caso da M., ela pura e simplesmente não quer nem saber de se agarrar à barra e ficar pendurada. É uma questão de tempo e perseverança, que é coisa que não falta naquele espaço. Apesar de gostar de tudo, há duas coisas que a M. não dispensa: as bolas e as bolas de sabão. Já sabe onde estão guardadas e por vezes leva-me até à porta e aponta como que a pedi-las. A bola é média, amarela e feita de um material tipo forro de casaco, por forma a que eles consigam agarrá-las. Já as bolas de sabão saiem de uma espécie de pistola que dispara ene bolas ao mesmo tempo de vários tamanhos. Quando finalmente se vão buscar (fazem ambas parte de todas as aulas, apesar de poderem ter funções diferentes de semana para semana), ela prontamente se põe na linha da frente. A bola é agarrada com firmeza, passeando-se pela sala como se se tratasse do seu maior tesouro, não vá algum dos colegas ter ideias. Por vezes atira ao chão para dar pontapés, outras pede-me para ir ao cesto de basquete encestar com a minha ajuda. Já as bolas de sabão são para apanhar com o dedo indicador, ficando muito séria a olhar. Mas de tudo o que a M. já lá aprendeu até hoje, a mais útil é uma canção. Quando acaba um exercício e temos de arrumar o objecto em causa, canta-se "Está na hora de arrumar, arrumar, arrumar! Está na hora de arrumar as .... no lugar!" A M. nem pestaneja - vai pela minha mão entregar até a bola que tanto gosta. Em casa, experimentei a técnica. Não é que resulta?! Assim, nunca ou quase nunca temos choros...

Natação - insatisfeitos

Como quem vai à ginástica sou eu, a natação compete ao pai. Só nos dias em que ele não pode serei eu a fazer a vez. Assim, o normal é eu ficar a ver de plateia para depois a vestir enquanto o B. toma banho e se arranja. Por vezes parece-nos que a professora não liga grande coisa à M., muito porque ela é a mais nova, no meio de muitos, e ainda não sabe fazer o que os outros fazem e também porque ela não é grande adepta de exercício físico e por isso a maior parte dos exercícios são para ser aldrabados ou nem sequer tentados. A sua predilecção é entrar para dentro de água (prioridade máxima) e ficar ali a demolhar, lambendo avidamente as mãos por estarem molhadas, o que se torna um ciclo vicioso. Ainda não fez o clic do nadar e parece que a professora está mais ou menos à espera dele pacientemente. Por vezes, é um pouco frustrante para nós ver os outros mais evoluídos, a fazer chap chap ou a mergulhar (entenda-se saltar para dentro de água para os braços do pai) com vontade e a nossa M. também não. Para além disso, o horário não facilita nada - 18h15 implicam o B. sair muito cedo do trabalho e eu vir a correr de Sintra para chegar a horas de ajudar à saída da aula. Ao fazermos a inscrição, ficámos em lista de espera para a aula seguinte - 19h00. Mas como as turmas estão cheias, esperámos. Até que um dia... Na aula dela estavam também dois gémeos, que chegavam sempre atrasadíssimos. Uma certa vez, ouvi os pais a combinarem com a professora a passagem para a aula seguinte. Achei que devia tentar a sorte também. Falei e ela confirmou que havia uma vaga e deixou. Ficámos de confirmar até ao dia seguinte e quando ligámos para o ginásio, estes disseram que isso não era assim. Resumindo: a professora não pode fazer as coisas à revelia da secretaria e estes quando se aperceberam da vaga ligaram a única pessoa que estava à nossa frente, que aceitou. Ficámos nós em espera na mesma... Fomos falar com o responsável que, depois de perceber a história toda, abriu a excepção de aumentar a turma de 8 para 9 crianças. Não gostámos da ideia. Se com 8 já é o que é, com 9 seria pior... Mas parece que a política do Megacraque é mesmo assim: se as crianças não comparecem todas frequentemente, então, para maximizar os lucros abrem vagas. Demonstrámos bastante o nosso descontentamento e ficámos à experiência para duas aulas em Janeiro às 19h00, para depois dizermos de nossa justiça. A ver vamos...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Tété!

É a expressão usada lá em cima em vez do cucu! O B. usa-a muito e eu por arrasto também. Agora, é a M. que a usa. Quando quer esconder a cara ou só os olhos atrás de alguma coisa, para nós lhe ligarmos, exclama "tété!". É tão engraçado ver a sua expressão de divertimento, com aqueles olhinhos brilhantes, como se achasse estar a fazer uma coisa muito esperta. E efectivamente, até está... :P

Tsão!

É a nova palavra dela, que nada mais é do que chão...

Água do banho

Na banheira, agora, adora abrir a boca, levá-la escancarada à água e beber. Podia-lhe dar para pior...

Gatinhar de sereia

Nunca aqui o referi, mas merece menção. Quando a M. gatinha, as pernas andam aos Ss como se fosse um peixe. Em vez de impulsionar o movimento com os pés, usa mais a força nos joelhos, deixando os pés meios no ar. Assim, estes vão andando ao sabor do gatinhar, de um lado para o outro, tal e qual como um rabo de peixe. É a nossa pequenina sereia...

Subterfúgios

Como não quer andar, tem de arranjar estratagemas para deslocar coisas. Assim, ou as põe à sua frente no chão e vai gatinhando enquanto dá sapatadas com as mãos, atirando-as para a frente, ou usa uma posição estranhíssima que não é nem gatinhar, nem andar. Põe uma perna dobrada como se estivesse de cócoras e a outra estica para o lado. Depois, com uma mão a segurar no objecto, vai andando com a ajuda dos empurrões da outra mão no chão. Ou melhor, vai saltitando desajeitadamente...

Preguiçosa ou medrosa?

Apesar de já ter andado, a M. só dá passos sozinha quando está distraída. Já se põe em pé e até bate palmas e tenta abanar-se para dançar sem apoio, mas andar, que é bom, está escasso. Ainda precisa do nosso dedo indicador para sentir segurança. Já se chegou a agarrar à minha manga, que não lhe dava estabilidade nenhuma, pelo contrário, até a desiquilibrava. Dá pequenos passos entre dois móveis ou do B. para mim e vice-versa, mas de resto, apesar de o saber, ainda não se astreve, como se diz lá para cima... Enfim, é dar tempo ao tempo, até porque eu, como mãe egoísta, nem tenho muita pressa que ela o faça perfeitamente - é mais um passo para fora da minha saia... ;)

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

A meio da noite

Quando a M. acorda a meio da noite, porque aponta para fora do quarto e não descansa enquanto não o consegue, costumamos levá-la para o sofá. Aí, depois do biberão do chá, acaba por se encostar ao nosso peito e relaxar até adormecer. A semana passada, trocou-nos as voltas. Acordou e eu fui lá. Como de costume, apontou para a porta. Levei-a para a sala e tentei sentar-me no sofá. Mas, desta vez, não me deixou. Chorava e resistia, contorcendo-se ao meu colo. Chá, nem vê-lo, até chapadas dava no biberão... Levei-a para a janela da cozinha para ver se os carros de antigamente a acalmavam. Resultou. Ali ficou, ao meu colo, a ver os poucos carros a passarem no Eixo N/S. De cada vez que passava um, eu sussurrava-lhe quase ao ouvido "olha mais um! Este vai para o trabalho" ou "uma mota que vem da festa". Eu sei lá. Sempre que não passava nenhum, primeiro fazia o gesto do "não há" e depois franzia a testa e começava a querer zangar-se, mas felizmente aparecia outro e mais outro. Como 11 kg já pesam e a minha coluna já não é grande amiga de brincadeiras, acabei por ter de me sentar. Voltei para o sofá. Foi um berreiro tal que acordou o B. Este levantou-se e revezou-me. Ao fim de uma hora e tal, conseguiu a proeza de a adormecer e tentou aproveitar a hora que faltava até acordar. Foi uma verdadeira luta para não adormecer... Porque será?

Mais técnicas

Tem mais duas formas de me desmanchar, para além de desviar o assunto para alguma gracinha. Uma é apontar para alguma coisa com muito interesse. Por exemplo, faz isso desde que descobriu a torneira do bidé. Abre-a e enfia a mão até ao cotovelo, ficando encharcada. Como já sei o que pretende, quando a vejo entrar na casa-de-banho, vou atrás e espero. Quando já está em pé, em frente ao bidé, a olhar para a torneira com cara de quem viu o Pai Natal, digo-lhe que não. Ela vai tentando uma e outra vez, primeiro pedindo-me autorização apontando, depois levando lá a mão ou aproximando-se sorrateiramente de lado, e eu sempre firme, vou-lhe recusando a vontade. Até que fico zangada e ponho uma voz mais ríspida. Ela vai e aponta para a banheira com um "ãh!" de interessada impressionante, com um ar muito entusiasmado, como que a dizer que aquele disparate todo não é nada, o que importa é que quer tomar banho! A outra forma de me dar a volta resulta com muito mais eficácia... Quando a coisa já está preta, olha para mim, arreganha a boca, ficando os dentes de baixo à mostra e dá uma gargalhada com a cara toda franzida. Quando me faz isto, não consigo. Regra geral, tenho de esconder a cara para não estragar, mas a espertalhona já me apanha fácil, fácil. Como diz a tia S., sabe-a toda e eu estou tramada...

Pé!

A M. é expert em dar a volta ao contexto quando lhe interessa. Quando lhe estou a mudar a fralda, tem momentos de verdadeira violência. Dá aos pés e quando acerta magoa. Normalmente, faz isso quando já tem a fralda suja aberta. Se calhar, é por sentir a liberdade... Ela vai testando várias vezes a nossa paciência e os seus limites, o que é de louvar, pois só prova que está a evoluir no bom sentido, mas conseguindo que eu fique por vezes efectivamente chateada. Agora, sou eu que imponho mais respeito, tendo o B. mais dificuldade. Ponho uma cara séria, digo o nome dela, seguido de umas quantas negas, num tom de repreensão e espeto o dedo. A parte do dedo parece ajudar a manter o respeito. Quando ela vê que a coisa já não está mesmo nada de feição para ela, olha para mim com ar de sacana, levanta a perna e sai um triunfante "pé!". Como quem "olha a gracinha que eu sei fazer!". Tenho de me segurar e respirar fundo para não me desmanchar...

Ginetes

Está a ficar com um feitio!... Quando quer alguma coisa e não tem, seja porque ela própria não consegue ou porque não deixamos, cerra os poucos dentes que tem, encosta o queixo ao peito, abana a cabeça e dá aos braços enquanto parece que rosna. É de uma impaciência a toda a prova, não querendo esperar por nada quando está determinada a obter algo. Tenho de me impor com firmeza, senão temos o caldo entornado. Costumo perguntar-lhe com ar sério "o que é isso?", friso uns quantos nãos se necessário e ela lá percebe. Se começa a chorar porque não lhe dou logo o que ela quer, digo-lhe para se acalmar e dizer-me com calma o que quer. Costuma resultar. Lá pára de chorar e aponta com um sorriso malandro para o objecto do seu desejo. Mas nem sempre. Já tive de a deixar a chorar no meio do chão, porque atirou a cabeça para trás numa birra a querer ficar má. Como não lhe ligo, acaba por perceber a mensagem. Já o B... a coragem para se impor é diferente e tanto lhe dá para tentar o mesmo que eu, como para ceder quase à primeira. A sua princesa já sabe e por isso agora vai tentando primeiro a sorte com ele, a ver se pega. E às vezes sai-lhe a lotaria. Depois tenho de lhe recordar a ele o que devia ter feito e ele lá tenta a custo contrariar aqueles olhos pestanudos e expressivos que o derretem tanto. A ver vamos se não vou ser a má da fita...

Pescoço

Tal e qual como eu: é o seu ponto fraco. Derrete-se toda e desmancha-se às gargalhadas quando o pai lhe dá beijocas gordas ou faz-lhe cócegas no pescoço. É o nosso calcanhar de Aquiles. Mas o pai tem um condão maior do que o meu. Comigo, ri-se e torce-se toda, mas com o pai dá gargalhadas contínuas de a levarem ao cansaço. E quando o pai pára, estica o pescoço e põe-se a jeito, a pedir mais, oferecendo-lhe a dádiva de a ver rir outra vez. Rimos-nos todos sempre muito com aquelas gargalhadas contagiantes e cristalinas.

Andou!!!

De domingo para segunda-feira, dia 8 de Dezembro, ainda com 12 meses, a M. andou. Estávamos a conversar na sala da tia J. com o B. a tentar gerir as cambalhotas da M. e do F. ao mesmo tempo. A nossa pipoca estava excitadíssima e lá por já ser uma da manhã não a impedia, nem ao seu amigo de ter a energia para algo mais. Às tantas, viu uma fotografia do F. com meses em cima de uma mesa de apoio. Começou a querer chegar ao "bebé!". O B. começou a distanciá-la da moldura e largava-a para ela chegar lá. Não é que andou?! Depois de muitos pininhos, como diz o tio F., ao longo das semanas anteriores, e algumas mostras de que estava quase, quase, naquele fim-de-semana, lá se dignou andar. Estávamos todos tão entusiasmados que só visto. A tia J. fez um ar de vitória por ter andado na casa dela e o tio J. estava morto de sono, mas feliz. Eu e o pai estávamos nas nuvens. É impressionante como algo tão básico e elementar para o ser humano pode ser uma vitória e uma conquista tão grande. Se foi assim com o andar, nem imagino quando for com o ler, o entrar para a faculdade, o casar, o ser mãe... Acho que vamos ficar cheios com tanta emoção. E ainda bem!...

Mana mais velha

Há cinco anos que andava a dizer que ia a Braga ter com a amiga do coração. Nestes tempos de Dezembro, altura em que me sinto mais frágil, estava a precisar de me sentir rodeada por amigos sinceros e presentes. Por isso, disse ao B. que queria ir. Marcou com ela à minha revelia, com o intuito de me fazer uma surpresa, para o fim-de-semana prolongado do 8. Acabei por descobrir antes do tempo, mas não fez mal. O que eu queria era ir. Na antevéspera, a minha tia pregou-nos a partida: deu-lhe um achaque à porta de nossa casa e foi de charola para o hospital. Depois de algumas horas com exames, a médica de serviço avisou o B. que tinha de ir à psiquiatra outra vez - temos outra depressão à porta ... Aviso: não podia ficar sozinha... Demos voltas à cabeça e acabámos por arranjar uma solução - levámo-la primeiro a Penedono, onde estava o meu pai, dormimos lá e depois seguimos para Braga. Foi um fim-de-semana lenitivo. Estivemos no seio de uma família harmoniosa e que transmite paz e eu estive com a minha melhor amiga, de quem já tinha muitas saudades. Os encontros de fugida, sempre graças à sua persistência em vir a Lisboa de vez em quando, não dão para nada. Só servem para ficar com mais saudades ainda. Não falámos de nada em especial, nem de problemas, nem de preocupações, apesar de também me apetecer. Optei por não o fazer, pois era um tempo tirado para esquecer e não recordar. Uma pausa kit-kat. Os seus filhos estão fantásticos e o mais novo, mais velho um ano do que a M., adorou a presença daquela pequenina amiga - "Sabes, M., sabes, és muito gira!", ao que ela respondia com um sorriso e um "ãh!" que parecia afirmativo, fazendo o B. levar as mãos à cabeça e as mães sonharem com uma aproximação maior das famílias no futuro (ainda não se paga por sonhar, certo? ;) . Foi muito, muito bom. Vim embora um pouco mais consolada, ainda com saudades, que só conseguiria matar vivendo por perto, mas mais apaziguadas. Recordei muitas madrugadas, sentadas no sofá de Campo de Ourique a ver o sol nascer, e a dizer com toda a sinceridade "Bolas! Podias ser homem tu!". Ao que me era respondido "Não. Perfeito, perfeito, era se tu fosses o homem...". Obrigada, J., a ti e aos teus.

Caiu do sofá

Apanhei o maior susto até hoje com ela. Estava a brincar no sofá comigo. Pôs-se em pé, encostada às costas do sofá no mesmo instante em que o B. me fez uma pergunta. Na fracção de segundos em que olhei para o lado, a M. literalmente mer-gu-lhou... Quando olhei, estava ela em pleno voo, a ir direitinha ao chão de cabeça. A cena foi vista em câmara lenta tal foi o susto. Eu que não tenho memória visual quase nenhuma, tenho presente a imagem em slow motion a reproduzir-se na minha cabeça, sempre que me lembro de tão ínfame episódio... Já não fui a tempo de nada e ela caiu. Ouviu-se o bonc da cabeça a bater no chão e um choro imediatamente a seguir. Um choro intenso de dor. Agarrei nela ao colo e tentei acalmá-la, enquanto o B. tentava pôr as mãos na sua cintura para pegar ele nela ao colo. Mas o meu abraço e olhar determinado fizeram-no entender que nem valia a pena. Estava tipo leoa a lamber a ferida da cria e ai de quem lhe tocasse... Assim, enquanto a M. chorava no meu regaço, o B. com uma presença de espírito impressionante, foi buscar gelo dentro de um pano da loiça (quase que partia a gaveta do congelador...). Quando voltou, lá ma conseguiu tirar, sentou-a no seu colo e pôs-lhe o gelo na testa, enquanto eu ia vendo livros com ela para a distrair. Ela deixou e parou de chorar. Quando tudo tinha passado, já com a mossa vermelha a desaparecer da testa graças ao gelo, foi ao colo do pai para a cozinha, enquanto eu chorei feita Maria Madalena... É que para além do susto, o sentimento de culpa invadiu-me de uma forma parva. Bem sei que é o primeiro de muitos, haverão outros se calhar bem piores, mas este eu vi, este foi comigo. Ainda por cima careca de saber como os sofás são perigosos e como a pequenada não deve andar lá em cima. Enfim, passou... Aprendi a lição e o B. disse uma grande verdade: ainda bem que foi comigo, porque se tivesse sido com ele, acho que o tinha comido vivo...

Trouxe a meia

Foi no outro dia. Estava eu no sofá distraída, eis senão quando chega-me a piolha à minha beira de meia na mão. Estende-me a mão e diz-me "mêa!". Pois é. Já tem ideias a cachopa. Tive de lhe calçar a dita, senão não me largava o resto da noite...

domingo, 14 de dezembro de 2008

Quase, quase...

Na ginástica, a professora confirmou as nossas suspeitas - está quase, quase a andar. Só lhe falta um bocadinho assim... Por isso, naquela aula, tentou de tudo para ver se a convencia. A certa altura, pegou num arco, com o qual a M. estava a brincar, pô-lo em sua volta e fê-la agarrá-lo à frente. Enquanto a segurava por debaixo do braço, foi incentivando-a a andar, comigo à frente a chamá-la. Lá andou, sentindo-se segura pela professora, agarrada ao dito arco. A certa altura, a professora largou-a e ela continuou entusiasmada sempre em frente, agarrada à sua bóia de salvação a rir-se imenso pela aventura que estava a viver. No final da aula, a professora vaticinou que a M. na semana seguinte já ia de metro sozinha para a aula...

Bailarina

Até a ama já previu o seu futuro. Não pode ouvir uma música que começa logo, logo a dançar. Não importa o género, nem quem canta. E o engraçado é que tem ritmos diferentes, tendo várias formas de expressão a sua dança. Se for uma melodia suave, roda o tronco de um lado para o outro. Se for uma rockalhada, dobra as pernas e levanta um braço. Se for uma pimbalhada, levanta os dois braços e abana-se. Diz quem já viu que até dá ao rabiosque quando toca o telemóvel da ama com o seu kuduro... Há uns dias, experimentei pôr no VH1. Nem de propósito! Estava a dar o Top dos anos 80 e os Dire Straits estavam a tocar "Money for nothing". A miúda adorou! Encostou-se à mesinha da sala, levantou um braço e abanou-se toda, cabeça inclusive! Continuou com os Duran Duran e só acalmou com a Whitney Houston. Parece que tem bom gosto!...

Mamã e caca: palavras universais

Qualquer pessoa, desde que não seja um bebé, é "mamã". Quando não sabe o nome, é isso que chama. Até o pai, que vive frustrado por ela não dizer papá, apesar de o saber. Já para todas as coisas que ela não sabe ou não consegue dizer o palavra usada é "caca"... Esta linda palavra aprendeu-a num instante com o pai. Estava a meter uma porcaria qualquer do chão na boca e o B. rapidamente lha tirou e disse "não comas isso que é caca". Logo de seguida, saiu da boca dela, um perfeito e sonoro "caca!". E parece que sabe que é asneira, pois a entoação é sempre essa. Diz sempre a segunda sílaba com mais ênfase, como se estivesse a dizer um palavrão. É de chorar a rir. Agora, tudo é caca, basta não saber o nome. Bem que se diz que o mau aprendem eles logo, sem sequer serem ensinados!...

Abana a cabeça

Já diz que não com a cabeça quando não quer comer mais. Temos sempre de confirmar, perguntando-lhe umas quantas vezes. Está quase sempre a falar a sério, mas ainda tem umas quantas vezes que são só a fingir e, por isso, lá abre a boca para mais uma colher. Com o tempo, deixa de se confundir e torna-se mais fácil.

Perfume

Parece que nisso vai sair ao pai... A ama todos os dias de manhã, depois de a vestir e arranjar levanta-a e exclama "está linda!" umas quantas vezes, ao que ela reage com um sorriso de satisfação. Agora, quando lhe pomos o perfume que nos saiu como presente da Imaginarium, põe-se a postos: estica a cabeça para a frente, inclina-a e fica à espera da borrifadela. Não é que liga mais a isso do que eu?!

Evolução

Todos os dias vemos coisas novas, novidades nas gracinhas e a compreensão a evoluir a olhos vistos. Está mesmo a ficar crescida a nossa pipoca! Alguns dos pontos altos da sua evolução diária: - já reconhece algumas partes do corpo. De cima para baixo, já sabe o que é o cabelo, as orelhas, os olhos, o nariz, a mão e os pés, - já reconhece as formas do seu tambor e encaixa-as no sítio certo, assim como as rodelas do pino colorido, - sabe o que é pôr o chapéu, mesmo que seja um dos copos da sua pirâmide preferida, - percebe o que é sentar, deitar e levantar (melhor compreendido com uma solicitação de upa!), - se lhe peço para trazer algo, ela sorri e com ar maroto vem até mim com o objecto na mão para mo entregar.

Paladares

Já come da nossa comida. Aliás, fez greve à carne cozida e sem sal, e fecha a boca com determinação à comida saudável que fazemos para bebés. Até hoje, ainda não houve nada de que ela não gostasse. Adora qualquer fruta, até o ananás, prefere o peixe à carne e polvo põe-na a salivar. Até a uma tangerina com casca já deu uma dentada, o que provocou uma careta, para voltar à carga imediatamente a seguir. Só a sopa é que tem de ser sempre primeiro e sem mais nada à vista, senão tenta fazer gazeta ao prato que os miúdos por excelência se baldam.

Pai fora

Com algum alívio e muita pena nossa, o patriarca da família, o tio J., morreu, depois de algumas semanas de sofrimento. À tarde, o B. pôs-se a caminho de Coimbra para o velório e para o funeral no dia seguinte e ficámos as duas em casa sozinhas. Foi a primeira vez que a M. não viu o pai chegar a casa antes de jantar e passou uma noite sem ele. A meio da noite, ia para a porta da rua, levantava-se e apoiada nela, olhava para mim e interrogava-me "papá?", de palma da mão virada para cima. Tive de lhe explicar umas quantas vezes que o pai não estava e só no dia seguinte o ia ver. Na hora de ir para a cama, o biberão não foi suficiente e tive de me sentar no chão ao lado da cama dela para a convencer de que estava tudo bem. À meia-noite, ao fim de uma hora, lá adormeceu, depois de muitas certificações em como eu continuava de plantão. Deitei-me cansada e triste. Duas horas depois, às duas da manhã, acordei com o choro, para mim já normal do ritual da noite. Tirei-a da cama, acalmei-a e voltei a deitá-la. Ficou-se, mas com um sono muito agitado. Estive ainda um bom bocado com a minha mão em cima da sua cabeça para ela dormir mais em paz. Tornei-me a deitar, mas algo me fez ligar a televisão do quarto e deixá-la ligada. A partir daí, vi todos os números no despertador - a M. acordou de hora a hora a chorar até às 7h00... Ela chorou, às 3h, às 4h, às 5h, às 6h e finalmente às 7h, hora a que lhe dei o biberão de leite. Ou foi a falta do pai, ou fui eu que lhe passei a tristeza, ou algo mais. Não sei... Só sei que foi uma noite para esquecer!!!

Noite adentro

Tivemos uma fase looonga de más noites. Depois de adormecer com o biberão, acorda cerca de duas horas depois a chorar. Depois, é a luta para não adormecer outra vez. Acendemos a luz da casa-de-banho e entramos no quarto dela. Ela aponta imediatamente para a porta, na direcção da luz e temos porque temos de levá-la para fora do quarto. O truque é levá-la para a sala, para ir na direcção da luz, sentarmos-nos no sofá e encostá-la ao nosso ombro. Nós recostamos para trás e ela aninha-se em cima de nosso corpo e acaba por acalmar com a batida do nosso coração e o calor do nosso corpo. O chá às vezes resulta e depois de beber a litrada adormece confortada. Por vezes, acorda mais uma vez e temos de voltar ao mesmo. São noites aos soluços, com muito sono e choro à mistura. Hoje em dia, o ritual antes de ir para a cama é sempre o mesmo: deixar o biberão da manhã meio pronto para só ser necessário aquecer a água, caso acorde de madrugada, deixar um biberão de chá na sala para o que der e vier, assim como a manta a postos para a enrolar e um sono mais alerta para um choro assustado.

Batata frita

No sábado, véspera da festa de anos, dia em que a ama ficou a fazer doces, optámos pelo McNhonald's para um almoço tardio. Comprámos para todos, inclusive para a ama e a filha. A M. comeu a sua refeição primeiro e depois ficou a ver. Hum-hum... Nem deu tempo de sentar em condições, já ela estava a gemer e a esticar o braço para a nossa comida de plástico. Problema: era comida de plástico que não QUERO que ela prove antes de ter termos comparativos com os amiguinhos e por isso suplicar para ser igual à multidão. Por isso, o meu não-não era veemente. Mas... antes da minha nega, já a ama lhe tinha dado uma batata frita para a mão. Segurou-a com um ar intrigado e saboreou. É o termo. Devagarinho e com prazer. Seguiu-se uma segunda que despertou o mesmo prazer. Depois, armei-me em má da fita e disse convictamente que não à ama. Percebeu e por isso, parou. Por causa disso, não conseguiu comer mais sossegada porque a M. não parou mais de pedinchar. Parece que a cachopa sai a mim nas batatas fritas: venham elas! E são todas minhas, muito minhas e só minhas!!! :p

Fomos ao cinema!!!

Desde que a M. nasceu que não sabíamos o que isso era. A avó está longe e o avô e tia do meu lado ainda não são as pessoas indicadas para se deixar a criança. Talvez quando ela tiver mais idade... Temos duas voluntárias: a madrinha e a tia S. Como a madrinha mora em Sintra e tem de vir com o filho cá para casa, acaba por não ser uma solução muito viável, apesar da sua boa-vontade. Sobra a tia S, com quem a M. se dá lindamente. Depois temos outro problema: o pai galináceo... Convencê-lo a deixar a sua princesa sem um de nós enquanto vamos sair é um caso sério. Por isso, optei por ser pragmática. Para celebrar o meu aniversário como mãe pedi um presente: ir ao cinema. Combinei com a nossa amiga e fui informando o B. do facto. A reacção foi sempre de nega, mas uma nega tímida, pelo que fui insistindo naquele dado adquirido da ida ao cinema. Chegados ao dia, parece que o B. lá deu autorização à tia S. para combinar comigo a saída, sob o auspício "mas não me façam muito a vida negra...". Assim, a tia S. jantou connosco e ficou com a M. enquanto nós fomos ver o Mamma Mia. Durante toda a sessão, por entre as gargalhadas, o B. ia espreitando o telemóvel para ter a certeza absoluta, sintética e analítica de que não havia nenhum telefonema que tivesse passado despercebido. Como se isso fosse possível! Tinha o telele na mão, de onde não saiu o tempo todo, que apesar de estar sem som, acende quando alguém telefona... No final, saiu cheio de pressa e viemos direitinhos para casa. A sua cara relaxou ao entrar porta dentro e ouvir uma vozinha de felicidade gritar do quarto "mamã! papá!". A tia S. brincou a noite toda com ela e já estava no quarto dela às escuras a tentar adormecê-la em vão. Parece que, no meio das brincadeiras, passou a noite a ir à porta do nosso quarto e olhar para trás, encolhendo os ombros de palma da mão para cima, com uma expressão de "não há!". Acabou por adormecer ao meu colo com o biberão da noite, que chegou quase à 1h00. Qual deles o pior!... ;)

Biberão da noite

Depois de várias estratégias tentadas, sempre com guerra para dormir, optámos pelo biberão da meia-noite, que a pediatra dispensou, tendo em conta que a M. se alimenta muuuito bem. Assim, cortei no jantar, passando este a ser só composto por sopa e fruta, para caber um biberão três horas depois. Agora entre as 23h e as 0h00, para dar um intervalo simpático após o jantar, fazemos o biberão, que eu lhe dou enquanto trauteio uma melodia de ninar. Normalmente, adormece. Quando acaba o biberão dou-lhe a chucha e ela fica-se, ou na posição em que estava a mamar ou enroscada em mim. Costuma dar uns suspiros ou uns gemidos de quem está aliviada por finalmente estar a descansar. Porque será que é tão difícil render-se ao sono e ao mundo do João Pestana?...

sábado, 13 de dezembro de 2008

Luta para adormecer

A M. é igualzinha a mim - não quer dormir e luta desumanamente para o conseguir. Normalmente, por volta das 22h tentava deitá-la. Dava o beijinho de boa-noite ao pai e seguíamos para o quarto. Depois era conforme, mas normalmente não era fácil. Depois de um pouco de mimo ao meu colo deitava-a, a sussurrar-lhe ao ouvido que estava na hora de fazer ó-ó. De seguida, tinha de me sentar no chão ao lado da cama. Ela ia confirmando que eu estava lá, por entre cambalhotas e tropelias, tudo para não adormecer. Ao fim de uma hora, acabava por se render. Com o tempo, este pequeno esquema foi perdendo efeito... Por já se conseguir levantar com facilidade, por já conseguir resisitir mais tempo e por já conhecer o truque. Assim, começou a chorar quando a punha na cama. Foi evoluindo para uma luta interminável que não permitia o descanso de ninguém durante pelo menos hora e meia. Chage ao cúmulo de estremecer a cabeça e abrir os olhos redondos quando sente que está a quebrar, só para despertar... Isto, é claro, conforme as noites. Mesmo assim, ainda hoje tem noites em que adormece depois de jantar por causa do cansaço da ginástica ou da natação, e aquelas em que a minha presença ao lado da cama é suficiente. Mas a luta continua...

Palavras dominadas

Depois, para além do mamã e papá, tem aquelas que já sabe dizer na perfeição: caca, pão, papa, pé e mão. Estas já saiem sem hesitação ou balbuciares.

Arranhadelas nas palavras

Aqui ficam as palavras já dominadas pela nossa pipoca: Mé-mé (ovelha) páte (pato) papáto (sapato) mêi (meia) cocó (galinha e galo) memmmme (tentativa de mu! da vaca) pê (peixe) pôpê (pompeu - o nome do peixe do livro do banho) bá (bola) bão (balão) tshá (chá)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Presentes

Das várias prendas que a M. recebeu, há duas que acho que devo mencionar: o mé-mé grande e as bolas. É assim que os identificamos cá em casa. O primeiro é uma ovelha de baloiço, comprada na Imaginarium pelas colegas do B. Parece que a primeira intenção era a Lola de baloiço, mas não a encontraram. Pois, ainda bem. A M. adora tudo o que seja mé-més, então um gigante, que baloiça, tem um sininho e bale quando se carrega no botão é o máximo! De vez em quando pede para andar e lá lhe fazemos a vontade. Ainda por cima, tem a mais-valia de ter umas rodinhas que se podem baixar e assim andar pela casa fora de ovelha. O outro foi o presente da tia C., também da Imaginarium, que é uma pirâmide de copos cilíndricos de tamanho decrescente, com um buraco cada um, junto com cinco bolas, duas das quais fazem barulho, que se enfiam em cima para cairem pirâmide abaixo até sairem no buraco da base. A M. não larga aquilo! Na noite em que lhe dei o brinquedo, esteve que tempos a enfiar as bolas no topo para as ver cair e no final bater palminhas de satisfação. Agora, se não está a brincar com o conjunto, anda com as bolas na mão e pede-nos interminavelmente para as tirar de debaixo da cama ou do sofá quando para lá escorregam. Obrigada pelos presentes fantásticos que nos deram!

Obrigada

Para além dos agradecimentos às amigas e amigos que apareceram, ajudaram, se ofereceram e apoiaram, quero aqui deixar um especial para o tio Pipe e a tia S. Uma das coisas de que o B. mais sente falta na cidade é do apoio a que sempre esteve habituado no seio da sua família. Aqui sentimos-nos um pouco perdidos e sem apoios, por motivos que nos ultrapassam, a um, ao outro, ou aos dois - uns longe da vista, outros longe do coração. Os pais do B. não puderam vir à festa de anos da M. pois o meu sogro tinha sido operado na semana anterior, e digamos que 400 km não é a melhor terapêutica a seguir. O meus cunhados também não pois têm uma padaria que não pára para gerir. O B. estava desgostoso e teve alguma dificuldade em aceitar os factos. Foi mais uma vez o salvador da pátria que fez as honras da casa. O mano mais novo pôs-se a caminho e veio à festa da afilhada, que sei ser uma das meninas dos seus olhos. Sem a sua ajuda, assim como a da sua namorada, muitas das coisas não teriam sido possíveis. Por isso, aqui fica o obrigada em directo e o registo de que, mais uma vez, escolhemos bem o padrinho da nossa filha, assim como a sorte de termos esta tia emprestada. Um beijo lambuzado da pipoca e um sorriso amigo dos pais para os dois.

A festa

A comida tinha ar e estava apetitosa, a sala estava bonita e acolhedora. O sítio em si é fabuloso para festas - tem uma sala ampla, cadeiras q.b., brinquedos, uma casa-de-banho com fraldário e outra com WC para os mais pequeninos, uma mini-cozinha e até um micro-ondas. O jardim é enorme e está fechado por um portão, pelo que a pequenada pode correr à sua vontade. Os amigos apareceram todos, com excepção de três que não conseguiram mesmo ir, dando-nos a certeza de sermos acarinhados por todos, mesmo por aqueles que não apareceram, mas que não deixaram de dar um olá. O dia estava lindo, com um sol quentinho a aquecer quem lá estava e a abrilhantar um dia já por si memorável. A tia F. ofereceu-se para tirar as fotografias, o que me tirou um peso de cima e me permitiu estar com todos (obrigada!!!). O meu maior receio semi-confirmou-se com uma tirada muito infeliz do avô, que infelizmente é impossível de controlar, mas as amigas mais chegadas iam gerindo os meus sentimentos em relação a isso e à tia maluca, para que não causassem muitos danos, nem que fosse permitindo-me desabafos discretos por entre os sorrisos para os convidados (um muito e muito obrigada!!!). Os balões fizeram sucesso e a miudagem divertiu-se a rebentá-los, quando estes não o faziam sem ajuda, apesar dos mais pequenos, incluindo a M. não se assustarem nem um bocadinho (confesso que passei a não achar muita graça aos ditos, de tanto salto que dei naquela tarde...). A M. estava delirante com tantos meninos e meninas à sua volta e ia-se revezando por entre os colos de todos, pelo meio de muita brincadeira. Fez as delícias de todos e apesar de eu não ter tido quase tempo nenhum com ela, fui vendo pelo canto do olho a sua felicidade, o que me bastou. A sua amiga mais que tudo, também M., estava lá, vestida de igual (LOL!!!), e a nossa M. choramingava se a via longe do seu alcance, o que mais uma vez, só nos (a mim e à tia F.) deixou felizes, com a certeza de uma bonita amizade. Passou o dia a comer e a gritar "pãeinnn" para quem a quisesse ouvir e raras foram as vezes que eu não a procurei e vi com algo na mão para comer. Os "parabéns" foram bem recebidos por ela, cantados ao meu colo, pedindo segunda volta no final da cantoria, e viu-nos, a mim e ao pai, a soprar o bolo com um ar admirado. No final, o cansaço era tal, que 50 metros depois de termos arrancado, adormeceu no carro a caminho de casa, tendo feito uma birra gigante ao chegar a casa, por ter sido obrigada a ser acordada para se mudar de fralda e roupa, ambas muito sujas. Calou-se a custo e rendida, com um biberão que serviu de jantar e ceia, tendo ido para a cama sem banho. O resumo da história: ainda bem que a fizemos, a primeira festa de anos da M., com todo o orgulho que nos é permitido, ficando estampada a felicidade naquele grupo que quis celebrar connosco um dos dias mais importantes da nossa vida. Ah! E o B. já escolheu o tema dos 2 anos: as flores... :)

O bolo

A conselho de uma colega de trabalho, optei por espreitar o blog onde foi mandado fazer o bolo de despedida de solteira de uma colega e amiga, que devo dizer estava fantástico. Depois de ver uns quantos engraçados, descobri um que era a cara da M. Um 1 gigante, cor-de-rosa, decorado com flores e... a Lola! Era perfeito. O preço não era convidativo, por isso desisti da ideia, mas não sem antes mostrá-lo ao B. em casa. Calhou a madrinha da M. estar cá e também ver. Gostou tanto que fincou pé em como devia de ser aquele o bolo de anivesário da afilhada. Queria tanto, que chegou a oferecer-se para pagar metade, pelo que ficou decidido. Com massa de iogurte por causa dos mais pequenos, ficou o bolo escolhido semanas antes. Estava lindo! Só um senão para preciosistas como eu - os cornos da Lola não são brancos e pontiagudos, mas sim pequeninos, rosa e redondos. Mas nada que alguém para além de mim tenha reparado... ;) http://www.nosemaisebolos.blogspot.com/

Festa - preparativos 2

Quanto à comida, a ama da M., que passou a semana de véspera a dar palpites e a sugerir mais e mais coisas para a festa, disponibilizou-se para fazer os doces, tendo vindo no sábado para tal tarefa, acompanhada da sua filha mais nova. Ela tratou dos doces e assim ficámos com brigadeiros de cacau e outros de coco, gelatinas, um pudim e uma mousse de chocolate caseiros e uma tarte de natas. A avó mandou duas bolas de carne e a tia queques de chocolate. Tudo junto com as quiches feitas no dia anterior, os rissóis, croquetes, chamuças e pastéis de massa tenra encomendados, batatas fritas, umas sandochas de pão de leite e sumos com fartura, decoraram as mesas para os convivas. Fome ninguém ia ter... E eu cumpri os meus dizeres de sempre ao afirmar aos sete ventos que festa que é festa é caseira, sem Mcnhodal's ou Pizzas Hut em série. O B. foi de manhã limpar a sala e pôr as mesas com a ajuda do tio F., enquanto eu tratava do resto em casa, graças à tia S. que fez de baby-sitter à pressão ao brincar com a M. a manhã toda. Ao irem almoçar fora, ainda tiveram o discernimento de repararem que a vela do bolo tinha ficado esquecida na mala da mãe da pasteleira e que por isso era preciso comprar uma, incumbência que lhes coube a eles. Às 14h30, o B. estava quase arrependido, e dizia entre-dentes que era a última vez, que para o ano ia para um daqueles sítios pré-fabricados e plastificados. Às 15h00, já animados e curiosos, de vestido novo, mãe e filha, estávamos a chegar e a abrir a porta aos primeiros convidados, quase mais pontuais do que nós.

Festa - preparativos 1

Depois de alguma relutância da minha parte, acordámos numa festa de anos para a nossa pipoca com mais gente do que nós os três. Como ela fez anos numa segunda-feira, marcámos para o domingo seguinte, no espaço dos Francisquinhos (espaço neutro, grande e com jardim). Para não variar (é uma característica muito nossa), deixámos tudo para a última. Comprámos os pratos, copos e talheres de plástico (minha rica ecologia!...) semanas antes e até alguns balões, mas o resto da decoração também não. Na semana que antecedia o grande dia, nos bocadinhos que tínhamos, andávamos feitos loucos à procura de toalhas descartáveis, balões, fitas e outras coisas e loisas giras e em conta para a festa. Pois está claro, que algumas das coisas ficaram para o próprio dia. Nesta onda, na véspera, comprámos fitas de manhã, as toalhas (ainda por cima uma tinha defeito - tinha um buraco gigante no meio que obrigou à compra de outra na noite de sábado!!!), mais plásticos e mais balões à tarde. Saímos do Colombo às 18h00, indo o B. para a sala e eu, entregue à filha, fui a correr para o estacionamento do Continente para receber o bolo de aniversário. Com a parvoeira da desorganização ainda preguei um susto à pasteleira que, trinta minutos antes da entrega, em Almada, recebeu um telefonema meu, já meia enervada, a dizer que pedia desculpa, que esquecesse, mas já não dava, que não tinha tempo e que tinha de desmarcar e que ia inventar eu alguma coisa para não parecer mal. A desgraçada gaguejava e dizia-me para me acalmar, que ela ia entregar o bolo à festa no domingo à tarde, onde era, que ela ia. Foi quando percebi... Eu estava a desmarcar a manicure e tinha marcado o número do bolo... O que vale é que a Sara tem sentido de humor... Entre banho e jantar da M. não consegui fazer mais nada e fui entretanto chamada à sala da festa, onde a minha opinião era precisa. Lá fui, sem jantar. A sala já estava meia decorada. O B. com uma ideia de festa fabulosa para a filha, exagerou na fotografia e imaginou 200 balões cheios pela sala fora, que encomendou à noite à desgraçada da tia S., talvez para lá ficarem até à manhã de domingo a encher... O tio F., que veio passar o fim-de-semana à capital para estar com a sobrinha na festa, e a tia S., abdicaram do jantar e do cinema para ajudar (lá viram a coisa negra e renderam-se à invasão dos balões) e já tinham bufado e soprado para milhentos balões de todas as cores para fazer um palhaço com aqueles. Ao chegar, ajudei a dispor a restante decoração - fizemos uma espécie de M com uma fita de 14 metros cor-de-rosa, pois está claro, cercada de balões rosa e brancos e deixámos eu sei lá quantos escondidos atrás das cadeiras para a criançada. De regresso a casa, toca de fazer quiches e os saquinhos dos miúdos com as gomas ou os balões, conforme a idade. Escuso de dizer que, mesmo assim, sobraram balões para os próximos dois anos, certo? Deitámos-nos passava da uma da manhã, com a ideia certa de que o dia seguinte não ia ser mais fácil...

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

17h30...

No dia a seguir aos anos da M. recomeçou o horário completo... Acabou-se a saída às 15h30, acabaram-se aquelas horas extra a brincar, a passear e a ir para a esplanada com a filha. Estava deprimida, com uma neura só. Fiz um esforço para controlar a vontade de chorar, que já há uns tempos se quer expandir pela contrariedade que me é imposta diariamente. Naquele dia, às 17h30 em ponto, tinha fogo a queimar-me as solas dos sapatos, e fugi para o carro ainda com o pim! do relógio de ponto a soar atrás de mim. Não consegui nessa semana deixar o carro à porta da estação de comboios e obriguei-o a percorrer todos os dias os quase 30 km de um percurso que inclui o IC19. Agora, o dia acaba já de noite, o frio aperta e a terra de eleição do Eça de Queirós não é a minha. Agora, chego a casa às 18h30, a correr, para não chegar atrasada para a ama me entregar o testemunho. Nos dias da ginástica, nem tenho tempo de dizer olá - quase a chegar, dou um toque de telemóvel para que desçam com a minha encomenda preciosa e sigo caminho com ela a chorar porque a mãe não a cumprimentou condignamente. Nos dias da natação tive de me render às evidências e chego quase no fim para ajudar o pai a dar banho, secar e vestir a pipoca. É isso ou impedi-la de usufruir destes pequenos luxos de que tanto gosta. Não há direito ter filhos para os outros os verem a crescer...

Confesso...

Ok! Ok! Faltou dizer... E parece-me que devo ser honesta para contigo... Ser-se Pai é o papel mais difícil de se interpretar neste teatro da vida. É um emprego a tempo inteiro, um part-time a todo o tempo, uma função que conjuga responsabilidade e diversão. Ensina-se e aprende-se todos os dias. É extremamente difícil conseguir perceber se estamos a fazer bem, se é isto ou aquilo que devemos ensinar, repreender, evitar, proibir ou permitir. Talvez só daqui a muitos anos, quando te tornares numa adulta (espero eu que responsável, inteligente, meiga e amiga), consigamos perceber se o nosso trabalho foi bem concretizado. Trabalho esse que não acaba na tua vida adulta. Continua enquanto cá estivermos, para te dar apoio, ajuda e acompanhamento no que for preciso, apesar de a um outro nível bem diferente. Agora, a preocupação são os alicerces, a fundação. É essa base que deve ser bem esculpida, bem moldada e muito, muito bem fundeada para te dar um fio a seguir daqui a uns anos, quando começares a querer fazer sozinha e te achares a dona do mundo. Confesso: muitas vezes fazêmo-lo às apalpadelas, sem certezas, ou pelo menos com muitas dúvidas, mas sempre, sempre com a plena consciência da nossa responsabilidade. Isso sempre. Por isso, tem sempre presente que qualquer falha foi sem intenção, sem maldade. E sim, confesso: adoro ser mãe. E sim, confesso: estou arrependida de ter esperado tanto tempo. E sim, confesso: se pudesse, eram mais vinte...

Nota da autora: serão negados quaisquer factos aqui relatados e qualquer comentário acerca destas afirmações será objecto de total indiferença (afinal tenho de manter a minha imagem!!!)

terça-feira, 25 de novembro de 2008

O meu um ano depois

Uma palavra era suficiente para quem me conhece no meu mais íntimo ser: mudei. Ou melhor, Mudei. De Mulher independente, irrequieta e inconformada passei a Mulher e Mãe, muito menos independente, por ter um ser totalmente dependente de mim, com uma capacidade de sentir diferente. Acho que foi essa capacidade que mais mudou em mim: o sentir. Agora, custam-me certas notícias sobre crianças, muito mais do que a impressão social de uma mente esclarecida. Reporto muita coisa ao "e se fosse comigo? e se fosse com a minha filha?". É estranho como isso acontece. A consciência do Mal passa a isso mesmo - Consciência. Com sentir misturado. Também mudei na capacidade de exprimir esse sentir. Já se ouve da minha boca expressões como "meu amor" (só para ti, filha. O teu pai ainda não teve essa sorte...). Apesar de ainda só o conseguir na presença tão somente do teu pai. Terceiros ainda não têm esse privilégio (talvez o tempo ajude)... Estou ainda mais preocupada com o futuro, com o que a História nos reserva e sobretudo, o que reserva à tua geração. Dói-me ver as asneiras da humanidade, que comprometem muitas vezes um futuro risonho aos adultos do amanhã - os sacrilégios contra o planeta, a natureza, a sociedade como ela existe. Os princípios e a ética de ontem transformam-se em algo por vezes incompreensível e até inexistente. Mas também dou muito mais valor ao que já se conseguiu evoluir agora para depois. Aplaudo com muito mais satisfação os sucessos da ciência, da tecnologia, da esperança que surge na forma de tanta coisa, desde umas eleições a mais uma espécie protegida. Em resumo: continuo eu no meu âmago mais íntimo, continuo rebelde e a desejar ser diferente, a querer sempre mais, a acreditar no mesmo, mas mais moderada nas atitudes, mais virada para aquilo que agora me é de mais importante: a família. A minha perspectiva, no fundo, mudou, mais orientada para ti.

O teu um ano depois

Passou-se um ano. Tenho tanta e mais alguma coisa para dizer... Está a acabar uma etapa e a começar uma nova era. Nasceste antes do tempo, impaciente desde o início, um ser pequenino com nota 10, que na primeira noite dormiu agarrada ao meu polegar como se já soubesses que aquele era o teu porto de abrigo. Começaste por ser uma menina muito sossegada, que dormia noites inteiras, e dava dias fabulosos. Eras a minha companhia na tua alcofa, a dormir ou muito quietinha a olhar para mim com esses olhos inquisidores. De uma boa-disposição a toda a prova, muito cedo, revelaste-te uma menina sempre sorridente, seguindo a tua mãe, conhecida por estar sempre a rir. A tua primeira gargalhada saiu cristalina e ficou para sempre gravada nas nossas mentes, e ainda hoje é uma das tuas características mais marcantes. Simpática é a palavra que mais oiço da boca de estranhos, para quem tu sorris por nada e por tudo. És uma apaixonada pelas pessoas, fã n.º 1 do teu querido papá, sabendo que eu não fico atrás, pois a festa quando chego a casa é igualzinha. O tio Pipe é o teu ídolo e o avô A. não lhe fica atrás, sendo para eles que fazes uma pequena guerra para lhes saltares para o colo. Não páras um segundo, sempre a mexer, sempre a gatinhar casa fora, à procura de mais alguma coisa e sempre, sempre a querer a nossa atenção, a não ser, é claro, que aches que não precisas de nós. Já não dormes como dormias, pregando-nos partidas de vez em quando (demasiadas, a meu ver) por causa da pêpê ou por causa de alguma saudade maior do pai ou da mãe. Revelas inteligência na forma como apreendes aquilo que te ensinamos, na forma como contornas algum obstáculo, chegando a nos "esnobar" com o teu sorriso quando vês o caldo entornado. Continuas "à frente" para a tua idade, como diz a tia S., e para nós hás-de ser sempre a n.º 1. Estás sempre cheia de apetite, sempre a querer provar o que te parece de comer, mesmo que não o seja, provocando sorrisos e "ohs!" surpreendidos de quem ainda não te conhece. Num ano transformaste-te numa quase menina, mas ainda és o nosso bebé. Seis palavras para te descrever: sorriso, cativante, esfomeada, determinada, irrequieta e caracol (que a todos deslumbra pela sua determinação em se manter sozinho do teu lado direito da cabeça...).

Esféricos

Como já disse, os balões e as bolas são uma das suas paixões. Agora, os balões passaram de "gapã" para "bão". Já a bola é a "bê", "bo" ou "ba"...

Os seus novos amigos

Nas nossas viagens, adquirimos o hábito de trazer um peluche típico do sítio para o nosso afilhado. Assim, trouxemos-lhe um camelo da Tunísia, uma rena da Finlândia e na lua-de-mel, um canguru da Austrália. Como já íamos com algumas intenções na calha, dessa vez, também trouxemos para nós. Vieram um canguru, um koala e um ornitorrinco da Austrália e uma ovelha da Nova Zelândia. Quando decorei o quarto da M. deixei alguns dos meus bonecos, nomeadamente estes, até porque foram já comprados a pensar nela... Já aqui contei o como é complicado convencê-la a estar quieta para mudar a fralda. O normal é ter de lhe dar para as mãos algo que a entretenha e mesmo isso não surte grande efeito. Agora, está na onda da ovelha e do ornitorrinco, vá-se lá saber porquê. Quando nos dirigimos paa o muda-fraldas, começa a apontar freneticamente para a estante a pedir o "mé-mé". Lá lhe dou a ovelha (que descobrimos 4 anos depois que tem um botão para a fazer balir...) e ela aponta imediatamente a seguir para o que está ao lado - o ornitorrinco, que à falta de melhor, também é "mé-mé". E assim, lá lhe vou conseguindo mudar a fralda sem grandes revoluções, comendo muitas vezes o desgraçado do ornitorrinco algum creme à mistura...

Dedeira

A pediatra mandou começar a lavar os dentes, dando-me a hipótese do flúor em gotas. O B. foi à farmácia, e lá inteligentemente, sugeriram comprar o flúor E uma dedeira e respectiva pasta de dentes para a habituarmos em mais uma rotina. Assim, veio artilhado com os meios certos para começar a tratar dos dentes da filha. Não sabíamos como ia a M. reagir aquela coisa estranha dentro da boca dela. Testámos ao jantar daquele dia. Adorou! Quando chega a hora de limpar a boca, começa a ficar excitada e ri-se de entusiasmo quando vê a dedeira a postos. Deixa limpar a boca a custo e depois abre a boca para saborear aquela coisa mista de banana e morango. Mas, mais do que saborear, ela gosta de... morder!!! É preciso um cuidado enorme para não nos fincar o dente quando menos esperamos, e mesmo com um ar zangado e a dizer ai! ai! ai! ai! (o meu modo de lhe fazer ver que está errada), nem sempre me escapo a uma boa trincadela... O que vale é que, com o tempo, tem vindo a aprender, e já reduziu o hábito canino. No final, salta de contente por ver que vêm aí as gotas. Põe a língua de fora e impacientemente deixa cair 4 gotas que quase a fazem salivar. Eu conto-as em voz alta e no fim, enquanto fecho o frasco ela olha para mim e com ar sabido diz-me: "já tá!".

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Vestido novo

Quando era criança tinha um ritual anual: em Dezembro tinha direito a escolher um vestido novo para estrear no meu dia de anos e voltar a usar no dia da consoada. Normalmente, era um dia animado: iamos 4 à procura da fatiota nova - os meus pais, a minha avó e eu. Também normalmente, as opiniões dividiam-se naturalmente em duas facções: eu e o meu pai gostávamos de um e a minha mãe e a minha avó gostavam de outro. É claro que o desempate era feito pela aniversariante, por isso, o meu pai vinha sempre para casa inchadíssimo por ter mais uma vez acertado... Achei por bem sugerir ao B. instituir esta mesma tradição para a nossa M. Assim, sem qualquer hipótese de conversações, o pai B. assumiu o cargo de comprador oficial da fatiota de festa da filha. Começámos por ir ao Corte Inglês, mas não encontrámos nada que nos dissesse algo. À noite, o B. espreitou a net. Descobriu na Jacadi a colecção "Petite Parisienne" e sentenciou - é este. No dia seguinte, fomos à loja. Depois de algumas tentativas frustradas a descrever uma roupa vista na net, cheguei eu e dei a referência. A senhora foi buscá-lo lá dentro. Veio tudo - o vestido, o body, o gorro e até o cachecol (contra a minha vontade por saber de antemão que não iria ser usado...). Chegou a casa inchado por a sua filha ir igual a uma princesa. Mas houve alguém triste com isto tudo... A minha sogra, nesse mesmo dia, ligou-me a pedir um favor: ir à loja e comprar "o vestido mais lindo que lá houver", como presente da avó... Ainda tentei convencer o B. a prescindir da titularidade da compra, mas em vão. Ficou a avó com o 2º lugar: oferecer o casaco...

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Dormiu com o pai...

Ontem, o B. foi deitá-la. Como não esperou que ela acalmasse primeiro, foi prendado com um choro cheio de soluços à mistura. Não resistindo, tirou-a da cama e pô-la em cima da outra, de visitas, que ainda está no seu quarto. Ali estiveram os dois até à meia-noite, hora em que fui ver se o pai não tinha aterrado por ali mesmo, para descobrir que afinal a menina estava a dormir encostadinha a ele. Hoje de manhã, ainda tentou uma teoria no mínimo interessante: é que esta noite ela não acordou. Ora, isso só podia ser porque ontem não adormeceu a chorar!... Já ouvi desculpas melhores... ;)

Balões

Ama de paixão balões mal cheios para que não os consiga rebentar com o seu agarrar pouco meigo! Farta-se de rir enquanto gatinha velozmente atrás deles. Ontem, durante uma brincadeira, deu-lhes um nome. Ao meu interminável repetir do "balão!", ela respondeu "gápã!", fixando-se firmemente nesta nova palavra. O "pinnnn" também foi usado, mas menos. Dizem que só os pais é que detêm o lêxico dos filhos nos primeiros anos. Não sei não!...

Bolas

Não sei se não será futebolista... Não pode ver uma bola que fica logo maluca. Põe-se no chão e ela vai gatinhando a uma velocidade razoável enquanto vai dando pantufadas com as mãos para a ver rebolar à sua frente. Em casa só tinha uma de pano com um guizo que ela já brinca ao atira comigo na perfeição. Este fim-de-semana, como a avó lhe queria comprar uma coisa qualquer, sugeri uma bola pequena das princesas da Disney, em vez de mais um boneco. Fez as suas delícias e chega a querer ir para dentro do parque porque ela lá está... A sua paixão por bolas é de tal maneira que na semana passada, no hipermercado, começou a ficar quase histérica a apontar para as melancias. Não estava a ver o porquê de tal felicidade por causa de uma fruta que ela não reconhece como tal. Só depois é que percebi: eram bolas!...

Dois passos!

No fim-de-semana, a brincar com o tio F., quis vir ter comigo. Estendi-lhe as mãos e o tio pregou-lhe a partida. Conforme ela deu o passo em frente na minha direcção, ele largou-a e ela muito depressa deu dois passos sem se apoiar a nada. Hoje, repetiu a façanha. Agarrada ao sofá, estendi-lhe as mãos e incentivei-a a vir ter comigo. A rir, voltou-se de frente para mim e deu mais dois passos inteirinhos sem mãos! Também hoje, no The Little Gym, deixei-a seguir caminho, enquanto a vigiava, quando a vi em pé segura a uma almofada enorme para cambalhotas. Quando se soltou, ficou propositadamente dois segundos em pé sem se apoiar. Um pequeno passo para o homem, mas um passo de gigante para um bebé... Pode ser que ainda faça a vontade ao pai e comece a andar no seu dia de anos...

Banheira

Fica louca quando vê a água da banheira a correr. Põe-se em pé a apontar e a pedir para ir lá para dentro o quanto antes. Depois de entrar, fica em pé a chapinhar na água e só depois é que se senta. Os seus brinquedos são sempre os mesmos: o pato da Imaginarium (do qual já aqui falei), o termómetro de água que nunca usámos quando era recém-nascida e que tem a forma de um peixe amarelo e o livro do flutuar (uma bóia amarela em forma de estrela com o peixe chamado Pompeu e que ela quase que já diz bem - "pompê"). Para a conseguir esfregar da cintura para baixo, a técnica é sempre a mesma: começo a atirar água para as costas e para a barriga e ela automaticamente levanta-se e agarra-se à borda da banheira. Dá-me o tempo suficiente de a lavar em condições. Depois, divertimos-nos um bocadinho por nada com a água e os brinquedos. É sempre um bom momento.

Treino para a natação

A banheira tem servido de treino para os dias de natação. O chap, chap, chap é com o bater das mãos e dos pés na água. Agora já se vê água a sair para fora e ela achar normal os salpicos na cara quando a violência do gesto o justifica. Também o deitar de costas é ensaiado. Aviso-a de que a vou deitar e ponho-lhe a mão nas costas. Ela acede deitar-se para trás segura por mim. Mas só um bocadinho!... Parece que estão a resultar, pois já identifica os gestos e não refila muito com o deitar de costas... Amanhã verei os frutos destes meus ensinamentos caseiros.

Natação

A semana passada, estreou-se nos mergulhos. Até agora, sendo a mais pequenina da turma, apenas tinha autorização para se sentar à beira da piscina para se deixar cair nos meus braços, sem mergulhar a cabeça. Desta vez, juntou-se aos colegas de água e ao cair foi mesmo abaixo. Ao sair da água, vinha a fazer os prfff típicos de quem tem água a mais na cara, mas não houve pirolitos, nem choradeira. A professora Ana fartou-se de a aplaudir e ao fim de duas vezes achou que era suficiente. Quanto às outras actividades, adora todas, desde o barquinho (anda aos esses na água virada de frente para mim) ao gatinhar por cima do colchão até ao outro lado, onde eu estou (costuma ser o exemplo para a M. grande da turma, que tem medo de tudo. A coitada da miúda passa a vida a ouvir: "olha a M. pequenina! Ela está a fazer e tu não!"...). A professora de vez em quando faz umas maldades com o regador, para eles perderem o medo da água na cara e a M. nem reage - as nossas investidas na nossa banheira com a água na cabeça surtiram efeito. O chap, chap, chap das mãos e dos pés ainda precisam de mais treino e nem sempre são cumpridos. Para além disso, não gosta de nadar de costas, lutando para se virar quando chega a essa parte. A sua colaboração nem sempre é a desejada - quando é preciso pôr o esparguete debaixo dos braços, passa a vida a tentar tirar aquilo, o que para mim implica um esforço enorme para não a deixar cair de cabeça na água... Adora a bola amarela. Passa a vida a tentar chegar aquela coisa que não pára quieta um bocadinho e que é demasiado grande para conseguir agarrar. Ah! E adora comer o material das aulas - os pesos de esferovite então é à dentada! O cômputo final é extremamente positivo.

Pêpê!

Foi o pai que ensinou. Chucha, alias chupeta, alias, pêpê. Já o diz na perfeição e basta ela cair por qualquer motivo e põe-se logo a olhar para o chão e a dizer com um ar interrogativo - "pêpê?...". E estamos a ficar viciadas na dita. Cheira-me que vai ser um caso sério perder a dependência...

A galinha do vizinho

Ementa para o jantar:

  • sopa de bróculos sem sal - após algumas colheres: "hum... ainda se come, mas deve haver melhor..."
  • massinha com perú cozido sem sal - após algumas colheres: "isto até parece bom, mas há qualquer coisa que está errada..."
  • papaia - a meio da sobremesa: "ok, ok! Isto é docinho... Eu até gosto, mas mesmo assim..."

Não insistimos. Achei que o lanche tinha sido mais pesado ou que pura e simplesmente não tinha fome. Como a M. come sempre bem, não nos preocupámos, deixando um biberão meio preparado para a ceia, mesmo que estivesse já a dormir. Assim, sentámos-nos à mesa a jantar. Cardápio: peixe com batatas assados no forno. A M. espreitou para o prato do pai e... Começou a gemer, a debruçar-se toda sobre a cadeira de comer e a fazer tanto barulho, que mal nos ouvíamos. O que vale é que a pediatra já autorizou o sal. Aliás, é esse o motivo da greve de fome da nossa filha - já tem termo de comparação por ir petiscando dos nossos pratos enquanto comemos. Depois de saber o que é bom, o paladar refinou. Resultado? O B. não jantou, tendo a M. papado tudinho do seu prato. Conclusão? Comida sem sal e só cozida? Comam-na vocês!!!

Demasiado arisca

Na segunda, a M. acordou antes de eu tomar banho. Fui buscá-la e levei-a para ao pé do pai, para que este tomasse conta dela enquanto a ama não chegava. O B., no quentinho da cama, não se querendo levantar logo, especialmente porque estava frio, tentou. Abraçou-a e com muitos miminhos, enfiou-a para debaixo dos lençóis, enquanto a segurava nos seus braços. Hum-hum... A M. debateu-se, torceu-se, contorceu-se e conseguiu. Sentou-se e desatou a passarinhar cama afora com os seus dadás bem sonantes. Foi uma boa tentativa, mas a nossa filha é demasiado arisca para essas façanhas, pai!...

É mesmo do contra!

No sábado tive de acordar às 7h30. A M. achou por bem só acordar às 9h30. No domingo, tinha a manhã por minha conta. A M. estava a pino às 7h20... Irra, filha! Podias ser mais amiga da mãe!!!

Pede a guitarra

O tio F. também estava em Quiaios. Como de costume, tivemos festa e guitarrada. A M. fartou-se de dançar e até experimentou dedilhar naquelas cordas duras. No final do fim-de-semana, já quase de partida, estava a M. ao colo da avó (que fez o gostinho ao dedo e adormeceu-a ao colo), quando viu a guitarra em cima do armário. Apontou, olhou para a avó e fez um "ãhhh" de quem pede. A avó perguntou-lhe se era a guitarra que queria, ao que ela voltou a apontar e desta vez... abanou-se como que a dançar. Como quem, toca lá aquilo que eu quero dançar!...